Blog Widget by LinkWithin
Mostrar mensagens com a etiqueta Alfredo Brochado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alfredo Brochado. Mostrar todas as mensagens

2014-05-16

Fantasia - Alfredo Brochado

Há uma mulher em toda a minha vida,
Que não se chega bem a precisar.
Uma mulher que eu trago em mim perdida,
Sem a poder beijar.

Há uma mulher na minha vida inquieta.
Uma mulher? Há duas, muitas mais,
Que não são vagos sonhos de poeta,
Nem formas irreais.

Mulheres que existem, corpos, realidade,
Têm passado por mim, humanamente,
Deixando, quando partem, a saudade
Que deixa toda a gente.

Mas coisa singular, essa que eu não beijei,
É quem me ilude, é quem me prende e quer.
Com ela sonho e sofro... Só não sei
Quem é essa mulher.


in "Bosque Sagrado"
Extraído de Obra Poética de Alfredo Brochado, Edição de José Carlos Seabra Pereira, Lello Editores

Alfredo Monteiro Brochado (n. em Amarante a 3 de fevereiro de 1897 e suicidou-se em Lisboa a 16 de maio de 1949).

Ler do mesmo autor neste blog:
Tríptico
Misticismo
Miniaturas
Desvio
Na Atitude Saudosa de Quem Chora
Súplica
Confissão
Silêncio

Read More...

2014-02-03

Silêncio! - Alfredo Brochado

Poente - foto de Reynaldo Monteiro

Foi-se na cor deste poente alado
O teu amor e o meu perdidamente.
Deixá-lo ir dormir eternamente
Como um sonho que mal fosse sonhado.

Deixá-lo ir assim, sem um pecado,
Dos outros este amor tão diferente.
Deixá-lo ir na luz deste Poente
O nosso amor meu Deus, tão desgraçado!

Deixá-lo ir assim ao fim do dia,
Como luz de penumbra ou sacristia,
Como flor que murchou sem um lamento.

Deixá-lo ir o meu amor enfim!
Deixá-lo ir meu Deus! Longe de mim
Que durma em paz no grande esquecimento


Extraído de Obra Poética de Alfredo Brochado, Edição de José Carlos Seabra Pereira, Lello Editores

Alfredo Monteiro Brochado (n. em Amarante a 3 de Fevereiro de 1897 e suicidou-se em Lisboa a 16 de Maio de 1949

Ler do mesmo autor neste blog:
Misticismo
Súplica
Confissão
Tríptico
Miniaturas
Desvio
Na Atitude Saudosa de Quem Chora

Read More...

2013-05-16

Tríptico - Alfredo Brochado

Olaia
Caiu agora uma folha
De uma olaia da Avenida!
Ela tomba e ninguém olha
A morte daquela vida.

No entanto, mesmo caindo
Com suavíssima leveza,
É qualquer coisa de findo
À face da natureza.

Tua vida, a minha vida,
A nossa vida, afinal,
É aquela folha caída,
Num dia de vendaval.

Extraído de Obra Poética de Alfredo Brochado, Edição de José Carlos Seabra Pereira, Lello Editores


Alfredo Monteiro Brochado (n. em Amarante a 3 de Fevereiro de 1897 e suicidou-se em Lisboa a 16 de Maio de 1949).

Ler do mesmo autor neste blog:
Misticismo
Miniaturas
Desvio
Na Atitude Saudosa de Quem Chora
Súplica
Confissão
Silêncio

Read More...

2011-05-16

Misticismo - Alfredo Brochado

Há dias, ao passar nas alamedas
Da minha terra, ao darem as trindades,
Pisando folhas, como velhas sedas,
Com os meus olhos cheios de saudades,

Há dias, quando eu fui nem sei por onde,
Entre lírios e tristes açucenas,
Às horas em que o sol de nós se esconde,
E repicam os sinos às novenas,

Há dias, quando eu fui na tarde exangue,
Ouvindo a minha voz interior,
Faziam recordar gotas de sangue
Os derradeiros raios do sol-pôr.

