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2016-03-10

Disse-te adeus e morri - Vasco de Lima Couto (na voz de Amália Rodrigues)



Disse-te adeus e morri
E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos
Roubaram dos meus sentidos
A gaivota que tu és.

Gaivota de asas paradas
Que não sente as madrugadas
E acorda noite a chorar.
Gaivota que faz o ninho
Porque perdeu o caminho
Onde aprendeu a sonhar.

Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas,
Pois na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste,
Meu amor, como demoras.


Vasco de Lima Couto (Porto, 26 de novembro de 1923 - Lisboa, 10 de março de 1980)

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2016-01-28

Os Treze Anos (Cantilena) - António Feliciano de Castilho

Já tenho treze anos,
Que os fiz por Janeiro:
Madrinha, casai-me,
Com Pedro gaiteiro.

Já sou mulherzinha;
Já trago sombreiro;
Já bailo ao domingo
Co’as mais no terreiro.

Já não sou Anita,
Como era primeiro,
Sou a senhora Ana,
Que mora no outeiro.

Nos serões já canto,
Nas feiras já feiro,
Já não me dá beijos
Qualquer passageiro.

Quando levo as patas,
E as deito ao ribeiro,
Olho tudo à roda
De cima do outeiro,

E só se não vejo
Ninguém pelo arneiro,
Me banho co’as patas
Ao pé do salgueiro.

Miro-me nas águas
Rostinho trigueiro,
Que mata d’amores
A muito vaqueiro.

Miro-me olhos pretos
E um riso fagueiro,
Que diz a cantiga
Que são cativeiro.

Em tudo, madrinha,
Já por derradeiro
Me vejo mui outra
Da que era primeiro.

O meu gibão largo
D’arminho e cordeiro
Já o dei à neta
Do Brás cabaneiro,

Dizendo-lhe – Toma
Gibão domingueiro,
D’ilhoses de prata,
D’arminho e cordeiro.

A mim já me aperta,
E a ti te é laceiro;
Tu brincas co’as outras,
E eu danço em terreiro.

Já sou mulherzinha,
Já trago sombreiro;
Já tenho treze anos,
Que os fiz por Janeiro.

Já não sou Anita,
Sou a Ana do outeiro;
Madrinha, casai-me,
Com Pedro gaiteiro.

Não quero o sargento,
Que é muito guerreiro,
De barbas mui feras,
E olhar sobranceiro.

O mineiro é velho;
Não quero o mineiro:
Mais valem treze anos
Que todo o dinheiro.

Tão pouco me agrado
Do pobre moleiro,
Que vive na azenha
Como um prisioneiro.

Marido pretendo
De humor galhofeiro,
Que viva por festas,
Que brilhe em terreiro.

Que em ele assomando
Co’o tamborileiro,
Logo se alvorote
O lugar inteiro.

Que todos acorram
Por vê-lo primeiro;
E todas perguntem
Se ainda é solteiro.

E eu sempre com ele,
Romeira e romeiro,
Vivendo de bodas,
Bailando ao pandeiro.

Ai, vida de gostos!
Ai céu verdadeiro!
Ai Páscoa florida,
Que dura ano inteiro!

Da parte, madrinha,
De Deus vos requeiro;
Casai-me hoje mesmo
Com Pedro Gaiteiro.

António Feliciano de Castilho, 1.º visconde de Castilho (Lisboa, 28 de janeiro de 1800 — Lisboa, 18 de junho de 1875)



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2015-11-07

As Penas - Fernando Caldeira (na voz de Amália Rodrigues)



Como diferem das minhas,
As penas das avezinhas,
De leves levam ao ar!
As minhas pesam-me tanto,
Que às vezes, já nem o pranto
Lhes alivia o pesar!

Os passarinhos têm penas,
Que as lindas tardes amenas
Os levam por esses montes!
De colina em colina,
Ou pela extensa campina
A descobrir horizontes!

São bem felizes as aves
Como são leves, suaves,
As penas que Deus lhes deu!
As minhas pesam-me tanto,
Ai, se tu soubesses quanto,
Sabe Deus e sei-o eu!


