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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Fradinho à brasileira

Qualquer dia é bom para fazer uma refeição vegetariana, mas hoje é um dia ainda melhor: celebra-se o Dia Mundial do Vegetarianismo. 

Se houver aí em casa leguminosas, cenoura, arroz e couve, tomate e pepino, há tudo o que faz falta para um delicioso jantar. 
Se também tiver farinha de milho ou de mandioca, até dá para a cereja no topo do bolo e tudo, que é como quem diz, a farofa ao lado do feijão, à boa maneira brasileira.

Nem é preciso receita, basta ir sem medo e deixar acontecer. 


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Fradinho à brasileira

500 g de feijão frade previamente demolhado durante 12h – ou feijão de conserva, já cozido 
Azeite 
6 alhos picados 
Louro 
2 cebolas picada 
1 cenoura ralada 
Sal e pimenta preta moída na hora 
Oregãos 
Polenta 
Couve coração cortada em juliana fina 
Tomate coração de boi 
Pepino 


// preparação 

Numa panela, cubra o feijão com água, junte um dente de alho esmagado, um fio de azeite e sal e cozinhe até ficar cozido (cozi na panela de pressão eléctrica). 
Retire e reserve o feijão coado e o caldo. Se optar por usar feijão de conserva já cozido, salte este passo. 

Na mesma panela, refogue em azeite uma cebola picada, depois junte três dentes de alho picados, uma folha de louro e a cenoura ralada. 
Adicione o feijão cozido e a água da cozedura, uma folha de louro, sal e pimenta e orégãos. Quando levantar fervura, tape e cozinhe em lume muito baixo (usei o modo cozedura lenta da panela elétrica) por 3h. 
Perto do fim, retire uma concha de feijão e esmague com um garfo. Coloque novamente na panela e mexa – este puré vai fazer o molho encorpar. 

Para a farofa, refogue numa frigideira uma cebola picada em azeite.
Adicione farinha de milho e deixe em lume médio por uns minutos, mexendo para não queimar, até ficar dourada. Tempere com sal e pimenta preta. 

Para a couve, aqueça numa frigideira azeite e dois alhos picados. 
Adicione a couve, tape e deixe cozinhar em lume médio até amolecer. 
Tempere com sal e pimenta preta. 
Sirva o feijão com arroz, a couve, a farofa de polenta e uma saladinha de tomate e pepino.


quinta-feira, 4 de março de 2021

Estufado do mar

Encontrei o perfil de instagram da Sandra num daqueles “pica-aqui-pica-ali” e sigo-a desde então com atenção, não apenas pelas suas partilhas sobre alimentação, mas também pelos tantos outros assuntos que aborda de forma sempre interessante. 
Tenho explorado as publicações do seu blogue e este ensopado de sabor a mar tentou-me e lá fui experimentar. 

Seja no prato com um cereal e salada a acompanhar, seja como entradinha numas tostas ou pão torrado, é delícia que já ficou no caderno de receitas cá de casa. 
E se ficou no caderno de receita, tem que ficar aqui no No Soup também.


publicar 



Estufado do mar 

Azeite 
1 cebola grande, fatiada 
1 pimento vermelho, fatiado 
1 pimento verde (usei amarelo), fatiado 
4 a 6 dentes de alho, picadinhos 
500 g de couve lombarda, cortado em juliana bem fina (pode-se misturar tb couve roxa) 
4 tomates grandes, maduros, em pedaços 
1 cháv de grão cozido 1 folha de alga nori, esfarelada (usei 2 c. sopa) - opcional 
2 cháv de leite de coco (usei 1 lata de 400ml e completei com água) 
2 c.sopa de molho de soja/tamari ou 1 caldo de legumes 
1 punhado de cajus (aproximadamente 1/3 cháv), demolhada pelo menos 6 h 
1 cháv. de água 
1 c. chá de amido de milho 
1 c. chá de azeite de dendê - opcional 
Sal e pimenta preta moída na hora q.b. 
Coentros p/ servir 


