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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Confrontação (Affliction) 1997

O xerife da cidade de New Hampshire (Nick Nolte) terá que resolver o problema de um amigo que, no primeiro dia de caça, deu um tiro acidental num rico homem de negócios. Apesar de ter inúmeros conflitos pessoais, este sossegado xerife decide investigar mais a fundo o caso, percebendo que tudo pode ter sido planeado.
"Affliction", de Paul Schrader, é um drama familiar poderoso e sombrio sobre a incapacidade trágica de um filho de não se tornar como o pai. Passado no frio intenso da temporada da caça ao veado de Lawford, New Hampshire, está repleto de temas sobre a violência geracional, o domínio dos homens sobre as mulheres, o domínio dos ricos sobre os pobres, o alcoolismo, e o abuso infantil. Como argumentista e realizador, Schrader sempre olhou para os recantos mais obscuros da experiência americana, como em "Taxi Driver", "Harcore" ou "American Gigolo", escolheu aqui talvez o canto mais obscuro de todos, mostrando como a violência do pai passa a ser a do filho, garantindo um ciclo interminável de violência e miséria.
Com um grande elenco, é um filme de actores. Garantiu um Óscar de Melhor Actor Secundário a James Coburn, que aparece no papel do pai, mas a verdadeira alma do filme é Nick Nolte, nomeado para melhor actor. Apesar do filme ter estreado no Festival de Veneza de 1997, só viria a ser exibido nos cinemas americanos mais de um ano depois. 
Legendas em espanhol. 


domingo, 19 de junho de 2016

Desaparecido (Missing) 1982

Um jovem escritor idealista desaparece no Chile dias depois do golpe de estado que depôs o presidente Salvador Allende, em 1973. Para tentar encontrá-lo, o seu pai americano vai até o país, que então vivia sob regime ditatorial, com a esposa viúva do rapaz desaparecido. Só que para encontrar o escritor, eles vão ter que lidar com polícia, prisão, cenas de violência e toda a má vontade da máquina pública.
Na década de setenta, o grego Costa-Gavras construiu com o sucesso de "Z" (1969), vencedor de um Óscar, uma série de thrillers políticos muito aclamados, incluindo "L'Aveu" (1970) e "Estado de Sítio" (1973). "Missing" continuava esta tendência, e era o primeiro filme feito em lingua inglesa, para além do primeiro feito na América. Tal como os filmes anteriores do realizador, este também foi muito bem recebido pela crítica, um tremendo sucesso comercial e um grande êxito de bilheteira, depois de ter ganho um Óscar de melhor argumento.  
"Missing" é mais acessível e mais fiel ao convencional thriller político americano, e mais intransigente, intenso e perturbador que os seus filmes anteriores. Algumas das imagens do filme são chocantes, e deixam uma impressão duradoura, particularmente o toque de recolher angustiante, e a sequência horrível na morgue. Estas imagens têm uma ressonância aterradora, suprimida de quaisqueres artifícios teatrais, que se torna mais eficazes por incluirem as duas personagens principais, Ed e Beth, brilhantemente interpretadas por Jack Lemmon e Sissy Spacek.
O filme é baseado no livro controverso de Thomas Hauser, que contava a vida real de Charles Horman, que foi alegadamente vitima da intervenção americana no golpe militar no Chile, que teve lugar em 1973. Tal foi o interesse público no filme, que o secretário de estado da altura foi obrigado a fazer um comunicado desmentindo algumas acusações feitas pelo filme.
Participou na seleção oficial de Cannes.

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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Carne de Primeira (Prime Cut) 1972

Mary Ann (Gene Hackman) é o dono de um matadouro com ligações a Jake, um grande chefe da Máfia. O seu negócio é apenas fachada para o comércio de drogas e prostituição. Deve uma grande quantia de dinheiro a Jake, mas os primeiros cobradores são transformados em salsichas (literalmente). Assim, Nick Devlin (Lee Marvin) é contratado pelo poderoso mafioso para receber a dívida, nem que para isso tenha de matar Mary Ann.
Esta mistura pouco frequente entre acção e sátira é um passeio memorável ao "vale tudo" que Hollywood experimentou durante a década de 70. "Prime Cut" tem a quantidade de pancadaria e tiroteios do que se espera para um filme de acção, mas a inspiração do argumentista Robert Dillon, pouco vulgar para o argumento de um filme deste género, colocando a história num ambiente rural, acompanhada por um tom satírico. Michael Ritchie, mais conhecido por comédias como "The Bad News Bears", conduz a acção com um toque leve e espirituoso, e consegue arrancar óptimas interpretações dos seus actores principais: Marvin como o gangster machista, Hackman como o seu tempestuoso inimigo, e Sissy Spacek e Angel Tompkins como fortes suportes femininos.
Tudo somado, pode parecer um pouco estranho para os espectadores que gostam de filmes de acção, mas tem a mistura perfeita para o que é considerado cinema de culto.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Noivos Sangrentos (Badlands) 1973



Estados Unidos, 1959. Kit é um criminoso em fuga, procurado pelas mortes de várias pessoas. Acompanhado pela sua nova namorada Holly, que presenciou os crimes, perde-se num mundo de fantasia em que a violência e o crime são as únicas constantes. Os dois habitam um universo só seu, mas o rasto de balas e sangue que vão deixando enquanto fogem da lei, pelas paisagens desoladas do Dakota e Montana, é muito real.
A estreia de Terence Malick como realizador foi um sucesso estrondoso, tendo criado um conto popular seminal e inovador sobre jovens sem rumo. Passado no final da década de cinquenta, numa pequena cidade da Dakota do Sul, este road movie inovador tornou-se num clássico filme de culto, misturando assassinatos, banalidades, cultura pop, amor e romance, alienação, tudo misturado apanhando a vaga de rebeldia deixada por James Dean. É uma leve dramatização da matança levada a cabo por Starkweather e Fugate no final dos anos 50. Kit Carruthers (Martin Sheen) é um jovem colector de lixo com uma semelhança extraordinária com James Dean, que se vai apaixonar por uma jovem de 15 anos chamada Holly Sargis (Sissy Spacek).
Terrence Malick não romantiza ou julga os fugitivos, apenas conta a sua história tal como ela é, apenas deixa o espectador juntar os pedaços da história em falta. Isto funciona tão bem que poderia ser creditado ás fantásticas prestações de Sheen e Spacek. A beleza do filme é que revela apenas uma história simples que se esconde por detrás de um complexo conjunto de motivações das personagens. Embora essas motivações não estejam explícitas na história, deixam o espectador a pensar sobre a razão para toda aquela violência. Os dois desajustados encontram alegria em tornar celebridades nacionais e parecem muito distantes da realidade, e na sua simplicidade e falta de motivação parecem simpáticos, apesar da violência dos seus actos. O que tem significado para Kit é que o seu novo estatuto na sociedade eleva-o a uma espécie de herói popular, alguém que nunca pensou sobre a vida e a morte. Kit é um produto dos tempos materialistas, onde a televisão e os filmes coloram as suas acções. Estas, embora nunca sejam explicadas, dizem muito mais de que se tivesse sido tentado explicado. Malick apanhou algo sobre os subúrbios da América e a sua juventude desajustada, que é perturbador mas muito real.

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