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domingo, 13 de março de 2022

Dr. Estranhoamor (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb) 1964

"É uma das melhores comédias negras de sempre, o filme mais engraçado sobre a era nuclear e uma das obras-primas de Stanley Kubrick. "Dr. Estranhoamor" está recheado de fabulosas interpretações cómicas - destaque para Peter Sellers, que interpreta três personagens, e para a interpretação de George C. Scott -, que se integram num cenário de insanidade mal contida nesta comédia de enganos iluminada por cenas satíricas. A história começa quando o general Jack D. Ripper (Sterling Hayden) - que comanda a base da força aérea de Burpelson -, obcecado com a ideia de que os comunistas estão a tentar roubar os "preciosos fluidos corporais" dos norte-americanos, entra em loucura total e ordena um ataque imediato à União Soviética. O Presidente dos Estados Unidos (Peter Sellers) reúne-se, em desespero, com os seus conselheiros, que incluem o general Buck Turgidson (George C. Scott) e o cientista ex-nazi Dr. Estranhoamor (também interpretado por Peter Sellers). Estes não vêem outra solução senão deixar que os soviéticos abatam os bombardeiros americanos, o que constitui uma "perda aceitável" para as estatísticas. Entretanto, o embaixador soviético (Peter Bull) informa-os que a URSS possui um "Doomsday Device" - um engenho prestes a lançar bombas nucleares mal sejam atacados... O filme recebeu quatro nomeações da Academia de Hollywood, nas categorias de melhor actor (Peter Sellers), melhor realizador, melhor filme e melhor argumento adaptado (Peter George, Stanley Kubrick e Terry Southern)."
* texto Público

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Terror no Texas (Terror in a Texas Town) 1958

Prairie City, no Texas, é uma pequena cidade que tem um "dono", Ed McNeil (Sebastian Cabot). Com a ajuda de pistoleiros, comandados por Johnny Crale (Nedrick Young), McNeil aterroriza a população forçando-os a vender as suas terras, pois sabe que há uma quantidade enorme de petróleo na região. O proprietário Sven Hansen (Ted Stanhope), um sueco que pescara baleias no passado, é assassinado por Johnny, pois não quis vender as suas terras. Logo depois George Hansen (Sterling Hayden), o filho de Sven, chega à cidade e, vendo que o xerife (Tyler McVey) é corrupto, tem como única alternativa agir por conta própria.
Estranho e surreal e único entre os westerns da época. Embora contenha a maior parte dos clichés do género (o xerife corrupto, o magnata ganancioso por terras, o pistoleiro sinistro, o herói vingador), cada cada cliché tem uma variação. A música é bizarra e por vezes parece não encaixar, mas acaba por aumentar a sensação invulgar que temos ao ver o filme. A história está repleta de dilemas morais que lhe conferem uma profundidade surpreendente.
Escrito, sob pseudónimo, por Dalton Trumbo, um dos nomes mais fortemente perseguidos pelo Macarthismo, e realizado por Joseph H. Lewis, um dos mais reconhecidos realizadores da série B, conta-nos uma história bastante directa sobre o bem vs. o mal. Sombras de "Johnny Guitar" são imediatamente evocadas quando Hayden surge na sequência de abertura, empunhando um arpão contra um inimigo invisível, e também vemos Frank Ferguson, que interpretou um xerife no mesmo filme, mas o filme segue por um caminho muito diferente, e com muito entretenimento do inicio ao fim. 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Johnny Guitar (Johnny Guitar) 1954

Na década de cinquenta o western sofreu uma grande revitalização na forma como era apresentado ao público. Tudo era aproveitado para trazer novas visões, como uma nova interpretação do film noir, em "The Furies" (1950), ou o thriller psicológico em "High Noon" (1952). "Johnny Guitar" (1954), de Nicholas Ray, era uma experiência arrojada a cores, inversão de papéis, cenários estilizados, e emoções operáticas, que resultaram numa obra prima poucas vezes repetida. Funcionando, de certa forma, como um ataque anti-McCarthy sobre a psicologia das massas, o filme conta-nos a história de Vienna (Joan Crawford), a dona de um saloon que está pronta para receber de braços abertos a chegada do caminho de ferro, à sua pequena cidade fronteiriça. Um grupo de membros da comunidade, liderados pela enraivecida Emma Small (Mercedes McCambridge), opõe-se à idéia, e pretende expulsar Vienna da cidade.  Para sua protecção, Vienna contrata um ex-pistoleiro, Johnny Guitar (Sterling Hayden), que ela não vê desde que terminaram a sua tumultuosa relação, cinco anos atrás. Quando Johnny chega, as emoções são fortes, agravadas pelo relacionamento de Vienna com Dancin' Kid (Scott Brady), um fora da lei cujas culpas são parcialmente atribuídas à dona do saloon.
Produzido pelo Republic Studios, "Johnny Guitar" foi o primeiro projecto de Ray depois de deixar a RKO, onde estava já com um contrato de sete anos. O filme fazia parte de um pacote que incluía Roy Chanslor, um ex-jornalista que se tinha tornado argumentista, e que tinha escrito esta história de propósito para Joan Crawford. Na altura, o Republic era considerado o mais prestigiado dos estúdios pequenos, e o contrato com Ray dava-lhe uma grande quantidade de liberdade criativa, apesar do orçamento do filme ser bastante reduzido. Uma das primeiras coisas que Ray fez, foi contratar Philip Yordan para reescrever completamente o argumento. 
Muitos dos actores secundários eram veteranos de outros westerns, como Ward Bond, John Carradine, Royal Dano, Ernest Borgnine e Sheb Wooley, mas Sterling Hayden era uma escolha invulgar para o papel central do filme, porque ele nem sabia andar a cavalo, tocar guitarra, ou sequer disparar uma arma. Isso também não interessava, já que o confronto final seria entre as duas mulheres, Vienna e Emma.
Tal como as suas personagens na tela, Joan Crawford e Mercedes McCambridge foram também ferozes rivais na rodagem do filme. Crawford, cuja inveja profissional das actrizes mais novas era bem conhecida, iniciou a contenda quando observou o realizador e o resto do cast a aplaudir uma cena que McCambridge tinha acabado de filmar. Daí para a frente a relação entre as duas seria muito má. Crawford, como estrela principal do filme, exigiu grandes mudanças no argumento, favorecendo-a, é claro. A maior revisão foi um problema em relação ao sexo. Em vez do foco central ser nas personagens de Johnny Guitar e o Dancin' Kid, passaria a ser em relação a Vienna e Emma, que passariam a ser personagens mais tradicionalmente masculinas. Verdade seja dita, se estas mudanças não tivessem tido lugar, o filme não seria tão valorizado como é hoje.
Nicholas Ray estava muito infeliz durante a rodagem do filme, e as criticas medianas recebidas durante a estreia também não ajudaram. No entanto, "Johnny Guitar" foi muito admirado na Europa. Adorado por Francois Truffaut, que o proclamou "the beauty and the beast of westerns, e com o tempo tornou-se num filme de culto, e numa das obras mais duradouras de Ray.

