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2015-03-09

DO ALTO MAR - Álvaro Feijó


Tripulação!
às gáveas e às enxárcias;
ao leme e aos cordames;
atenta à tempestade
que anda no Mar
e vai
no nosso coração.

Tripulação!
Ajuda a tempestade...
Deixa ruir o mastro da mesena!
Lança à boca das ondas o sextante!
Deixa ao sabor das vagas o navio!
Não tenhas pena!

Quando haja só convés ao raso de água:
Tripulação...
Atenta.


Álvaro de Castro e Sousa Correia Feijó (nascido a 5 de junho de 1916, em Viana do Castelo, morreu em Coimbra a 9 de março de 1941)

Ler do mesmo autor:
Natal
Os Dois Sonetos de Amor da Hora Triste
A Nau Perdida
Senhor! De que Valeu o Sacrifício?
Se os Homens Quisessem

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2014-07-05

A NAU PERDIDA - Álvaro Feijó

Pobre, lá vai! Que rombo no costado!
Como a água a penetra aos borbotões!
Açoita-a, em fúria, o Mar. Adorna ao lado.
Anda à mercê das vagas, dos tufões!
Mas segue, segue em frente. O vento a ajuda!
Galga nas ondas, que doidinha, olhai!...
Julga-se, ainda, a nau que dantes era,
por levar, no porão, uma quimera,
por ir, do vento na refrega aguda,
ovante e sem saber per'onde vai!

Julga-se, ainda, a nau que dantes era...
– o que passa não torna ..
Na pobre nau perdida
a água entra e a adorna.
Vai sendo, aos poucos, pelo mar sorvida.

Na agonia estrebucha. Num desejo
de vida e luz, arfante, desesperada,
busca furtar-se ao comprimente beijo
do Mar que a envolve. – Após, é o Mar e nada...

Doirado como um astro,
haste esquecida em campo onde as mondas
colheram tudo, o topo do seu mastro
fica esperando ainda sobre as ondas.

Na rota pelo mundo
– ao deus-dará na vaga azul e infinda –
nós vamos – nau perdida em Mar profundo –
joguetes do tufão;
mas conservando, ainda,
na última Esperança a última Ilusão.


Álvaro de Castro e Sousa Correia Feijó (Viana do Castelo, 5 de junho de 1916 - Coimbra, 9 de março de 1941)

Ler do mesmo autor, no Nothingandall:
Os Dois Sonetos de Amor da Hora Triste
Senhor! De Que Valeu o Sacrifício

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2012-04-23

No Dia Mundial do Livro cumpri a minha participação no 4º. BookCrossing Blogueiro


 


Hoje, Dia Mundial do Livro, dei execução à minha parte da iniciativa do 4º. Book Crossing Blogueiro (iniciativa do blog Luz de Luma, yes party!).

O livro que presenteei comprei-o há dias num alfarrabista que descobri perto da Igreja da Lapa, no Porto (livraria Utopia, Rua da Regeneração),  e que tem uma coleção de livros de poesia impressionante.

Deste «Os Poemas de Álvaro Feijó», colecção Poesia de Hoje, Portugália, impresso em Dezembro de 1961, deixo para todos os leitores (e não apenas o privilegiado que o encontrou «perdido» num banco de jardim do Campo 24 de Agosto) o poema:

SE OS HOMENS QUISESSEM

Brincava na praia, saído da escola
- os pés maculando a espuma de prata -
na espádua - menino - a suja sacola,
na espalda - soldado - a espada de lata.

Ao longe, uma estrela cadente na seda
do céu.
A bala no menino, levou-o...
                                          Na queda,
inútil, ficou-se a espada partida.
..............................................

Se os homens  quisessem,
o engenho assassino,
as armas da Morte, talvez se rompessem
sem nada valer.
-Espada de lata do loiro menino -
Se os homens quisessem...
E os homens vão querer?

Novembro de 1938.

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2011-07-05

A NAU PERDIDA - Álvaro Feijó

Pobre, lá vai! Que rombo no costado!
Como a água a penetra aos borbotões!
Açoita-a, em fúria, o Mar. Adorna ao lado.
Anda à mercê das vagas, dos tufões!
Mas segue, segue em frente. O vento a ajuda!
Galga nas ondas, que doidinha, olhai!...
Julga-se, ainda, a nau que dantes era,
por levar, no porão, uma quimera,
por ir, do vento na refrega aguda,
ovante e sem saber per'onde vai!

Julga-se, ainda, a nau que dantes era...
– o que passa não torna ..
Na pobre nau perdida
a água entra e a adorna.
Vai sendo, aos poucos, pelo mar sorvida.

Na agonia estrebucha. Num desejo
de vida e luz, arfante, desesperada,
busca furtar-se ao comprimente beijo
do Mar que a envolve. – Após, é o Mar e nada...

Doirado como um astro,
haste esquecida em campo onde as mondas
colheram tudo, o topo do seu mastro
fica esperando ainda sobre as ondas.

Na rota pelo mundo
– ao deus-dará na vaga azul e infinda –
nós vamos – nau perdida em Mar profundo –
joguetes do tufão;
mas conservando, ainda,
na última Esperança a última Ilusão.


Outubro de 1937
Poema extraído daqui
Álvaro de Castro e Sousa Correia Feijó (Nascido a 5 de Julho de 1916, em Viana do Castelo, morreu em Coimbra a 9 de Março de 1941)

Ler do mesmo autor, no Nothingandall:
Os Dois Sonetos de Amor da Hora Triste
Senhor! De Que Valeu o Sacrifício

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2011-03-09

Senhor! De que Valeu o Sacrifício?... - Álvaro Feijó

Quantos desejam, Senhor,
na calma de uns seios brandos
ter sonhos e ter amor...

Os que mendigam na vida
anseiam por ser meninos
e aninhar-se
— depois da faina de um dia, cansados já de ser homens —
junto dos seios de alguém.

Senhor! De que valeu o sacrifício,
se os seios não se abriram
nem se deram a ninguém!


Álvaro de Castro e Sousa Correia Feijó nascido a 5 de Junho de 1916, em Viana do Castelo, morreu, a 9 de Março de 1941

Ler do mesmo autor: Os Dois Sonetos de Amor da Hora Triste

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2010-03-09

Os Dois Sonetos de Amor da Hora Triste - Álvaro Feijó

I

Quando eu morrer — e hei de morrer primeiro
Do que tu — não deixes de fechar-me os olhos
Meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos
E ver-te-ás de corpo inteiro.

Como quando sorrias no meu colo.
E, ao veres que tenho toda a tua imagem
Dentro de mim, se, então, tiveres coragem,
Fecha-me os olhos com um beijo.

(Eu, Marco Póli)
Farei a nebulosa travessia
E o rastro da minha barca
Segui-los-á em pensamento. Abarca

Nele o mar inteiro, o porto, a ria...
E, se me vires chegar ao cais dos céus,
Ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus,

II

Não um adeus distante
Ou um adeus de quem não torna cá,
Nem espera tornar. Um adeus de até já,
Como a alguém que se espera a cada instante.

Que eu voltarei. Eu sei que hei de voltar
De novo para ti, no mesmo barco
Sem remos e sem velas, pelo charco
Azul do céu, cansado de lá estar.

E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação.
E não quero que chores para fora,
Amor, que tu bem sabes que quem chora

Assim, mente. E, se quiseres partir e o coração
To peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino
Talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino?


Álvaro de Castro e Sousa Correia Feijó (nascido a 5 de Junho de 1916, em Viana do Castelo, morreu, a 9 de Março de 1941)

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