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sexta-feira, 10 de abril de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: "A Máscara da Morte Vermelha", de Roger Corman

O “Jornal do Fundão“, os “Encontros Cinematográficos”, o “Lucky Star – Cineclube de Braga“, o “My Two Thousand Movies” e “A Comuna” associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blogue “My Two Thousand Movies”.

Sinopse: Talvez a obra-prima de Corman, esta adaptação de Poe, que o realizador filmou em Inglaterra. A história do príncipe Próspero, tirano e sádico, mas também um intelectual e um filósofo, que se refugia no seu castelo, fechado ao exterior para evitar a entrada da “morte vermelha”, numa região dominada pela peste.

O décimo convidado é a crítica de cinema Inês Lourenço, que escolheu A Máscara da Morte Vermelha de Roger Corman, escrevendo assim sobre esta obra entusiasmante do grande artesão:
“De todas as adaptações de Edgar Allan Poe que Roger Corman levou ao grande ecrã, The Masque of the Red Death (1964) é a mais inebriante. Uma autêntica vertigem de cores que coloca a morte no centro do baile da vida, como metáfora pintada para uns olhos de criança. E, ainda assim, não há nada de infantil no substrato deste filme que conta a história do malvado príncipe Próspero, encerrado no seu faustoso castelo medieval enquanto a população fora das muralhas morre de uma praga chamada “Morte Vermelha”. Esse espaço interior, onde quase tudo se passa, serve de refúgio para os nobres, mas estes são submetidos a jogos perversos orquestrados pelo próprio príncipe, Vincent Price, claro, figura soberba de todas as adaptações cormanianas de Poe, que molda a atmosfera com os olhos bem abertos e aquela expressão de realeza de que estas produções de baixo orçamento souberam tirar partido.
O que mais me fascina neste filme de esplendor artesanal, sem medo do excesso, é precisamente o modo como amplifica o prazer da visão sem adormecer sobre o valor da metáfora do conto – aqui, a evocação de O Sétimo Selo é inevitável, e, de facto, podemos olhar para The Masque of the Red Death como um ensaio Technicolor que coça a ferida da meditação de Bergman. 
Não deixa de ser curioso, no meio deste discurso sobre a cor, que o seu director de fotografia, um jovem Nicolas Roeg, tenha depois, em 1973, assinado a brilhante adaptação de um conto de Daphne du Maurier – Don’t Look Now – cujo trauma da morte está representado no casaco vermelho de uma criança… »

Amanhã, a escolha de José Oliveira.

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domingo, 26 de novembro de 2017

A Loja dos Horrores (The Little Shop of Horrors) 1960

A história é contada pelo detective sargento Joe Fink (Wally Campo), que conta um caso policial envolvendo uma pequena floricultura localizada no bairro pobre de “Skid Row”, onde trabalham o proprietário Gravis Mushnik (Mel Welles), a sua jovem filha Audrey Fulquard (Jackie Joseph) e o empregado nerd Seymour Krelboin (Jonathan Haze). O sonho de Seymour é ser um botânico bem sucedido e casar-se com Audrey, mas é tão incompetente que para continuar no emprego teve que mostrar uma planta carnívora que criou em casa, na tentativa de atrair as pessoas para a loja ao expor o vegetal exótico e melhorar as vendas de flores em geral. Entre os estranhos clientes da floricultura estão um comedor inveterado de flores, Burson Fouch (Dick Miller), e uma mulher fanática por funerais, Sra. Siddie Shiva (Leola Wendorff), tia do detetive Frank Stoolie (Jack Warford), parceiro de Fink, e cujos parentes morrem a todo o momento, justificando a sua obstinação por flores para os enterros.
Uma divertida comédia de humor negro. Muito curta (com apenas 72 minutos), sem grandes efeitos especiais, e uma série de piadas muito subtis, principalmente as envolvendo a criatura carnívora ("feed me!) são absolutamente hilariantes, transformando esta obra numa espécie de filme de culto dos anos 60, e também da contra cultura cinematográfica americana. Vinte seis anos mais tarde foi alvo de uma remake da autoria de Frank Oz, bastante razoável até, e com Rick Moranis no principal papel. Jack Nicholson tem aqui uma das suas primeiras aparições no cinema, embora num papel secundário.
Tal como foi dito anteriormente, este filme foi gravado ao mesmo tempo que "A Bucket of Blood", com um orçamento de apenas 50 mil dólares para os dois filmes em conjunto, gerando quase um milhão e meio de dólares, e sendo hoje considerado um dos melhores filmes do realizador.
Legendas em espanhol.