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Doutor Estranhoamor (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb) 1964


O General Jack D. Ripper (Sterling Hayden) enviou o seu esquadrão de aviões com ordem para atacar a União Soviética graças a uma falha de segurança, que, posteriormente, se torna impossível para qualquer outra pessoa trazer os aviões de volta. Quando a notícia deste ataque chega a Washington, o presidente Merkin Muffley (Peter Sellers) chama os seus assessores para a sala de guerra, onde o general Buck Turgidson (George C. Scott) sugere que o melhor plano de acção será a de apoiar os aviões com umas coordenadas mais ofensivas para paralisar as forças soviéticas e limitar as baixas americanas. Mas os russos, para surpresa de todos, acabam de construir uma "Doomsday Machine", destinada a destruir toda a vida animal do planeta.
A mais negra, e quase de certeza, melhor comédia negra de todas, Dr. Strangelove pensa o impensável e atinge o impossível encontrando humor na perspectiva da aniquilação termonuclear global. Sem dúvida que filme teve o maior impacto quando foi lançado pela primeira vez, logo depois da crise dos mísseis cubanos, no auge da Guerra Fria, em 1962, o mais próximo que a humanidade esteve, até agora, de fazer explodir o planeta. No entanto, o filme continua a ter uma ressonância poderosa e oferece uma experiência ao espectador convincente e estranhamente inquietante. A Guerra Fria pode ter terminado, mas a possibilidade de todos nós desaparecermos numa nuvem de fumo radioativo continua a ser uma hipótese assustadoramente real, especialmente como um número crescente de nações a ter poder nuclear.
Dr. Strangelove não é apenas uma brilhante sátira sobre a histeria da Guerra Fria e postura militarista lunática (aqui a guerra é justamente representada apenas como mais uma faceta da libido masculina reprimida), também aponta a uma falha fundamental na estratégia de destruição global, ou seja, que nenhum sistema, por mais bem concebido, seja infalível.
Dr. Strangelove marcou o ponto mais alto da carreira de Stanley Kubrick até ao momento, embora o realizador já tivesse feito uma série de filmes importantes, incluindo os seus antecessores Paths of Glory (1957) e uma superlativa adaptação de Lolita de Nabokov (1962),  mas este foi o seu primeiro grande triunfo como auteur, o início de uma carreira de triunfos cinematográficos que incluem 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), Laranja Mecânica (1971), Barry Lyndon (1975) e The Shining (1980).  
Não só é um filme extremamente engraçado que oferece o argumento mais convincente para a proibição de armas nucleares, como também é uma peça incrivelmente bem trabalhada de cinema. Kubrick sabia instintivamente como construir uma imagem visual que iria causar um grande impacto, emocionalmente e intelectualmente, e isso está evidente por todo o filme. Observemos o contraste entre as cenas estáticas, quase irreais na sala de guerra e o realismo quase documental nas cenas do cockpit e as sequências onde a base aérea é atacada, filmadas através do uso inovador da câmera na mão. Os líderes políticos e militares estão, como sempre, completamente separados da realidade da situação ridícula que eles criaram. Tal como os outros grandes cineastas, nomeadamente D.W. Griffith, Sergei Eisenstein e Alfred Hitchcock, Kubrick entendeu que as imagens, não as palavras, são o meio pelo qual o verdadeiro cineasta se comunica com o seu público. As palavras são apenas um complemento.
Com Peter Sellers a desempenhar três papéis, todos na perfeição, o filme não poderia deixar de ser uma obra-prima cómica. No seu contrato com Kubrick, a Columbia Pictures tinha estipulado que Sellers iria interpretar quatro papéis, mas o actor estava relutante em interpretar o Major Kong, e depois de ter sofrido uma lesão menor, o papel foi dado a Slim Pickens, que foi um substituto admirável. Enquanto Sellers domina o filme, atingindo novos patamares de hilaridade demente como o Dr. Strangelove, existem algumas contribuições memoráveis ​​dos seus colegas do elenco. George C. Scott quase rouba o filme como o militar que vê a guerra como a solução para todos os problemas e Sterling Hayden é assustadoramente convincente no seu papel de general que causa toda esta confusão. E quem pode esquecer a visão de Pickens montado na bomba atómica? Um filme imperdível.

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