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domingo, 13 de março de 2022

Dr. Estranhoamor (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb) 1964

"É uma das melhores comédias negras de sempre, o filme mais engraçado sobre a era nuclear e uma das obras-primas de Stanley Kubrick. "Dr. Estranhoamor" está recheado de fabulosas interpretações cómicas - destaque para Peter Sellers, que interpreta três personagens, e para a interpretação de George C. Scott -, que se integram num cenário de insanidade mal contida nesta comédia de enganos iluminada por cenas satíricas. A história começa quando o general Jack D. Ripper (Sterling Hayden) - que comanda a base da força aérea de Burpelson -, obcecado com a ideia de que os comunistas estão a tentar roubar os "preciosos fluidos corporais" dos norte-americanos, entra em loucura total e ordena um ataque imediato à União Soviética. O Presidente dos Estados Unidos (Peter Sellers) reúne-se, em desespero, com os seus conselheiros, que incluem o general Buck Turgidson (George C. Scott) e o cientista ex-nazi Dr. Estranhoamor (também interpretado por Peter Sellers). Estes não vêem outra solução senão deixar que os soviéticos abatam os bombardeiros americanos, o que constitui uma "perda aceitável" para as estatísticas. Entretanto, o embaixador soviético (Peter Bull) informa-os que a URSS possui um "Doomsday Device" - um engenho prestes a lançar bombas nucleares mal sejam atacados... O filme recebeu quatro nomeações da Academia de Hollywood, nas categorias de melhor actor (Peter Sellers), melhor realizador, melhor filme e melhor argumento adaptado (Peter George, Stanley Kubrick e Terry Southern)."
* texto Público

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Lolita (Lolita) 1962

"Lolita", o sexto filme de Stanley Kubrick, é uma adaptação do famoso, mas controverso, livro de Vladimir Nobokov, de 1953, que relata a trágica história de um professor de meia idade e a sua obsessão sexual por uma jovem precoce e sedutora a viver a pré-puberdade. No livro, Dolores "Lolita" Haze tem 12 anos, mas num esforço para ultrapassar os censores ela é retratada no filme como tendo 14. Apesar desta mudança, a produção do filme ocorreu sob a ameaça da censura, e Kubrick temia que a MPAA negasse ao filme o selo de aprovação. Foi o primeiro filme de Kubrick a ser feito de forma independente em Inglaterra, e começou com uma longa procura por uma actriz que tivesse idade suficiente para evitar tumultos, mas que tivesse sensualidade suficiente para caracterizar a personagem tal como Nabokov a concebia. 
Cartazes publicitários do filme incluíam o slogan: "Como é que fizeram um filme de Lolita?", com uma foto de Lolita a usar uns óculos escuros em forma de coração e a lamber um chupa-chupa. Os créditos de abertura contêm algumas das imagens mais eróticas de toda a película, e definem o seu tom. Originalmente "Lolita" recebeu a nota "C" de condenado, dado pela Legião de Decência (LOD). Depois de negociações privadas o filme recebeu mudanças de natureza vital, para evitar o rating de "condenado". Era uma prática conhecida na indústria, e muitos outros filmes, incluindo "Spartacus", foram objecto do mesmo tipo de negociação. 
O PCA teve de rever a clausula da "perversão sexual", que incluía temas como a pedofilia ou a homossexualidade, menos restringentes, para que o filme passasse para a classificação "R", que queria dizer que o ele pudesse ser visto por pessoas maiores de 18 anos, a não ser que fossem acompanhadas por um adulto. Em 1962 o Lod analisou o filme, e de um concelho de 12 membros, 9 consideraram-no "condenado". Mas as objecções vocais dos dissidentes levaram ao órgão conceder a "Lolita" uma "classificação especial". O filme resultante não recebeu grandes desafios depois de ter estreado, devido à extensa censura e modificações que sofreu até ser lançado. Oito anos depois Kubrick reflectiu que teria feito tudo de forma diferente, teria enfatizado a componente erótica da relação da mesma forma que Nabokov fez. 