// preparação 

Numa panela, refogue a cebola numa quantidade generosa de azeite, até ficar macia e dourada. 
Adicione os pimentos e o alho e deixe cozinhar enquanto corta a couve em juliana. 
Junte a couve, mexa bem e depois deixe cozinhar uns minutos tapado, em lume alto, mexendo de quando em quando. É importante cozinhá-la em lume alto para caramelizar ligeiramente e dourar, mas requer atenção e vá mexendo, para não queimar. 
Adicione o tomate, o grão, a alga nori, o leite de coco e o tamari. Reduza o lume e deixe cozinhar tapado até o tomate começar a desmanchar-se. 
Enquanto isso triture os cajus escorridos, a água e o amido de milho até obter uma mistura homogénea e junte ao guisado, cozinhando mais algum tempo até o molho engrossar. 
Se quiser usar o azeite de dendê, adicione junto com o creme de caju. 
Tempere com sal e pimenta preta, junte os coentros picados, desligue o lume e deixe descansar tapado durante 5 minutos antes de servir. 

Sirva acompanhado de arroz e uma salada de folhas verdes.



segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Borscht e uma viagem de 2011.

Setembro de dois mil e onze. Parece que foi noutra vida. 
Numa vida ainda sem filhas, sem máquinas fotográficas profissionais, sem google maps. Sem pandemias. 
E foi nessa vida que passei um dia em S. Petersburgo e comi borscht pela primeira vez.
 
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Em Setembro desse ano viajámos pelos países do Báltico e além da Estónia, Letónia e Lituana, ainda demos um salto de barco até à Rússia e passámos um dia em S. Petersburgo. 
Eventualmente foram demasiadas cidades para poucos dias e algumas memórias desses lugares ficaram perdidas, só as encontro nas fotografias que guardamos. 
Mas o borscht... o borscht que comemos em S. Petersburgo nunca mais foi esquecido. 
Penso que terá sido a primeira vez que provei e ficou comigo. 

No restaurante Oásis, ali ao lado da Gulbenkian, costuma ser a sopa do dia às segundas feiras e não fica nada a dever ao que comemos em terras russas. 
Sei que há muitas variações conforme o país, por isso não posso assegurar que esta versão que aqui trago seja a mais tradicional, mas posso com toda a certeza garantir que é viciante. 


Não tenham medo de serem mãos largas nos temperos e no vinagre porque é uma sopa que se quer forte, robusta e pujante. Servida bem quente, aquece o corpo e a alma. 
Hoje, mais do que nunca, isso faz falta.


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Borscht 

Azeite 
1 cebola picada 
1 folha de louro 
4 alhos picados 
2 cenouras (200 g) em cubinhos 
1 talo de aipo 
1 alho francês, em rodelas finas 
4 batatas (400 g) em cubinhos 
4 beterrabas (300 g) pequenas em cubinhos 
1 nabo pequeno (100 g) em cubinhos 
½ pimento vermelho em cubinhos 
2 c. sopa de pasta de tomate 
1 c. chá paprika 
1 c. chá funcho seco 
1 c. chá de erva doce 
8 cháv de caldo de legumes ou água (2 L) 
Sal e pimenta preta moída na hora 
2 cháv. couve portuguesa em juliana fina 
2 cháv. feijão branco cozido 
3 c. sopa de vinagre 
3 c. sopa de rama de funcho fresco ou funcho seco p/ servir 

Molho de limão e funcho p/ servir: 
3 c. sopa de iogurte de soja natural ou creme de caju 
Sumo de meio limão 
1 c. sopa de rama de funcho fresco ou funcho seco 
Sal e pimenta preta moída na hora 


// preparação 

Numa panela grande, coloque uma quantidade generosa de azeite e refogue em lume médio-baixo a cebola até ficar macia e dourada. 
Acrescente o louro e os alhos. 
Enquanto isso, vá preparando os legumes e adicionando-os à panela. 
Adicione a pasta de tomate, a paprika, o funcho seco e a erva doce, acrescente o caldo de legumes ou água, tempere com sal e pimenta preta e depois de levantar fervura coza em lume brando até os legumes ficarem macios (cozinhei na panela de pressão eléctrica por 10 minutos em pressão alta). 
Por fim, adicione a couve, o feijão cozido e o vinagre, rectifique a quantidade de caldo e os temperos e coza mais cinco minutos. 

Para preparar o molho de limão, basta misturar todos os ingredientes e deixar repousar até servir. 

