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quinta-feira, 25 de março de 2021

Cidade nas Trevas (While the City Sleeps) 1956

A morte do magnata dos média, Amos Kyne, está a causar uma luta pelo poder entre os seus executivos. Entretanto, as mulheres de Nova Iorque tornam-se presa de um serial killer. O repórter Edward Mobley está na eminência de enfrentar uma missão quase impossível: capturar o assassino, para impedir que o império do magnata não caia nas mãos erradas, e salvar o seu romântico relacionamento.
Depois de duas décadas a fazer filmes nos Estados Unidos, Fritz Lang estava prestes a regressar ao seu país natal. A década de 50 era uma década difícil na produção cinematográfica. A televisão era um grande rival, e as oportunidades para Lang já não eram as mesmas, e eram mais espaçadas e por outro lado Lang tinha ganho a reputação de ser cruel com os actores. Em "While the City Sleeps" teve direito a um elenco de luxo, com alguns dos nomes mais conhecidos de Hollywood: Dana Andrews, Rhonda Fleming, George Sanders, Howard Duff, Thomas Mitchell, Vincent Price, e Ida Lupino, num papel mais secundário, uma vez mais contracenando com o seu marido. 
"While the City Sleeps" traz-nos um retrato cínico do império dos média, mais interessado em vendas do que no serviço público, que continua a ser um assunto corrente até aos dias de hoje, mesmo que as mudanças radicais na tecnologia de disseminação de informação tenha mudado de uma forma tão acentuada. Seria uma despedida em grande para Lang.


domingo, 26 de abril de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: “Cidade nas Trevas”, de Fritz Lang

O Jornal do Fundão, os Encontros Cinematográficos, o Lucky Star – Cineclube de Braga, o My Two Thousand Movies e a Comuna associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “40 dias, 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blog My Two Thousand Movies. O vigésimo sexto convidado é o realizador, actor e encenador Jorge Silva Melo, que escolheu Cidade nas Trevas de Fritz Lang, dizendo-nos que “precisamos de uma imprensa livre, precisamos de si, não podemos viver nesta corrupção, neste mundo sem luz. Para Lang tudo era tremendo - e ameaçador o final que parece feliz. Temos de ouvir Puccini logo a seguir: nessun dorma!

Sinopse: Outro dos filmes favoritos de Lang. Adaptação de um romance de Charles Einstein que, por sua vez, teve como uma das inspiração o filme de Lang "Man Hunt". Lang retoma o tema do assassino "compulsivo" que desenvolvera em M, mas coloca-o no centro da disputa pela direcção de um jornal por um grupo de candidatos.

