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2016-05-10

Acordar na Rua do Mundo - Luiza Neto Jorge

madrugada. passos soltos de gente que saiu
com destino certo e sem destino aos tombos.
no meu quarto cai o som depois
a luz. ninguém sabe o que vai
por esse mundo. que dia é hoje?
soa o sino sólido as horas. os pombos
alisam as penas. no meu quarto cai o pó.

um cano rebentou junto ao passeio.
um pombo morto foi na enxurrada
junto com as folhas dum jornal já lido.
impera o declive
um carro foi-se abaixo
portas duplas fecham
no ovo do sono a nossa gema.

sirenes e buzinas. ainda ninguém via satélite
sabe ao certo o que aconteceu. estragou-se o alarme
da joalharia. os lençóis na corda
abanam os prédios, pombos debicam

o azul dos azulejos. assoma à janela
quem acordou. o alarme não pára o sangue
desavém-se. não veio via satélite a querida imagem o vídeo
não gravou

e duma varanda um pingo cai
de uma vaso salpicando o fato do bancário

(A Lume, 1989)

Extraído de Poemas Portuguesas Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

Luiza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989.

Ler da mesma autora, neste blog:
Nas Cidades do Sul
Baixo-Relevo
Desinferno II
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia
Ritual
Poemas para a noite invariável - IV
Anos Quarenta, os Meus
Nas Cidades do Sul
Baixo-Relevo

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2014-05-10

Venho de dentro, abriu-se a porta... - Luiza Neto Jorge

Venho de dentro, abriu-se a porta:
nem todas as horas do dia e da noite
me darão para olhar de nascente
a poente e pelo meio as ilhas.

Há um jogo de relâmpagos sobre o mundo
de só imaginá-la a luz fulmina-me,
na outra face ainda é sombra

Banhos de sol
nas primeiras areias da manhã
Mansidões na pele e do labirinto só
a convulsa circunvolução do corpo.

in A Lume Poesia
organização e prefácio de Fernando Cabral Martins, Assírio & Alvim, 2ª edição, 2001

Maria Luiza Neto Jorge (n. em Lisboa a 10 Mai 1939; m. em Lisboa a 23 Fev 1989)

Ler da mesma autora, neste blog:
Poemas para a noite invariável - IV
Anos Quarenta, os Meus
Nas Cidades do Sul
Baixo-Relevo
Desinferno II
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
A Magnólia
Ritual
Acordar na Rua do Mundo

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2013-05-10

Poemas para a noite invariável IV - Luiza Neto Jorge

Gasto-me à espera da noite
impraticável

fiel
sugo os lábios da noite

invariável caio
nos poços da noite

Gasto-me à espera da noite alheia
amassada de gargalhadas doces e areia

Amor anoitecido vem
tecer-me um vestido
nocturno

Atraiçoo os anúncios luminosos
até a lua nova sabe a ausente
- e eu anavalhei-te com naifas de ansiedade -

Estou à espera da noite contigo
venham as pontes ruindo sob os barcos
venham em rodas de sol
os montes os túneis e deus

Estou à espera da noite contigo
livre de amor e ódio
livre
sem o cordão umbilical da morte
livre da morte

estou
à espera
da noite


in A noite vertebrada

Maria Luiza Neto Jorge (n. em Lisboa a 10 Mai 1939; m. em Lisboa a 23 Fev 1989)

Ler da mesma autora, neste blog:
Nas Cidades do Sul
Baixo-Relevo
Desinferno II
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia
Ritual
Acordar na Rua do Mundo

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2012-05-10

ACORDAR NA RUA DO MUNDO - Luiza Neto Jorge


madrugada, passos soltos de gente que saiu
com destino certo e sem destino aos tombos.
no meu quarto cai o som depois
a luz. ninguém sabe o que vai
por esse mundo. que dia é hoje?
soa o sino sólido as horas, os pombos
alisam as penas, no meu quarto cai o pó.

um cano rebentou junto ao passeio.
um pombo morto foi na enxurrada
junto com as folhas dum jornal já lido.
impera o declive
um carro foi-se abaixo
portas duplas fecham
no ovo do sono a nossa gema.

sirenes e buzinas. ainda ninguém via satélite
sabe ao certo o que aconteceu. estragou-se o alarme
da joalharia. os lençóis na corda
abanam os prédios, pombos debicam
o azul dos azulejos. assoma à janela

quem acordou. o alarme não pára o sangue
desavém-se. não veio via satélite a querida imagem o vídeo
não gravou
e duma varanda um pingo cai
de um vaso salpicando o fato do bancário.

