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2010-11-23

Através da Névoa da Distância - Da Costa e Silva

Tudo através da névoa da distância
se transfigura em sugestivo aumento,
ao reflectir-se, em nítida inconstância,
nos espelhos de luz do pensamento.

Milagre da ficção, delírio ou ânsia,
vejo passar, com vida e movimento,
as fugazes visões de minha infância,
como nuvens tangidas pelo vento.

Olhos meus, se ao passado vos volverdes,
algum dia, verei nessa ansiedade,
o céu mais lindo e as árvores mais verdes.

Vereis por novos e encantados prismas,
a paisagem tranquila da Saudade,
como a percebe o olhar das minhas cismas.


Poema extraído daqui onde poderá conhecer mais sobre o autor e a sua obra

Antonio Francisco da Costa e Silva (nasceu na cidade de Amarante, Piauí em 23 de novembro de 1885 e faleceu no Rio de Janeiro em 29 de junho de 1950)

Em Nothingandall, pode ler do mesmo autor:
Madrigal de um louco
Saudade
Velut Umbra

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2010-06-29

VELUT UMBRA - Da Costa e Silva (relembrando o poeta do Piauí na passagem do 60º. aniversário da sua morte)

Na passagem do 60º. aniversário da sua morte relembramos António Francisco da Costa e Silva, autor da letra do Hino do Piauí e poeta simbolista. Começou a compor versos por volta de 1896, para procissões em Amarante (ainda cantados, com modificações, nas festas religiosas do Piauí). Em 1901 foram publicados seus primeiros poemas na Revista do Grêmio Literário Amarantino. O seu primeiro livro de poesia, Sangue, lançado em 1909, foi marcada por um grande sucesso, sendo a primeira obra da última geração simbolista. Nas décadas seguintes exerceu vários cargos como funcionário do Tesouro Nacional e colaborou nos periódicos Diário de Minas, Estado do Amazonas, Ilustração Brasileira e O Malho. Em 1927 ocorreu a publicação do livro Verônica, escrito sob o impacto da perda de sua mulher, Alice, em 1919. Em 1931 foi afastado do Tesouro Nacional; dois anos depois, foi indicado como candidato à Assembléia Nacional Constituinte pelo Partido Republicano Liberal do Piauí, mas não disputou eleições. Entre 1931 e 1945 esteve à disposição da Presidência da República, a pedido de Getúlio Vargas. "Zodíaco" a sua segunda obra poética, demonstrava, entretanto, uma nova tendência para o parnasianismo. Pandora (1919), Antologia (1934) e os póstumos Poesias Completas (1950) e Saudades (1956) completam a sua obra poética. Poeta da Saudade, segundo Alberto da Costa e Silva, seus poemas apresentam "fluente e rica musicalidade de uma linguagem em que existe exata correspondência entre som e sentido e em que cada palavra possui um preciso valor no cantar do verso. (Fonte)

"O que perturba e intimida
O meu espírito forte
Não é a certeza da morte,
Mas a incerteza da vida"

VELUT UMBRA

Vivo sempre a seguir-te em toda a parte
A todo o tempo, a todo o transe e em tudo;
E tanto mais me esforço em procurar-te
Mais de te conseguir me desiludo.

Busca-te o meu ideal num sonho de arte;
E sem te ouvir, nem te falar, contudo
Eu não me canso em vão de desejar-te,
Cego para te ver e, ao ver-te, mudo...

Vendo-te ou não, o meu olhar divaga
Sempre a seguir-te; e as vezes que te vejo,
Como que te diluis, visão pressaga!

Quando te encontro, num fortuito ensejo,
Sinto que és uma sombra que se apaga
Ao sol crepuscular do meu desejo.


Poema extraído daqui onde poderá conhecer mais sobre o autor e a sua obra

Antonio Francisco da Costa e Silva (nasceu na cidade de Amarante, em 23 de novembro de 1885 e faleceu em 29 de junho de 1950)

Em Nothingandall pode também ler do mesmo autor:
Madrigal de um louco
Saudade

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2008-06-29

Madrigal de um Louco - Da Costa e Silva

Lua e estrelas; foto daqui

     L u a !
Camélia
Que flutua
No azul. Ofélia
Serena e dolente,
Fria, vagando pelas
Alturas, serenamente,
Por entre os lírios das estrelas;
Santelmo aceso para a Saudade;
Luz etérea, simbólica, perdida
Entre os astros de ouro pela imensidade;
Esfinge da Ilusão no deserto da Vida!
Lâmpada do Sonho, lívida, suspensa...
Vaso espiritual dos meus cismares,
Custódia argêntea da minha crença,
Ó Rosa Mística dos ares!
Unge o meu ser, na apoteose
Da tua luz, e eu frua,
Cismando, a pureza
Da luz e goze
Toda a tua
Tristeza,
L u a !
António Francisco da Costa e Silva (n. em Amarante, no Piauí, em 29 de Nov de 1885; m. no Rio de Janeiro a 29 Jun 1950.

Ler do mesmo autor
Saudade

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2007-06-29

Saudade - Da Costa e Silva

foto: Caboré (Glaucidium brasilianum)
extraída daqui

Saudade! Olhar de minha mãe rezando
e o pranto lento deslizando em fio...
Saudade! Amor da minha terra... O rio
cantigas de águas claras soluçando.

Noites de Junho... O caboré com frio,
ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando...
E, ao vento, as folhas lívidas cantando
A saudade imortal de um sol de estio.

Saudade! Asa de dor do Pensamento!
Gemidos vãos de canaviais ao vento...
As mortalhas da névoa sobre a serra...

Saudade! O Parnaíba - velho monge
as barbas brancas alongando... E ao longe,
o mugido dos bois da minha terra...

in A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Unicepe

António Francisco da Costa e Silva (n. em Amarante, no Piauí, em 29 de Nov de 1885; m. no Rio de Janeiro a 29 Jun 1950.

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