domingo, 26 de setembro de 2021

Spartacus (Spartacus) 1960

"Spartacus" é baseado numa figura histórica, e na história da ascenção e queda de um escravo que vivia em Roma antes do nascimento de Jesus Cristo. Spartacus é resgatado de trabalhar numa mina a céu aberto por um treinador de gladiadores, Batiatus, que vê que o escravo tem fogo nos olhos e a capacidade de cativar o público. Inscrito numa escola de gladiadores, Spartacus é instruído para lutar, mas não tem permissão para matar. Como forma de recompensa pelos bons desempenhos os alunos por vezes têm permissão de ver mulheres. A maioria dos gladiadores tratam as mulheres como suas próprias escravas, mas isso não acontece com Spartacus, que primeiro desenvolve uma amizade com Varinia, e depois uma relação. 
"Spartacus" foi censurado mesmo antes de estrear, e foi um dos últimos filmes em que a homossexualidade  foi removida antes do código ter sido alterado. Geoff Shurlock, chefe de produção do PCA, opôs-se às sugestões de homossexualidade do personagem Crassus, e recomendou à Universal que qualquer referência que este personagem sinta uma atracção por Antoninus tem de ser evitada. A razão da fuga frenética de Antoninus tem de ser diferente do facto de que ele é repelido pela abordagem sugestiva de Crassus. Shurlock também avisou que em algumas cenas o tema da perversão sexual era tocado, e que essas cenas teriam de ser removidas. 
Antes da estreia do filme, a Universal enviou uma cópia para a LOD, e nesta versão claramente é sugerido que o general romano é homossexual e quer adquirir Antoninus para sua própria gratificação.  A cena teve mesmo de ser cortada, além de outras por causa da violência, e depois de todos os cortes efectuados o continuou a ser um dos filmes mais violentos a saírem dos estúdios de Hollywood. Foi cortada mais de meia hora de filme, que só seriam restaurada numa nova versão que saíu em 1991. Além de tudo isto, o filme também foi criticado por causa do seu argumentista ser Dalton Trumbo, e estar na lista negra de Hollywood.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Day of the Fight (Day of the Fight) 1951

Inspirado pelo seu ensaio fotográfico para a revista Look, chamado “Prizefighter”, Stanley Kubrick reuniu uma equipa para produzir um documentário de boxe, e filmou em narrativa simples a rotina diária de um pugilista premiado chamado Walter Cartier, que culminará com um combate contra um dos seus rivais.
Focando-se em Walter Cartier como assunto, esta curta de 16 minutos tem um pouco mais de tempo que uma reportagem para um noticiário, mas segue um estilo narrativo muito mais fluído, com recursos visuais e de edição superior à estrutura instável do formato padrão. O filme é composto por três partes: uma introdução mostrando a atmosfera de uma luta de boxe, uma parte central onde somos apresentados a Walter e ao seu irmão gémeo Vincent que também é seu treinador,  e a parte final onde Cartier luta contra Bobby James no Laurel Gardens.
Os noticiários por vezes baseiam-se na narração para preencher as imagens perdidas e suavizar as lacunas de continuidade. A abordagem de Kubrick era mais literária, porque o conceito estava mais alinhado com o ensaio que ele próprio tinha feito para a revista Look. No filme ele captura as ruas sujas de Nova Iorque, as personagens do mundo do boxe, a vida difícil de um lutador, usando visuais dramáticos e uma narrativa cheia de factos, aspectos típicos do melhor fotojornalismo que, muitas vezes capturavam sérios sociais que os estúdios tendiam a transformar em melodramas.
Era o filme de estreia de Stanley Kubrick, então com apenas 23 anos. Infelizmente o filme não tem legendas. 

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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Barry Lyndon (Barry Lyndon) 1975