Sirva a sopa bem quente, polvilhada com rama de funcho fresco ou funcho seco e o molho de limão. 



// Notas: 

-  Para agilizar a preparação dos legumes, em vez de cortá-los em cubinhos pode picá-los grosseiramente num robot de cozinha.


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Risotto de Outono. Castanhas e cogumelos

 Há um bom tempo que não fazia risotto e quando esta semana passei os olhos por um bem apetitoso no feed do IG, fiquei logo com o jantar decidido. 

Peguei nos ingredientes da estação que tinha em casa e como aproveitei para também cozer umas couves, incorporei os talos na base do refogado. Podem, pois, omiti-los se não tiverem ou substituí-los por talos de brócolos, couve flor ou algum outro legume que queiram aproveitar integralmente. 

As castanhas e os cogumelos são sempre uma combinação que não desilude, e a presença discreta da abóbora deu-lhe presença q.b. no conjunto de todos os sabores. Foi pena não ter umas folhas frescas para polvilhar, mas o creme de caju que envolvi no final fez esquecer isso assim que a primeira garfada chegou à boca. 


Outono, Outono, como não gostar de ti?


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Risotto de Outono 

Rende 2 a 3 refeições 


Azeite 1 dente de alho 
1 cebola 
Talos de couve (opcional) 
1 talhada fina de abóbora manteiga 
100 g de cogumelos pleurothus, em pedaços 
150 g de arroz carnaroli, p/ risotto 
1 chávena de miolo de castanhas pré-cozidas ou congeladas 
150 ml de cerveja 
400 ml de caldo de legumes caseiro ou água 
Noz moscada q.b. 
Sal q.b. 
Pimenta preta moída na hora q.b. 
2 c. sopa de creme de caju


// preparação tradicional 

Num tacho, refogue em azeite a cebola e o dente de alho picados até alourarem. 
Junte depois os talos de couve ralados e a abóbora em cubinhos ou ralada e deixe cozinhar uns minutos em lume médio. 
Acrescente os cogumelos e cozinhe em lume alto, até que se solte o seu líquido e fiquem douradinhos. 
Adicione então o arroz, mexa e cozinhe em lume médio até que o bago mude de cor. 
Deite depois a cerveja, aumente o lume e aguarde até que levante fervura e o álcool evapore. 
Tempere com noz moscada, sal e pimenta, junte as castanhas, reduza o lume e vá adicionando o caldo quente a pouco e pouco, esperando que o arroz o absorva para só então colocar mais, mexendo sempre. Este processo de cozedura do arroz demora entre 18 a 20 minutos. 
Apague o lume, envolva o creme de caju e rectifique os temperos. 
Deixe descansar cinco minutos e sirva de seguida. 

* Quando faço iogurte de soja e caju fico sempre, propositadamente, com creme de caju extra, que uso de variadíssimas formas. 
Para os risottos, misturo numa tacinha 2 c. sopa de creme de caju com 1 c. sopa de levedura nutricional e 1 c. café de mostarda e envolvo no fim, depois de desligar o lume do arroz, para acrescentar cremosidade. 
Quando não tenho creme de caju, substituo-o por iogurte de soja e acrescento 1 c. sopa de azeite junto com a levedura e a mostarda. 


// preparação robot de cozinha (bimby_thermomix) 

Coloque no copo o azeite, a cebola, o alho e os talo de couve, pique 5 seg/vel 5 e refogue 5 min/Varoma/vel 1. 
Adicione os cogumelos e salteie 5 min/Varoma/c. inversa. 
Junte as castanhas, o arroz, a cerveja, o caldo, tempere com noz moscada, sal e pimenta, envolva bem com a espátula e programe 8 min/100ºC/vel colher inversa. 
Retire a tampa e com ajuda da espátula envolva para soltar o arroz do fundo do copo e programe mais 10 min/100ºC/vel colher inversa. 
Rectifique os temperos e envolva o creme de caju com a espátula. 
Deixe descansar cinco minutos e sirva de seguida. 