No seu Dicionário do Cinema, Jacques Lourcelles diz-nos que é o “penúltimo filme americano de Lang. Um dos pontos mais altos da sua carreira; na nossa opinião, o seu melhor filme. Baseado num romance, mas sobretudo baseado em relatos de notícias variadas recortadas de jornais e que ele tinha o hábito – mantido até ao fim da sua vida, embora já não trabalhasse mais - de coleccionar, Lang escreveu o guião minuciosamente com Casey Robinson e será um dos mais sofisticados da sua carreira. A preparação não menos minuciosa da rodagem e que permitiu manter, sendo o orçamento do filme bastante razoável, os intérpretes prestigiosos reunidos no conjunto (George Sanders, Ida Lupino, Thomas Mitchell, Rhonda Fleming, etc) só quatro ou cinco dias cada um, quando temos a impressão de os ver presentes ao longo de toda a intriga. (Só a Dana Andrews foi concedido um número de dias ligeiramente superior.) A ambição do filme é imensa, a perfeição do seu estilo, cujos elementos desdenham dar nas vistas, sóbria e eficaz. Lang quer dar a ver um panorama bastante vasto da sociedade americana, fundada aos seus olhos na competição e no crime. Como a competição e o crime se tornaram indissoluvelmente ligados, é este o seu tema, a partir do qual surgem as características do seu estilo, obedecendo todas a uma estética da necessidade que nenhum outro cineasta levou tão longe. Criador solitário e exigente, Lang não está totalmente à parte da corrente americana mais inovadora. While the City Sleeps integra e até interioriza de alguma maneira a revolução trazida no ano anterior ao relato policial por Kiss Me Deadly. Doravante já não há bons nem maus nos enredos. A ferocidade da competição trouxe todas as personalidades ao mesmo nível, o grau zero da moral e da consideração pelos outros. Se examinarmos à lupa (é o que faz o filme) o comportamento de cada uma das personagens envolvidas na acção, vemos ou que eles não têm ideia nenhuma do que lhes poderia servir de moral, ou então – e ainda é pior – que eles sacrificam à sua ambição quaisquer escrúpulos que pudessem ter, comportamento considerado como normal na sociedade em que estão inseridas. A partir daí, o criminoso que os jornalistas procuram com tanto ardor para conseguir um cargo torna-se não só a sua presa, mas também o seu reflexo. Às vezes é mais digno de piedade do que eles. Lang leva aqui a um grau de perfeição absoluta a sua arte das ligações necessárias ou mesmo fatais entre as sequências. Seja por um elemento de diálogo, por um elemento visual, por uma personagem ou pelo efeito de uma causa dramática específica, as sequências encadeiam-se umas às outras a um ritmo e a uma progressão lógica que parece obedecer a alguma fatalidade, que na verdade não é senão a consequência das acções cruzadas de cada um dos protagonistas ocupados em suplantar, a usar ou a destruir o próximo – grande teia de aranha onde por fim todos se encontram presos. Requinte supremo da mise en scène: aquelas divisórias de vidro que, dentro dos escritórios do jornal, separam as personagens permitindo-as verem-se umas às outras e dão à história a possibilidade de executar várias sequências frontais, ligadas numa interacção permanente. Este entrelaçado magistral é visto na luz soberba de uma chapa metálica rasgada a bisturi. Depois de muitos avatares e metamorfoses, redesenhados através da experiência e do estilo de um cineasta meticuloso e genial, o microcosmos expressionista reaparece aqui – talvez pela última vez – lavado de todas as suas histórias, dotado de uma pureza expressiva cuja abstracção e concentração fascinam. É um pequeno pedaço de inferno onde as criaturas estão ocupadas, achando-se livres e activas, sob o olhar de um cineasta que não procura outra coisa senão ver bem e dar bem a ver a realidade, mas mantendo o ponto de vista de Sirius sobre todas as coisas.”

Amanhã, a escolha de Mieriën Coppens.

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sexta-feira, 10 de abril de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: "A Máscara da Morte Vermelha", de Roger Corman

O “Jornal do Fundão“, os “Encontros Cinematográficos”, o “Lucky Star – Cineclube de Braga“, o “My Two Thousand Movies” e “A Comuna” associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blogue “My Two Thousand Movies”.

Sinopse: Talvez a obra-prima de Corman, esta adaptação de Poe, que o realizador filmou em Inglaterra. A história do príncipe Próspero, tirano e sádico, mas também um intelectual e um filósofo, que se refugia no seu castelo, fechado ao exterior para evitar a entrada da “morte vermelha”, numa região dominada pela peste.

O décimo convidado é a crítica de cinema Inês Lourenço, que escolheu A Máscara da Morte Vermelha de Roger Corman, escrevendo assim sobre esta obra entusiasmante do grande artesão:
“De todas as adaptações de Edgar Allan Poe que Roger Corman levou ao grande ecrã, The Masque of the Red Death (1964) é a mais inebriante. Uma autêntica vertigem de cores que coloca a morte no centro do baile da vida, como metáfora pintada para uns olhos de criança. E, ainda assim, não há nada de infantil no substrato deste filme que conta a história do malvado príncipe Próspero, encerrado no seu faustoso castelo medieval enquanto a população fora das muralhas morre de uma praga chamada “Morte Vermelha”. Esse espaço interior, onde quase tudo se passa, serve de refúgio para os nobres, mas estes são submetidos a jogos perversos orquestrados pelo próprio príncipe, Vincent Price, claro, figura soberba de todas as adaptações cormanianas de Poe, que molda a atmosfera com os olhos bem abertos e aquela expressão de realeza de que estas produções de baixo orçamento souberam tirar partido.
O que mais me fascina neste filme de esplendor artesanal, sem medo do excesso, é precisamente o modo como amplifica o prazer da visão sem adormecer sobre o valor da metáfora do conto – aqui, a evocação de O Sétimo Selo é inevitável, e, de facto, podemos olhar para The Masque of the Red Death como um ensaio Technicolor que coça a ferida da meditação de Bergman. 
Não deixa de ser curioso, no meio deste discurso sobre a cor, que o seu director de fotografia, um jovem Nicolas Roeg, tenha depois, em 1973, assinado a brilhante adaptação de um conto de Daphne du Maurier – Don’t Look Now – cujo trauma da morte está representado no casaco vermelho de uma criança… »

Amanhã, a escolha de José Oliveira.

