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2016-05-09

O Cão de Pompeia - Lucian Blaga


Eu vi em Pompeia aquele cão romano.
Assim o quiseram as Deusas da sorte:
Um molde guardado na massa da morte,
Que o não apodreça nem chuva, nem ano.

Escapara à nuvem da porta, correndo
À noite caída do monte co'o fogo.
Porém, sobre si dando volta, foi logo
Extinguir-se a rosnar e em cinza mordendo.

Mas - chumbo e cinza e nuvem - Senhor,
Vos vejo, até mim pela porta irrompendo,
Do monte dos céus, com ar devastador.

Só escapo até à saída. E após,
A cinza do mundo, em Vós vou mordendo,
E guardo este molde p'ra sempre em Vós

Trad. de Doina Zugravescu

in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Lucian Blaga nasceu a 9 de maio de 1895, em Lancrăm, lângă Sebeș, comitatul Sibiu; faleceu a 6 de maio de 1961, em Cluj-Napoca, Roménia

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2015-05-09

OCASO MARINHO - Lucian Blaga



Se esvai no jogo de luzes
o salto crepuscular do delfim.

A onda apara os nomes
escritos na areia e os rastros.

O sol, lágrima do Senhor,
cai nos mares do sono.

O dia se extingue, e as notícias.
A sombra faz crescerem os sinais.

Ah, para quem existem os longos
tempos? Para quem os mastros?

Oh, a aventura, e as águas!
Coração, cerra as pálpebras.

Trad. Luciano Maia

Lucian Blaga nasceu a 9 de maio de 1895, em Lancrăm, lângă Sebeș, comitatul Sibiu faleceu a 6 de maio de 1961, em Cluj-Napoca, Roménia

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