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domingo, 21 de maio de 2017

Why Don't You Play in Hell? (Jigoku de Naze Warui) 2013

Hirata é um jovem ambicioso que sonha se tornar num grande cineasta. Enquanto ele prepara a realização do seu primeiro filme, uma violenta disputa entre dois clãs da Yakuza começa a escalar mas redondezas: a esposa do grande chefe Muto massacra o gang do rival Ikegami e é presa, sacrificando a carreira da filha Michiko, que sonha em ser uma actriz famosa. Dez anos depois, Muto resolve provar para a esposa, prestes a sair da cadeia, que Michiko se tornou numa estrela. É então que os caminhos de Hirata e da Yakuza se cruzam numa verdadeira orgia de cinema e sangue.
O título do filme, o alto volume de carnificina sangrenta, e parte do argumento ser sobre a vingança, sugerem uma brutalidade chocante, mas Sion Sono faz uma aproximação a este material de uma forma totalmente diferente. O Sarcasmo e a sátira ganham em relação ao sangue, e isso é uma coisa boa de se ver. O cenário é tão cómico como sangrento, e há um piscar de olhos para a indústria cinematográfica.
Eventualmente, há uma sequência de acção interminável e infinitamente inventiva na qual todas as tramas do filme são resolvidas, embora com uma enorme determinação sangrenta. É como se Sion Sono tivesse visto o final de "Kill Bill Vol. 1" e decidisse superá-lo. 
O filme teve honras de estreia no Festival de Veneza, em 2013, e passou por alguns dos Festivais mais importantes: Toronto, Austin, Sitges, e Fantasporto, onde ganhou a secção Orient Express. 

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sábado, 20 de maio de 2017

The Land of Hope (Kibô no Kuni) 2012

Inspirado nos acontecimentos de Fukushima, o filme mostra o terremoto no Japão que provoca um tsunami e a explosão de uma usina nuclear. Os habitantes das cidades da região têm de abandonar as suas casas, no entanto, Yasuhiko insiste em continuar a viver no mesmo lugar com a sua esposa Chieko, a despeito dos riscos da radiação, contrariando as autoridades locais e o próprio filho.
"Não deixa de ser irónico como um evento real, infelizmente trágico e alarmante, conseguiu melhorar a concepção dramática das sinuosas e histriónicas ficções de Sono, ficções essas que vinham ultimamente sendo praticadas em piloto automático, com súbitas mudanças de ritmo e cadência psicológica num mundo impregnado de personagens psicopatas, cruéis e instáveis. Pois bem, aqui encena-se um desastre radioactivo em tudo semelhante ao de Fukushima, mas acontecendo logo depois deste. Se bem que algumas referências (sobretudo espaciais) tinham sido já feitas no seu filme passado, Himizu, a verdade é que neste Land of Hope o foco está totalmente virado para as coreografias de abandono da terra em virtude de uma pseudo-segurança, lá onde não existe radioactividade. Nesse sentido, por se aproveitar de uma situação exterior, imposta, com um grau de realidade próxima de nós e em tudo estranha e neurótica (qual o conhecimento que nos assegura não estarmos infectados?), a radicalidade nas acções e a depressão emocional dos seus típicos personagens é-nos muito mais perceptível e nela nos fiamos. Também o chefe de família (bom papel de Isao Natsuyagi), acompanhado pela sua mulher senil, tem um desafio pela frente: sair implica morrer, o êxodo significa não voltar mais. É sobretudo por causa dessas cenas finais (um fechar do círculo perfeito para um resto, às vezes, redundante, televisivo, e facilitista em termos de imagem) que se pode dizer que Sono, passando a mesma mensagem de duas formas distintamente diferentes, a de que o amor torna possível a redenção, torna significativo o que quer transmitir, principalmente para os seus contemporâneos japoneses, que, de alguma forma, necessitam de ver o seu esforço recompensado em celulóide. Mesmo o compositor que tinha chacinado em Guilty of Romance, Mahler, aparece aqui com o seu peso devido e real, próximo de uma tragédia convincente e não um exercício de sadismo auto-indulgente pelo acto de criar e pelos seus personagens. Falta, porém, algum sintetismo."
Texto de Miguel Patricio, daqui.  