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sábado, 14 de dezembro de 2019

Drácula Tem Sede de Sangue (Drácula Rites of Drácula) 1973

Na Londres dos anos 70, os investigadores da Scotland Yard acham que encontraram um caso de vampirismo. Chamam para investigar um pesquisador especialista em vampiros chamado Professor Lorrimer Van Helsing (um descendente do grande caçador de vampiros Abraham Van Helsing) para ajudá-los a acabar com uma série de crimes hediondos. Torna-se aparente que o responsável é o Conde Drácula, disfarçado de promotor imobiliário mas secretamente planeando libertar um vírus mortal no mundo.
Escrito por Don Houghton, "The Satanic Rites of Drácula" foi uma das últimas tentativas da Hammer de trazer sangue fresco aos velhos contos de vampiros, até que finalmente desistiram e se arrastaram para outras paisagens. Podia ter um fim melhor esta série, mas este último filme de Christopher Lee na pele do Drácula da Hammer parece ser uma mistura de vários géneros populares, misturados num enredo apocalíptico com um toque de domínio do mundo Fu Manchu, e alguma espionagem à mistura. 
Diz-se que é o menos interessante da série Drácula, e nem as personagens milenares interpretadas por Christopher Lee e Peter Cushing salvam o filme. Na realização está de novo Alan Gibson, que já tinha realizado o filme anterior da série, da qual este é uma sequela directa. Mesmo assim aqui fica o filme para os mais curiosos. 

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sábado, 7 de novembro de 2015

The Tingler (The Tingler) 1959

Vincent Price é um médico legista que descobre que o medo provoca o crescimento de uma criatura parasítica na espinha dorsal das pessoas assustadas. Se elas gritam, esta força diabólica pode ser destruída. Se não, pode romper a coluna e matá-las. Ele isola com sucesso e remove o invasor do corpo de uma surda muda, que tinha sido aterrorizada pelo marido. Mas será que ele vai conseguir controlar este monstro?
William Castle era já um realizador experiente quando conseguiu encontrar a fórmula do sucesso com "Macabre" (1958), um thriller de baixo orçamento que vendeu os efeitos de choque na tela, com um sensacionalismo promocional. Num brainstorm de publicidade e ingenuidade Castle emitiu uma apólice de seguro para cada comprador de cada bilhete, que segundo o realizador era para quem não resistisse "aos sustos". A campanha foi um sucesso, o filme também, e assim estava descoberta mais uma fórmula mágica. Castle usaria esta fórmula mais algumas vezes, entre as quais neste "The Tingler".  Era a segunda, e última, colaboração entre o realizador e Vincent Price, cuja voz e graça tinham trazido muita classe ao filme anterior de Castle, "House on Haunted Hill".
Para o climax do filme, em que a criatura se liberta e foge para a plateia de um teatro, Castle contratava alguém aos donos dos cinemas onde o filme era exibido para fingirem que desmaiavam para serem levados pelos médicos (não reais, claro), mas isto era apenas o aperitivo. Depois ele colocava em acção o "Percepto", um pequeno vibrador motorizado, colocado sob os assentos dos cine-teatros, com um fio ligado à cabine de projecção. Estava cuidadosamente cronometrado para uma cena chave, em que o tingler rasteja pela sala, e se ouve o vozeirão de Price a gritar para as pessoas não entrarem em pânico, mas gritarem pelas suas vidas. Na sua biografia, Castle afirma que, deve ter feito vibrar cerca de 20 milhões de traseiros, dado o sucesso do filme.
Não havia dúvidas de que William Castle conseguia montar um thriller eficaz de série B com uma sensibilidade fora do vulgar. "The Tingler" não tem o nível de tensão e terror de outras películas, mas o carisma do realizador está todo lá. 