(A LUME, 1989)
Extraído de Poemas Portuguesas Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

Luiza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989.

Ler da mesma autora, neste blog:
Nas Cidades do Sul
Baixo-Relevo
Desinferno II
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia
Ritual

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2012-02-23

Nas Cidades do Sul - Luiza Neto Jorge

Nas cidades do sul
há violência e há excesso,
de semente.
Estalam os rios e foge a água.
O corpo, encortiçado, racha.

Lendas vêm de há séculos assoreando
as margens.
E quando à boca de um poço vamos
provar o nosso eco,
águas puras irrompem,
noutra língua.

Extraído de Cem Poemas Portugueses no Feminino, selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria, Terramar

 Maria Luiza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989.

Ler da mesma autora, neste blog:
Anos Quarenta, os Meus
Desinferno II
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia
Ritual
Baixo-Relevo

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2011-02-23

Anos Quarenta, os Meus - Luiza Neto Jorge



De eléctrico andava a correr meio mundo
subia a colina ao castelo-fantasma
onde um pavão alto me aflorava muito
em sonhos à noite. E sofria de asma

alma e ar reféns dentro do pulmão
(como um chimpanzé que à boca da jaula
respirava ainda pela estendida mão).
Salazar três vezes, no eco da aula.

As verdiças tranças prontas a espigar
escondiam na auréola os mais duros ganchos.
E o meu coito quando jogava a apanhar
era nesse tronco do jardim dos anjos

que hoje inda esbraceja numa árvore passiva.
Níqueis e organdis, espelhos e torpedos
acabou a guerra meu pai grita "Viva".
Deflagram no rio golfinhos brinquedos.

Já bate no cais das colunas uma
onda ultramarina onde singra um barco
pra cacilhas e, no céu que ressuma
névoas águas mil, um fictício arco-
-irís como é, no seu cor-a-cor,
uma dor que ao pé doutra se indefine.
No cinema lis luz o projector
e o FIM através do tempo retine.

Maria Luiza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989

Ler da mesma autora, neste blog:
Nas Cidades do Sul
Baixo-Relevo
Desinferno II
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia
Ritual

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2010-05-10

Nas cidades do sul - Luiza Neto Jorge

Nas cidades do sul
há violência e há excesso,
de semente.
Estalam os rios e foge a água.
O corpo, encortiçado, racha.

Lendas vêm de há séculos assoreando
as margens.
E quando à boca de um poço vamos
provar o nosso eco,
águas puras irrompem,
noutra língua.

in Cem Poemas Portugueses no Feminino, selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria, Terramar

Luiza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989.

Ler da mesma autora, neste blog:
Baixo-Relevo
Desinferno II
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia
Ritual

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2010-02-23

Baixo-Relevo - Luiza Neto Jorge

Dentro de um secular sossego
nós somos
a escultura de amanhã

(trilhos de formigas
descem no cabelo
patinado de pó o coração)

Tu e eu
só estátuas de amanhã
Não temos na mão a flor
um livro uma espingarda
uma cadeira gasta onde morrer
E sem o monstro gótico apunhalado aos pés

(Todos os sonhos são de pedra ou bronze
não os meus de palha ou de papel)

Tu e eu
baixo-relevo
vendidos tocados expostos em vida
perseguidos pelos milionários
e pelos mortos talvez que invadiram já
o pedestal das estátuas

