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2008-10-28

Eu - Américo Durão

O vago em Mim concebo e realizo,
Vivo no que há-de ser!
A minha vida é feita de impreciso,
E tenho-me esquecido de a viver!

Eu não tenho passado nem futuro.
Sei lá se vivo ou não!
Sou um sonho de Deus, uma visão.
Abraçando na vida um sonho escuro…

Sou o Passado em sombras, e o Futuro em brumas.
Não sou porque não sou, e mais não sei dizer!
- Alegrias são leves como espumas,
Mágoas são vidas no Inferno a arder!

Eu sou, Jesus, o eco do teu medo:
Por isso eu amo as coisas de que tremo…
Se existo, a minha vida é um degredo!
Por minhas mãos de escravo é que me algemo…

Mas não existo…
- Sonho errante de Alguém que muito amou,
Sou a sombra nostálgica de Cristo,
Sou tudo o que há-de vir, e já passou!

"Quem vive?", pergunto eu.
Meus olhos olham a esmo.
Ando a buscar-me no Céu!
- Sou o Sonho de Mim – Mesmo!


Américo de Oliveira Durão (n. em Couço, Coruche a 28 Out 1894; m. em Lisboa a 7 Mar 1969).

Ler mais poemas de Américo Durão neste blog: Sempre Noiva, Soneto

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2007-10-28

Sempre-Noiva - Américo Durão

Sempre-Noiva (Spiraea cantoniensis) from here


Toque-te Deus no coração e vem
dizer à minha vida macerada
que para o teu amor já não sou nada,
que não me amas nem desejas bem!

Ah! Se eu pudesse ainda amar alguém,
serias tu somente a Grande-Amada,
a Sempre-Noiva, a Sempre-Desejada,
dum coração que não amou ninguém...

Se a morte me cruzasse as mãos no peito
e eu moresse teu noivo, tu serias
a noiva duma sombra! E, no teu leito,

sempre a teu lado a sombra deitarias,
no mesmo doce. mesmo brando aspeito
de alguém que vai noivar todos os dias!

Américo de Oliveira Durão (n. em Coruche a 28 Out 1894; m. em Lisboa a 7 Mar 1969)

in A Circulatura do Quadrado: Alguns dos mais belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Edições Unicepe 2004

Ler do mesmo autor: Soneto

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2007-03-07

Soneto - Américo Durão

Setembro. Calma. O sol é um grito rubro
na alegria do céu azul cobalto,
e em tua musical voz de contralto
cantam manhãs de abril, tardes de outubro...

Vindimas. Sob os pâmpanos descubro
cachos de ouro que ao teu desejo exalto . . .
Chamo por ti, erguendo as mãos ao alto...
Corres... E és como o sol um grito rubro!

Vens alegre e vermelha como as brasas,
depois, num vôo, as tuas mãos são asas...
Ergues um cacho de ouro à boca em sangue.

Solta-se o teu cabelo... Mar de seda!...
A bárbara volúpia me embebeda,
e unes a boca à minha boca exangue!


Américo de Oliveira Durão (n. em Coruche a 28 Out 1894; m. em Lisboa a 7 Mar 1969)

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