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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

O que é hoje o almoço? Sete dias, sete receitas

Seja ao fim de semana, seja nalgum outro dia em que tenha mais folga com as miúdas por ter o Ricardo de folga, tento aproveitar para planear e adiantar algumas refeições para os dias seguintes. 

Passo muitos dos dias sozinha com duas crianças de dois e cinco anos por isso é a forma de me aliviar as tarefas no dia a dia e libertar mais tempo e disponibilidade mental para elas. 
Seja pelas exigências do teletrabalho, da falta de hábtito de cozinhar diariamente, da gestão de uma casa com crianças pequenas em tele-escola, seja o caos disto-tudo-ao-mesmo-tempo-agora, espero que sejam ideias que ajudem. 
 
Esta preparação requer planeamento e alguma agilidade na cozinha, mas ambas são aptidões que se vão desenvolvendo bastante com a prática e a motivação que se ganha com a constatação da sua eficácia quando usufruímos dos resultados. 
Deixei já algumas dicas neste post mais antigo, cuja leitura sugiro se o tema vos interessar. 

Aplico sempre dois truques para estas maratonas na cozinha: 

 - A rentabilização máxima do forno, que aproveito para algum bolo, pão e refeição de tabuleiro e colocando ao mesmo tempo legumes volumosos a assar que renderão nos próximos dias complementos variados (abóbora, couve flor, batata doce, beringela, chuchu, couve ramanesco...). Simplesmente lavo-os e coloco-os no tabuleiro debaixo forrado enquanto o forno trabalha, e lá permanecem depois enquanto arrefece, para aproveitar todo o calor. 
Com eles ganho opções para acompanhamentos ou integram outros pratos que depois apeteça preparar. - 

- As leguminosas, que deixo de molho idealmente durante 24h (com troca de água a meio) e cozo em quantidade. Com elas tenho base para sopas, guisados, saladas, salteados e separo sempre uma parte para congelar e usar nos dias mais apertados e sem nada à mão. 
Aliadas a um cereal como arroz, bulgur, massa, millet, trigo sarraceno, cuscuz... ou uma fatia de pão torrado, e na companhia de legumes assados, constituem uma refeição completa. E deliciosa, que nós cá em casa todos adoramos grão, feijão, lentilhas (e não se esqueçam também das favas e dos tremoços, por exemplo), nutritiva e rápida. 

Deixo então aqui algumas sugestões de receitas do blogue que vos poderão inspirar para planear as vossas próximas refeições. 



quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Lentilhas da horta. E o Dia Mundial da Alimentação.

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Alimentação.
Nunca como agora se falou tanto sobre o que comemos, a origem dos alimentos e a importância das nossas escolhas alimentares para a sustentabilidade do planeta e da nossa saúde.
E no turbilhão de informação, desinformação, modas, dietas, certezas e incertezas, torna-se difícil, a quem procura sustentar as suas escolhas e fazê-las de forma consciente, separar o trigo do joio.

Tenho falado pouco do tema para lá das receitas que vou partilhando, mas quem me acompanha por aqui desde os primeiros tempos do blogue, já lá vão mais de dez anos, nota certamente diferenças.
Estranho seria se assim não fosse. Lendo, estudando, pesquisando, vivendo, crescendo, tornando-me mãe, e mãe novamente, abrindo os olhos e o coração mais e mais para o mundo em que vivo, novas ideias e conceitos foram amadurecendo dentro de mim. E, claro, dentro da minha cozinha.

Não gosto de rótulos. Não gosto de modas. Do sem açúcar processado, mas com açúcar de coco. Do saudável, porque tem óleo de coco. Do zero waste, mas com morangos em Janeiro. Do vegan pelo planeta, mas a consumir roupa e tralhas “descartáveis” em barda só porque sim.
Limito-me por isso às receitas - as motivações, escolhas e opiniões vou guardando-as cada vez mais para mim e deixo que aquilo que partilho fale por elas, se é que a alguém mais suscitam interesse.

Resumidamente e sem grandes justificações, para dar resposta às perguntas que vou recebendo pelo instagram quando partilho receitas: no início do ano passado o Ricardo deixou de comer alimentos de origem animal, eu deixei de comer carne, e cá em casa aquilo que se cozinha para um é igual para todos. Resultado: as receitas que de lá para cá aparecem aqui no blogue não incluem ingredientes de origem animal.
As miúdas comem o mesmo que cozinho para nós, fora de casa comem carne e peixe, a Isabel sempre foi habituada a comer de tudo, a Luísa espero que vá pelo mesmo caminho, agora que já começou a diversificação alimentar. Esta etapa também dá pano para mangas, mas por ser um tema tão dado a opiniões variadas, modas e teorias, muitas delas baseadas em "achismos", acredito que o importante é que que cada família se sinta confortável com as suas escolhas e respeite os princípios básicos de segurança.
Nós somos pela amamentação exclusiva até aos seis meses, prolongada até a bebé e a mãe quererem (a Isabel fez o desmame noturno muito cedo e continuou a mamar durante o dia até aos dois anos e picos), e pela diversificação alimentar respeitosa da vontade e ritmo da criança, como complemento do leite materno e enquadrada nos hábitos da família. Tal como com a Isabel, agora com a Luísa fazemos um misto de baby led weaning e comida em pedaços dada à colher, conforme faça mais sentido uma ou outra coisa no momento. Comida feita de raiz, sem processados, com ingredientes frescos, sazonais, nacionais e de boa qualidade. Assim já comíamos nós, assim comemos agora todos.