* Quando faço iogurte de soja e caju fico sempre, propositadamente, com creme de caju extra, que uso de variadíssimas formas. Para os risottos, misturo numa tacinha 2 c. sopa de creme de caju com 1 c. sopa de levedura nutricional e 1 c. café de mostarda e envolvo no fim para acrescentar cremosidade. Quando não tenho creme de caju, substituo-o por iogurte de soja e acrescento 1 c. sopa de azeite junto com a levedura e a mostarda.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Feijão com couve e pão - Dia Mundial da Alimentação

Hoje celebra-se mais um Dia Mundial da Alimentação e gosto sempre de trazer alguma receita nova nesta data. 
Com o foco em alimentos simples, acessíveis, baratos e nutritivos, este feijão mostra logo ao que vem, é comida de conforto para saciar o corpo e a mente: na companhia que lhe quisermos dar, com caldo ou mais sequinho, ladeado de uma fatia de pão, qualquer outro cereal cozido ou batata. 

A esta base pode adicionar tomate, outras especiarias, mais caldo, leite de coco e caril, batata, massa...
As opções são tantas que poderíamos comer feijão com couve todos os dias da semana sempre como uma refeição nova.

Como não adorar o feijão com hortaliça de sempre?


  post(3) 

Feijão com hortaliça 

Azeite 
Cebola picada 
Alhos esmagados 
Cominhos 
Louro 
Couve lombarda, cortada em juliana grossa 
Cenoura em cubos 
Nabo em cubos 
Chuchu em cubos 
Feijão cozido 
Caldo da cozedura (ou água)
Sal e pimenta preta moída na hora 


// preparação 

Refogue no azeite a cebola e os alhos, com a folha de louro e os cominhos. 
Quando a cebola estiver macia e dourada, junte a couve, a cenoura, o nabo e o chuchu e deixe cozinhar em lume médio por uns minutos. 
Adicione o feijão cozido e o caldo reservado da sua cozedura praticamente até tapar todos os ingredientes e deixe levantar fervura. Tape e cozinhe em lume baixo cerca de 1h30 a 2h (pode ser menos tempo, mas se houver essa possibilidade, cozinhar comida de tacho com tempo faz tanta diferença). 
Tempere com sal e pimenta e cozinhe mais uns minutos destapado para apurar. 

Sirva com uma fatia de pão, batatas ou algum cereal cozido a gosto.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Lentilhas da horta. E o Dia Mundial da Alimentação.

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Alimentação.
Nunca como agora se falou tanto sobre o que comemos, a origem dos alimentos e a importância das nossas escolhas alimentares para a sustentabilidade do planeta e da nossa saúde.
E no turbilhão de informação, desinformação, modas, dietas, certezas e incertezas, torna-se difícil, a quem procura sustentar as suas escolhas e fazê-las de forma consciente, separar o trigo do joio.

Tenho falado pouco do tema para lá das receitas que vou partilhando, mas quem me acompanha por aqui desde os primeiros tempos do blogue, já lá vão mais de dez anos, nota certamente diferenças.
Estranho seria se assim não fosse. Lendo, estudando, pesquisando, vivendo, crescendo, tornando-me mãe, e mãe novamente, abrindo os olhos e o coração mais e mais para o mundo em que vivo, novas ideias e conceitos foram amadurecendo dentro de mim. E, claro, dentro da minha cozinha.

Não gosto de rótulos. Não gosto de modas. Do sem açúcar processado, mas com açúcar de coco. Do saudável, porque tem óleo de coco. Do zero waste, mas com morangos em Janeiro. Do vegan pelo planeta, mas a consumir roupa e tralhas “descartáveis” em barda só porque sim.
Limito-me por isso às receitas - as motivações, escolhas e opiniões vou guardando-as cada vez mais para mim e deixo que aquilo que partilho fale por elas, se é que a alguém mais suscitam interesse.