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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A Mulher Vespa (The Wasp Woman) 1959

A acenar ao sucesso comercial do ano anterior, "The Fly", de um grande estúdio, Corman realizou e produziu mais um filme de baixo orçamento, desta vez dedicado ao sub-género do insecto mutante. A história começa com as estranhas actividades do cientista Dr. Eric Zinthrop, despedido da Honey Fresh Bee Farm por conduzir experiências pessoais com vespas, na propriedade da empresa. Ele aproxima-se de Janice Starlin da Starlin Enterprises, uma das maiores empresas de cosméticos, por causa das suas recentes descobertas cientificas sobre as propriedades rejuvenescedoras das enzimas das vespas, para desenvolver novos produtos. A Starlin está a sofrer um declínio nas vendas, que os membros da administração culpam ao envelhecimento de Janice, já na casa dos 40 anos. Janice fica ansiosa que o Dr. Zinthrop teste nela um soro juvenil para a juventude, mas as coisas podem não correr bem...
Filmado em apenas duas semanas com um orçamento de 50 mil dólares, "The Wasp Woman" reflecte as tácticas de cortes de custos e a estética de baixo orçamento que o realizador vinha seguindo. Com um período de filmagens tão reduzido, raramente ele fazia mais do que um take para cada cena, a não ser que houvesse algum erro drástico ou algum mau funcionamento. E claro que isso depois acaba por se reflectir na montagem final do filme, com o enquadramento das personagens nem sempre a estar bem alinhado. 
No entanto, apesar do baixo orçamento, os efeitos especiais foram bastante aplaudidos por críticos contemporâneos pela sua mulher moderna, cujas desventuras muitas vezes reflectem problema ou preocupações feministas. 
O filme é muito raro, não tem legendas em qualquer língua.

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O Balde de Sangue (A Bucket of Blood) 1959

Walter Paisley (Dick Miller) é um empregado num café boémio, que vive com ciúmes do talento (e popularidade) dos seus vários regulares artistas. Mas, depois de matar acidentalmente um gato, e cobrir o seu corpo com gesso para esconder as evidências, é aclamado como um escultor brilhante, mas os seus novos amigos querem ver mais do seu trabalho... Sem qualquer talento artístico, Walter deve recorrer a métodos semelhantes para produzir novos trabalhos, e entretanto, várias pessoas começam a desaparecer misteriosamente...
Roger Corman insistiu que esta era a primeira comédia negra em muitos anos, mas decerto que eles não estava a contar com "Monsieur Verdoux" de Chaplin, ou "The Trouble with Harry" de Hitchcock. De qualquer forma, "A Bucket of Blood" tem uma vibração muito própria, passada nos cafés "beatnick" da moda, com o saxofone "free jazz", e poesia "groovy". Foi talvez o primeiro filme de Corman a desenvolver uma atmosfera realmente rica, que só se tornou mais rica nos filmes subsequentes de Poe. E o mais notável ainda é que ele realizou o filme em apenas cinco dias (record pessoal na altura), e não esquecer que ele fez este filme e "The Little Shop of Horrors" (1960) ao mesmo tempo, com apenas 50 mil dólares.
Dick Miller quase em estreia, tornou-se conhecido por interpretar uma série de filmes de série b, e não só, em papéis secundários, mas nunca mais na sua carreira estaria tão bem como aqui. Este filme marcaria-o tanto que continuaria a interpretar personagens com o mesmo nome numa série de filmes, um dos quais "The Howling" de Joe Dante.

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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Teenage Caveman (Teenage Caveman) 1958

Robert Vaughn é um jovem teenager das cavernas, com cabelo estiloso, que procura descobrir o que existe nas selvas inexploradas para além do acampamento da sua tribo. Dizem-lhe que é proibido lá ir, mas ele quebra as regras, e descobre um monstro que mata com o seu toque.
Facilmente nos divertimos com o filme, também por causa do óbvio baixo orçamento, e da descontração do argumento, mas considerá-lo como um épico das cavernas é muito ambicioso, de facto. Na verdade, o filme pretende fazer uma ligeira crítica às leis da natureza e a tradição, e não podemos deixar de admirar a intenção sobre isto. Se o argumento não fosse tão detalhado neste aspecto, talvez tivesse funcionado melhor.
"Teenage Caveman" conta com uma futura estrela de Hollywood em ascenção, Robert Vaughn, aqui a interpretar um jovem primitivo intelectual que resolve desafiar as restrições da sua pequena comunidade de homens das cavernas. Vaughn que estava tão em ascenção que apenas dois anos mais tarde seria nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário em "The Young Philadelphians", que vimos aqui ainda recentemente no ciclo de Paul Newman. Um destaque também para o actor Beach Dickerson, que interpreta vários papéis.
Foram usadas imagens de vários filmes, tais como: "The Day the World Ended", "The She-Creature", e alguns fatos de "Night of the Blood Beast". A inspiração de Corman foi claramente "One Million B.C.", um êxito do ficção científica dos anos 50.

