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Ninguém sabe desse blog

terça-feira, outubro 24, 2006

Emprego novo

Eu olho para todos os lados e vejo livros.

Vou buscar um café e vejo livros. Se pego água, é a mesma coisa. Quando vou almoçar também.

Quem disse que anjos não existem? O meu mal chegou no céu e já me deu de presente o emprego dos meus sonhos...

Alguma distração nesses dias tão difíceis...

domingo, setembro 10, 2006

COMO VENCER A MORTE - Anna Maria Ribeiro

Publicado no jornal eletrônico Montblaat em 01/09/2006. Para assinar o jornal, envie email para flordolavradio@uol.com.br


Debaixo da porta o folheto: A morte é aquilo que causa maior medo ao ser humano. Se você está nessa situação, alegre-se porque há uma saída. Para isso, leia a orientação que vem escrita abaixo. Não – penso - não estou nessa situação, isto é, não tenho medo da morte. Vez por outra a vida me mete medo, mas a morte (ainda) não. De qualquer modo resolvo proceder à leitura. Afinal, sabe-se lá, este medo pode se instalar de repente e sempre é bom estar prevenida. Leio com atenção e verifico que não se trata de uma saída, mas sim de uma entrada. A orientação trata de como ingressar no Reino dos Céus, desta forma vencendo a morte. Mas será que se trata de uma vitória sobre ela? Parece-me mais uma troca: trocar a vida por um ingresso no Paraíso, mais que garantido, se seguir à risca a orientação. O folheto é um pequeno manual de como agir para realizar esta troca. Agnóstica que sou não consigo me identificar com aquelas palavras. Não que as instruções sejam impossíveis de ser seguidas ou que ofereçam dificuldades intransponíveis. Sinto até uma pontinha de inveja daqueles que, seguindo à risca, adquirem uma certeza de que serão recompensados com tantas e maravilhosas promessas. Mas cá comigo as coisas são diferentes. Não vejo como vencer a morte! O que posso fazer é vencer a vida. Não escrevi errado, não. Não quis dizer na vida. É a vida mesmo. Por que esta faz da suas! Tem que se brigar pra viver. E como! Não falo das grandes catástrofes ou sofrimentos. Estes vêm como um terremoto e não há como vencer. É deixar o tempo passar – porque passa – e depois cuidar do ferimento inevitável para que se torne cicatriz. E cicatriz um belo dia pára de doer. Vai ficar lá para sempre, lembrando, lembrando..., mas a dor, aquela terrível, se dissolve em lembranças. Falo das pequenas lutas. Daquelas de que não são percebidas por outros se saímos vencedores. A gente nem mesmo faz a contabilização do quanto custou ou custa. E tome livro de auto-ajuda, Paulo Coelho, o escambáu. Acredito até que façam efeito para algumas pessoas. Nunca fizeram para mim. Uma pena! Teria talvez sido legal! Minha auto-ajuda me foi legada por meu pai que nunca me disse que se fosse uma boa menina, depois uma boa mulher, teria reconhecido meus esforços, nada de mal ou desagradável me aconteceria e eu viveria feliz para sempre. Não é assim. O andar correto é só um bem-estar interno. E põe interno nisto! Não é objeto de reconhecimento ou elogio de outros nem impede que aconteça o que tem que acontecer. Ao contrário, acontece de tudo e quanto a elogios já ouvi coisas espantosas como “você tem síndrome de vestal! Todo mundo faz isto!” Ou seja, fui chamada de boba, ingênua. Mas já lá estou eu divagando por outras paragens. Falava era do medo da morte. A gente sabe que ela vem. Para todos. Por que o medo? Não é alguma coisa que pode acontecer. É o que vai acontecer. Seria o mesmo que ter medo da vida que acontece todos os dias muito diferente do que planejamos. De um certo modo é difícil para todos. Mais para alguns, é verdade, o que é profundamente injusto. Mas paradoxalmente a vida é também pra lá de boa. Gostosa de ser vivida se, além de se perceber as vitórias que conquistamos e que ninguém vê, formos capazes de nos dar conta de que coisas boas até acontecem. Quem sabe a morte será assim também? No momento em que escrevo a mangueira está agitada pelo vento. Mas não me parece aflita. Balança de acordo sem que os galhos se quebrem. Ela tem a intuição de que se for se meter nessa luta inglória contra o vento vai se machucar. Não é que ceda a qualquer coisa. Não! Tanto que está em pé, sabe-se lá há quantos anos. Tenho aprendido muito com ela. Afinal, centenária como é, parece bem mais moça do que eu. E olha que deve ter passado por poucas e boas, permanecendo viva entre dois prédios, coberta da poluição dos carros, podada sem dó nem piedade quando alcança um fio ou uma janela e que mais sei eu. E o que é mais espantoso, apesar dos pesares, reveste-se de novas folhas sempre. São de um verde mais claro que vai escurecendo à medida que o tempo passa. As coisas boas – as novas folhas – durante algum tempo são destaque. Depois se incorporam às antigas e eu não consigo mais identificá-las. A mangueira absorve o novo, o bom. Guarda lá dentro dela. Só pra ela. Sabida, né? Se vai morrer um dia? É mais que provável. Bem depois de mim, espero. Mas não vejo qualquer preocupação com isto por parte dela. Vive produzindo vida. Nunca vi nela um movimento autodestrutivo, embora a destruição esteja à sua volta. E oferece mangas em profusão para delícia dos micos e dos passarinhos que delas se apoderam antes de mim. É isto: a mangueira sabe conviver com a cobiça de seus não iguais. A gente às vezes dá nó em pingo d’água para conseguir isto. De coração agradeço o folheto. Sei que a intenção foi boa. Mas não me serve de muito. Nem de pouco. Quero, sempre quis, vencer a vida. E nisto, no todo dia a mangueira me ajuda mais. Quanto à morte, a minha, creio que será mais impactante para quem me gosta do que para mim. De qualquer modo não é coisa que eu possa treinar ou aprender. Vai ter que ser de improviso na horinha dela.