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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Himizu (Himizu) 2011

Sumida e a sua colega Keiko são dois jovens de 14 anos que vivem que têm uma existência distópica, onde cada um dos seus pais tem esperança e os encoraja e morrer. Situado nas zonas afectadas pelo tsunami em Maio de 2011, no Japão, cujo cenário é usado como pano de fundo, a história segue a do manga do mesmo nome, em que Sumida luta frequentemente com o seu pai, é abandonado pela mãe, e rejeita qualquer tentativa de aproximação amigável. Eventualmente, mata o seu pai, e de seguida, assumindo que a sua vida está arruinada, tentando melhorar a sociedade matando "pessoas más".  
Originalmente concebido como uma versão bem próxima da fonte original, uma manga de Minoru Furuya, Sion Sono reescreveu o argumento depois do desastre, não só para incluir cenas de destruição, mas também para se apoiar nele para os temas centrais do filme. Talvez tenha sido um pouco oportunista, mas o timing é tudo na vida. Tal como acontece no filme de Spike Lee pós 11/9, "25th Hour", onde a história se passa com um pano de fundo de um evento catastrófico, o resultado aqui é igualmente emocionantemente poderoso. 
Os dois jovens protagonistas têm interpretações notáveis, e o filme não poderia ter funcionado tão bem sem eles. Shôta Sometani lida com o complexo do seu personagem com uma intensidade enorme, combinando os níveis necessários para acompanhar o tom do filme. Apesar do tom sombrio e pesado de desespero e agressão, Sono também consegue imbuir no filme uma mensagem de esperança e inspiração. É um trabalho ousado de puro brilho absolutamente perturbador mas profundamente edificante ao mesmo tempo. É tudo menos directo ou coerente, mas isso nem importa. 

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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Guilty of Romance (Koi no Tsumi) 2011

"Nesse filme de 2011 , "Guity of romance", ele investe em uma história real, sobre o assassinato de uma Economista de uma grande empresa em Shibuya, Tokyo, e que de noite se prostituia por prazer. O crime ocorreu em 97 e chocou a mídia. Sono pega essa história e cria uma ficção livremente inspirada nesse crime. No filme, acompanhamos 3 histórias: uma, de um crime, onde partes do corpo de uma mulher foram encontrados. Logo depois, em flashback, acompanhamos a historia de 2 mulheres: Izumi e Mitsuko. Izumi é a esposa de um famoso novelista erótico. Ela é frígida, e serve a seu marido como uma escrava, dominada pela sua rotina sem sal. Um dia, ela é convidada a posar nua, e a partir daí, ela descobre a sua sexualidade e vai enlouquecendo aos poucos, sem limites paa extravazar sua libido. Mitsuko é uma professora em uma Faculdade, e de noite se deixa levar pelos instintos mais selvagens da prostituição. O filme obviamente remete a "À procura de Mr Goodbar" e "A bela da tarde", dois clássicos sobre o tema da prostituição. Mas o cineasta Sion Sono sempre foi um mestre de provocar repulsa e constrangimento ao espectador, e jamais poupou seus filmes de mostrar cenas extremamente violentas, ou até fetiches sexuais humilhantes. Sono sabe o público que tem. Seus filmes são perturbadores, e em "Guilty of romance" ele não deixa por menos. Exibido em Cannes 2011, na Mostra Quinzena dos realizadores, causou furor pela sua crueza. O filme foi lançado em duas versões: 144 e 112 minutos. Logo depois desse filme, Sono viria com dois dramas pesados sobre sobreviventes de Fukushima, : "Himizu" e "A terra da esperança". Um cineasta autoral que vale super a pena conhecer. Ousado, está na mesma linha de Takashi Miike e Takashi Kitano, outros estetas da violência que trazem o drama do ser humano em seus momentos mais sórdidos. Excelente trabalho das atrizes que interpretam Izumi e Mitsuko."
Texto retirado daqui.

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terça-feira, 16 de maio de 2017

Cold Fish (Tsumetai Nettaigyo) 2010

Quando o gerente de uma loja apanha a filha de Syamoto a roubar, um generoso homem de meia-idade ajuda-os a resolver a situação. O homem e a sua mulher oferecem-se para que a filha rebelde passe a trabalhar na loja de peixe deles. Mas não demora muito para que Syamoto descubra a verdade por trás da perfeição aparente do casal.
Promovido como sendo baseado numa história verdadeira, foi provavelmente revelado como tal por causa do factor choque. Está claro desde o inicio que algo não está totalmente bem com Murata, um homem abertamente amigável que se oferece para contratar a filha de Syamoto, explicando que o trabalho lhe ensinará a responsabilidade e curá-la-à do seu modo de vida. A partir daqui Sion Sono muda o ponto de vista, e seguimos os negócios de Murata como se estivéssemos escondidos dentro do armário. Murata e a sua esposa são dois abutres viciosos que matam sempre que lhes convém, e quando Syamoto se envolve num plano que termina no assassinato e desmembramento de um parceiro de negócios, nos últimos 30 minutos desenrola-se uma série de eventos que ficam mais estranhos e mais sangrentos a cada minuto que passa. 
"Cold Fish" é um thriller psicológico de horror que fica algures entres as profundezas humanas mais escuras, a violência desesperada, e o grindhouse gore de um filme de Takashi Miike, mas não pertence a nenhuma destas categorias. O que Sono pretende mostrar aqui é que a violência pode ser (e neste caso, é) catalisadora para revigorar a vida de alguém, o que é preocupente, mas também é uma observação atenta sobre a nossa cultura, onde a violência é um mal comum e aparece-mos diariamente nas notícias e na nossa vida. Na sequência final Sono faz algumas comparações interessantes entre a juventude e o poder, que pode ser lido como um aviso de deixar uma geração jovem assumir o controle, antes de estarem prontos ou compreenderem plenamente as repercussões dos seus caminhos selvagens.