Letra: Fernando Caldeira (às vezes indevidamente atribuído a Guerra Junqueiro)
Fernando Afonso Geraldes Caldeira (n. em Águeda a 7 de novembro de 1841; m. em Lisboa a 2 de abril 1894)

Ler do mesmo autor neste blog: Fases da Vida

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2015-10-06

Com Que Voz - Amália Rodrigues (no 16º aniversário do seu desaparecimento)


FADO - UNESCO WORLD INTANGIBLE CULTURAL HERITAGE


...



Amália Rodrigues nasceu em Lisboa a 23 de julho de 1920*, m. a 6 de outubro de 1999 em Lisboa

 *Data que consta dos registos oficiais. Amália sempre defendeu que nascera em 1 de Julho de 1920.

Já ouvi centenas de vezes e sempre me comovo!...


Com que voz chorarei meu triste fado,
que em tão dura paixão me sepultou.
que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado.

Mas chorar não se estima neste estado
aonde suspirar nunca aproveitou.
triste quero viver, pois se mudou
em tisteza a alegria do passado.

Assim a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima ao pé que a sofre e sente.

De tanto mal, a causa é amor puro,
devido a quem de mim tenho ausente,
por quem a vida e bens dele aventuro.

Poema de Luís de Camões! Música de Alain Oulman

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2015-07-23

Amália Rodrigues Canta Amália Rodriges: Lágrima


Cheia de penas,
Cheia de penas me deito
E com mais penas,
Com mais penas me levanto
No meu peito,
Já me ficou no meu peito
Este jeito,
O jeito de te querer tanto

Desespero
Tenho por meu desespero
Dentro de mim
Dentro de mim o castigo
Não te quero
Eu digo que não te quero
E de noite
De noite sonho contigo

Se considero
Que um dia hei-de morrer
No desespero
Que tenho de te não ver
Estendo o meu xaile,
Estendo o meu xaile no chão
Estendo o meu xaile
E deixo-me adormecer

Se eu soubesse
se eu soubesse que morrendo
Tu me havias
Tu me havias de chorar
Uma lágrima,
Por uma lágrima tua
Que alegria
Me deixaria matar

in O Fado da Tua Voz Amália e os Poetas, Vítor Pavão dos Santos, Bertrand Editora


...



Amália Rodrigues nasceu em Lisboa a 23 de julho de 1920*, m. a 6 de outubro de 1999 em Lisboa

*Data que consta dos registos oficiais. Amália sempre defendeu que nascera em 1 de Julho de 1920.

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2015-06-30

Medo - Reinaldo Ferreira (na voz de Amália)



Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem, desdigo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!

E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.

[Que farei quando deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?]

Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.


in O Fado da Tua Voz, Amália e os Poetas, Vítor Pavão dos Santos, Bertrand Editora

Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira (n. em Barcelona, a 20 de março de 1922; m. em Moçambique a 30 de junho de 1959).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Na tarde erramos
Da margem esquerda da vida
Rosie
Vivo na esperança de um gesto
Meu Quase Sexto Sentido
Uma Casa Portuguesa
Passemos Tu e Eu Devagarinho
Duma outra infância, inventada

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2015-06-16

Primavera - David Mourão-Ferreira (na voz de Amália)



Todo o amor que nos prendera
Como se fora de cera,
Se quebrava e desfazia,
Ai, funesta Primavera,
Quem me dera, quem nos dera,
Ter morrido nesse dia!

E condenaram-me a tanto,
Viver comigo o meu pranto,
Viver, viver e sem ti.
Vivendo, sem no entanto
Eu me esquecer desse encanto
Que nesse dia perdi

Pão duro da solidão
É somente o que nos dão,
O que nos dão a comer.
Que importa que o coração
Diga que sim ou que não
Se continua a viver...?

Todo o amor que nos prendera
Se quebrara e desfizera,
Em pavor se convertia.
Ninguém fale em Primavera!
Quem me dera, quem nos dera
Ter morrido nesse dia


Letra extraída de «O Fado da Tua Voz. Amália e os Poetas», Vítor Pavão dos Santos, Bertrand Editora. A música é de Pedro Rodrigues.