quinta-feira, agosto 10, 2006

O meu criança esperança

Sim, eu fiz apenas o meu trabalho. Mas ver aquelas crianças felizes, pedindo uma foto ou autógrafo de RA e M fizeram com que eu me achasse muito importante por ter contribuído praqueles rostinhos estarem tão sorridentes.

Sim, eu saí de perto e fui chorar escondido.

domingo, agosto 06, 2006

MEU VOTO IRIA PARA...

Que orgulho desse cara. Suas opiniões são sempre lúcidas.

Sou argentino. Tenho quase 20 anos de Brasil, todos eles dedicados principalmente à Educação. Como estrangeiro, não posso votar aqui. Mas, se pudesse, já saberia a quem destinar meu voto nas próximas eleições. Meu voto iria para a Educação. Para ser sincero, seria uma decisão fácil. Os motivos são tantos — e as alternativas, por mais atraentes que sejam, menos urgentes — que não haveria por que hesitar.

Ao votar na Educação, estaria votando simultaneamente no desenvolvimento sustentável, na produção de mais conhecimentos, no aprendizado e desenvolvimento das ciências, na preservação do meio ambiente, no controle da Aids, na saúde em geral, na criação de empregos, na segurança pública, nos direitos humanos, na construção da democracia plena. Ao eleger a Educação, contemplaria todas as outras áreas candidatas a prioridade nacional.

Estou convencido de que comigo votariam os mais de 60 milhões de alunos de todos os níveis e de todas as modalidades de ensino público e privado do Brasil, assim como quase 3 milhões de educadores de todas as redes e de todos os níveis de ensino público e privado, o que totaliza, portanto, cerca de 63 milhões de pessoas. Além delas, votariam comigo os 27 governadores e os mais de 5.500 prefeitos, sem contar, é claro, todos os secretários estaduais e municipais de educação, o próprio ministro da Educação e seus colaboradores no Ministério, os milhares de integrantes de associações de pais e mestres e de ONGs educativas e os empresários que defendem a melhora da qualidade do ensino público no Brasil. Também estou seguro de que votariam comigo todos os candidatos a presidente da República e aos demais cargos eletivos. Seriam, portanto, mais de 70 milhões de votos, além do meu.

Votaria na Educação porque somente ela permite a verdadeira inclusão social. Outras áreas podem prometer o mesmo, mas dificilmente conseguirão cumpri-lo, pelo menos não com idêntico grau de eficiência e sustentabilidade.

Votaria na Educação porque ela representa um investimento com alto índice de retorno. Cada centavo investido em Educação representa milhões de reais em desenvolvimento e em poupança. Votaria na Educação porque ela alavanca outras áreas, como as artes, a indústria, o comércio. Com ela, avança a sociedade como um todo.

Votaria na Educação porque, sem ela, tampouco há desenvolvimento científico e tecnológico. O conhecimento que ela proporciona só fortalece e enriquece a democracia. Na verdade, não pode haver democracia de fato onde não há Educação de qualidade para todos. Há, ao contrário, exclusão social em suas diversas formas de manifestação e com suas mais desastrosas conseqüências.

