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2012-02-03

CONSOLAÇÃO - João Penha

A um poeta lírico

Não sucumbas assim. À noite escura
Sucede a luz da aurora e o sol radioso:
Suspende as mágoas do violão choroso,
O lamento dos tristes sem ventura.

Limpa as fezes do cálix da amargura,
E, com vinho dum pâmpano gostoso,
Ergue um brinde ao amante venturoso
Da mulher que adoravas com loucura.

Nem outra vez me digas que na munda,
Ou na voragem das perdidas gentes,
Não há sofrer maior, nem mais profundo.

A terra é o grande val dos descontentes!
Oh! se tu visses num festim jucundo
A mágoa dum gastrónomo... sem dentes!


João de Oliveira Penha Fortuna, nascido a 29 de abril de 1838, em Braga e aí faleceu 3 de fevereiro de 1919

Do mesmo autor neste blog ler Última Vontade

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2010-02-03

Última Vontade - João Penha, na passagem do 91º. aniversário da sua morte


O corpo num lençol e, assim metido
em minha mãe, donde nasci, a terra.
Nada do som do bronze, um som que aterra,
que descontenta um delicado ouvido.

Ninguém ouse soltar um só gemido
junto da cova que o meu corpo encerra;
longe, a minh’alma em outros mundos erra,
dêem-lhe a paz dum sempiterno olvido.

Nada de luto, de sanefas pretas;
onde eu fique, um recôndito jardim,
onde ela, a mais divina das Julietas,

se, por acaso, se lembrar de mim,
possa colher um ramo de violetas
com que inflore o seu peito de cetim.


JOÃO de Oliveira PENHA Fortuna nasceu em Braga a 29 de Janeiro de 1838 e aí morreu a 3 de Fevereiro de 1919. Começou por frequentar a faculdade de Teologia (1866), donde transitou para a de Direito, formando-se em 1873. Em Coimbra, dirigiu um jornal literário, «A Folha» (1868/73), que foi o berço da poesia parnasiana (realismo e idealismo). Com «Vinho e Fel», fez ressurgir o soneto, após o eclipse romântico, mas a sua poesia aliava ao culto da beleza e perfeição formal a frivolidade, a sátira mordaz e cínica, a ironia acerba de um estóico. Depois de formado, foi juiz ordinário do julgado da Sé de Braga (1874), redactor da revista literária «República das Letras» (Porto, 1875) e exerceu a advocacia na sua cidade natal. Mas aquele que tivera uma juventude boémia e dândi conheceu uma velhice de torturas físicas e morais. Só não morreu na mais completa miséria graças a uma pequena pensão vitalícia concedida quase aos 80 anos pelo presidente Bernardino Machado, seu camarada nos tempos de Coimbra, por proposta do deputado Jaime Cortesão.

(Soneto e nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

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2008-02-03

Última Vontade - João Penha



O corpo num lençol e, assim metido
em minha mãe, donde nasci, a terra.
Nada do som do bronze, um som que aterra,
que descontenta um delicado ouvido.

Ninguém ouse soltar um só gemido
junto da cova que o meu corpo encerra;
longe, a minh’alma em outros mundos erra,
dêem-lhe a paz dum sempiterno olvido.

Nada de luto, de sanefas pretas;
onde eu fique, um recôndito jardim,
onde ela, a mais divina das Julietas,

se, por acaso, se lembrar de mim,
possa colher um ramo de violetas
com que inflore o seu peito de cetim.

JOÃO de Oliveira PENHA Fortuna nasceu em Braga a 29 de Janeiro de 1838 e aí morreu a 3 de Fevereiro de 1919. Começou por frequentar a faculdade de Teologia (1866), donde transitou para a de Direito, formando-se em 1873. Em Coimbra, dirigiu um jornal literário, «A Folha» (1868/73), que foi o berço da poesia parnasiana (realismo e idealismo). Com «Vinho e Fel», fez ressurgir o soneto, após o eclipse romântico, mas a sua poesia aliava ao culto da beleza e perfeição formal a frivolidade, a sátira mordaz e cínica, a ironia acerba de um estóico. Depois de formado, foi juiz ordinário do julgado da Sé de Braga (1874), redactor da revista literária «República das Letras» (Porto, 1875) e exerceu a advocacia na sua cidade natal. Mas aquele que tivera uma juventude boémia e dândi conheceu uma velhice de torturas físicas e morais. Só não morreu na mais completa miséria graças a uma pequena pensão vitalícia concedida quase aos 80 anos pelo presidente Bernardino Machado, seu camarada nos tempos de Coimbra, por proposta do deputado Jaime Cortesão.

(Soneto e nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

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