Redmod Barry é um jovem de uma família sem fortuna na Irlanda do Sec. XVIII. A sua primeira paixão é Nora, a sua prima. Mas Nora tem outros planos. Prefere o capitão Quinn, um oficial inglês de boa situação financeira. Um melhor partido do que o rapazola Redmond. Mas Redmond não se resigna. Imaturo e precipitado, desafia e vence Quinn num duelo de pistola. Com o casamento desfeito, e com o ónus de ter morto um homem, a família de Nora persuade Redmond a fugir da aldeia onde vive. Começa aqui um caminho errante, uma sucessão de fugas para a frente, de mentiras e enganos, em que o jovem Redmond vai perdendo a inocência e se tornará num arrivista, um homem que quer a todo o custo subir na escala social, e que mais tarde se tornará Barry Lyndon, fruto do seu casamento com Lady Lyndon.
Stanley Kubrick tinha uma solidíssima reputação quando começou a trabalhar em “Barry Lyndon” . Tinha atrás de si dois grandes clássicos, “2001 - Odisseia no Espaço” e “Laranja Mecânica”, precedidos de excelentes filmes como “Lolita” ou “Dr. Estranhoamor”. Havia, no entanto, uma grande lacuna: Napoleão. Logo após “2001”, ainda em 1968, Kubrick tinha um guião para um filme sobre Napoleão para propôr à MGM. Mas a MGM estava reticente com os custos desse eventual filme, e retirou o seu apoio. Kubrick aplicou todo o seu saber para que Barry Lyndon fosse, em parte, o filme de época que Napoleão não foi.
Barry Lyndon é uma adaptação de um romance de William Makepace Thackeray, “The Luck of Barry Lyndon”. Kubrick estudou cuidadosamente as pinturas de artistas ingleses do Sec. XVIII do tempo do Rei Jorge III. Queria replicar no cinema a atmosfera, a luz dos quadros no período anterior à luz eléctrica. Num tempo em que durante o dia única fonte de luz é a que entra pelas janelas, e durante a noite é a das velas durante a noite, Kubrick filmou assim. Com luz que entrar pelas janelas, e com os famosos planos à luz das velas. É bem conhecido como Kubrick conseguiu filmar à luz de velas: Teve acesso a lentes Carl Zeiss de grande abertura inicialmente desenvolvidas para a NASA e conseguiu adaptá-las às câmaras de cinema.
 O trabalho em conjunto com o director de fotografia John Alcott, que já trabalhara com Kubrick em “Laranja Mecânica” e voltaria a trabalhar em “The Shinning” é absolutamente brilhante e em grande medida insuperado. Cada plano é um quadro, uma pintura. Durante o dia a luz entra pelas janelas com a suavidade difusa que Kubrick vira nas pinturas com que se inspirou. À noite, as velas, e só as velas, iluminam rostos e feições.
O guarda-roupa, de Ulla-Britt Söderlund e Milena Canonero é também ele brilhante. Um guarda-roupa que atravessa todas as classes sociais ao longo do percurso arrivista de Barry Lyndon, as roupas modestas dos camponeses, as fardas militares, os luxuosos vestidos das senhoras da alta sociedade. 
Os cenários, de Ken Adam, com quem já trabalhara em Dr. Estranhoamor, são extraordinários. Castelos e palácios dão vida a esta obra. Alguns destes palácios eram museus abertos ao público durante a rodagem do filme, de tal modo que entre takes, a equipa de rodagem tinha que esperar que os visitantes percorressem as salas que serviam de cenários até retomarem as filmagens. 
Uma banda sonora faustosa com Schubert, Bach, Haendel, The Chieftains, entre outros complementa brilhantemente a fotografia, o guarda-roupa, e os cenários. 
Não se pense que Barry Lyndon é um filme “técnico” suportado simplesmente na fotografia, guarda-roupa, banda sonora, etc. Estes elementos são de facto brilhantes mas não são um fim em si.
 Vale a pena recordar a entrevista de Kubrick à revista Playboy em 1968 a propósito de “2001 - Odisseia no Espaço”. À resposta à pergunta sobre qual a mensagem metafísica de “2001" Kubrick afirma que não é uma mensagem que tivesse a intenção de ser transmitida verbalmente, e que “2001” é uma experiência visual, e a mensagem é o meio (invertendo assim a famosa tese de Marshall McLuhan). Também em Barry Lyndon o meio, sustentado na imagem, no som, na montagem, é uma parte importante da mensagem, uma mensagem que no essencial é a história sobre um homem e o seu destino. E esta temática, a história do homem e o seu destino, produziu com outros realizadores, e noutras correntes estéticas, filmes tão diversos e intemporais como “Andrey Rublev”, “Lawrence da Arábia”, ou “Touro Enraivecido”.
O elenco é uma interessante mistura de actores mais e menos conhecidos: Ryan O’Neal e Marisa Berenson nos papéis principais, actores muito populares na altura depois de “Love Story” e “Cabaret” respectivamente. Em papéis secundários destacam-se Mary Keane uma extraordinária actriz irlandesa que trabalhou sobretudo em teatro, e Murray Melvin no papel do inquietante Reverendo Ludd. O elenco é complementado com a excelente narração de Michael Holdern.
O filme teve várias nomeações para os Óscars e ganhou os prémios nas disciplinas atrás mencionadas: Fotografia, guarda-roupa, cenários, banda sonora adaptada. Kubrick puxou pela sua equipa, e a sua equipa foi premiada com os Óscares. O próprio Kubrick, nomeado pela quarta vez como melhor realizador, não ganhou o prémio, nem Barry Lyndon ganhou o prémio de melhor filme.
O maior teste a um filme é o tempo. E no teste do tempo “Barry Lyndon” passa com a mais alta distinção. Mais de quarenta anos após o seu lançamento, não há dúvidas sobre o lugar de “Barry Lyndon” no cinema. Há quem considere, como Scorcese, ser este o melhor trabalho de Kubrick.
Uma história trágica contada com uma beleza plástica absolutamente extraordinária.
*Escolha e texto da autoria do João Lopes.