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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A Casa Assombrada (House on Haunting Hill) 1959

O milionário excêntrico Fredrick Loren (Vincent Price), e a sua quarta esposa Annabelle Loren (Carol Ohmart), convidam cinco pessoas para a casa em "Haunted Hill", para uma festa assombrada. Quem conseguir aguentar na casa durante uma noite ganha 10 mil dólares. Conforme a noite vai avançando, os convidados ficam presos em casa com fantasmas, assassinos, e outros terrores.
"House on Haunted Hill" sobreviveu como um dos melhores thrillers de casas assombradas de todos os tempos, e destaca-se entre todos os filmes fantásticos de William Castle. Influenciado pelo espírito de P.T. Barnum, Castle estava determinado a dar ao seu público mais emoções e arrepios do que qualquer outra obra havia dado, procurando sempre um modo de romper as limitações bidimensionais impostas pela tela.  
William Castle era mais conhecido pelos seus truques do que pelos seus filmes,mas este filme sobre casas assombradas é, na verdade, muito bom, incluindo algumas sequências verdadeiramente assustadoras. Castle opta por fazer um filme uniformemente iluminado e uma aparência limpa, e usa as sombras e os ruídos da câmera para criar efeitos bastante interessantes. Foi utilizado um truque chamado "Emergo", onde, a certa altura do filme, um esqueleto aparece de debaixo da tela e voa para a plateia, mas o filme também é bem visto sem este truque. O público ria-se mais do que gritava, com este efeito, mas o resultado convenceria a usar vários outros truques em filmes futuros.
Foi influenciado pelo livro de Shirley Jackson "The Haunting of Hill House", que serviria de inspiração para vários outros filmes, como "The Haunting" (1963), de Robert Wise, ou "The Legend of Hell House" (1973), de John Hough. Teve um remake em 1999, mas os resultados não foram os melhores,

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domingo, 26 de outubro de 2014

O Palácio Maldito (The Haunted Palace) 1963



No centro do filme temos a presença familiar de Vincent Price, aqui a ter um duplo papel: no prólogo do filme ele é Joseph Curwen, um suposto feiticeiro, condenado a ser queimado na fogueira pelos assustados habitantes de Arkham, uma povoação de New England afectada pela paranóia da bruxaria. Antes da sua carne ser consumida pelas chamas, ele promete voltar para assombrar a cidade. 110 anos depois, o descendente de Curwen, Dexter Ward, chega à cidade, ele que tem uma estranha semelhança com o seu antepassado, facto que não vai passar despercebido pelo habitantes locais que vivem no terror da ressuscitação de Curwen para os assombrar.
Talvez sem surpresa, "The Haunted Palace" é uma adaptação livre de um conto original de Lovecraft, em grande parte por causa do confronto de um homem com o seu antepassado feiticeiro. Mas onde o Ward de Lovecraft é substituido pelo seu antepassado, Roger Corman e Price preferem seguir por um caminho muito mais metafísico, com o espírito de Curwen a exercer a sua vontade através de uma pintura, e dos seus assistentes, Lon Chaney, Jr. e Milton Parsons. O que se segue, deve muito mais a Poe do que a Lovecraft, com toda a gente em volta de Ward - incluindo a sua pobre e confusa esposa (Debra Paget) - sem saber se ele está possuído pelo seu antepassado, que voltou para cumprir a vingança.
Este cenário permite a Price assumir a posição de um trágico conflito interior, uma dupla personalidade que ajudou a construir o lugar do actor no panteão dos ícones do cinema. Como Ward ele é calmo e educado, com a marca da tristeza do actor, quase sentimos que ele já sente o peso do legado da família antes de Curwen ressurgir. Como Curwen ele transforma-se num maníaco sádico, tanto pela sua voz como pelas expressões faciais, tornado-se mais nítidas e mais agressivas.
Um dos melhores filmes de Roger Corman na década de 60, e uma das suas melhores colaborações com Vincent Price.

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domingo, 10 de novembro de 2013