Acima de tudo tentamos que as decisões sejam feitas de forma consciente, o mais informada possível e nunca definitivas, tentando manter a coerência da nossa linha de pensamento.
Hoje são as escolhas que nos parecem fazer mais sentido. E é apenas isso. Não são bandeiras, não são atestados de sabedoria, não são rótulos, não são bengalas para likes no instagram, são etapas de uma caminhada que busca equilibrar a alimentação com a saúde (física e mental), o planeta e o prazer.


Se tiverem curiosidade, deixo alguns links de leituras interessantes:

// EAT Lancet Commission
   O Vegetariano - Resumo do documento final EAT Lancet Commission

// Pensar Nutrição - Pela dieta Mediterrânica

// Novo Guia de Alimentação do Canadá

// Plant Based Juniors

// Guia para uma alimentação vegetariana saudável da DGS

// Os bebés sabem comer sozinhos (sobre o baby led weaning)


E agora, vamos à receita?
Tem tudo a ver com o dia de hoje, porque é na falta de tempo que muitas das vezes assenta a dificuldade em conseguir cozinhar regularmente.
Eu trabalho em casa, é verdade, o que me dá alguma elasticidade de horários para essa tarefa, mas com uma bebé a tempo inteiro comigo, outra filha a chegar bem cedo da escola e o trabalho de edição a chamar por mim no computador, tudo o que facilite esta gestão é bem-vindo.
Organização e planeamento são sempre boas ajudas!

Tenho já há uns anos uma panela de cozedura lenta (slowcooker) que adoro, porque como cozinha a temperaturas muito baixas, as horas que demora não requerem a nossa presença nem intervenção: podemos iniciar a preparação à noite e está pronto de manhã ou deixar a cozinhar de manhã e à hora de jantar está terminado. A mais valia em relação à cozedura lenta no fogão ou forno é a poupança energética e a segurança, por não ser necessária supervisão. Quando o tempo termina, podemos usar a potência mais baixa apenas para manutenção da temperatura até servir.

Aqui vos deixo então o último petisco que delá saiu, aprovado pelos quatro cá de casa.
Tirando as lentilhas, só coisas boas da horta dos meus pais, vai daí, batizei a receita.


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Lentilhas da horta

1 chávena de lentilhas mungo
1 cebola picada
2 dentes de alho, esmagados
3 cenouras em pedaços grandes
1 abóbora manteiga pequena, cortada em pedaços grandes
1 mão cheia de coentros
1 folha de louro
1 c. sopa de melaço
1 c. copa de mostarda
1 c. chá de cominhos
1 c. chá de sementes de coentros
½ lombardo, cortado em pedaços grandes
Água q.b.
Sal e pimenta preta moída na hora q.b.


// preparação

Coloque as lentilhas de molho por pelo menos 12h (se usar outra leguminosa ou tipo de lentilhas, ajustar o tempo de acordo). Coe e deite fora a água.

Coloque na panela as lentilhas demolhadas e escorridas, a cebola, os alhos, a cenoura, a abóbora, os coentros e o louro e misture tudo. Deite água a ferver até praticamente tapar os ingredientes.
À parte, numa tacinha, misture um pouco de água quente com o melaço, a mostarda, os cominhos e as sementes de coentros e depois misture também na panela.
Por cima disponha a couve (enquanto cruas as couves têm muito volume, a panela ficará cheia até ao cimo) e tape.
Ligue a panela na potência máxima e cozinhe cerca de 7h (o tempo está dependente da qualidade das lentilhas). Pode mexer a meio para misturar as couves, mas não abra a panela mais vezes durante a cozedura para não perder o calor.
No fim, tempere com sal e pimenta, tape e deixe em repouso até servir.
Gostamos de acompanhar com uma fatia de um bom pão aqui da padaria do bairro, batata doce ou um cereal.

Nota: Se não tiverem uma panela de cozedura lenta, podem fazer no fogão ou no forno, numa panela com tampa, com os tempos de cozedura habituais, até confirmarem que as lentilhas e os legumes estão cozinhados. No fim podem destapar para apurar um pouco mais o molho.



quarta-feira, 24 de abril de 2019

10 anos de vida a girar ❤



2019 é um ano de contas redondas.

