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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Das "gorduras a mais", barrigas proeminentes, e afins...




"A mulher que se preocupa em evidenciar a sua beleza

anuncia ela própria que não tem outro maior mérito"

Julie Lespinasse
 


Na sequência de um mail que recebi de uma jovem que tem a paciência de vir a esta sala de estar rebusquei o baú das memórias para encontrar um post que escrevi em tempos sobre o "trauma das gorduras a mais". Não mudei de opinião.
 
 
M*, definitivamente, não é por ter uma gordura a mais ou uma barriga que de plana não tem nada que uma mulher deixa de ser bonita e/ou sensual.  Não é a "gordura a menos" que define o "mérito" de uma mulher. E quem te diz isso é alguém que desde os 15 anos tem cerca de 10 Kg a mais. Mais importante do que ter o "peso certo" é gostares de ti, saberes o que queres e para onde vais. No fundo, basta-te ser mulher na plenitude.
 
Mas, afinal, qual é o problema de uma pessoa ter umas gorduras a mais? Sem entrar nos extremos de "gordura é formosura" (quando o excesso de peso colide com questões de saúde), chegou a hora de quem tem peso a mais se deixar de culpabilizar.

 
Tem um pouco de barriga? Mas não é suposto termos barriga? Quem é que disse que ela tinha que ser plana? Onde está escrito?

 
As mamas têm gordura a mais? Mas até há quem pague para colocar mais gordura (via silicone porque a gordurinha boa e jeitosa ou se tem, ou não se tem).


"Ah, e tal, mas estes pneus são tão inestéticos... "- exclamam chorosas algumas meninas. Esperem lá...mas desde quando é que um ser humano tem rodas?

O menino não gosta? Paciência. Que vá dar uma volta que a fila é grande...
 
 
Uma pessoa quando acaricia outra gosta de sentir uma pela sedosa, não um monte de ossos. Mas se tem "panca" por ossos  que vá até um talho que eles costumam colocar de lado os ossos.
Queres um exemplo de que o peso a mais não define uma mulher? Ouve esta menina...

 
 

domingo, 8 de janeiro de 2012

Mulher gorda...




Este post do Confuskos fez-me recordar uma dúvida existencial que sempre tive.

A grande maioria dos homens gostam de uma mulher bem feita de corpo. Mas isso não chega. Uma mulher até pode ser bem feita de corpo e ser proporcional mas se tiver uma gordurinha a mais.. está fora da equação.

De facto, a mulher até pode ser toda desproporcionada mas se for magra é um ícone da beleza.

Naomi Wolf no seu livro "O Mito da Beleza", escreve a dado passo que a mulher é vista como um troféu, e como uma mulher gorda é considerada um ser desprezível, não será apropriado um homem que visa o sucesso escolher uma mulher gorda. 

Mas o que me deixa admirada é que são as próprias mulheres que tudo fazem, (muitas vezes colocando a própria saúde em risco), para terem um corpo de pele e osso e mamas do tamanho que eles gostam. Mas não se contentam em se transformarem nas "mulheres ideais". é que são as próprias mulheres as que mais criticam aquelas que não conseguem atingir a "magreza exigível".

Não querem saber se é por uma questão física, hormonal ou outra qualquer. Os epítetos variam desde "desmazelada", "desleixada", "descuidada", entre outros. Mas o objectivo é sempre o mesmo: denegrir a imagem de outra pessoa.

Eu tenho consciência que sou suspeita porque tenho mais 9 Kg do que devia, mas, mesmo assim, a minha dúvida continua: o objectivo de qualquer ser humano não é ser apreciado e amado por aquilo que é e não por aquilo que tem?


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Conversa de trintonas...



É que desde o início do ano só ouço trintonas a lamentarem-se que aumentaram de peso.

Deve ser mesmo um problema de idade. É que eu não aumentei uma grama.

(Cá entre nós, estou convencida que o motivo é outro. É que, de uma maneira geral, as trintonas gostam de passar o Natal em casa dos pais e pouco ou nada têm que fazer. Já as quarentonas recebem a "famelga" toda em casa e têm que trabalhar que nem umas doidas).


E fiquem com a música que me está a fazer companhia.


terça-feira, 27 de abril de 2010

Lingerie XXL...


"Um anúncio com lingerie XXL que as estações americanas de televisão Fox e ABC não queriam, por ser demasiado provocante, vai passar em ambos os canais em horário nobre.

O braço-de-ferro entre a marca Lane Bryant e as duas estações de televisão acabou com a vitória em tribunal da marca de roupa. As estações de televisão alegavam que o anúncio era demasiado arrojado e a marca acusou-as de estarem com preconceitos em relação a mulheres mais gordinhas e decotes pronunciados. Esta semana o anúncio irá para o ar no intervalo de "American Idol" - ver notícia aqui -.


Esperem aí...

Se as modelos fossem magras já não era provocante?

Mas, então, isso quer dizer que as mulheres "mais gordinhas" são mais provocantes que as magras.

Já ganhei o dia!


Se quiserem ver o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=VMxyZQfMmM4

terça-feira, 16 de março de 2010

Ser gorda é ser feia?



Já sei o que vão dizer aqueles que têm a incrível pachorra de seguir este blogue desde o início:

- "Fosga-se NI, este tema já foi debatido".

