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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

O Jogador (The Player) 1992

Um executivo de um estúdio pressionado por uma série de fracassos de bilheteria consecutivos começa a receber ameaças anónimas. Obcecado com as mensagens, mata o argumentista que acredita ser o responsável e tenta driblar as investigações policiais.
12 anos depois do desastre crítico e comercial que foi "Popeye", o realizador independente Robert Altman regressou em excelente forma com esta sátira amarga de Hollywood. Apesar de ser um filme de baixo orçamento, abunda uma infinidade de grandes estrelas de Hollywood, muitas delas mão planeadas, já que os lugares que elas frequentavam coincidiam com o local das filmagens. Tim Robbins tem uma grande interpretação como o produtor de coração frio cujo instinto é a sobrevivência, disposto a cortar a garganta (falando de uma forma metafórica) a qualquer pessoa que se interponha entre ele, e o que ele construiu. 
O humor é abundante, embora nunca óbvio, usando pistas visuais, como cartazes de filmes antigos, usando alusões subtis a outros filmes como referências, começando com um plano sequência de vários minutos que é uma clara alusão a filmes como "A Touch of Evil" de Orson Welles ou "The Rope" de Alfred Hitchcock. É também uma comédia de azar, colocando-nos na posição nada invejável de torcer para que Griffin literalmente saia impune. 
O filme seria nomeado para três Óscares, incluindo o de Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado, da autoria de Michael Tolkin. Além disso ganhou o prémio de Melhor Realizador e Actor em Cannes, entre muitos outros prémios. 


quarta-feira, 31 de julho de 2019

Jogo a Três Mãos (Bull Durham) 1988

Em tempos incertos e remotos, mas não muito, uns miúdos que jogavam futebol no condado portucalense tiveram um presidente do clube e todos os seus assistentes que lhes atiravam tiradas não-transcendentais, ternamente e com verdade, que iriam ficar, para o bem e para o mal, nas teias das suas memórias, tais como: «o que importa é que ninguém se aleije», ou: «desportivismo acima de tudo», para fazerem a síntese perfeita: «se conseguirmos a taça fair play já é muito bom». Mediante encorajamentos destes, não consta que tenha saído da cepa nenhum Luís Figo. Mas tão menos éticas como de resultados análogos era a moral e os conselhos do treinador que acumulava a função recreativa de mestre do fogo-de-artificio da freguesia: «estudar para os testes? para quê? copia! eu quando andava na escola e tinha pontos metia as cábulas nos tomates. Se a professora visse eu dizia-lhe para ´mas tirar dos colhões! joga ´mas é à bola, pá! E caga para essas coisas»
Talvez tenham dito destas coisas ao personagem de Tim Robbins em Bull Durham – a próxima next big thing desmiolada – talvez tenham gritado tamanhas odes ao Crash Davis de Kevin Costner – o mítico jogador das segundas linhas que nelas detém todos e demais records e isso basta; fabuloso actor, distante aqui da aura celestial do Gary Cooper de The Pride of the Yankees, mas só porque os tempos já não admitem aqueles anjos públicos e Cooper nos anos 80 teria sido Costner - sendo essa a grande ambiguidade e complexidade do filme, do conto e da moral: quem vive feliz, realizado e consciente na sombra e quem tem de mergulhar nas mais extravagantes luzes para um objectivo de fundo: dominar as bolas na quadra de jogo e na cama.
O “montro” de Robbins que pode ser só isso com culpas ou sem culpas formativas, ou o analógico de Costner que grita para a sexy esfomeada de Susan Sarandon (não dá para traduzir): «Well, I believe in the soul, the cock, the pussy, the small of a woman's back, the hanging curve ball, high fiber, good scotch, that the novels of Susan Sontag are self-indulgent, overrated crap. I believe Lee Harvey Oswald acted alone. I believe there ought to be a constitutional amendment outlawing Astroturf and the designated hitter. I believe in the sweet spot, soft-core pornography, opening your presents Christmas morning rather than Christmas Eve and I believe in long, slow, deep, soft, wet kisses that last three days.» 
Ron Shelton, belíssimo realizador só realizador, de quem tenho de recomendar Jordan Rides the Bus, apanha tudo isto tão naturalmente como o movimento do ar nas árvores e tão avidamente como a pulsão de qualquer um dos três protagonistas, num secretíssimo esplendor Visconteano – atenção aos fundos sólidos, inteiros - aplicado ao dia-a-dia sem mais nada do que o café, a bola e a tal da pulsação que torna todos os antagonistas mais do que complementares, absolutamente semelhantes. E é muito. 
* texto de José Oliveira

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Capitulo 13 - Ficção Científica

 Howard e o Destino do Mundo (Howard the Duck) 1986
Howard é um simpático pato de temperamento sarcástico que chega à Terra depois de uma estranha experiência científica. Além de estar num planeta desconhecido, Howard terá de enfrentar outra criatura extraterrestre, que sofreu a mesma experiência que ele, e é bem menos amigável. Embora cercado de problemas, algumas pessoas tentam afastá-lo de cientistas maldosos, oferecendo-lhe ajuda para ele voltar ao seu planeta.
Lendária produção da Lucasfilm, Ltd, foi um dos maiores fracassos de sempre, tendo custado 30 milhões de dólares (que era uma grande quantia para aquele tempo), e rendido apenas 16 milhões, além de ser uma idéia tão ridícula, e tão mal concebida que só trouxe vergonha a toda a gente envolvida, principalmente o produtor George Lucas, que não estava habituado a tamanha má recepção. Um filme com tamanho orçamento nas mãos era um prémio para Willard Huyck, argumentista de "American Graffiti" e "Indiana Jones e o Tempo Perdido", mas depois deste fracasso ele nunca mais pegaria nas rédeas de outra longa metragem.
Aparece muitas vezes em listas dos piores filmes de sempre, mas com o passar dos anos atingiu um certo estatuto de culto, que cresce de dia para dia.