Bendita sejas, tarde harmoniosa,
Tarde da minha fé e do meu desejo,
Branda como uma pétala de rosa,
Ou como o aroma de um antigo beijo.


in "Bosque Sagrado"; Extraído de Obra Poética de Alfredo Brochado, edição de José Carlos Seabra Pereira, Lello Editores

Alfredo Monteiro Brochado (n. em Amarante a 3 de Fevereiro de 1897 e suicidou-se em Lisboa a 16 de Maio de 1949).

Ler do mesmo autor neste blog:
Súplica
Confissão
Silêncio
Tríptico
Miniaturas
Desvio
Na Atitude Saudosa de Quem Chora

Read More...

2010-05-16

Súplica - Alfredo Brochado

Mortos que em certas horas me falais
Com a vossa mudez ou murmúrios subtis,
Dizei: Custa muito morrer?
Há lá, por esse mundo, uma outra vida,
Que valha a pena viver?

Mortos que em certas horas me tocais
Com a vossa mão fria,
Dizei-me: Com a morte tudo acaba,
Ou, como se nascêssemos de novo,
Um novo mundo principia?

Nada sei.
Sou inexperiente na morte,
Pois não morri ainda
Queria saber desvendar
Se com a morte que tomba
Alguma coisa começa,
Ou, se pelo contrário, tudo finda.

Esses que amei, com quem vivi, felizes,
Num mundo de amarguras povoado
De novo, poderei tornar a vê-los,
Felizes ao meu lado?

Ilusões, quem as criou,
É um benfeitor
Que merece guarida!
Dai-me a ilusão, todos vós que morrestes,
De uma outra vida melhor
Para além desta vida.


in Obra Poética de Alfredo Brochado, Edição de José Carlos Seabra Pereira, Lello Editores

Alfredo Monteiro Brochado (n. em Amarante a 3 de Fevereiro de 1897 e suicidou-se em Lisboa a 16 de Maio de 1949).

Ler do mesmo autor neste blog:
Confissão
Silêncio
Tríptico
Miniaturas
Desvio
Na Atitude Saudosa de Quem Chora

Read More...

2010-02-03

Confissão - Alfredo Brochado

Vivo um drama interior.
Já nele pouco a pouco me consumo.
E de tanto te buscar,
Mas sem nunca te encontrar,
Sou como um barco sem leme,
Que perdesse o rumo,
No alto mar.

Da minha vida, assim,
O que vai ser nem sei!
Dias alegres houvesse...
E os dias são para mim
Rosas mortas de um jardim
Que um vendaval desfizesse.

Tenho horas bem amargas.
Eu o confesso,
Eu o digo.
E se tudo passa e esqueço,
Esquecer o teu perfil
É coisa que eu não consigo.

Sofro por ti. O frio do que morre
Amortalha a minha alma em saudade.
Atrás de uma ilusão a minha vida corre,
Como se fora atrás de uma verdade.

A Deus peço, por fim, o meu sossego antigo.
Não me persiga mais o teu busto delgado.
Passo os dias e as noites a sonhar contigo,
Na cruz da tua ausência estou crucificado.

A tua falta sinto. Não o oculto.
Ocultá-lo seria uma mentira.
Vejo por toda a parte a sombra do teu vulto,
Teu nome é para mim um mundo que me inspira.

E em hora derradeira,
Um dia, quando
A Morte vier,
E aos meus olhos chegar,
Eu não terei sequer, à minha beira,
Uns dedos finos de mulher
Que mos possam fechar.

in Obra Poética de Alfredo Brochado, Edição de José Carlos Seabra Pereira, Lello Editores

Alfredo Monteiro Brochado (n. em Amarante a 3 de Fevereiro de 1897 e suicidou-se em Lisboa a 16 de Maio de 1949).

Ler do mesmo autor neste blog:
Silêncio
Tríptico
Miniaturas
Desvio
Na Atitude Saudosa de Quem Chora

Read More...

2009-05-16

Silêncio! - Alfredo Brochado, no 60º. aniversário do desaparecimento do poeta

Poente - foto de Reynaldo Monteiro

Foi-se na cor deste poente alado
O teu amor e o meu perdidamente.
Deixá-lo ir dormir eternamente
Como um sonho que mal fosse sonhado.

