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2015-05-11

Do Primeiro Regresso - Augusto Casimiro

Escuta meu Amor, quando eu voltar
De tão longe, e avistar de novo o Tejo,
O meu Restelo que em saudades vejo
Como outra Índia a conquistar

Quando a minha alma inquirida sossegar
Este voo indomável, num adejo,
E o amor e o céu e Deus, vivos num beijo,
Iluminarem todo o nosso lar:

Quando, meu Santo Amor, voltar o dia
Do primeiro regresso, e a aleluia
Madrugar tua alma anoitecida...

Hás-de embalar-me sobre o teu regaço
Arrolar, encantar o meu cansaço...
E então será o meu regresso à Vida!

in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, selecção, organização introdução e notas de Jorge Reis-Sá, prefácio de Vasco da Graça Moura. Porto Editora.

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

Ler do mesmo autor, neste blog:
I A Hora da Prece
Voz das Lágrimas
Joconda
O Pooeta e a Nau
Sangue de Inês
Velando

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2012-05-11

Velando - Augusto Casimiro

Junto dela, velando... E sonho, e afago
imagens, sonhos, versos comovido...
Vejo-a dormir... O meu olhar é um lago
em que um lírio alvorece reflectido...

Vejo-a dormir e sonho... Só de vê-la
meu olhar se perfuma e, em minha vista,
há um céu de Amor a estremecê-la
e a devoção ansiosa dum Artista...

- Nuvem poisada, alvente, sobre a neve
das montanhas do céu, - ó sono leve,
hálito de jasmim, lírio, luar...

Respiração de flor, doçura, prece...
- Ó rouxinóis, calai! Fonte, adormece!...
Senão o meu Amor pode acordar!...

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco Graça Moura, Quetzal

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

Ler do mesmo autor, neste blog:
I A Hora da Prece
Do Primeiro Regresso
O Poeta e a Nau
Sangue de Inês
Velando

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2011-09-23

Do Primeiro Regresso - Augusto Casimiro

Escuta meu Amor, quando eu voltar
De tão longe, e avistar de novo o Tejo,
O meu Restelo que em saudades vejo
Como outra Índia a conquistar

Quando a minha alma inquirida sossegar
Este voo indomável, num adejo,
E o amor e o céu e Deus, vivos num beijo,
Iluminarem todo o nosso lar:

Quando, meu Santo Amor, voltar o dia
Do primeiro regresso, e a aleluia
Madrugar tua alma anoitecida...

Hás-de embalar-me sobre o teu regaço
Arrolar, encantar o meu cansaço...
E então será o meu regresso à Vida!


in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, selecção, organização introdução e notas de Jorge Reis-Sá, prefácio de Vasco da Graça Moura. Porto Editora.

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

Ler do mesmo autor, neste blog:
I A Hora da Prece
O Poeta e a Nau
Sangue de Inês
Velando
Joconda

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2011-05-11

Joconda - Augusto Casimiro

Essa que deve ser silenciosa
como um perfume embriagante e raro,
doce - como a tristeza vagarosa,
alegre - como o azul do céu mais claro

Essa que é tolo Amor, sendo incerteza,
toda luz e mistério e graça e alma,
forma florida e vaga da Beleza
num sorriso tino, e triste e calma

Essa que eu adivinho e, vaga, ondeia
pela minha emoção, na minha ideia,
no meu Amor, na minha Arte e em mim;

talvez seja - quem sabe? a refletida
infinita saudade de outra vida
mais perfeita do que esta e de onde eu vim!


in "Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou", J.G . de Araujo Jorge - Vol. II - 1ª. ed. 1966

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

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I A Hora da Prece
Do Primeiro Regresso
O Poeta e a Nau
Sangue de Inês
Velando

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2010-09-23

I A Hora da Prece - Augusto Casimiro

Cale-se a voz do Mar, durmam as ondas mansas,
Também as velas no convés da nau veleira...
Nasça o luar beijando o berço das crianças,
Venha a noite embalar, materna, a terra inteira...

Vento,pára o corcel, apeia-te! (Descansas
Vendo os astros florir...) - Ó alva amendoeira,
Noiva, - penteia ao luar tuas nevadas tranças...
(Parece dia, dia claro, à tua beira!...)

Astros do céu, flori! - olhos que o luar desmaia,
Astros, lírios do céu!... E a noite perfumai-a
De mistérios e Além... (Cala-se ao longe o Mar...)