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domingo, 14 de maio de 2017

Be Sure to Share (Chanto Tsutaeru) 2009

Shiro tem 27 anos de idade, e é atormentado pelo diagnóstico de cancro terminal ao seu pai. Vemos a relação entre pai e filho, como tomou forma e evoluiu, as dificuldades, e a forma como o pai age como treinador do filho e instrutor. 
Sion Sono é mais conhecido como um provocador, que conseguiu chamar as atenções do Ocidente quando atirou 54 estudantes para o suicídio em "Suicide Club". Desde então foi mantendo a sua reputação com filmes como "Exte", sobre extensões de cabelos assassinas, ou "Love Exposure", sobre Deus, a religião, a Virgem Maria, sexo e pornografia. O que não sabíamos é que Sono também era conhecido como um poeta no seu país de origem, e o lado mais suave da sua personalidade fica bem exposto neste "Be Sure to Share".
Protagonizado pela estrela pop Akira, da banda Exile, numa das suas primeiras representações, pensava-se que seria um desses filmes descartáveis para os fãs da banda, mas Sono transforma este filme numa meditação silenciosa sobre a morte e a relação entre pais e filhos. O pai é interpretado pelo realizador e actor Eiji Okuda. Agora diagnosticado com cancro está preso no hospital, e a sua esposa e filho (Akira), passam os dias a visitá-lo tentando animá-lo. 
Saltando para trás e para a frente no tempo, "Be Sure to Share" não é um melodrama fácil de ser visto, sobre pais e filhos. Sono faz do filme uma espécie de ensaio, colorindo-o com dor, sobre como passamos o tempo a correr uns atrás dos outros sem nunca os alcançarmos. Sobre as pequenas coisas que fazemos todos os dias sem pensar que estes momentos insignificantes compõem as nossas vidas. Talvez este filme parta o coração do espectador, mas Sono recusa-se a objectar um sentimento tão fácil. Quando o filme terminar, vão sentir como se o vosso pescoço tivesse sido partido em dois. 

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sábado, 13 de maio de 2017

Love Exposure (Ai no Mukidashi) 2008

Yu (Takahiro Nishijima) tem a sua melhor lembrança de infância com a sua mãe a orar na igreja, mas, infelizmente, ela foi-lhe tirada muito cedo, morrendo quando ele ainda era um menino. A última coisa que ela lhe disse foi para encontrar uma mulher como a Virgem Maria, mas isso era uma missão impossível de cumprir. Quando o pai se tornou padre em reação à morte dela, Yu estava destinado a seguir o mesmo caminho, mas esse foi apenas o início dos problemas...
Takahiro Nishijima, membro do grupo musical AAA, protagoniza este tour de force de 4 horas, como Yu Tsunoda, um estudante de 17 anos que procura a aprovação do seu pai sacerdote. Apesar de Nishijima só ter aparecido em pequenos papéis, sobretudo em séries dramáticas, a sua interpretação como Yu é brilhante, captando na perfeição a sua descida aos infernos, da religião até ás lutas de rua e estúdios de pornografia. 
"Love Exposure" acaba por tirar proveito das suas quatro horas de duração. A sua história dá um monte de voltas e reviravoltas que nunca poderiam ser possíveis num filme mais curto. A primeira versão até tinha seis horas, mas depois foi cortada. Algumas idéias e conceitos explorados no inicio do filme irão tornar-se irrelevantes, mas o espectador é obrigado a nunca tirar os olhos da acção.
Para muitos dos seus fãs esta era a sua obra-prima, depois de trabalhar em filmes de género excêntricos nos durante muito tempo, como se este fosse o filme que ele queria mesmo fazer. No entanto, isto também funcionava como uma faca de dois gumes, porque os fãs habituados aos seus filmes habituais não gostaram muito deste registo muito diferente. 
Passou por vários festivais ganhando diversos prémios, entre os quais Berlim, onde venceu o Cagliari Film Award, e o FIPRESCI Prize.