David de Jesus Mourão-Ferreira nascido em Lisboa a 24 de fevereiro de 1927 e falecido na mesma cidade a 16 de junho de 1996

Ler do mesmo autor:
Anjo Descido ao Mar
Paraíso
Praia do Esquecimento
Tentei Fugir da Mancha Mais Escura
Presídio
Casa
E Por Vezes
Ilha
Nocturno
Ternura
Labirinto
Penelope
Equinócio
Soneto do Cativo

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2015-03-10

Disse-te adeus e morri - Vasco de Lima Couto (na voz de Amália Rodrigues)



Disse-te adeus e morri
E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos
Roubaram dos meus sentidos
A gaivota que tu és.

Gaivota de asas paradas
Que não sente as madrugadas
E acorda noite a chorar.
Gaivota que faz o ninho
Porque perdeu o caminho
Onde aprendeu a sonhar.

Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas,
Pois na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste,
Meu amor, como demoras.


Vasco de Lima Couto (Porto, 26 de Novembro de 1923 - Lisboa, 10 de Março de 1980)

Do mesmo autor ler (e ouvir) no Nothingandall:
Noite na voz de António Mourão
Retrato
Pomba Branca na voz de Max e no duo Paulo de Carvalho + Dulce Pontes

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2014-11-07

CANÇÃO - Cecília Meireles (+ fado cantado por Amália Rodrigues)

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
– depois abri o mar com as mãos
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio,
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.


Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964)

Amália Rodrigues canta este poema (sem a última estrofe) neste fado «Naufrágio». Imperdível e comovente!...

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2014-10-06

Amália Rodrigues (no 15º aniversário do seu desaparecimento)

Trago fados nos sentidos
Tristezas no coração
Trago os meus sonhos perdidos
Em noites de solidão
Trago versos, trago sons
De uma grande sinfonia
Tocada em todos os tons
Da tristeza e da agonia.
Trago amarguras aos molhos
Lucidez e desatinos
Trago secos os meus olhos,
Que choram desde meninos,
Trago noites de luar
Trago planícies de flores,
Trago o céu e trago o mar,
Trago dores ainda maiores.


letra de Amália Rodrigues e música de José Fontes Rocha

Trago o Fado nos Sentidos by Amália Rodrigues on Grooveshark
Amália da Piedade Rebordão Rodrigues (Lisboa, 23 de julho de 1920 — Lisboa, 6 de outubro de 1999

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2014-08-13

Maldição, letra de Armando Vieira Pinto, na voz de Amália

Que destino ou maldição
Manda em nós, meu coração?
Um do outro assim perdido,
Somos dois gritos calados,
Dois fados desencontrados,
Dois amantes desunidos.

Por ti sofro e vou morrendo,
Não te encontro, nem te entendo,
Amo e odeio sem razão:
Coração... quando te cansas
Das nossas mortas esperanças,
Quando paras, coração?

Nesta luta, esta agonia,
Canto e choro de alegria,
Sou feliz e desgraçada.
Que sina a tua, meu peito,
Que nunca estás satisfeito,
Que dás tudo... e não tens nada.

Na gelada solidão,
Que tu me dás coração,
Não há vida nem há morte:
É lucidez, desatino,
De ler no próprio destino
Sem poder mudar-lhe a sorte...


Letra de Armando Vieira Pinto, música de Alfredo Duarte "Marceneiro"

Maldicão by Amália Rodrigues on Grooveshark
Armando Queiroz Vieira Pinto nasceu em Santa Marta de Portuzelo (concelho de Viana do Castelo), a 13 de agosto de 1906, faleceu em 1964)

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2014-07-30

Acho Inúteis as Palavras - António de Sousa Freitas (nos 10 anos do seu desaparecimento), na voz de Amália Rodrigues

Acho inúteis as palavras
Quando o silêncio é maior
Inúteis são os meus gestos
P'ra te falarem de amor

Acho inúteis os sorrisos
Quando a noite nos procura
Inúteis são minhas penas
P'ra te falar de ternura

Acho inúteis nossas bocas
Quando voltar o pecado
Inúteis são os meus olhos
P'ra te falar do passado

Acho inúteis nossos corpos
Quando o desejo é certeza
Inúteis são minhas mãos
Nessa hora de pureza.


