Se há estação perfeita para passear e nos maravilharmos ao máximo com as cores e a luz dos fins de tarde, é o Outono.
No ano passado fomos conhecer uma zona onde nunca tínhamos estado. Porque nem só da costa de praias maravilhosas ou das planícies e cearas se desenham os encantos do Alentejo, o interior mais para Norte é qualquer coisa de fabuloso.
Andámos por Marvão com o Outono no auge e vale tanto a pena aproveitar um fim de semana para um rolé por estas bandas.
Já tinha lido sobre o restauro e adaptação da antiga estação de comboios de Marvão-Beirã e por isso a escolha do sítio onde ficar foi fácil. E perfeita!
A energia de um local destes, cheio de estórias de chegadas e partidas, de vidas que correram em épocas onde o tempo tinha mais tempo, é verdadeiramente fascinante.
Saímos de Lisboa pela manhã, com calma e vontade de ir parando aqui e ali e chegámos ao nosso destino com esta luz perfeita do fim da tarde.
Nos dias seguintes passeamos pela vila, visitámos o castelo e, acima de tudo, aproveitámos ao máximo o silêncio cheio de dourados que nos deixa de peito cheio de Outono e coração preso a paisagens como estas.
Para além do castelo e das paisagens de postal, as ruelas da vila levam-nos numa viagem no tempo onde nos sentimos cá e lá, numa relação meio ambígua entre o presente e o passado.
Percebe-se que há um novo fôlego por ali, gente nova que se instala, abre projetos, recupera espaços e tradições, e faz com que haja no interior alentejano sítios assim à nossa espera.
No Trainspot fomos recebidos pela Lina, vinda de Lisboa com a família de armas e bagagens para este grande desafio que é uma Guesthouse no coração do Alto Alentejo.
Faz-nos sentir em casa com a boa conversa com que nos recebe, onde não falta uma cozinha saída de um quadro e onde muitas vezes se organizam workshops dados por pessoas da terra. Se quiserem aprender a fazer queijo fresco de forma tradicional, já sabem onde ir.
Um livro, tricot, o quentinho da lareira e comida da boa, dão a dois dias em terras raianas aquele sabor a férias que nos revigora inteiramente.
Fica o aviso, ao prato só vos vão chegar maravilhas! As migas, a carne, as castanhas, o peixe do rio, os cogumelos, é um sem fim de petiscos bem portugueses que estão em total sintonia com o espírito da estação.
Se quiserem conhecer um pouco mais da gastronomia desta zona, têm um livro dedicado ao tema que apetece cozinhar do princípio ao fim e de onde vem a receita de hoje.
Em modo comida de Outono, deixo-vos então um assado tão simples, que não há que enganar.
Galinha tostada no forno
Do livro “Marvão à mesa com a tradição”
1 galinha (usei frango do campo)
5 dentes de alho
1 ramo de salsa
50 g de manteiga
Caldo de cozer a carne
1 copo de vilho branco
1 folha de louro
Colorau q.b.
Sal e pimenta preta
Coza a galinha em água temperada com sal. Se for uma galinha velha, é conveniente que seja cozida na panela de pressão.
Pré-aqueça o forno a 180ºC.
Depois de cozida, escorra, reserve o caldo da cozedura, separe em pedaços e coloque-os num tabuleiro de ir ao forno.
Num almofariz, esmague os alhos com o sal, a pimenta e a salsa picada e barre a carne com esta pasta.
Polvilhe com o colorau, junte o louro e umas nozes de manteiga. Regue com o vinho e uma parte do caldo da cozedura.
Leve ao forno até tostar e sirva de seguida.
* Juntei também ao tabuleiro duas cenouras cortadas em rodelas grossas.