Tu e eu
elípticos de sexo
ontem gritada no teu peito
hoje secreto no meu ventre

deserdados da sombra
já sem gesto
escultura de amanhã

Maria Luiza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989. Frequentou Filologia Românica na Faculdade de Letras da sua cidade natal, mas não concluiu o curso. Pertenceu ao grupo Poesia ‘61 e viveu em Paris de 1962 a 1970. A sua poesia é tendencialmente surrealista: «Noite Vertebrada» (1960), «4.ª Dimensão» (1961), «Terra Imóvel» (1964), «O Seu a Seu Tempo» (1966), «19 Recantos» (1969), «O Ciclópico Acto» (1972), «Os Sítios Sitiados» (1973), «Onze Poemas» (1983), «A Lume» (1989) e, postumamente, «Poesia 1960/89» (1993). Adaptou para o teatro «O Fatalista» de Diderot e escreveu os diálogos dos filmes «Brandos Costumes» de Seixas Santos e «A Ilha dos Amores» de Paulo Rocha. Distinguiu-se também como tradutora literária.

Poema extraído de Poemas de Amor, Antologia de poesia portuguesa, Organização e Prefácio de Inês Pedrosa, Publicações Dom Quixote

Nota biobliográfica extraída de A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto

Ler da mesma autora, neste blog:
Desinferno II
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia
Ritual

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2009-05-10

DESINFERNO II - Luiza Neto Jorge na passagem do 70º aniversário

Caísse a montanha e do oiro o brilho
O meigo jardim abolisse a flor
A mãe desmoesse as carnes do filho
Por botão de vídeo se fizesse amor

O livro morresse, a obra parasse
Soasse a granizo o que era alegria
A porta do ar se calafetasse
Que eu de amor apenas ressuscitaria


Maria Luiza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989. Frequentou Filologia Românica na Faculdade de Letras da sua cidade natal, mas não concluiu o curso. Pertenceu ao grupo Poesia ‘61 e viveu em Paris de 1962 a 1970. A sua poesia é tendencialmente surrealista: «Noite Vertebrada» (1960), «4.ª Dimensão» (1961), «Terra Imóvel» (1964), «O Seu a Seu Tempo» (1966), «19 Recantos» (1969), «O Ciclópico Acto» (1972), «Os Sítios Sitiados» (1973), «Onze Poemas» (1983), «A Lume» (1989) e, postumamente, «Poesia 1960/89» (1993). Adaptou para o teatro «O Fatalista» de Diderot e escreveu os diálogos dos filmes «Brandos Costumes» de Seixas Santos e «A Ilha dos Amores» de Paulo Rocha. Distinguiu-se também como tradutora literária.

Poema extraído de Poemas de Amor, Antologia de poesia portuguesa, Organização e Prefácio de Inês Pedrosa, Publicações Dom Quixote

Nota biobliográfica extraída de A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler da mesma autora, neste blog:
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia
Ritual

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2009-02-23

Ritual de Luíza Neto Jorge (que faleceu há 20 anos)

a jarra tombou
a água correu sobre a mesa

as flores calaram-se aos poucos
o espantalho tocou o acordeão

a criança cansou-se do vento
desatou as sandálias

o mar meditou duas vezes
qual o horizonte

do sótão a galinha presa
viu um avião voar

uns quantos vestiram-se de negro
viveram da morte dos outros

suicidou-se uma sombra
debaixo do meu pé

a mulher vestiu-se de branco
para a Ressurreição

o país desbotou
no mapa das escolas

amor que esperas de mim
a não ser eu

in Antologa da Poesia Portuuguesa Contemporânea, Um panorama Organização de Alberto da Costa e Silva e Alexei Bueno, Lacerda Editores

Maria Luiza Neto Jorge (n. em Lisboa a 10 de Maio de 1939; m. em Lisboa a 23 Fev. 1989).

Ler da mesma autora, neste blog:
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia

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2008-05-10

Minibiografia - Luiza Neto Jorge

Mulher ao espelho foto daqui

Não me quero com o tempo nem com a moda
Olho como um deus para tudo de alto
Mas zás! do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.

Porque envelheço, adoeço, esqueço
Quanto a vida é gesto e amor é foda;
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda

E se nave vier do fundo espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso.

Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor.