António Sousa Freitas (Buarcos, 1 de Janeiro de 1921 - Lisboa, 30 de Junho de 2004),


Na Rua do Silêncio
Eu Queria Cantar-te um Fado
Cantiga de Embalar

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2013-10-06

Musical suggestion of the day: Amália Rodrigues - Nearness of you

Quanto mais se conhece sobre Amália Rodrigues, mais ficamos impressionados e surpreendidos. Esta é uma fabulosa interpretação da canção escrita em 1938 por Hoagy Carmichael, com letra de Ned Washington. Miguel Esteves Rodrigues divulgou-a no seu programa da Antena 1 «Se as canções falassem» e fiquei, logo à primeira audição, tão fascinado com a interpretação de Amália... que no mesmo dia comprei o álbum «American Songs» no Itunes!

Aí vai...



Amália da Piedade Rebordão Rodrigues (Lisboa, 1 jul 1920* - Lisboa, 6 out. 1999)

*nos registos oficiais conta a data de 23 de julho de 1920 mas Amália sempre assumiu ser a de 1 de julho)

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2012-07-23

Ai Minha Doce Loucura - Amália Rodrigues


Ai minha doce loucura
Ai minha loucura doce
Meu amor se assim não fosse
Seria a noite mais escura
Meu amor se assim não fosse

Se eu dantes tinha fome
Meu amor anda faminto
Com os beijos que te dei
O que sinto eu já não sei
Eu já nem sei o que sinto

Seria a noite mais noite
Meu amor se assim não fosse
Seria a noite mais escura
Ai minha doce loucura
Ai minha loucura doce

Ai minha loucura doce
Ai minha doce loucura
Ai minha loucura louca
Eu hei-de achar a tua boca
Mesmo na noite mais escura

Se minha alma não ousa
Meu coração que se afoite
Eu hei-de achar tua boca
Ai minha loucura louca
Mesmo na noite mais noite

Meu amor se assim não fosse
Seria a noite mais escura
Ai minha loucura doce
Ai minha loucura louca
Ai minha doce loucura

Amália Rodrigues nasceu em Lisboa a 23 Jul 1920*, m. a 6 Out 1999 em Lisboa-

*Data que consta dos registos oficiais. Amália sempre defendeu que nascera em 1 de Julho de 1920.

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2012-01-01

Eu queria Cantar-te Um Fado, de António de Sousa Freitas, na voz de Amália

Eu queria cantar-te um fado
Que toda a gente ao ouvi-lo
Visse que o fado era teu.
Fado estranho e magoado,
Mas que pudesses senti-lo
Tão na alma como eu.

E seria tão diferente
Que ao ouvi-lo toda a gente
Dissesse quem o cantava.
Quem o escreveu não importa
Que eu andei de porta em porta
Para ver se te encontrava.

Eu hei-de por nalguns versos
O fado que é dos teus olhos
O fado da tua voz.
Nossos fados são diversos
Tu tens um fado eu tenho outro
Triste fado temos nós.

Letra António de Sousa Freitas(nasceu em Buarcos, Figueira da Foz a 1 de Janeiro de 1921 - m. Lisboa, 30 de Junho de 2004)
Música Franklin Godinho (Fado Franklin de Sextilhas)

Vamos ouvi-lo na voz de Amália Rodrigues:

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2011-10-06

Musical suggestion of the day: Eterna Amália Rodrigues no 12º aniversário do desaparecimento

Amália da Piedade Rodrigues (Lisboa, 23 de Julho de 1920 — Lisboa, 6 de Outubro de 1999)

Medo


Com Que Voz


Disse-te adeus e morri

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2011-07-23

Amália, Carlos Paredes, Serge Reggiani e Maria João Pires todos têm a ver com música e com o dia 23 de Julho

Foto de Amália Rodrigues

Não bastava tratar-se de duas das maiores figuras da música portuguesa e particularmente do fado ainda um pormenor adicional iria ligar temporalmente estas duas personalidades: 23 de Julho. Em 1920 nascia em Lisboa Amália Rodrigues e também em Lisboa em 23 de Julho mas de 2004 desaparecia Carlos Paredes. Curiosamente no mesmo dia desaparecia também um grande nome da música francesa Serge Reggiani. Nothingandall deixa aqui a lembrança neste dia que é também o do aniversário da pianista portuguesa Maria João Pires.




