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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Borscht e uma viagem de 2011.

Setembro de dois mil e onze. Parece que foi noutra vida. 
Numa vida ainda sem filhas, sem máquinas fotográficas profissionais, sem google maps. Sem pandemias. 
E foi nessa vida que passei um dia em S. Petersburgo e comi borscht pela primeira vez.
 
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Em Setembro desse ano viajámos pelos países do Báltico e além da Estónia, Letónia e Lituana, ainda demos um salto de barco até à Rússia e passámos um dia em S. Petersburgo. 
Eventualmente foram demasiadas cidades para poucos dias e algumas memórias desses lugares ficaram perdidas, só as encontro nas fotografias que guardamos. 
Mas o borscht... o borscht que comemos em S. Petersburgo nunca mais foi esquecido. 
Penso que terá sido a primeira vez que provei e ficou comigo. 

No restaurante Oásis, ali ao lado da Gulbenkian, costuma ser a sopa do dia às segundas feiras e não fica nada a dever ao que comemos em terras russas. 
Sei que há muitas variações conforme o país, por isso não posso assegurar que esta versão que aqui trago seja a mais tradicional, mas posso com toda a certeza garantir que é viciante. 


Não tenham medo de serem mãos largas nos temperos e no vinagre porque é uma sopa que se quer forte, robusta e pujante. Servida bem quente, aquece o corpo e a alma. 
Hoje, mais do que nunca, isso faz falta.


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Borscht 

Azeite 
1 cebola picada 
1 folha de louro 
4 alhos picados 
2 cenouras (200 g) em cubinhos 
1 talo de aipo 
1 alho francês, em rodelas finas 
4 batatas (400 g) em cubinhos 
4 beterrabas (300 g) pequenas em cubinhos 
1 nabo pequeno (100 g) em cubinhos 
½ pimento vermelho em cubinhos 
2 c. sopa de pasta de tomate 
1 c. chá paprika 
1 c. chá funcho seco 
1 c. chá de erva doce 
8 cháv de caldo de legumes ou água (2 L) 
Sal e pimenta preta moída na hora 
2 cháv. couve portuguesa em juliana fina 
2 cháv. feijão branco cozido 
3 c. sopa de vinagre 
3 c. sopa de rama de funcho fresco ou funcho seco p/ servir 

Molho de limão e funcho p/ servir: 
3 c. sopa de iogurte de soja natural ou creme de caju 
Sumo de meio limão 
1 c. sopa de rama de funcho fresco ou funcho seco 
Sal e pimenta preta moída na hora 


// preparação 

Numa panela grande, coloque uma quantidade generosa de azeite e refogue em lume médio-baixo a cebola até ficar macia e dourada. 
Acrescente o louro e os alhos. 
Enquanto isso, vá preparando os legumes e adicionando-os à panela. 
Adicione a pasta de tomate, a paprika, o funcho seco e a erva doce, acrescente o caldo de legumes ou água, tempere com sal e pimenta preta e depois de levantar fervura coza em lume brando até os legumes ficarem macios (cozinhei na panela de pressão eléctrica por 10 minutos em pressão alta). 
Por fim, adicione a couve, o feijão cozido e o vinagre, rectifique a quantidade de caldo e os temperos e coza mais cinco minutos. 

Para preparar o molho de limão, basta misturar todos os ingredientes e deixar repousar até servir. 

Sirva a sopa bem quente, polvilhada com rama de funcho fresco ou funcho seco e o molho de limão. 



// Notas: 

-  Para agilizar a preparação dos legumes, em vez de cortá-los em cubinhos pode picá-los grosseiramente num robot de cozinha.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Pasta e Ceci (massa e grão) - O Steve Buscemi das sopas

Se hoje por aqui o tema é massa, parece-me bem começar por Itália. Porque Roma é sempre um bom início.
Deixo-vos com algumas fotografias "recentes", de 2012.
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Há receitas que parece que nos perseguem. Pasta e ceci. 
Lembro-me bem de há muito tempo a ter visto pela primeira vez no blogue da Elvira. Tantas delícias foram as que descobri nos seus saudosos posts... 
Tinha, então, voltado recentemente de Roma e lamentei não a ter provado por lá - restou a vontade de a fazer em casa. 

Mas o tempo passou e injustamente, sei agora, condenou-a ao esquecimento. 
Eis quando há umas semanas, a Joana d’Os Papagaios (um dos tesouros aqui do meu bairro, se não conhecem, vale muito a pena irem provar as delícias que se cozinham ali) me emprestou um livro - O Atlas Gastronómico, da Mina Holland. E quando dei de caras com este Pasta e Ceci ficou logo um papelinho a marcar a página e a nota na agenda para experimentar numa das refeições da semana. 
Não fosse eu vacilar, não é que no dia seguinte, numa pesquisa por outros temas no blogue da Rachel Roddy, tropeço novamente na mesma receita? E quando digo mesma, é precisamente a mesma que consta no livro, no qual distraidamente não tinha tomado atenção à referência indicada. 



Diz a Rachel
“Every region and corner of Italy has a version of this kind of soup, a true everyman soup, the simplest soup, which transcends class and season, a soup to nourish and sustain all, the Steve Buscemi of soups, a bit of a legend, oh so low key you take him for granted, but love him so much more than all the fancy pants hogging the limelight.” 


A versão que aqui vos deixo acaba por já se desviar um pouco do livro porque conforme fui repetindo a receita, fui ajustando as medidas ao nosso gosto e se cada região e cidade de Itália tem a sua versão, certamente há espaço para mais esta, ora pois. 
Suspeito que esta Pasta e ceci se tornará presença regular cá por casa.