Maria Luiza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989. Frequentou Filologia Românica na Faculdade de Letras da sua cidade natal, mas não concluiu o curso. Pertenceu ao grupo Poesia ‘61 e viveu em Paris de 1962 a 1970. A sua poesia é tendencialmente surrealista: «Noite Vertebrada» (1960), «4.ª Dimensão» (1961), «Terra Imóvel» (1964), «O Seu a Seu Tempo» (1966), «19 Recantos» (1969), «O Ciclópico Acto» (1972), «Os Sítios Sitiados» (1973), «Onze Poemas» (1983), «A Lume» (1989) e, postumamente, «Poesia 1960/89» (1993). Adaptou para o teatro «O Fatalista» de Diderot e escreveu os diálogos dos filmes «Brandos Costumes» de Seixas Santos e «A Ilha dos Amores» de Paulo Rocha. Distinguiu-se também como tradutora literária.

Poema e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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2008-02-23

Desinferno II - Luiza Neto Jorge

Woman with Water Pails: Dynamic Arrangement (1912–13; 1912)
Oil on canvas, 31 5/8 x 31 5/8" (80.3 x 80.3 cm)
The Museum of Modern Art, New York.
Kazimir Malevich (b. in Kiev 23 Feb 1878 ; d. 1935.)

Caísse a montanha e do oiro o brilho
O meigo jardim abolisse a flor
À mãe desmoesse as carnes do filho
Por botão de vídeo se fizesse amor

O livro morresse, a obra parasse
Soasse a granizo o que era alegria
A porta do ar se calafetasse
Que eu de amor apenas ressuscitaria

in Poemas de Amor, Antologia da poesia portuguesa - Oranização e prefácio de Inês Pedrosa - Publicações Dom Quixote

Maria Luiza Neto Jorge (n. em Lisboa a 10 de Maio de 1939; m. em Lisboa a 23 Fev. 1989).

Ler da mesma autora, neste blog:
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia

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2007-05-10

Minibiografia - Luíza Neto Jorge

Não me quero com o tempo nem com a moda,
olho como um deus para tudo de alto,
mas, zás! do motor corpo o mau ressalto
me faz a todo o passo errar a coda.

Porque envelheço, adoeço, esqueço
qanto a vida é gesto e amor é foda;
diferente me concebo e só do avesso
o formato mulher se me acomoda.

E, se nave vier do fundo espaço
cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
logo me leve, subirei sem medo
à cena do mais árduo e do mais escasso.

Um poema deixo, ao retardador:
meia palavra a bom entendedor.

extraído de «A Circulatura do Quadrado Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa», Edições Unicepe, 2004

Maria Luiza Neto Jorge (n. em Lisboa a 10 de Maio de 1939; m. em Lisboa a 23 Fev. 1989).

Ler da mesma autora, neste blog:

As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia

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2007-02-23

As casas vieram de noite - Luíza Neto Jorge

photo from here

As casas vieram de noite
De manhã são casas
À noite estendem os braços para o alto
fumegam vão partir

Fecham os olhos
percorrem grandes distâncias
como nuvens ou navios

As casas fluem de noite
sob a maré dos rios

São altamente mais dóceis
que as crianças
Dentro do estuque se fecham
pensativas

Tentam falar bem claro
no silêncio
com sua voz de telhas inclinadas


Luiza Neto Jorge (n. em Lisboa a 10 de Maio de 1939, m. em Lisboa a 23 Fev. 1989)

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2006-05-10

O poema ensina a cair - Luiza Neto Jorge

O poema ensina a cair
sobre vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor,ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede

até à queda vinda
da lenta volúpia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós uma homenagem
póstuma.

in Os poemas da minha vida - Marcelo Rebelo de Sousa - Público, pg. 140

Luiza Neto Jorge (n. Lisboa 10 Maio 1939, m. Lisboa a 23 Fev 1989)

Ler da mesma autora, neste blog: A magnólia

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2006-02-23

A magnólia - Luiza Neto Jorge

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Magnolia fordiana [Yuyuan ecotype]

A exaltação do mínimo,
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor.

Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria - na metáfora -
necessária,e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala.

A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade,

um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim.

Maria Luiza Neto Jorge (n. em Lisboa a 10 Mai 1939; m. em Lisboa a23 Fev 1989)

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