E aqui porque o som do vídeo não é o melhor fica um registo muito claro da inesquecível voz de Amália. Arrepiante!


Cheia de penas
Cheia de penas me deito
E com mais penas
Com mais penas me levanto
No meu peito
Já me ficou no meu peito
Este jeito
O jeito de te querer tanto

Desespero
Tenho por meu desespero
Dentro de mim
Dentro de mim o castigo
Não te quero
Eu digo que não te quero
E de noite
De noite sonho contigo

Se considero
Que um dia hei-de morrer
No desespero
Que tenho de te não ver
Estendo o meu xaile
Estendo o meu xaile no chão
E deixo-me adormecer

Se eu soubesse
Se eu soubesse que morrendo
Tu me havias
Tu me havias de chorar
Uma lágrima
Por uma lágrima tua
Que alegria
Me deixaria matar

in Versos de Amália Rodrigues (n. 23 Jul 1920*em Lisboa, m. a 6 Out 1999 em Lisboa) *Data que consta dos documentos oficiais. Amália sempre defendeu que nascera em 1 de Julho de 1920.
Ouça mais música de Amália:

foto de Carlos Paredes em actuação

Cantiga de Maio

Carlos Paredes (n. em Coimbra a 16 de Fev. de 1925; m. em Lisboa a 23 de Jul de 2004)

E para recordar Serge Reggiani deixamos também aqui uma sua interpretação "La femme qui est dans mon lit"

Serge Reggiani (May 2, 1922 – July 23, 2004)

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2011-03-29

Ainda e sempre Amália a propósito do 11º. aniversário do falecimento de Alain Oulman

Com que voz chorarei meu triste fado,
que em tão dura paixão me sepultou.
Que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado.

Mas chorar não estima neste estado
aonde suspirar nunca aproveitou.
Triste quero viver, pois se mudou
em tristeza a alegria do passado.

Assim a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima ao pé que a sofre e sente.

De tanto mal, a causa é amor puro,
devido a quem de mim tenho ausente,
por quem a vida e bens dele aventuro.


Poema de Luís Vaz de Camões, música de Alain Oulman

Alain Oulman nasceu a 15 de junho de 1928, em Cruz Quebrada-Dafundo, concelho de Oeiras e faleceu em Paris a 29 de março de 1990)

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2011-03-10

Disse-te adeus e morri - Vasco de Lima Couto, na voz de Amália



Disse-te adeus e morri
E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos
Roubaram dos meus sentidos
A gaivota que tu és.

Gaivota de asas paradas
Que não sente as madrugadas
E acorda noite a chorar.
Gaivota que faz o ninho
Porque perdeu o caminho
Onde aprendeu a sonhar.

Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas,
Pois na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste,
Meu amor, como demoras.


Vasco de Lima Couto (Porto, 26 de Novembro de 1923 - Lisboa, 10 de Março de 1980)

Do mesmo autor ler (e ouvir) no Nothingandall:
Noite na voz de António Mourão
Retrato
Pomba Branca na voz de Max e no duo Paulo de Carvalho + Dulce Pontes

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2010-11-07

As penas (letra de Fernando Caldeira) - Amália Rodrigues



Como diferem das minhas,
As penas das avezinhas,
De leves levam ao ar!
As minhas pesam-me tanto,
Que às vezes, já nem o pranto
Lhes alivia o pesar!

Os passarinhos têm penas,
Que as lindas tardes amenas
Os levam por esses montes!
De colina em colina,
Ou pela extensa campina
A descobrir horizontes!

São bem felizes as aves
Como são leves, suaves,
As penas que Deus lhes deu!
As minhas pesam-me tanto,
Ai, se tu soubesses quanto,
Sabe Deus e sei-o eu!


Letra: Fernando Caldeira (às vezes indevidamente atribuído a Guerra Junqueiro)
Fernando Afonso Geraldes Caldeira (n. em Águeda a 7 Nov. 1841; m. em Lisboa a 2 de Abril 1894)

Ler do mesmo autor neste blog: Fases da Vida

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