Votaria na Educação porque ela é uma das principais saídas para as disparidades regionais, entre Norte-Nordeste e Sul-Sudeste. Com vultosos recursos, eficiente sistema de gestão e uma política de discriminação positiva, a Educação pode reduzir — e a longo prazo exterminar — o fosso inter-regional, e o próprio fosso intra-regional, que transforma compatriotas em estrangeiros em seu próprio país. A Educação de boa qualidade para todos pode garantir oportunidades iguais para todos.

Mais 70 milhões de eleitores da Educação — e as instituições que eles honrosamente representam — estão convencidos de que o descaso com a Educação, em qualquer que seja a latitude, resulta em atraso político, econômico e social. Assim é que todos podem concluir o mesmo que eu: ou se vota na Educação, elegendo-a como prioridade absoluta, ou tudo o mais será apenas retórica vazia.

JORGE WERTHEIN é assessor especial do secretário-geral da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). E-mail jwerthein@oeibrpt.org .

Publicado no Globo em 4/8/2006.

Posts

Quantos posts depois de um longo e tenebroso vazio de quase um ano! Não sei quando volto aqui...

Plantão

Um lindo dia de sol e eu trancada na repartição...

Observações no ponto de ônibus

Eu vi, em um dia de jogo, torcedores do Flamengo esperando o ônibus para ir ao estádio. Faziam barulho, eram mal-educados e com aparência de brigões. Um deles bebia uma latinha de cerveja. O ônibus chegou, ele olhou ao redor e não viu nenhuma lixeira para jogar a lata. Então... ele guardou a lata no bolso e entrou no ônibus! As pessoas (ainda) podem nos surpreender.

No mesmo dia, em outro ponto, um homem brigava sério com a mulher porque ela tinha rido quando eles quase tinham sido atropelados. Ele realmente estava com raiva e a chamava de debochada. Ela, é claro, não entendia nada. Não se pode mais rir de nervoso? Acho que não.

O tempo

"Eu não pertenço a esta época atual". Sempre penso isso quando leio Machado ou Lima. E li um Lima ótimo. Trechos de diários, cartas, rascunhos de livros.

quarta-feira, março 29, 2006

Crianças são ótimas - principalmente acompanhadas de batatinhas...

Não odeio crianças, mas acho que são, na maioria dos casos, dispensáveis. Salvo aquelas - poucas - bem educadas. E deixo aqui o meu registro de que bem educadas não significa quietinhas. O que não tolero são "monstrinhos". João Ximenes Braga resumiu o meu pensamento no sábado passado:

Ironia do destino

Mesmo para alguém sem qualquer tendência ao misticismo ou à religiosidade, às vezes é difícil duvidar da idéia, muito popular entre esotéricos, de que todos os seus atos e pensamentos têm conseqüência imediata na sua vida. Por exemplo, eu não gosto de crianças. A informação costuma chocar as pessoas de bem. Você diz não gostar de crianças numa roda e, pronto, todo mundo conclui que você é um crápula. Não entendo isso: crianças também não gostam de mim, é uma relação bem resolvida.

Ou pelo menos assim eu pensava.

Em recente viagem de ponte aérea, entrei no avião, localizei meu assento, botei a mochila no bagageiro e me sentei preparado para sobreviver a 50 minutos de tédio minimizados pelo aparelho reprodutor de arquivos de áudio (soa mal, eu sei, mas depois a polícia lingüística implica com “MP3 player”). Na medida em que novos passageiros entravam, adivinha quem senta à minha frente? Uma senhora com duas crianças.

A esta altura, o reprodutor não servia de mais nada. Aumentar o som o suficiente para isolar os gritinhos, as brincadeiras e os blábláblás infantis significaria danos definitivos aos tímpanos. A música, sim, ficou abafada pelas crianças. Cinqüenta minutos de tédio viraram 50 minutos de tortura claustrofóbica.

Avião pousado, fiz uma panorâmica e observei que não havia quaisquer outras crianças no vôo. Apenas aquelas duas. As duas à minha frente. Tinha que ser.

Logo voltei para o Rio e… a esta altura você já adivinhou. Novamente, o vôo lotado, com apenas uma criança. Dentre todas as possibilidades matemáticas de organização dos assentos, é claro que me coube ficar bem atrás da mocinha.