A Mosca (The Fly) 1958



Ao longo dos anos, A Mosca tornou-se num clássico camp entre os entusiastas de filmes antigos. Embora escrito e filmado como uma simples parábola de ficção científica sobre os perigos de mexer com a natureza, é quase ridículo, tão exagerado que simplesmente não podia ser levado a sério. 
O filme começa com um mistério. Um guarda noturno numa fábrica industrial apanha um vislumbre de uma mulher atraente a correr de uma prensa hidráulica de aço que ela, aparentemente, usou para esmagar a cabeça de um homem (a visão do sangue vermelho a escorrer pela prensa num pleno CinemaScope deve ter chocado alguns espectadores em 1958). A mulher, Helene (Patricia Owens), posteriormente confessa que foi ela quem acedeu à prensa para esmagar a cabeça do homem, e que o homem era o seu marido, Andre (Al Hedison). Ela admite que o matou, mas não quer usar o termo "assassinato".
Depois de recusar várias vezes explicar a um investigador da polícia (Herbert Marshall) porque matou o marido, Helene é finalmente convencida pelo seu cunhado, François (Vincent Price), para contar a história. Por esta altura, cerca de 30 minutos do filme já passaram, portanto, grandes expectativas foram construídas uma vez que Helene começa a contar a história. E que história...
Acontece que André era um cientista brilhante que tinha secretamente inventado uma máquina capaz de desintegrar a matéria, levá-la através do espaço, e depois reintegrá-la em outro lugar.
Ao testar a máquina em si próprio, uma mosca juntou-se a ele e os seus átomos foram trocados, deixando André com uma cabeça de grandes dimensões e um braço peludo da mosca, enquanto que em algum lugar lá fora, temos uma mosca com a cabeça e o braço de André. O resto do filme narra a tentativa de Helene para apanhar a mosca com cabeça de Andre, na esperança desesperada de que eles possam voltar a entrar na máquina de teletransporte e ter os seus átomos de volta.  
Entretanto, a cabeça da mosca começa a tomar conta de Andre, e a enlouquecê-lo lentamente. Claro que nunca é explicado porque ele teria a cabeça da mosca, mas não o seu cérebro, embora aparentemente parte do seu cérebro tenha-se misturado com o da mosta porque fica-lhe cada vez mais difícil pensar direito e controlar o braço da mosca. Detalhadamente, o argumento é extremamente superficial, mas empurra-nos para a frente com uma energia irresistível que nem ligamos às inconsistências e lacunas da lógica.Não importa como vejamos o filme, A Mosca é um filme extremamente bizarro, mesmo para os padrões da série B dos anos 50. Com a exceção do laboratório de Andre , que consiste principalmente em máquinas gigantes com temporizadores e um monte de tubos de neon que brilham com cores azul e verde, o filme tem um look bastante limpo que faz com que pareça mais caro do que provavelmente foi. As interpretações estão todas bastante boas, mesmo que algumas das cenas mais melodramáticas entre Andre (com a cabeça da mosca escondida atrás de um capuz do estilo O Homem Elefante) e Helene sejam um pouco exageradas. A presença afável do veterano Vincent Price dá ao filme um toque bem requintado.
Realizado por Kurt Neumann, que morreu logo depois do filme ter sido concluído, era um autêntico auteur de filmes de série B, que já tinha dirigido mais de 60 filmes na maioria de baixo orçamento, incluindo quatro filmes de Tarzan. Apesar da sua vasta experiência em cinema, Neumann não era muito mais do que um realizador funcional com pouca imaginação (dele já tinhamos visto neste ciclo, "Rocketship X-M").
No entanto, o filme ainda funciona bastante bem. O argumento escrito por James Clavell , mais conhecido como escritor de épicos históricos como Shogun, foi baseado num conto de George Langelaan que foi publicado originalmente na revista Playboy. 


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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O Barão do Arizona (The Baron of Arizona) 1950