Dez anos de No Soup For You.
Doze anos a partilhar aventuras e desventuras com o Ricardo.
O ano do nascimento da nossa Luísa.

Comecei a escrever aqui como uma miúda de vinte e tal anos e agora sou uma miúda, mas uma miúda mãe da Isabel e da Luísa.
Há tanto para contar, tanta coisa mudou, tanto ri - também chorei – tanto, tanto que vivi! Guardo as palavras para mim e deixo algumas das fotografias dos últimos meses, que serão para sempre das mais bonitas da nossa vida.


Disto que é o amor.
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* Fotografias durante a gravidez pela lente dos talentosos "The Framers".


I N S T R A G R A M

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sobre a melancia.

Na semana passada gozámos a já tradicional semana de férias em família na Costa Vicentina.
Juntámos os meus pais e a mãe do Ricardo, e lá fomos nós rumo a Aljezur.
A felicidade das crianças na praia é mesmo maravilhosa de ver. Que dias bons que foram, estarmos ali todos juntos!

Ao voltar para Lisboa tudo mudou.
O calor insuportável, a enormidade da tragédia destes fogos malditos e do que aconteceu naquela estrada... Um desassossego interior com tanto sofrimento.
O Verão ainda agora começou e o sentimento que paira é que já não apetece mais nada dele.
Tudo demasiado triste.

Mas a vida não pára.
Ontem lá andámos, eu e a Isabel, nas nossas rotinas. Lanche no parque, brincadeiras nos baloiços, uma brisa mais fresca no ar.
Ao jantar, uma taça de sopa, ovo mexido com batata doce e feijão verde.

E enquanto eu arranjava morangos para o meu jantar mais tarde com o Ricardo, dei-lhe um triângulo de melancia.
E mais um, e mais outro, e sempre a pedir mais “mcia, mamã, mcia, mamã”.
Agarrava na melancia a rir enquanto a trincava e o sumo escorria, toda contente de olhos a brilhar. Os dela e os meus.
Senti-me tão, tão feliz por estarmos ali as duas na cozinha, eu a arranjar morangos ao lado dela a comer melancia. Só isso, estarmos ali as duas assim.

Este é um post sobre a receita que tenho sempre guardada na cabeça e no coração.
É muito simples, só é preciso abrir os olhos e ver. Pode não parecer, é fácil deixarmos que as miudezas que nos cansam e aborrecem se evidenciem tão mais.
Mas estes momentos de felicidade estão em todos os dias. Todos.

A receita é mesmo só abrir os olhos para vermos a melancia.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O melhor brunch de sempre. O do melhor dia de sempre.

Este é um post que começa com comida.
E acaba com a melhor receita da minha vida: a nossa Isabel.

Domingo de brunch.
Com 39 semanas e 2 dias de gravidez e o Ricardo de banco, nada como passar o dia entre amigos, a "brunchar" sob a videira do pátio da Cláudia.
Fizemos scones, uma massa de quiche com recheio de beldroegas e funcho e tudo prometia conversa da boa até às tantas.
Entre uma contração e outra foram-se preparando as massas, comemos e ainda se fez iogurte.
Nada como muita galhofa e descontração para que coisas boas aconteçam.

E daí aconteceu mesmo. Como sempre sonhei.
Com a maior naturalidade possível, a minha bebé veio quando quis, a seu tempo, fazendo-se anunciar nos dias anteriores com algumas contrações mais tímidas, e no dia que escolheu com contrações que foram crescendo, ainda em casa, até que chega aquele momento em que se sabe – é altura de ir para o hospital.

O nosso desejo sempre foi que o parto acontecesse num hospital público, e foi no Beatriz Ângelo, pelas mãos do enfermeiro parteiro António Fatia que, em três horas, ela chegou – literalmente – às minhas mãos.
Poder ter sido eu a puxá-la para o mundo, trazê-la para cima do meu peito, foi a sensação mais cheia de amor que já vivi.
Ali, pele a pele, logo depois a mamar sob a força de um instinto tão visceral, vivemos os três no bloco de partos o momento que dá sentido a tudo.
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Só posso estar muito grata pela gravidez tão saudável e tranquila que tive e com a pureza com que a Natureza me tornou mãe.

Ao profissionalismo e humanismo da Enfermeira do Curso de Preparação para o Parto do Centro do Bebé, Luísa Sottomayor, do Enfermeiro parteiro António Fatia e de todos os médicos, enfermeiros e auxiliares do serviço de obstetrícia do Hospital Beatriz Ângelo, obrigada.



A Isabel é o nosso Amor. A nossa maravilha.

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