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Pasta e ceci 

6 c. sopa de azeite 
1 cebola 
3 dentes de alho grosseiramente esmagados 
1 cenoura 
1 talo aipo 
2 c. sopa de concentrado tomate 
1 cháv. de tomate pelado 
1 L de água da cozedura do grão ou caldo de legumes 
400 g de grão cozido, de preferência cozido em casa 
100 g de massa curta (1 cháv.)
Sal e pimenta preta moída na hora 
"Parmesão" de caju q.b., p/ servir
Coentros picados q.b., p/ servir 


“Parmesão” de caju 

1 chávena de cajus crus, sem sal (130 g) 
¼ chávena levedura nutricional (25 g) 
2 c. sopa de sementes de cânhamo 
1/2 c. chá de alho pó 
Sal e pimenta preta moída na hora 


// preparação tradicional 

Para preparar o “parmesão” de caju, coloque todos os ingredientes numa picadora ou copo da varinha mágica e triture até ficar com consistência de areia grossa. Reserve. 
Pode guardar no frigorífico, num recipiente fechado, cerca de duas semanas. 

Refogue a cebola no azeite até amolecer. Depois junte os alhos esmagados, e de seguida a cenoura e o aipo cortados em pedaços pequenos e cozinhe cerca de 8 minutos, em lume médio. 
Adicione o concentrado de tomate e o tomate pelado, deixe levantar fervura e cozinhe mais 5 minutos. De seguida, deite a água de cozedura do grão ou o caldo e 1/3 de chávena de grão cozido. 
Depois de levantar fervura, triture até obter um caldo homogéneo. 
Acrescente então o restante grão e a massa, tempere com sal e pimenta e deixe em lume brando até a massa ficar cozida, cerca de 10 minutos. 
Rectifique os temperos e a consistência a seu gosto, acrescentando mais água se for caso disso. 

Servi com coentros e “parmesão” de caju e umas fatias de pão de trigo barbela.


// preparação robot de cozinha (bimby_thermomix) 

Para preparar o “parmesão” de caju, coloque todos os ingredientes no copo e pique 6 seg/vel 5-7. Retire e reserve. 
Pode guardar o que sobrar no frigorífico, num recipiente fechado, cerca de duas semanas. 

Coloque no copo o azeite, a cebola, os alhos, a cenoura e o aipo, pique 5 seg/vel 5 e refogue 10 min/Varoma/vel 1. 
Adicione o concentrado de tomate e o tomate pelado e cozinhe 5 min/Varoma/vel 1. 
De seguida, coloque a água de cozedura do grão ou o caldo e 1/3 de chávena do grão cozido, programe 10 min/Varoma/vel 1 e depois triture 1 min/vel 5-7. 
Acrescente então o restante grão e a massa, tempere com sal e pimenta e coza 1o min/100C/vel c.inversa, 
Rectifique os temperos e a consistência a seu gosto, acrescentando mais água se for caso disso.

Servi com coentros e “parmesão” de caju e umas fatias de pão de trigo barbela.



quinta-feira, 16 de maio de 2019

Mafé de vegetais. Do Senegal.

Quando viajo, principalmente para países com culturas marcadamente diferentes da nossa, não perco a oportunidade de conhecer o mais possível a gastronomia local, os seus ingredientes e combinações características. Acho que quase todos o fazemos, não é?
Há muito, muito tempo atrás - ahahaha, há quase uma década - fizemos umas férias inesperadas e meio de improviso, ao Senegal.
Das lembranças que ficaram desses dias, naquela que foi a minha estreia no continente africano, fazem parte um post já publicado aqui nessa altura, e tantas outras fotografias que ficaram meio esquecidas num disco externo algures pela casa.
Aqui estão hoje algumas delas. Marcam o que vimos, o que fizemos e marcam o que era a minha forma de fotografar nesses tempos.
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O que mais perdurou pelos anos foi a memória deste prato que continuo a fazer por cá até hoje.
A versão que mostro é com legumes e traz um bulgur com ervilhas tortas a acompanhar, ou não fosse primavera.
Os amendoins são um dos principais produtos do país, e tendo fama de serem dos melhores do mundo, estão naturalmente presentes em muitas receitas tradicionais. Aqui, na forma de manteiga de amendoim, são eles que marcam a diferença pela cremosidade que conferem ao molho e pela forma como contrabalançam a acidez do tomate.
Quem quer experimentar?


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Mafé de vegetais

1 cebola picada
2 alhos picados
2 dedos de gengibre picado
1 talo de aipo
Azeite
2 c. sopa de pasta de tomate
½ chávena manteiga de amendoim*
400 g de tomate pelado, em pedaços
1 malagueta, s/ sementes
1 folha de louro
650 ml de água (cerca de 2,5 chávenas)

5 chávenas (aprox. 1kg) de legumes variados, em pedaços grandes:
Nabo
Cenoura
Batata doce
Couve flor
Beringela
Sumo de limão q.b. p/ servir


// preparação tradicional

Comece por fazer um refogado com o azeite e a cebola, o alho, o gengibre e o aipo picados, até que amoleçam e caramelizem ligeiramente.
Junte depois a pasta de tomate, a manteiga de amendoim, o tomate pelado, a malagueta, o louro e a água e após levantar fervura, cozinhe em lume brando cerca de 15 minutos.
Adicione os legumes por ordem de tempo de cozedura e cozinhe até ficarem tenros, cerca de 45 minutos (a beringela adicionei 10 minutos depois dos restantes).
Rectifique os temperos, esprema o sumo de limão e sirva de seguida com um cereal à sua escolha (arroz, bulgur, couscous, quinoa...) a acompanhar.

Notas:
*Usei manteiga de amendoim caseira, feita com amendoins ligeiramente tostados e de seguida triturados durante alguns minutos no robot de cozinha até obter uma pasta cremosa.