O Barão do Arizona é vagamente baseado na história real de James Addison Reavis, que em 1880 tentou um dos golpes mais audaciosos de todos os tempos: burlar o governo dos EUA de todo o território do Arizona. Reavis é interpretado por Vincent Price, que já era um veterano da indústria em 1950, mas ainda não tinha saído do seu nicho de galã dos filmes de terror. Ele já estava habituado a interpretar personagens diabólicos, no entanto, aqui ele é um calculista capaz de precorrer grandes distâncias para levar a cabo o seu plano. Reavis passou muitos anos dominando técnicas de manipulação, numa estadia num mosteiro espanhol, a fim de alterar registros antigos, e viajando para sul dos Estados Unidos para falsificar sepulturas, e até esculpir um anúncio numa pedra gigante no meio do deserto.
Filmado em 15 dias, em vez dos dez de "I Shot Jesse James", Fuller definitivamente tem um melhor controle sobre o material e um sentido visual mais forte do que tinha no seu primeiro filme. O escritório de Reavis quase se parece com o covil de um cientista louco, que tínhamos visto Price ser em filmes anteriores, com os seus mapas gigantescos e modelos de comboios. A sequência do linchamento passada nesta sala é ao mesmo tempo assustadora e visualmente poderosa, com a acção mostrada quase totalmente na sombra. Os objectos do plano de Reavis também são maravilhosamente detalhados e cativantes. Reavis (Hadley), um homem do governo que escreveu o livro sobre a falsificação, narra a história várias décadas depois da acção, no início da década de 1910, quando o Arizona está a tornar-se um estado.
O melodrama desta vez aparece sob a forma da história de amor entre Reavis e a baronesa Sofia (Ellen Drew), uma pobre jovem que ele consegue arrastar como a legítima herdeira do Arizona por decreto do rei Ferdinand. Ele não lhe diz que inventou a toda a história, e ela não lhe diz que realmente se apaixonou por ele. Enquanto algumas das cenas posteriores entre eles são doces, existe um conflito anterior. Ela protesta contra a ganância de Reavis, e ele delicadamente prepara as coisas para o seu lado, e ela nunca deixará de amá-lo. Desta forma, a rigidez do drama de costumes muitas vezes motiva o estilo de filmagem dferente das raízes de Fuller. 
Assim, ao longo dos seus dois primeiros filmes, Fuller foi-se estabelecendo como um homem que poderia fazer bem o trabalho. Trabalhava fora do sistema de estúdios normal, trabalhando de forma independente para a Poverty Row do produtor Robert L. Lippert. Fuller tinha de trabalhar com alguém que fosse tão independente como ele - assim como os seus personagens, incluindo Reavis, e de certa forma, Ford, o eram - a fim de florescer plenamente.

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

A Cidade Submarina (War-Gods of the Deep) 1965



Depois de uma série de acontecimentos misteriosos numa aldeia à beira-mar - que culminam no rapto de Jill Tregillis (a bonita Susan Hart, que também apareceria ao lado de Price no mesmo ano, em "Dr. Goldfoot and the Machine Bikini") por um homem-peixe - o especialista em minerais Ben Harris (Tab Hunter) e o artista Harold Tiffin Jones (David Tomlinson) descem a uma misteriosa cidade subaquática chamada Lyonesse para resgatá-la. Lá, eles encontram uma raça de homens anfíbios liderados pelo "capitão" (Vincent Price) e o seu bando de contrabandistas, mantidos vivos por 100 anos pelas estranhas propriedades do ar da cidade submarina. O mundo do Capitão está em perigo de destruição por causa de um vulcão próximo. A menos que Harris e Jones possam encontrar Tregillis e fugir dali para fora, também eles podem enfrentar a morte, ou devido às forças destrutivas de uma erupção vulcânica iminente ou nas mãos tirânicas do Capitão... 
 Mais um filme da série de 'pseudo-Poes', este apenas com uma ténue ligação com as obras do autor (Price sugestivamente narra o poema de Poe "City Under the Sea" em vários pontos ao longo do filme). É um decepcionante candidato a filme de acção, também com interpretações decepcionantes, e um argumento letárgico. Tanto Hunter como Hart são demasiado brandos nos papéis principais, enquanto Tomlinson mostra seu talento para papéis cómicos, aqui emparelhado com uma galinha insuportável ao longo do filme.  Mesmo Price parece extraordinariamente forçado no seu papel habitual de vilão, transmitindo um cansaço que parece, infelizmente, muito real. Apesar de ter apenas 85 minutos, o filme movimenta-se com lentidão, e mesmo o climax subaquático arrasta-se a passo de caracol. 
Vindo de Jacques Tourneur, realizador do clássico Night of the Demon, o produto final sem brilho é surpreendente. Isso não quer dizer que não existam bons pormenores neste filme. Os cenários submarinos, apesar do baixo orçamento, são realmente muito generosos, com diferentes estilos de arquitetura trabalhados por toda a parte, como colunas e pilares do estilo romano e que parecem hieróglifos egípcios em algumas das paredes. A fotografia subaquática, enquanto espetacular, é competentemente cuidadosa.
Esta seria a última longa-metragem de Tourneur. A partir daqui só realizaria um episódio da série "T.H.E. Cat" para televisão, e viria a retirar-se até à sua morte em 1977, com 73 anos. Espero que tenham gostado do ciclo. 