Parte 1
Parte 2
Parte 3
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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Exte: Hair Extensions (Ekusute) 2007

Raptada por gangsters que lhe retiraram os órgãos e lhe cortaram os cabelos, uma jovem é agora um cadáver zombie, mantida como refém por um empregado fetichista de uma morgue. Este está fascinado pelo facto de que, mesmo depois da jovem morta o seu cabelo lustroso continuar a crescer em cada orifício corporal. Ele corta o cabelo e vende-o como extensões de cabelo, que vão assassinar o seu novo dono.
"Hair Extensions" é uma partida radical do estilo estilisticamente esquizofrénico usado em "Suicide Club", e ou do estilo sombrio usado em "Noriko´s Dinner Table", por Sion Sono. É uma paródia de terror/comédia ao J-Horror, que leva o conceito de cabelos longos e malvados (por exemplo, visto em "The Grudge" três anos antes) a um outro nível de absurdo. Na verdade, o filme é mais uma comédia do que um filme de terror, já que as sequência de terror raramente são assustadoras, e algumas delas são bastante mal feitas.
Paralelamente a esta história, há uma outra muito mais interessante. Esta segunda fala-nos sobre a vida de Yuko (Chiaki Kuriyama, conhecida de filmes como "Kill Bill" ou "Battle Royale"), uma jovem aprendiz que sonha ser uma estilista de sucesso, mas que na sua juventude viveu atormentada pela sua irmã mais velha. Mesmo assim, a irmã mais velha estava mais interessada em atormentar a sua própria filha.
As duas histórias vão cruzar-se a dado momento, mas este cruzamento não é suficiente para tornar o filme bom. 
Se for visto como uma paródia, e não for levado muito a sério, "Hair Extensions" é um entretenimento interessante. 

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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Strange Circus (Kimyô na Sâkasu) 2005

Em Tóquio, a jovem Mitsuko, de doze anos, acidentalmente vê os pais a fazerem sexo no quarto, e a partir daí, Ozawa Gozo, que é o seu pai disfuncional e pervertido, além de ser o director da sua escola, obriga-a a assistir a mais actos com a sua esposa. Depois o pai viola Mitsuko e obriga a mãe a assistir a esta relação incestuosa, com a mãe a sentir ciumes da própria filha. Esta família disfuncional é afectada primeiro por um assassinato, depois por uma tentativa de suicídio. Mas esta história bizarra é, na verdade, um romance escrito pela escritora incapacitada Taeko, que se desloca numa cadeira de rodas. O seu assistente Yuji tem a missão de descobrir a verdade que está por detrás desta história, mas essa realidade pode ser cruel demais para ser suportada...
Se os fãs de Sion Sono achavam que ele tinha chegado aos limites do perverso com "Suicide Club", estavam muito enganados. "Strange Circus" era ainda mais perverso e o seu filme mais perturbador, ao lidar com temas tabus como o incesto, a violação, a pedofilia e a transsexualidade, além de outros temas que qualquer realizador comum jamais ousaria tocar. 
Sono pinta uma tela de sangue vermelho, com alguns dos personagens mais extremistas já testemunhados num filme, além de incluir alguns elementos do teatro Grand Guignol, uma companhia especializada em espectáculos de terror naturalista, e escreve um argumento extremo e totalmente surreal. Ainda compõe uma banda sonora assombrosa para acompanhar as suas imagens grotescas.
Comparado com os seus filmes anteriores, este já tem uns valores de produção bem mais elevados, tal como se pode ver na opulência da cena de abertura, com os seus cenários coloridos e personagens espalhafatosas.  Ganhou um prémio no festival de Berlim, e em Portugal revelou-se com o festival Motelx.

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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Noriko's Dinner Table (Noriko no Shokutaku) 2005

