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2013-12-27

Poema X de Uma Noite em Duíno (1990) - Domingos de Oliveira

- a lentidão dos anos
deixa-me
cada vez mais longe
o teu silêncio

mas sofro ainda
qual mensageiro cego
num labirinto sendas
de deserto em Beja

por onde poderiauma última vez
ver-te deixares-me
para sempre? -

in DEVASTAÇÕES E OUTROS FASTOS poemas escolhidos (pág. 42). Edição da UNICEPE, Porto, 2010-11-19

Domingos de Oliveira nasceu em Silvalde, Espinho, em 27 de Dezembro de 1936.

Ler do mesmo autor, neste blog:
Ao Luar
Soube de ti na primavera

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2010-12-27

No aniversário de Domingos de Oliveira

Soube de ti na primavera.
O puríssimo arroio parecia eterno.

Mas já nas dunas do verão senti
demasiado grande a espera.

Nas cidades de outono procurei
incessante, de rua em rua, de rosto em rosto.

Só à entrada do inverno, caía a noite,
na neve vi que passaste.


in DEVASTAÇÕES E OUTROS FASTOS poemas escolhidos (pág.89). Edição da UNICEPE, Porto, 2010-11-19

Domingos de Oliveira nasceu em Silvalde, Espinho, em 27 de Dezembro de 1936.

Ler do mesmo autor, neste blog, Ao Luar

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2010-11-19

Ao Luar - Domingos de Oliveira



Luar

Vamos por ruas pejadas de solidões fúteis
e sempre nos acontece voltar mais velhos,
ou cansados, ou vazios, frios, com espelhos
quebrados mil bocados inúteis.
Nada há, nem palavras, que dilua
por um momento este sarro de imagens
gastas de saudades de viagens
em praias que há no lado de lá da lua.
E nem esses cafés que sem ver bebemos
em três golpes mal medidos, sumidos
no sorvedouro da boca, freiam os sentidos
dos ressequidos lábios dos nervos.
A lua, que é tão real à noite, silente,
ilumina o vazio céu, indiferente.


in Devastações e Outros Fastos, poemas escolhidos de Domingos Oliveira, Unicepe, lançado hoje 19 de Novembro de 2010 na passagem do 47º aniversário da Unicepe.

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