Vivo dizendo que meu sonho — enquanto o teletransporte não vem — é as companhias aéreas oferecerem opção de vôos sem crianças. Mas obviamente não se defende idéias como essa sem pagar um preço. O mundo é das crianças, eu apenas vivo nele. Nesses casos, Paulo Coelho está errado: quando você quer uma coisa, o universo conspira contra você. Estou certo de que, na próxima viagem, a única criança do vôo vai sentar ao meu lado.

Por essas e outras, morro de medo de avião. Imagina visitar o Gilberto Scofield na China? Quase 24 horas de vôo, com uma criança animada ao lado.


Será mesmo uma conspiração do universo? Carma? Algum ser superior me punindo por desobedecer à ordem natural da espécie de achar toda criança fofinha? Ou será pura coincidência sempre me caber o assento mais perto das únicas crianças presentes num vôo?
Bem, não acredito em carma, em justiça cósmica, em Paulo Coelho, na Lei de Murphy, e duvido um pouco de coincidências. Só acredito em ironia do destino.

Note bem, não acredito em destino, mas acredito em ironia do destino.

Mesmo que você adore crianças e não tenha se identificado com nada do que foi escrito aqui até agora, pense quantas vezes por dia você se pega dizendo “Eu mereço” ou “Essas coisas só acontecem comigo”. Pois é. Ironia do destino. Todo ato ou pensamento têm conseqüência imediata na sua vida, nem que seja só para você fazer papel de bobo.


Muita gente insiste que o problema não são as crianças, mas os pais ou responsáveis que não lhes dão educação. Pode ser. Mas a responsável pela menina do vôo de volta até se esforçava. Bastante.

— Não grita, não grita. Você é uma mocinha bem educada. Se ficar falando alto desse jeito, as pessoa vão achar que tu nasceu lá nas favela (sic).

Então, tá.



quinta-feira, março 16, 2006

A gatinha que achei na rua...

... ficou mesmo na casa da minha mãe e foi batizada como Sonata. É uma simpatia, carinhosa e brincalhona.

Tá ensinando o cachorro da minha mãe a agir como gato. Minha família é estranha e os animais de estimação também...

Desatualizado...

É... não tenho muita paciência para escrever aqui. Ainda bem que pouca gente aparece...

Em consideração à B, que deu boas gargalhadas com as histórias do meu pai, aqui vai mais uma dele, bem curtinha.

O maluco dos gatos, como eu disse que ele acabaria sendo conhecido nas ruas, após Saiph dar à luz CINCO gatinhos, capitulou.

Castrou Bellatrix, que ficou revoltada e seguiu seu rumo pelo mundo, desaparecendo de vez, deu Saiph e seus filhotes, e arrumou novo lar também para dois irmãos de Saiph, ficando com apenas um gato, o Tau.

Em boa hora, aliás, porque ele casou de novo: agora o doido dos gatos está casado com a louca dos peixes, hehe. Não ia dar muito certo a convivência dos animais de estimação, embora os gatos não entrassem em casa.

quarta-feira, outubro 05, 2005

Meu pai é uma piada I

Email recebido do meu pai esses dias...

"Meu pé esquerdo tá cagado. Metafórica e literalmente.
Anteontem fui descer a escada do porão, escorreguei e quebrei um dedo do pé esquerdo.

O Bruno estava comigo, fomos juntos pro Hosp. São Luiz.

Dei sorte (?) não doeu nada em momento algum.
Dirigi, andei pra cacete dentro do hospital, raio X, etc., redução pra por o osso no lugar, esparadrapo pra imobilizar, outro raio X, nem precisou de gesso. Quatro semanas pra consolidar. Vou trocar o esparadrapo no Hospital toda segunda-feira e fazer novo raio X pra ver se o lazarento continua no lugar. Até aí tudo bem, acidentes acontecem. Pois é.

Hoje estava sozinho em casa, fazendo uma carne assada (a receita é secreta, nem adianta perguntar), Pink Floyd tocando bem alto no micro (faz parte da receita), uma Bohemia escura bem gelada (também fazia parte da receita mas achei melhor beber) naquele copão enorme da Erdinger, eis que resolvi subir ao terraço pra ver se a música estava alta demais e, quem sabe, incomodando algum vizinho.

Subi uns 5 degraus e senti algo gelado no meu dedão do pé. Não é que um dos gatinhos, que estava com diarréia, fez cocô na escada? E foi pingar onde? Onde mais poderia ser?. No dedão do meu pé. Do pé esquerdo. Por que não no direito? Tinha que ser no esquerdo, o outro não serviria. Bem pertinho do esparadrapo. E nem era cocô fresquinho, já estava gelado.