Eu respondo, numa tentativa de disfarçar a verdadeira razão (leia-se falta de imaginação para escrever):

- "Hello, foi em Outubro de 2007...e vocês estão sempre a mudar de opinião! Para além de que agora somos mais. Não sejam egoístas!"

Como sou boa rapariga vou fazer um "copy past" e evitam ter que ler o texto no baú das recordações.

O texto que serviu a um animado debate é o que se segue:



Na sociedade actual existe um novo conceito de beleza: uma mulher para ser bonita tem que ser magra. Só assim é aceite socialmente.

Mas se aceitarmos que a magreza é condição “sine qua non” para se ser aceite socialmente, chegamos, inevitavelmente, a uma outra constatação: todas aquelas que não são magras são feias, logo, excluídas.

Vem isto a propósito de uma reportagem no”Notícias Magazine” de 14.10.2007 sobre um trabalho de Joana Novaes, psicóloga do Núcleo de Doenças da Beleza do Centro de Investigação e Atendimento Psicológico da Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Segundo a especialista, num artigo intitulado “Ser Mulher, ser feia, ser excluída”, “a gordura é uma das atribuições mais representativas de feiura na cultura actual...ser feia é uma das mais penosas formas de exclusão social. E ser feia é não ter o corpo e a estética socialmente aceites, ou seja, ser magra, jovem e saudável...”.

Acrescenta a autora: “É o difícil peso da gordura, a dor da feiura”.

No referido artigo, são apresentados dois grupos de “gordos”: o grupo dos “obesos benignos” e os “obesos malignos”. O primeiro grupo é constituído pelas gordas bem dispostas que “parecem querer desculpar-se da inadequação física através de uma convivência social agradável”, são as denominadas gordas toleradas. No segundo grupo teremos aquelas que não se preocupam em agradar e a consequência é serem imediatamente excluídas.

Devo confessar: tenho 10 quilos acima do peso que é recomendado para a minha altura e para a minha idade. Mas este “acréscimo” sempre me “perseguiu" desde pequena. Cresci acompanhada por esses magníficos epítetos que as crianças (as tais que nunca têm maldade), são peritas em dizer: “lá vem a baleia”, “lá vem a balofa”.

Assumo: sempre tive complexos de inferioridade pelo facto de ser “gorda”. Talvez não os tivesse se vivesse no século XIX pois seria considerada uma mulher formosa.

Com o tempo fui percebendo que apesar de ter outro tipo de atributos os mesmos não eram suficientes para colmatar o “defeito” de ser gorda. E, ainda hoje, é assim. Quer se queira, quer não, o nosso corpo é o nosso cartão de visita.

Mas, interiormente, sempre me recusei a ser excluída. Optei, então, por pertencer ao “grupo das gordas benignas”, começando por gozar com o meu próprio “defeito”. Quando era “brindada com aqueles epítetos, respondia: “não faz mal, o homem tem mais que apalpar”. Umas vezes ganhava a batalha (principalmente quando respondia aos rapazes, dado que que na flor da adolescência começavam a pensar se não estariam a perder uma grande oportunidade). Mas com as raparigas (ai essa eterna vontade de sermos as nossas próprias inimigas, sempre prontas a humilhar a mais próxima não vá ser uma oponente forte numa competição estéril), ainda era mais gozada.

Hoje, e apesar de manter os meus complexos de inferioridade, permito-me saber escondê-los de uma forma mais “requintada”. A idade também ajuda a lidar com estas situações.

Hoje em dia, já consigo brincar com a empregada de uma loja quando pretendo vestir uma saia que fica entalada na anca, dizendo que a costureira se enganou a cortar o tecido.

Mas os complexos estão cá (são a minha imagem de marca), mas quero pensar, apesar de ainda não ter constatado, que esta frase de Jan Paulhan corresponde à verdade:

"Pode-se amar até a loucura uma mulher feia,
por encantos que superam os encantos da beleza."

O debate está, de novo, aberto...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Gorda






Assumo: tenho complexos de ser gorda.


Ponto final.

Já tentei fazer dieta. Resultados? Nenhuns. Mesmo seguindo uma dieta estabelecida por um nutricionista chegava ao final de um mês de "treino intensivo" e perdia cerca de 250 gramas.

Precisava de perder peso? Com certeza que sim. Tenho mais 12 Kg do que devia.

Mas estou a passar aquela fase de "que se lixe, quem não gosta que não olhe".

Ou, melhor ainda, a seguir aquele pensamento de Joe E. Lewis: "Comecei uma dieta, cortei a bebida e comidas pesadas e, em catorze dias, perdi duas semanas".

E eu, definitivamente, não quero perder a minha vida a chorar por ter peso a mais. Não consigo emagrecer? Paciência. É para o lado que durmo melhor.



Nota - Este post vem na sequência de ontem ter experimentado um vestido lindo mas que não me servia. Agradeço que não se coloquem com palavrinhas a abater estilo"deixa lá que gostámos de ti assim". O que escrevi atrás é um processo para me auto convencer de que não ligo nada ao facto de ter peso a mais quando, pelo contrário, estou com a auto estima completamente por baixo. Obrigado.

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