Resumidamente e sem grandes justificações, para dar resposta às perguntas que vou recebendo pelo instagram quando partilho receitas: no início do ano passado o Ricardo deixou de comer alimentos de origem animal, eu deixei de comer carne, e cá em casa aquilo que se cozinha para um é igual para todos. Resultado: as receitas que de lá para cá aparecem aqui no blogue não incluem ingredientes de origem animal.
As miúdas comem o mesmo que cozinho para nós, fora de casa comem carne e peixe, a Isabel sempre foi habituada a comer de tudo, a Luísa espero que vá pelo mesmo caminho, agora que já começou a diversificação alimentar. Esta etapa também dá pano para mangas, mas por ser um tema tão dado a opiniões variadas, modas e teorias, muitas delas baseadas em "achismos", acredito que o importante é que que cada família se sinta confortável com as suas escolhas e respeite os princípios básicos de segurança.
Nós somos pela amamentação exclusiva até aos seis meses, prolongada até a bebé e a mãe quererem (a Isabel fez o desmame noturno muito cedo e continuou a mamar durante o dia até aos dois anos e picos), e pela diversificação alimentar respeitosa da vontade e ritmo da criança, como complemento do leite materno e enquadrada nos hábitos da família. Tal como com a Isabel, agora com a Luísa fazemos um misto de baby led weaning e comida em pedaços dada à colher, conforme faça mais sentido uma ou outra coisa no momento. Comida feita de raiz, sem processados, com ingredientes frescos, sazonais, nacionais e de boa qualidade. Assim já comíamos nós, assim comemos agora todos.

Acima de tudo tentamos que as decisões sejam feitas de forma consciente, o mais informada possível e nunca definitivas, tentando manter a coerência da nossa linha de pensamento.
Hoje são as escolhas que nos parecem fazer mais sentido. E é apenas isso. Não são bandeiras, não são atestados de sabedoria, não são rótulos, não são bengalas para likes no instagram, são etapas de uma caminhada que busca equilibrar a alimentação com a saúde (física e mental), o planeta e o prazer.


Se tiverem curiosidade, deixo alguns links de leituras interessantes:

// EAT Lancet Commission
   O Vegetariano - Resumo do documento final EAT Lancet Commission

// Pensar Nutrição - Pela dieta Mediterrânica

// Novo Guia de Alimentação do Canadá

// Plant Based Juniors

// Guia para uma alimentação vegetariana saudável da DGS

// Os bebés sabem comer sozinhos (sobre o baby led weaning)


E agora, vamos à receita?
Tem tudo a ver com o dia de hoje, porque é na falta de tempo que muitas das vezes assenta a dificuldade em conseguir cozinhar regularmente.
Eu trabalho em casa, é verdade, o que me dá alguma elasticidade de horários para essa tarefa, mas com uma bebé a tempo inteiro comigo, outra filha a chegar bem cedo da escola e o trabalho de edição a chamar por mim no computador, tudo o que facilite esta gestão é bem-vindo.
Organização e planeamento são sempre boas ajudas!

Tenho já há uns anos uma panela de cozedura lenta (slowcooker) que adoro, porque como cozinha a temperaturas muito baixas, as horas que demora não requerem a nossa presença nem intervenção: podemos iniciar a preparação à noite e está pronto de manhã ou deixar a cozinhar de manhã e à hora de jantar está terminado. A mais valia em relação à cozedura lenta no fogão ou forno é a poupança energética e a segurança, por não ser necessária supervisão. Quando o tempo termina, podemos usar a potência mais baixa apenas para manutenção da temperatura até servir.

Aqui vos deixo então o último petisco que delá saiu, aprovado pelos quatro cá de casa.
Tirando as lentilhas, só coisas boas da horta dos meus pais, vai daí, batizei a receita.


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Lentilhas da horta

1 chávena de lentilhas mungo
1 cebola picada
2 dentes de alho, esmagados
3 cenouras em pedaços grandes
1 abóbora manteiga pequena, cortada em pedaços grandes
1 mão cheia de coentros
1 folha de louro
1 c. sopa de melaço
1 c. copa de mostarda
1 c. chá de cominhos
1 c. chá de sementes de coentros
½ lombardo, cortado em pedaços grandes
Água q.b.
Sal e pimenta preta moída na hora q.b.


// preparação

Coloque as lentilhas de molho por pelo menos 12h (se usar outra leguminosa ou tipo de lentilhas, ajustar o tempo de acordo). Coe e deite fora a água.