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

O Gato Miou Três Vezes (The Comedy of Terrors) 1963



Mr Trumble (Vincent Price) é o parceiro de uma falhada companhia funerária, do seu padrasto, Amos Hinchley (Boris Karloff). Quando o proprietário, o Sr. Black (Basil Rathbone), lhes dá um ultimato final - para pagarem as contas ou estarão nas ruas em 24 horas - Trumble tem um plano diabólico, e em conjunto com o seu assistente Felix Gillie (Peter Lorre), começa a fazer uma onda de homicidios...
O sexto dos filmes góticos da AIP, "Comedy of Terrors" foi uma mudança no formato existente da série. O criador da série, Roger Corman já tinha tentado arduamente evitar que os filmes se tornassem clones repetitivos - filmes como The House of Husher (1960) e The Pit and the Pendulum (1961) foram seguidos por outros baseados em bandas desenhadas e a atmosfera de Poe, Tales of Terror (1962) e The Raven (1963), enquanto que o regresso ao terror directo, The Haunted Palace (1963), foi baseado numa obra de HP Lovecraft. Neste sexto conto, o argumentista Richard Matheson fornece um conto original que contém uma variedade de influências clássicas de Shakespeare. 
O argumento é muito bem escrito, desde o início, com um prólogo de abertura mostrando os coveiros tirando um corpo para fora do seu caixão antes de atirarem o corpo na sepultura e partirem para casa com o caixão agora re-utilizável​​. A mistura de personagens é muito divertida - do frequentemente bêbado Mr Trumble, a sua esposa oprimida, o pai frágil e com dificuldades de audição, um homem com uma herança de vilania que só se quer indireitar, e uma personagem que parece quase Dickensiana na sua primeira aparição antes de se tornar imortal e perfeitamente shakespeariano. Enquanto The Raven parecia confuso sobre a sua direcção cómica, Comedy of Terrors é muito mais assertivo, com a comédia verbal e visual non-stop. Continuamente imprevisível o filme constrói um clímax eficaz e um final maravilhoso.
Jacques Tourner era mais conhecido pelos seus filmes de terror atmosféricos do final dos anos quarenta, e no final dos anos 1950 andava a fazer obras de Sword and Sandal, em Espanha, e séries de baixo orçamento para televisão - trabalhando com a AIP Gothic mostrou que ainda tinha algum talento como realizador, com um excelente timing cómico e algumas cenas atmosféricas remniscentes dos filmes de terror de Val Lewton.

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terça-feira, 7 de maio de 2013

A Máscara da Morte Vermelha (The Masque of the Red Death) 1964



O principe Prospero regularmente organiza grandes bailes de máscaras no seu castelo, com convidados selecionados que têm permissão para lá ficar e manterem-se a salvo da praga chamada "Morte Vermelha", que está a assombrar o país. Prospero é também um satânico para estas festividades, que têm um grande número de abusos, humilhações e actos sexuais sádicos.
Ocasionalmente viaja para fora do castelo para convidar novas pessoas para a sua sociedade demente. Numa pequena aldeia ele depara-se com Gino, que leva para o castelo, com a sua adorável namorada Francesca e o pai Ludovico para sua própria diversão e tentar colocar Gino e Ludovico um contra o outro numa luta pela sobrevivência. No entanto, a morte rasteja por todo o lado, e os planos de Próspero podem não resultar tão bem como ele planeava...
"The Masque of the Red Death! é baseado em duas histórias de Edgar Allan Poe, a primeira tem o mesmo título do filme, e a segundo chama-se Hop-Frog. É a sétima de oito adaptações de Poe por Roger Corman, e é muitas vezes considerarado um dos melhores filmes do realizador.

Roger Corman rodeou-se de pessoas talentosas para esta produção, incluindo Nicolas Roeg (Don't Look Now, The Witches), que foi contratado como diretor de fotografia. Juntos, criaram um filme bonito e elegante, cheia de cores como uma história aos quadradinhos. Fizeram um excelente trabalho na criação de um clima festivo dentro do castelo, enquanto mostram o medo e a escuridão fora dele. A história com cores desempenha um papel muito importante, tanto no humor como também na própria história. 
A premissa é muito bem definina para arrancar um bom desempenho para Vincent Price, como o príncipe Prospero. Prospero é um homem rico e poderoso, arrogante, sem respeito pela vida de ninguém. É tão sinistro neste papel que até parece que se está a divertir.
The Masque of the Red Death exibe todo o talento que Roger Corman realmente tinha. Muito foi feito com um orçamento pequeno, e foi uma co-produção entre os Estados Unidos e a Grâ-Bertanha.


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