«Terras de Portugal» (E ponho as mãos... É a hora
Das orações) «Ó céu na terra, ó meu Sol fora,
Pátria das ondas, meu jardim, florido altar!»

in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI

Augusto Casimiro dos Santos (n. em São Gonçalo (Amarante) a 11 de Maio 1889 — m. em Lisboa a 23 de Setembro de 1967)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Do Primeiro Regresso
O Poeta e a Nau
Sangue de Inês
Velando

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2010-05-11

Do Primeiro Regresso - Augusto Casimiro

Escuta meu Amor, quando eu voltar
De tão longe, e avistar de novo o Tejo,
O meu Restelo que em saudades vejo
Como outra Índia a conquistar

Quando a minha alma inquirida sossegar
Este voo indomável, num adejo,
E o amor e o céu e Deus, vivos num beijo,
Iluminarem todo o nosso lar:

Quando, meu Santo Amor, voltar o dia
Do primeiro regresso, e a aleluia
Madrugar tua alma anoitecida...

Hás-de embalar-me sobre o teu regaço
Arrolar, encantar o meu cansaço...
E então será o meu regresso à Vida!

in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, selecção, organização introdução e notas de Jorge Reis-Sá, prefácio de Vasco da Graça Moura. Porto Editora.

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

Ler do mesmo autor, neste blog:
O Pooeta e a Nau
Sangue de Inês
Velando

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2009-05-11

Voz das Lágrimas - Augusto Casimiro na passagem dos 120 anos do nascimento

Estudo de cabeça, segundo "Giuliano di Medici" de Michelangelo, 1982
Óleo sobre tela 75 x 75 cm Figueras, Fundação Gala-Salvador Dalí
Salvador Dali (n. Figueres 11 de Maio 1904 — m. 23 de Jan. 1989)

Que belos são os olhos marejados,
- Ó meu Amor - de lágrimas!... Parece
Que sobre os nossos olhos extasiados
Toda a Beleza e toda a graça desce...

Que numa lágrima somente, - abraço
Infinito e divino, - os altos céus
A nossa alma e a vastidão do espaço,
Se beijam, fundem, - realizam Deus...

Deixa correr as lágrimas...Só vêem
Aquelas almas lúcidas que têm
Os olhos claros, doces, de chorar...

Almas de Amor, sem voz que diga tudo,
Deslumbradas de céu, num gesto mudo,
Choram...

E o Pranto é um modo de falar...

poema recolhido daqui

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

Ler do mesmo autor, neste blog:
O Poeta e a Nau
Sangue de Inês
Velando

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2008-09-23

O Poeta e a Nau - Augusto Casimiro

Vai errante, no Mar, uma nau sem governo...
O oceano é chão, o céu azul fundindo em aço...
As velas mortas... Nem sequer vento galerno
As vem inchar para dormir no seu regaço!...

Sobre o antigo convés pesa um velho cansaço,
E ou destino fatal ou maldição do inferno,
O mastro grande em vão aponta para o espaço...
— Sobre as ondas a nau é um cárcere eterno!

Dominando em redor, lá na gávea mais alta,
Um marujo, a cantar, fala do Além, e exalta
Um passado esplendor sobre a nau sepulcral...

“Porque o vento há de vir aninhar-se nas velas!”
“Porque a nau voará, - tocará nas estrelas!...”
— O marujo é Poeta — e a nau... Portugal!

Augusto Casimiro (n. na freguesia de S. Gonçalo em Amarante a 11 de Maio de 1889 - m. em Lisboa a 23 Set 1967) .

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2007-05-11

Sangue de Inês - Augusto Casimiro

Sangue de Inês...- A santa ingenuidade,
De quem vive a sonhar, por muito amor!
- Portugal é uma fonte de saudade
- Toda triste e saudosa a recordar...

Sangue de Inês que, morta, foi rainha,
E teve altar no amor dos amorosos,
E que passa ao luar, branca e sozinha
Entre a sombra dos troncos silenciosos...

Cedros velhos que os vistes, - cedros velhos
Que tanta vez os vistes de joelhos,
Extasiados, trémulos de Amor!...

Há paisagens que são almas rezando...
...E aqui vangueiro almas recordando,
Encantadas, ao redor...

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

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2005-09-23

Velando - Augusto Casimiro

Junto dela, velando... E sonho e afago
imagens, sonhos, versos comovido...
Vejo-a dormir... O meu olhar é um lago
em que um lírio alvorece reflectido...

Vejo-a dormir e sonho... Só de vê-la
meu olhar se perfuma e, em minha vista,
há um céu de Amor a estremecê-la
e a devoção ansiosa dum Artista...

Nuvem poisada, alvente, sobre a neve
das montanhas do céu - ó sono leve,
hálito der jasmim, lírio, luar...

Respiração de flor, doçura, prece...
-Ó rouxinóis, calai! Fonte, adormece,
senão o meu Amor pode acordar!

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante, 11 Mai 1989; m. em Lisboa, 23 Set 1967)

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