Esse negócio de pé esquerdo, olha, sei não... Não acredito muito nessas conversas mas às vezes me pergunto se não tem alguma coisa que não contaram pra gente. Tem que ter
."

Meu pai é uma piada II

Meu pai de novo, dois dias depois...

"Pois é, se depender de calamidades acho que vou ganhar grana e fama. Pois não é que me estrepei de novo hoje?

Olha só. Dois dos gatos estão com diarréia. Tau e Kaos.

Ontem à noite dei um vermífugo pro Tau, que era o que estava por perto, e que tinha cagado no meu pé semana passada. Hoje de manhã, por volta das 8, consegui pegar o Kaos. Esse gato é super carinhoso mas entra em pânico à toa. Bom. Macaco velho, enrolei o dito cujo na toalha de banho deles pra não ser arranhado, peguei no colo como se pega um bebê, conversei bem mansinho, fiz carinho, etc. Um clima totalmente Zen. Tinha até som de passarinhos cantando. Qdo ele parecia bem calminho peguei a seringa pra ir pingando o vermífugo aos poucos na boca dele.

Aí ele virou um capeta. Conseguiu escapar da toalha e mordeu minha mão igual a um cachorro, sem soltar e com bastante força. Doeu pra cacete mas no início eu mantive a calma e fui falando bem carinhosamente com ele: "calma, gatinho, o que é isso, fica calmo, solta a mão do tio..." Aí o FDP (nessa altura o status dele mudou de gatinho carinhoso pra gato FDP) soltou e mordeu em outro lugar. Saía sangue pra cacete e eu dei uns tapas pra ele me soltar. Ele soltou, deu mais umas mordidas (também levou mais umas porradas) e correu pra dentro de casa se escondendo debaixo do sofá. Fui atrás com uma vassoura e pus o FDP pra fora de casa.

Lavei os machucados e fui pro Hosp. São Luiz. De novo. A recepcionista do estacionamento perguntou o que tinha sido e ficou com os olhos arregalados quando expliquei.
"Mas um gatinho fez tudo isso? Era só um gatinho ou vários?". Entrei no PS direto, não precisei esperar na fila. Acho que não queriam que eu sujasse o chão da sala de espera, o sangue ainda estava pingando. O médico olhou minha mão pra ver se precisava de algum ponto e eu pedi pra ele olhar o pé também (aquele mesmo da semana passada) pq tinha uma mancha de sangue na atadura e eu não sabia se tinha pingado da mão ou se era mais um furinho. Ele olhou e achou mais três furinhos...

Mandou um enfermeiro trocar a atadura e limpar os machucados. Só no braço tem 17 furinhos, na mão tem mais uns 23. Ainda tá sangrando um pouco. Na saída perguntei pra menina do estacionamento se ela queria um gatinho, eu já tinha quatro, quatro gatos é muita coisa... Mas ela não aceitou a oferta.

Cheguei em casa e fui direto pro quintal, já pensando em diversas modalidades de vingança. Tortura, afogamento, caldeirão de água fervente... Nenhum gato à vista. A machadinha fincada num toco do jardim parecia me chamar. "Olha eu aqui, me usa, me usa...".
Depois de deliberar um pouco peguei um tênis velho e fui pro terraço. Os quatro gatos são pretos e bem parecidos.

Vi três deles perto da churrasqueira. A Saiph, grávida, estava deitada dentro de um caixotinho de madeira, sobra de umas flores que comprei pro jardim. O Tau estava comendo e identifiquei o Órion bebendo água. Faltava o FDP. Onde estaria? Será que tinha fugido depois da confusão?

Quando fui me aproximando deles ví aparecer uma carinha DENTRO da churrasqueira. Era o FDP. Ele pulou para o chão e saiu andando meio desconfiado, em direção ao telhado, sua rota de fuga predileta. Antes que ele chegasse lá o tênis saiu voando na direção dele. Mas o FDP foi mais rápido e fugiu sem ser atingido. Aliás, fugiram todos em desabalada carreira, cada um para um lado. Só a Saiph deu uma corridinha e parou. Ela é espertinha, acho que percebeu que a coisa não era com ela. O Tau também já deu ar da graça.

Ainda não sei o que vou fazer com o Kaos. Na hora a vontade foi de estrangular. Qdo estava no Hosp. pensei em levar pra um lugar distante e abandonar. Agora estou pensando em não dar mais comida pra ele pra ver se ele vai embora sozinho. Além de acertá-lo com o tênis ao menos uma vezinha..."