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segunda-feira, 6 de abril de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: “As Forças do Universo”, de Tobe Hooper

O Jornal do Fundão, os Encontros Cinematográficos, o Lucky Star – Cineclube de Braga e o My Two Thousand Movies associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “Cinema em Tempos de Cólera: 40 dias, 40 filmes”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blog My Two Thousand Movies. O sexto convidado é João Palhares, que escolheu As Forças do Universo de Tobe Hooper.


Sinopse: Tobe Hooper entrou para a História do cinema com o fenómeno intitulado THE TEXAS CHAINSAW MASSACRE / MASSACRE NO TEXAS, que causou escândalo e teve problemas com a censura em muitos países. LIFEFORCE, tem um argumento absolutamente delirante: vampiros vindos do espaço sideral conseguem chegar a Londres. Um inspector da Scotland Yard e um cosmonauta lançam-se no encalço dos monstros. Mas toda a população de Londres é transformada em vampiros e a NATO decide aniquilar a cidade. Os efeitos especiais são excelentes e muitos diálogos (in)voluntariamente divertidos.

Justificando a sua escolha, João Palhares escreve-nos que “em 1984, a Cannon Films de Menahem Golan e Yoram Globus (que já tinha produzido uma selecção bem ecléctica e fascinante de filmes, de That Championship Season de Jason Miller a Ninja III: The Domination de Sam Firstenberg, passando por Love Streams de John Cassavetes) deu carta-branca a Tobe Hooper e passou-lhe 25 milhões de dólares para a mão. Hooper era (e ainda é) mais conhecido pelos sucessos de Massacre no Texas e Poltergeist, que foi produzido por Steven Spielberg. Spielberg estava impedido contratualmente pela Universal de realizar qualquer outro filme enquanto E.T. - O Extra-Terrestre estivesse em preparação, e a partir do momento em que disse à imprensa, durante o Verão em que estrearam os dois filmes (E.T. e Poltergeist), que “o Tobe... não é tipo de sujeito para assumir controlo” caiu o Carmo e a Trindade. De repente Hooper era um testa-de-ferro, era declarado o “Verão de Steven Spielberg”, o Sindicato dos Realizadores abriu uma investigação e decidiu a favor de Hooper, mas a dúvida permaneceu. Portanto quando chegou a Cannon com a sua oferta, Hooper não se fez rogado e embarcou na aventura.
“Filme de ficção científica, de terror, um policial, uma fantasia, um filme-catástrofe, uma história de amor com vampiros espaciais, forças vitais como resposta para a vida depois da morte e do fim do mundo, mulheres presas em corpos de homens e homens presos aos encantos sobrenaturais das mulheres, As Forças do Universo é absolutamente inclassificável. Ao longo das suas duas horas somos levados de revelação em revelação, enquanto um astronauta, um cientista e dois detectives da polícia vão atando ou tecendo a trama, assistindo a cadáveres a desintegrar-se numa questão de segundos, descargas e transfusões de energia com beijos, sangue a expelir-se sozinho de um corpo para formar outro corpo. As ramificações desta bizarria descontrolada e apaixonada de Tobe Hooper são quase infindáveis. Impulsos irresistíveis, a pureza como uma força de destruição maciça, a vida como estância de um trajecto muito maior e que atravessa o coração do cosmos, sexo, amor, morte, ciência e superstição, embalados pela música épica de Henry Mancini e condensados pelo complexo e enigmático “use my body” proferido pela mulher do espaço. 
“Depois disto tudo, uma multidão de londrinos cadavéricos abraçam-se e beijam-se uns aos outros nas ruas de uma cidade em quarentena, em busca dessa força vital de cor azul clara que fulgura em planos prodigiosos pela noite ou de um bocado de afecto e calor humano em tempos de pestes e isolamentos forçados. Como lidar com uma ameaça e com um flagelo que não se resolve (e só ganha mais força) com um abraço ou um toque nas mãos? O filme em que Tobe Hooper teve rédea livre para exorcizar e libertar os seus demónios, e que foi um insucesso considerável em meados dos anos 80, no século XXI e no ano da graça de 2020 torna-se profético. Para completar a profecia, também começa tudo com morcegos, estes gigantes, importunados nos seus altares selados de cristal nos confins do universo pela curiosidade humana, sempre tão propensa a abrir caixas de Pandora para tentar vislumbrar o fundo do abismo, empoleirada sobre as bordas que nos sustentam a todos.” 

