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2010-03-07

Messalina - Castro Menezes (falecido faz hoje 90 anos)

Anelante, a vagar, ébria como uma escrava,
Achou-a um centurião certa noite, na rua
E ambos, a carne em fogo, enlaçaram-se à lua.
Como um casal de leões numa floresta brava.

Rugem de gozo os dois, sob a incendida lava
Do furor que num beijo infindo os extenua,
Deixando-a desgrenhada, exausta, seminua,
Mas feliz no atascal do vício que a deprava.

Desde então, a indagar-lhe o nome e o paradeiro,
Mortas horas da noite, o lúbrico guerreiro,
Abrasado de amor, no lupanar assoma.

Mas a buscá-la em vão, da Urbs pelo antro impuro,
Morrerá sem saber que ele, um soldado obscuro,
Possuíra, em plena rua, a Imperatriz de Roma!


poema extraído daqui

Álvaro de Sá Castro Menezes nasceu em Niterói (RJ) em 3 de Junho de 1883 e faleceu no Rio de Janeiro a 7 de Março de 1920.
Do mesmo autor ler:
Carmen sou eu... aqui me tens, bem perto
Calipso

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2008-06-03

Calipso - Castro Menezes

Pela doce paciência de enfermeira
com que procuras encantar-me a vida,
renovando em minha alma a fé perdida
depois de morta a crença derradeira;

Pelo sorriso bom de companheira
que a novas esperanças me convida,
quando vejo, na estrada percorrida
dos meus sonhos a extinta sementeira;

Pela graça de irmã de Caridade
com que teu meigo afeto me persuade
de que lutar confiante é o meu dever;

Bendita sejas Flor de mansuetude,
em cujo seio, finalmente, pude
descansar a cabeça e adormecer...

Álvaro de Sá Castro Menezes nasceu em Niterói (RJ) em 3 de Junho de 1883 e faleceu no Rio de Janeiro a 7 de Março de 1920. Bacharelado em Direito, partiu para o Pará, onde foi professor e jornalista. De regresso ao Rio, veio a ser promotor público em Itaboraí e juiz municipal em Conceição de Duas Barras. Em 1918, trocou a magistratura pela cátedra de Economia Rural e Estatística na Escola Superior de Agricultura do Rio. Pertenceu ao grupo simbolista que fundou a revista «Rosa Cruz» (1901) e a sua principal obra é a «Estrada de Damasco» (1920).

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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2008-03-07

Cármen, sou eu... Aqui me tens, bem perto - Castro Menezes

Cármen, sou eu... Aqui me tens, bem perto
de ti, fiel ao doce amor antigo,
casto eflúvio do céu que anda comigo,
única luz no meu destino incerto.

Aqui me tens, em pranto, a sós contigo,
lembrando o nosso lar, hoje deserto...
Lar feliz, sonho bom de que desperto
para cobrir de rosas teu jazigo...

Junto da tua humilde sepultura,
ajoelho-me sentindo que na altura,
sob os olhos de Deus, leve revoas...

Tua imagem, piedosa, que aparece...
Moves os lábios numa eterne prece
e me estendes as mãos e me perdoas...

Álvaro de Sá CASTRO MENEZES (n. em Niterói (RJ) em 3 de Junho de 1883 e faleceu no Rio de Janeiro a 7 de Março de 1920).



Soneto e extraído de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

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