Os Ladrões do Tempo (Time Bandits) 1981
Na companhia de anões caçadores de tesouros, um rapaz parte numa aventura diferente: dotados de um mapa que pertence ao Ser Supremo, eles viajam pelo tempo participando em eventos históricos e encontrando personagens famosos (Robin Hood, Napoleão, Rei Agamemnon). Mas um poderoso vilão cobiça o mesmo mapa, e segue no seu encalce.
Ao fazer "Time Bandits" Terry Gilliam disse que queria fazer um filme que fosse inteligente o suficiente para crianças, e ao mesmo tempo, excitante para adultos, uma inteligente inversão dos padrões normais de Hollywood, que pretende exactamente o oposto (excitante para as crianças e inteligente para os adultos). Gilliam mantém a câmara sempre baixa, e filma tudo do ponto de vista da criança, o que dá substância visual e emocional à essência do filme, que nunca cai no erro de se tornar demasiado infantil. Gilliam recrutou vários dos seus colegas dos Monty Phyton para contribuírem no filme (Michael Palin como co-argumentista e um pequeno papel no filme, e John Cleese que aparece no papel de Robin Hood).
O design do filme é das coisas mais perfeitas desta longa metragem, cheio de detalhes e imaginação, mas não esquecer que foi produzido independentemente do filme, tendo custado um total de 5 milhões de dólares.

Nas Asas da Imaginação (The Boy Who Could Fly) 1986
Depois da morte dos pais, num acidente de avião, um jovem fecha-se sobre si mesmo  e não conversa com ninguém. Ele vive com o tio alcoólico e é tratado como um autista. Na escola, contudo, torna-se amigo de uma bela jovem, que conquista a sua confiança e o faz "voar" sobre a cidade.
Terceiro filme de Nick Castle, um colega de escola de John Carpenter que interpretou o assassino no primeiro "Halloween", sempre a navegar pelo campo do fantástico. "The Boy Who Could Fly" é um filme encantador. O ritmo é lento, principalmente no inicio, mas nunca funcionaria se assim não o fosse. A ligação entre Eric e Milly (interpretados pelos jovens Jay Underwood e Lucy Deakins) cresce lentamente mas desenvolve-se de uma forma bastante credível. 
Embora o filme tenha uma grande parte de sentimentalismo fácil, também tem alguns complexos subtextos: os ajustes emocionais depois das morte dos pais, fazendo novos amigos numa nova vizinhança, crianças assumindo responsabilidades parentais, mas de um modo geral é um filme para toda a familia.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Short Cuts - Os Americanos (Short Cuts) 1993



Helicópteros trovam pelo ar de Los Angeles. Cá por baixo, em cada casa, em cada apartamento, está a ser vivido um drama individual. Como em qualquer outro sitio, ou outro tempo da história, há alegria, tristeza, ciúmes, medo, reconciliações, dor e morte. Com "Short Cuts", um filme de Robert Altman baseado em nove curtas histórias e um poema do falecido Raymond Carver, à audiência é dada uma pequena parte de todas essas histórias.
A infidelidade assombra dois casamentos, enquanto que um acidente com o filho de outro casal traz às suas vidas uma viragem abrupta. Três pescadores amigos encontram o corpo de uma menina a flutuar perto do seu acampamento de pesca. Outro casamento, em que o marido vive preocupado sobre a escolha de carreira da esposa, que gere uma empresa de sexo pelo telefone. E ainda temos um homem que decide ensinar a sua ex-mulher o conceito de dividir as coisas, e uma mãe e uma filha que descobrem a dor que pode vir de não comunicarem. Vinte e duas personagens e dez histórias - seria preciso um mestre para entrelaça-las todas num filme harmonioso. Robert Altman não só aceitou esta difícil tarefa, como saíu vitorioso.  
Altman revisitando o território de Nashville, um conjunto de histórias amargas em redor de um festival de música, onde ordenadamente reuniu todas as personagens num único acontecimento trágico. Mas em "Short Cuts" ele tentou algo mais corajoso, e mais evasivo, ao alcançar uma busca vã por algo mais significativo. Desta vez, a cena final foi muito menos conclusiva, mas até lá ele vai sacudindo os personagens. Cada uma das histórias apresentadas em Short Cuts (excepto, talvez, uma) dariam o seu próprio filme. Há facetas em cada personagem que são deixadas por explorar (não por acaso), e de certa forma, ainda esperamos mais quando os créditos finais começam a correr. Isto apesar das três horas de duração do filme.
Ao contrário de Nashville, Short Cuts não tem um objectivo final ou uma mensagem fácil. É um grande filme sobre um pequeno mundo, onde as pessoas se levantam todas as manhãs, em busca de coisas que as façam felizes, tentando evitar as coisas más. Por vezes esta busca corre mal, e acaba por se tornar em algo mau. É a vida.
Tal como no filme anterior (O Jogador), Altman reuniu um elenco grandioso à sua volta. Não vou falar em nomes, a não ser que Tom Waits faz parte do elenco, como Earl Piggot. Tentem descobri-lo.

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