Amanhã, a escolha de Marta Mateus.

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Capitulo 13 - Ficção Científica

Os Novos Invasores (Alien Nation) 1988
Num certo dia no deserto do Mojave, California, uma gigante nave espacial aparece no céu. Ela traz 300000 seres de outro planeta, seres modificados geneticamente para fazerem os trabalhos pesados. A nave sofreu uma avaria, e foi obrigada a aterrar na Terra. Os "visitantes" são recebidos e acolhidos na cidade de Los Angeles, onde começa a integrar lugares na sociedade. Inicia-se aqui uma vaga de hostilidade para com os visitantes, e uma dupla de detectives diferentes - um terráqueo, e outro vindo do espaço - precisam de superar as diferenças e investigar um crime.
Ficção científica no seu melhor quando se olha para a humanidade e para a sociedade humana através da metáfora, e "Alien Nation" cria uma grande dose de introspecção social. Os recém-chegados representam os imigrantes para os Estados Unidos, estão orgulhosos por poder ajudar e estão desejosos de manter a sua herança étnica, mas também querem o sonho americano e liberdade.São odiados por muitos, mantidos por outros, e desprezados por quase todos. Os trabalhadores temem perder os seus empregos para estes estrangeiros, ninguém entende os seus costumes, e as tensões raciais são cada vez maiores. Querem uma coisa mais actual?
Realizado por Graham Baker, originou uma série de televisão, e uma série de filmes que passaram muito ao lado. Os protagonistas são James Caan, Mandy Patinkin e Terence Stamp.

Os Invasores de Marte (Invaders from Mars) 1986
David Gardner (Hunter Carson) é um jovem que durante uma tempestade testemunha um disco voador pousar num campo, atrás de uma colina próxima à sua residência. O pai, pensando tratar-se de um sonho, vai verificar o que aconteceu e só volta na manhã seguinte, apresentando um estranho comportamento. Pouco a pouco os outros moradores da cidade caem na armadilha dos invasores e são controlados por um dispositivo que é implantado nos seus pescoços. David procura ajuda de Linda Magnusson para impedir o domínio dos marcianos.
Remake do clássico de William Cameron Menzies com o mesmo nome, realizado em 1953. A realização estava a cargo de Tobe Hooper, um homem que já tinha atrás de si um bom historial no terreno do fantástico. Pois veja-se: "Massacre no Texas", "Poltergeist", e no ano anterior "Lifeforce - As Forças do Universo", mas este filme ficava muito aquém do original. Em parte por causa dos períodos em que foram lançados. O primeiro era um filme trash que funcionava como uma metáfora ao comunismo, e ao medo de uma guerra nuclear que supostamente estaria perto perto de começar. Mais de trinta anos depois já se conhecia muito do espaço, já se sabia que não havia marcianos, e o impacto já não foi o mesmo. E poucos anos antes, já John Carpenter havia feito um remake de um outro clássico dos anos 50, e tinha elevado muito os standards.
Mesmo assim era um filme curioso.

Anjo Negro (Dark Angel) 1990
Jack Caine (Lundgren) é um policia de Houston, durão e instintivo. Perde o seu parceiro numa operação contra o tráfico. O FBI encarrega-se do caso e arranja-lhe um novo parceiro, Smith (Benben). Quando fazem a análise do local do crime, descobrem a arma do massacre. Mas esta arma não é nada de conhecido na terra, e depressa descobrem que estão a lidar com alguém de outro mundo.
Um dos muitos filmes que gozava de um enorme culto, principalmente através dos VHS caseiros, "Dark Angel" era o típico filme de ficção científica policial que estava muito em voga em meados dos anos 80 e inicio dos anos 90,  muito similar a títulos como "The Terminator", "The Hidden" ou "Predator 2". Interpretado por um actor que era mais barato do que Arnold Schwarzenegger, Dolph Lundgren, tem todas as características do que era um filme de acção na altura.
A realização estava a cargo de Craig R. Baxley, um ex-duplo de cinema e televisão, que tinha participado em filmes como "Predator", ou séries como "Os Três Duques". Vale pela curiosidade.