Coloque na panela as lentilhas demolhadas e escorridas, a cebola, os alhos, a cenoura, a abóbora, os coentros e o louro e misture tudo. Deite água a ferver até praticamente tapar os ingredientes.
À parte, numa tacinha, misture um pouco de água quente com o melaço, a mostarda, os cominhos e as sementes de coentros e depois misture também na panela.
Por cima disponha a couve (enquanto cruas as couves têm muito volume, a panela ficará cheia até ao cimo) e tape.
Ligue a panela na potência máxima e cozinhe cerca de 7h (o tempo está dependente da qualidade das lentilhas). Pode mexer a meio para misturar as couves, mas não abra a panela mais vezes durante a cozedura para não perder o calor.
No fim, tempere com sal e pimenta, tape e deixe em repouso até servir.
Gostamos de acompanhar com uma fatia de um bom pão aqui da padaria do bairro, batata doce ou um cereal.

Nota: Se não tiverem uma panela de cozedura lenta, podem fazer no fogão ou no forno, numa panela com tampa, com os tempos de cozedura habituais, até confirmarem que as lentilhas e os legumes estão cozinhados. No fim podem destapar para apurar um pouco mais o molho.



quarta-feira, 22 de março de 2017

Espelta com cogumelos e couve.

Nesta altura do ano, em que a Primavera chega no calendário mas lá fora sente-se bem o frio no corpo, a cozinha também se ressente da esquizofrenia meteorológica.
É verdade que começam a chegar todas as coisas boas que a horta e as árvores no dão nesta época, mas na minha cozinha ainda abundam as laranjas, as couves e a vontade de comida quentinha para um fim de dia reconfortante.

A bem da verdade, o prato que hoje trago foi feito para o meu almoço.
Em doses fartas para render e facilitar o jantar de todos sem ter que voltar à cozinha.

Grãos e legumes são sempre uma combinação versátil e por isso não se prendam às couves e à espelta e agarrem-se ao que houver aí por casa para despachar uma refeição bem simples de preparar.
Basta jogar por antecipação com o demolhar e a cozedura da espelta (que faço sempre em mais quantidade e congelo) e depois é um vapt-vupt.


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Espelta com cogumelos e couve
Serve 4, como acompanhamento

1 chávena de espelta em grão
Azeite
2 dentes de alho
½ bolbo de funcho
1 chávena de cogumelos frescos, fatiados
½ couve coração, cortada finamente
Sumo e casca de ½ laranja
Sal e pimenta preta moída na hora


// preparação tradicional

Deixe a espelta de molho em água abundante, de um dia para o outro. Escorra.
Coloque os grãos demolhados e escorridos num tacho com o triplo do volume de água e coza cerca de 45 min a 1 h, em lume brando, até que fique cozida.

Refogue os alhos e o funcho picados em azeite, até que amoleçam.
Adicione os cogumelos e deixe em lume médio, até que os seus sucos evaporem.
Junte a couve, o sumo de laranja e uma tira da casca (só a parte cor de laranja), tempere com sal e pimenta preta e deixe cozinhar em lume baixo, cerca de 10 minutos, até que a couve fique tenra e o molho evapore.
Rectifique os temperos e sirva de seguida, ou à temperatura ambiente.


// preparação robot de cozinha (bimby_thermomix)

Deixe a espelta de molho em água abundante, de um dia para o outro. Escorra.
Coloque 800 g de água no copo, insira o cesto com a espelta e coza 45 min/100ºC/vel 4.
Retire o cesto e reserve a espelta.

Coloque no copo vazio o azeite, os alhos e o funcho e pique 5 seg/vel 5.
Adicione os cogumelos e refogue 6 min/Varoma/vel c. inversa.
Junte a couve, o sumo de laranja e uma tira da casca (só a parte cor de laranja), tempere com sal e pimenta preta e programe 10 min/Varoma/vel c. inversa, sem copinho, até que a couve fique tenra e o molho evapore.
Rectifique os temperos e sirva de seguida, ou à temperatura ambiente.



terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Coleslaw de funcho e chips rápidas de batata doce

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Começar o ano com coisas boas da horta
Depois das festas sabe bem retomar as rotinas e trazer para a mesa coisas mais leves. 

Aproveitando as últimas sobras de carnes e uns bagels vindos do brunch de domingo, compôs-se um almoço simples e rápido. Sopa de beringela, chuchu e hortelã para abrir as hostes e depois um fast-food-caseiro que despachou o almoçou em três tempos.