Noriko é uma jovem de 17 anos que se sente infeliz com a família, e que procura refúgio num site frequentado por jovens da sua  idade, de todo o Japão. Pela primeira vez na vida, Noriko sente que alguém a compreende e simpatiza com ela, decidindo assim fugir de casa e partir para Tóquio. Lá, Noriko e Kumiko, outra jovem do site, tornam-se membros de uma corporação que se especializa em oferecer a ilusão de uma família, a todos que não a têm...
Sion Sono a explorar o universo do vazio interior, neste "Noriko's Dinner Table". É uma sequela não oficial de "Suicide Club", apesar de ser perfeitamente visionável sem o conhecimento do último, já que apenas partilha com ele a questão da identidade assim como o sentido e o absurdo da vida, e também algumas referências transversais. A linha cronológica deste filme começa antes de "Suicide Club", parece abranger totalmente esse filme embora só toque nele em pequenos detalhes (como o suicídio em massa, ou o site haikyo.com). Através dos seus quatro personagens principais (a cada um é dado um capítulo próprio), o filme explora a natureza do individuo, perdendo a inocência, as armadilhas da expectativa da família, da sociedade, e do próprio sentido da vida. 
O filme é inerentemente objectivo, uma vez que estamos a olhar para algo que está ali. As narrativas múltiplas têm o efeito de insistir ou lembrar-nos que tudo é filtrado através da memória e percepção (ou talvez mentiras) do seu narrador. Também cria o seu próprio efeito claustrofóbico, uma vez que os seus personagens estão presos na sua própria subjectividade.
Apesar de ser muito bem realizado, sofre de um argumento complicado, bem como uma duração considerável (160 minutos), com ambos a deixarem claro o seu orçamento reduzido. Legendado em inglês.

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domingo, 7 de maio de 2017

Suicide Club (Suicide Club) 2001

54 jovens estudantes atiram-se em frente a uma estação de metro. Este parece ser o início de uma série de suicídios à volta do país. Será que o novo grupo Desert tem alguma coisa a ver com isso? O detective Kurada tenta encontrar a resposta, que não é tão simples como se podia esperar. 
Abrindo com uma sequência de suicidio em massa de 54 estudantes, o filme tem sido muito comentado, analisado e discutido, não apenas como uma peça eficaz de terror, mas também como um comentário profundamente mordaz e assustador sobre a sociedade contemporânea japonesa. Não é um filme imediatamente acessível para qualquer imaginação, a complexidade dos temas pesados apenas aparecem através de visões repetidas. "Suicide Club" é um filme genuinamente assustador com alguns momentos verdadeiramente assustadores. 
Realizado e escrito por Sion Sono, contava com dois pesos pesados como protagonistas ((Ryo Ishibashi e Masatoshi Nagase), "Suicide Club" era um filme estranho, totalmente original e imperdível. Estranhamente estava avaliado para maiores de 15, apesar das suas representações sangrentas dos tipos mais desagradáveis de suicídio possível. Com influências tanto do trabalho de Kiyoshi Kurosawa como dos grandes clássicos do terror moderno, como "Kairo" e "Cure", Sion Sono criou uma visão aterrorizante e francamente apocalíptica onde o futuro parece muito instável. A fotografia é igualmente única, mudando radicalmente de tom para servir algumas cenas totalmente surreais ou imaginadas artisticamente. 
Seria o filme revelação de Sono para o Ocidente, e nos anos seguintes viria a tornar-se um dos realizadores mais originais do Oriente.

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sábado, 6 de maio de 2017

Sion Sono

Sion Sono realizou mais de 40 filmes desde 1984, e é um dos realizadores japoneses mais prolíficos, destacando-se entre o mais grotesco, anormalmente erótico e extremamente violento que pode ser encontrado num filme. É um dos realizadores que mais modernizou o género chamado de J-Horror, transformando-o em algo muito próximo do "ero guro", estilo que, além do horror, também inclui eroticismo, corrupção sexual, e a decadência física e espiritual.
Sono também é um poeta consumado, começou a sua carreira ao ganhar uma bolsa nos prémios PIA, uma competição destinada a financiar, produzir a promover filmes de novos realizadores. Tendo obtido financiamento desse festival ele começou a escrever, dirigir e interpretar "Bicycle Sighs" (1990), filme exibido em mais de 40 locais na Europa e na Ásia, estabelecendo-o como um nome importante a seguir.
Há também um elevado número de temas nos seus filmes, a maioria dos quais tendo a ver com os actores com quem filma. Entre os mais distintos estão alguns recorrentes, como Denden, Yoshihiro Nishimuta (6 filmes cada) e Megumi Kagurazaka (5 filmes), que também é a sua esposa. Sono é também conhecido por escolher actores desconhecidos para os papéis principais, e o renascimento de actores afastados da celuloide, com os seus filmes. A sua carreira já ultrapassou as três décadas, aos longo das quais marcou presença em festivais como Berlim, Deauville, Fantasporto, Veneza, Sitges, Toronto, Tribeca, entre muitos outros.
Vamos apanhar este ciclo já numa fase avançada, o ano de 2001, em que realizou o seu primeiro grande sucesso comercial, e talvez o seu filme mais marcante, "Suicide Club". Depois acompanharemos a sua carreira até perto dos dias actuais.
Espero que gostem do ciclo. Bom fim de semana.