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2015-10-22

Impressões de Teatro - Artur de Azevedo

A Guimarães Passos


Que dramalhão! Um intrigante ousado,
Vendo chegar da Palestina o conde,
Diz-lhe que a pobre da condessa esconde
No seio o fruto de um amor culpado.

Naturalmente o conde fica irado
— "O pai quem é?" pergunta - "Eu", lhe responde
Um pagem que entra. — "Um duelo!" — "Sim! Quando? Onde?"
No encontro morre o amante desgraçado..

Folga o intrigante... Porém surge um mano,
E vendo morto o irmão, perde a cabeça:
Crava o punhal no peito do tirano!

É preso o mano, mata-se a condessa,
Endoidece o marido,... e cai o pano,
Antes que outra catástrofe aconteça.

Artur Nabantino Belo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís (MA) a 7 de julho de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro a 22 de outubro de 1908.

Ler, neste blog, do mesmo autor:
Arrufos
Por Decoro
Eterna Dor 
Velha Anedota

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2015-07-07

VELHA ANEDOTA - Artur de Azevedo


Tertuliano, frívolo peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de dar um bom conselho,
Tipo, morto, não faria falta.

Lá um dia deixou de andar à malta,
E indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, em frente de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:

-Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se faz preciso?

Penetrando na sala, o pai sisudo
Que por trás da cortina ouvira tudo,
Severamente respondeu: - Juízo!

Artur Nabantino Belo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís (MA) a 7 de julho de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro a 22 de outubro de 1908.

Ler, neste blog, do mesmo autor:
Arrufos
Por Decoro
Eterna Dor

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2012-10-22

Arrufos - Artur de Azevedo

Não há no mundo quem amantes visse
que se quisessem como nos queremos...
Um dia, uma questiúncula tivemos
por um simples capricho, uma tolice.

«Acabemos com isto!», ela me disse
e eu respondi-lhe assim: «Pois acabemos!»
E fiz o que se faz em tais extremos:
tomei do meu chapéu com fanfarrice

e, tendo um gesto de desdém profundo,
saí cantarolando... (Está bem visto
que a forma, aí, contrafazia o fundo).

Escreveu-me... Voltei. Nem Deus, nem Cristo,
nem minha mãe, volvendo agora ao mundo,
eram capazes de acabar com isto!


Artur Nabantino Belo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís (MA) a 7 de Julho de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro a 22 de Outubro de 1908. Era filho do cônsul português na capital do Maranhão e irmão do romancista Aluísio de Azevedo. Sem formação universitária, dedicou-se ao jornalismo e ao teatro, mas, no Ministério da Agricultura, ascendeu de amanuense a director-geral da Contabilidade. Foi, sobretudo, comediógrafo e contista. Como poeta, é um autor sarcástico.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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2011-07-07

Eterna Dor - Artur de Azevedo

Já te esqueceram todos neste mundo...
Só eu, meu doce amor, só eu me lembro,
Daquela escura noite de setembro
Em que da cova te deixei no fundo.

Desde esse dia um látego iracundo
Açoitando-me está, membro por membro.
Por isso que de ti não me deslembro,
Nem com outra te meço ou te confundo.

Quando, entre os brancos mausoléus, perdido,
Vou chorar minha acerba desventura,
Eu tenho a sensação de haver morrido!

E até, meu doce amor, se me afigura,
Ao beijar o teu túmulo esquecido,
Que beijo a minha própria sepultura!

Poema extraído daqui

Artur Nabantino Belo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís (MA) a 7 de Julho de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro a 22 de Outubro de 1908

Ler, neste blog, do mesmo autor:
Arrufos
Por Decoro

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2010-07-07

Por decoro - Artur de Azevedo

Quando me esperas, palpitando amores,
e os lábios grossos e úmidos me estendes,
e do teu corpo cálido desprendes
desconhecido olor de estranhas flores;

quando, toda suspiros e fervores,
nesta prisão de músculos te prendes,
e aos meus beijos de sátiro te rendes,
furtando às rosas as purpúreas cores;

os olhos teus, inexpressivamente,
entrefechados, lânguidos, tranqüilos,
olham, meu doce amor, de tal maneira,

que, se olhassem assim, publicamente,
deveria, perdoa-me, cobri-los
uma discreta folha de parreira.


Artur Nabantino Belo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís (MA) a 7 de Julho de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro a 22 de Outubro de 1908

Ler, neste blog, do mesmo autor: Arrufos

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2008-07-07

Arrufos - Artur Azevedo

Homage to the past 1944. Marc Chagall (b. Vitebsk, Bielorrússia, 7 Jul 1887
— d. Saint-Paul-de-Vence, France, 28 Mar. 1985)



Não há no mundo quem amantes visse
que se quisessem como nos queremos...
Um dia, uma questiúncula tivemos
por um simples capricho, uma tolice.

«Acabemos com isto!», ela me disse
e eu respondi-lhe assim: «Pois acabemos!»
E fiz o que se faz em tais extremos:
tomei do meu chapéu com fanfarrice

e, tendo um gesto de desdém profundo,
saí cantarolando... (Está bem visto
que a forma, aí, contrafazia o fundo).

Escreveu-me... Voltei. Nem Deus, nem Cristo,
nem minha mãe, volvendo agora ao mundo,
eram capazes de acabar com isto!

Artur Nabantino Belo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís (MA) a 7 de Julho de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro a 22 de Outubro de 1908. Era filho do cônsul português na capital do Maranhão e irmão do romancista Aluísio de Azevedo. Sem formação universitária, dedicou-se ao jornalismo e ao teatro, mas, no Ministério da Agricultura, ascendeu de amanuense a director-geral da Contabilidade. Foi, sobretudo, comediógrafo e contista. Como poeta, é um autor sarcástico.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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