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Doutor Estranhoamor (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb) 1964


O General Jack D. Ripper (Sterling Hayden) enviou o seu esquadrão de aviões com ordem para atacar a União Soviética graças a uma falha de segurança, que, posteriormente, se torna impossível para qualquer outra pessoa trazer os aviões de volta. Quando a notícia deste ataque chega a Washington, o presidente Merkin Muffley (Peter Sellers) chama os seus assessores para a sala de guerra, onde o general Buck Turgidson (George C. Scott) sugere que o melhor plano de acção será a de apoiar os aviões com umas coordenadas mais ofensivas para paralisar as forças soviéticas e limitar as baixas americanas. Mas os russos, para surpresa de todos, acabam de construir uma "Doomsday Machine", destinada a destruir toda a vida animal do planeta.
A mais negra, e quase de certeza, melhor comédia negra de todas, Dr. Strangelove pensa o impensável e atinge o impossível encontrando humor na perspectiva da aniquilação termonuclear global. Sem dúvida que filme teve o maior impacto quando foi lançado pela primeira vez, logo depois da crise dos mísseis cubanos, no auge da Guerra Fria, em 1962, o mais próximo que a humanidade esteve, até agora, de fazer explodir o planeta. No entanto, o filme continua a ter uma ressonância poderosa e oferece uma experiência ao espectador convincente e estranhamente inquietante. A Guerra Fria pode ter terminado, mas a possibilidade de todos nós desaparecermos numa nuvem de fumo radioativo continua a ser uma hipótese assustadoramente real, especialmente como um número crescente de nações a ter poder nuclear.
Dr. Strangelove não é apenas uma brilhante sátira sobre a histeria da Guerra Fria e postura militarista lunática (aqui a guerra é justamente representada apenas como mais uma faceta da libido masculina reprimida), também aponta a uma falha fundamental na estratégia de destruição global, ou seja, que nenhum sistema, por mais bem concebido, seja infalível.
Dr. Strangelove marcou o ponto mais alto da carreira de Stanley Kubrick até ao momento, embora o realizador já tivesse feito uma série de filmes importantes, incluindo os seus antecessores Paths of Glory (1957) e uma superlativa adaptação de Lolita de Nabokov (1962),  mas este foi o seu primeiro grande triunfo como auteur, o início de uma carreira de triunfos cinematográficos que incluem 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), Laranja Mecânica (1971), Barry Lyndon (1975) e The Shining (1980).  
Não só é um filme extremamente engraçado que oferece o argumento mais convincente para a proibição de armas nucleares, como também é uma peça incrivelmente bem trabalhada de cinema. Kubrick sabia instintivamente como construir uma imagem visual que iria causar um grande impacto, emocionalmente e intelectualmente, e isso está evidente por todo o filme. Observemos o contraste entre as cenas estáticas, quase irreais na sala de guerra e o realismo quase documental nas cenas do cockpit e as sequências onde a base aérea é atacada, filmadas através do uso inovador da câmera na mão. Os líderes políticos e militares estão, como sempre, completamente separados da realidade da situação ridícula que eles criaram. Tal como os outros grandes cineastas, nomeadamente D.W. Griffith, Sergei Eisenstein e Alfred Hitchcock, Kubrick entendeu que as imagens, não as palavras, são o meio pelo qual o verdadeiro cineasta se comunica com o seu público. As palavras são apenas um complemento.
Com Peter Sellers a desempenhar três papéis, todos na perfeição, o filme não poderia deixar de ser uma obra-prima cómica. No seu contrato com Kubrick, a Columbia Pictures tinha estipulado que Sellers iria interpretar quatro papéis, mas o actor estava relutante em interpretar o Major Kong, e depois de ter sofrido uma lesão menor, o papel foi dado a Slim Pickens, que foi um substituto admirável. Enquanto Sellers domina o filme, atingindo novos patamares de hilaridade demente como o Dr. Strangelove, existem algumas contribuições memoráveis ​​dos seus colegas do elenco. George C. Scott quase rouba o filme como o militar que vê a guerra como a solução para todos os problemas e Sterling Hayden é assustadoramente convincente no seu papel de general que causa toda esta confusão. E quem pode esquecer a visão de Pickens montado na bomba atómica? Um filme imperdível.

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