Não é um ingrediente da moda, não faz parte da lista trendy dos super ingredientes, mas o que fazer? Adoro couve! E por isso acabo e começo o ano com ela.
Não se assustem com o nabo cru, que esta conjugação de sabores pode parecer atrevida, mas vale bem a pena experimentar.

Tudo fresco e com sabor a Inverno, para receber 2016 com honras de petisco dos bons!


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Coleslaw de funcho 

1 couve coração pequena 
½ bolbo de funcho 
1 cenoura 
½ nabo pequeno 
4 c. sopa de iogurte natural (vaca, coco ou soja) 
Sumo de meio limão 
1 c. chá de mostarda inglesa 
Rama de funcho 
Sal e pimenta moída na hora  

Corte a couve, e o bolbo de funcho em juliana fina e misture numa taça grande com a cenoura e o nabo ralados. 
Numa tacinha, misture o iogurte, o sumo de limão, a mostarda e a rama de funcho, tempere com sal e pimenta e mexa. Misture o molho com a misture de couve, rectifique os temperos e sirva de seguida.



Chips rápidas de batata doce 

1 batata doce 
1 c. sopa de azeite, mais q.b. p/ untar
Sal e pimenta moída na hora 
Oregãos

Com uma mandolina ou uma faca afiada, corte a batata doce em rodelas o mais finas possível. 
Lave bem passando várias vezes por água e seque as rodelas num pano de cozinha. 
Numa taça, envolva as rodelas de batata no azeite e misture bem. 
Unte o prato do microondas com azeite, disponha uma parte das rodelas de batata sem sobrepor e leve ao microondas, na potência máxima, cerca de 6-8 minutos. 
Confirme se estão cozinhadas, secas e estaladiças e, se necessário, marque mais 1 a 2 minutos. 
Retire e repita até terminar as rodelas. 
Tempere com sal e pimenta e os oregãos e sirva com o molho da sua preferência. Na foto servi com um ketchup caseiro cuja receita partilharei em breve aqui no blogue. 


Para os bagels, parta-os ao meio e torre-os ligeiramente, apenas para amornar e ficarem estaladiços, aproveitando para derreter uma fatia de queijo numa das metades. 
Pincele a outra metade com azeite (aqui usei o ketchup caseiro), recheie com sobras de carne a gosto e uma parte do coleslaw e sirva acompanhado das chips de batata doce e da restante salada.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Coração de Natal

Sem grandes planos.
Uma couve coração linda, linda, vinda da horta.
Uns cogumelos acabados de chegar depois de uma ida às compras.
E um bolo de maçã no forno, a deixar o stock de maçãs a zeros. Mas havia marmelos.
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E é assim que tantas vezes se decide o que cozinhar aqui por casa. Ficou tão bom, o improviso, que acabou por ter direito a foto para um futuro post cá no blogue.
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Sem grandes planos. Novamente.
Tornou-se na receita das Boas Festas deste ano.

Já houve sopas, tronco de chocolate, biscoitos, entradas bonitas, saladas, bombonsmais biscoitos ou biscottis, e tantas outras coisas que ficam sempre bem na mesa que junta família e tempo para saborear o que nos faz felizes.
Há muito Natal para explorar aqui nos arquivos.

Pois este ano é com um acompanhamento bem simples, mas diferente e delicioso, que vos venho desejar um Feliz Natal.

O nosso será certamente muito, muito especial!

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Coração salteado com cogumelos e marmelo

Azeite
Alhos esmagados
Cogumelos frescos cortados em quartos
Couve coração grosseiramente cortada
Marmelo ralado, s/ casca
Vinagre
Sal e pimenta preta moída na hora


// preparação tradicional

Aqueça o azeite com os alhos e junte os cogumelos, em lume médio, até que soltem os seus líquidos.
Adicione a couve e cozinhe uns instantes, apenas até quebrar e amolecer ligeiramente.
Quando o líquido evaporar todo, junte um jorro de vinagre e aumente o lume, mexendo sempre.
Tempere com sal e pimenta, junte o marmelo ralado, mexa bem, e deixe por uns minutos apenas até o marmelo cozinhar.

Sirva morno ou frio, como acompanhamento. Ou adicione alguma proteína para que se transforme numa refeição completa.