Deixá-lo ir assim, sem um pecado,
Dos outros este amor tão diferente.
Deixá-lo ir na luz deste Poente
O nosso amor meu Deus, tão desgraçado!

Deixá-lo ir assim ao fim do dia,
Como luz de penumbra ou sacristia,
Como flor que murchou sem um lamento.

Deixá-lo ir o meu amor enfim!
Deixá-lo ir meu Deus! Longe de mim
Que durma em paz no grande esquecimento


Extraído de Obra Poética de Alfredo Brochado, Edição de José Carlos Seabra Pereira, Lello Editores

Alfredo Monteiro Brochado (n. em Amarante a 3 de Fevereiro de 1897 e suicidou-se em Lisboa a 16 de Maio de 1949).

Ler do mesmo autor neste blog:
Tríptico
Miniaturas
Desvio
Na Atitude Saudosa de Quem Chora

Read More...

2009-02-03

Tríptico - Alfredo Brochado

Olaia

Caiu agora uma folha
De uma olaia da Avenida!
Ela tomba e ninguém olha
A morte daquela vida.

No entanto, mesmo caindo
Com suavíssima leveza,
É qualquer coisa de findo
À face da natureza.

Tua vida, a minha vida,
A nossa vida, afinal,
É aquela folha caída,
Num dia de vendaval.

Extraído de Obra Poética de Alfredo Brochado, Edição de José Carlos Seabra Pereira, Lello Editores

Alfredo Monteiro Brochado (n. em Amarante a 3 de Fevereiro de 1897 e suicidou-se em Lisboa a 16 de Maio de 1949).
Ler do mesmo autor neste blog:
Miniaturas
Desvio
Na Atitude Saudosa de Quem Chora

Read More...

2008-05-16

Miniaturas - Alfredo Brochado


Saudades que eu tenho,
Ninguém
Mais as tem.
Saudades...
Saudades dos dias
Nevoentos e frios
Dos dias sombrios,
Saudades de mim.
Saudades dos dias
Vividos,
Sofridos,
Na curva sem fim,
Dos meus cinco sentidos.
Saudades que eu tenho,
Parece que é assim,
No fundo são tudo
Saudades de mim.

Extraído de Obra Poética de Alfredo Brochado, Edição de José Carlos Seabra Pereira, Lello Editores

Alfredo Monteiro Brochado (n. em Amarante a 3 de Fevereiro de 1897 e suicidou-se em Lisboa a 16 de Maio de 1949).

Read More...

2008-02-03

Desvio - Alfredo Brochado

Quem teria eu sido se fosse
Aquele para que nasci?
Talvez o mesmo rio de água doce,
A procurar a foz junto de ti.

Mas quem serias tu? Vagas imagens.
Impossível saber!
Pois outras deveriam ser as margens,
Por onde o rio havia de correr.

in Obra Poética de Alfredo Brochado, Edição de José Carlos Seabra Pereira, Lello Editores

Alfredo Monteiro Brochado (n. em Amarante a 3 de Fevereiro de 1897 e suicidou-se em Lisboa a 16 de Maio de 1949).

Read More...

2007-05-16

Na atitude saudosa de quem chora - Alfredo Brochado

Na atitude saudosa de quem chora,
passas o tempo sem ninguém te ver.
O tempo, sim melhor não sei dizer,
essa coisa contada hora por hora.

Eu sou a culpa desse teu sofrer,
é minha a culpa, bem o sei, embora.
Continuarei a amar-te como outrora,
muito em silênciio, sem ninguém saber.

E quantas vezes, noite morta, a sós,
eu julgo ouvir em sonhos uma voz,
cantando lá por fora, no jardim.

Depois acordo, mas que voz aquela?
E fico de olhos postos numa estrela,
que é a tua imagem a passar por mim.

in A Circulatura do Quadrado Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004.

Alfredo Monteiro Brochado (n. em Amarante a 3 Fev 1897, m. (suicidio) em Lisboa a 16 de Maio de 1949)

Read More...