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domingo, 19 de novembro de 2017

The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent (The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent) 1957

Um grupo de mulheres vikings de Stanjold decide partir em busca dos seus homens que não regressaram depois de uma expedição de caça. Constroem um navio viking e partem para o mar. Ao longo do caminho as tensões crescem entre Desir, a líder feminina, e Enger, a religiosa e rival de Desir. As mulheres entram dentro de uma grande tempestade onde encontram o Monstro do Vórtice, uma grande serpente marinha. Entretanto um raio atinge o mastro e destroi o navio.
Filmado em 10 dias com o o título de "Viking Women", um título curto e atraente como era habitual na AIP, mas na verdade, segundo o próprio realizador, não havia título que conseguisse sumarizar o complicado argumento deste filme, acabando por ir parar a "Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent", idéia do próprio Corman. 
Houve muitos problemas durante a pré-produção e rodagem. A primeira protagonista feminina foi despedida depois de se descobrir que era mais alta do que o protagonista masculino. Foi substituída por Kipp Hamilton que também foi despedida quando pediu mais dinheiro. Finalmente o papel de protagonista foi parar a Abby Dalton, que já estava no elenco, subindo assim todo o elenco feminino para um ponto acima. 
Os efeitos especiais também foram um problema, quando Corman percebeu que não tinha orçamento para executar o filme segundo a visão de Irving Block, o escritor original, por isso foi preciso arranjar alternativas para ocultar as limitações dos efeitos especiais, tais como utilizar uma iluminação discreta.
É um filme muito raro, e não tem legendas. Apesar disso não quís deixa-lo fora deste ciclo.

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

The Undead (The Undead) 1957

Um hipnotizador (Val Dufour) de ética questionável envia uma jovem prostituta (Pamela Duncan) para trás no tempo, onde ela reencarna numa mulher que foi erradamente condenada a morrer como uma bruxa, mas logo descobre que pode estar a alterar o rumo da história, e como consequência, a sua própria existência.
Um filme com um orçamento ultra-reduzido, supostamente filmado em menos de uma semana, e que goza de uma reputação muito duvidável, completamente imerecida, em parte por ter sido incluído na famosa série "Mystery Science Theatre 3000", destinada a filmes muito maus. Mas, na verdade, é um óptimo exemplo do que se pode fazer com argumentos muito reduzidos, principalmente quando se tem uma equipa de produção muito boa, e um argumento ambicioso e imaginativo, como este de Charles B. Griffith e Mark Hanna.
Parte do divertimento de "The Undead" é a sua imprevisilidade. O filme anda para trás e para a frente no tempo, entre a idade média e a sessão de hipnose, com vários eventos a acontecerem ao longo do caminho que poderão mudar o rumo da história. Quando as coisas começam a ficar fora de mão, a vida de Diana pode estar em risco. O argumento pode parecer um pouco confuso, mas a história flui de uma forma bastante suave. 
O orçamento de 75 mil dólares não dava para muito, por isso grande parte dos cenários foram construídos dentro de um supermercado fechado. Foi usada uma máquina de fazer nevoeiro, e nunca são vistas mais de uma dúzia de pessoas no ecrã ao mesmo tempo, o que não dava grandes hipóteses para fazer recriar um ambiente medieval. Também foram reutilizados os morcegos que já tínhamos visto em "It Conquered the World" (1956). Gostar deste filme convém perceber estes pequenos pormenores orçamentais, que acabam por valorizar mais o resultado final. 

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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O Ataque dos Caranguejos Gigantes (Attack of the Crab Monsters) 1957

Um grupo de cientistas viaja para uma ilha isolada para estudar os testes do uso de armas nucleares. Na chegada, o avião explode e os cientistas ficam presos no local. Depressa descobrem que a ilha é habitada por caranguejos gigantes. Além dos monstros inteligentes os seus problemas só aumentam quando percebem que a ilha está a afundar-se lentamente. 
Roger Corman tinha apenas 31 anos em 1957, o ano mais prolífico da sua carreira, ao realizar um total de nove filmes. Foram explorados neste ano vários sub-géneros da exploitation, como o terror ("The Undead"), o Rock N´Roll ("Carnival Rock and Rock All Night"), o drama Havaiano ("Naked Paradise"), a "bad girl" adolescente ("Sorority Girl" e "Teenage Doll") e um filme inclassificável chamado "The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent". Os filmes mais importantes de Corman neste ano foram o filme que vimos anteriormente, "Not of this Earth", e este "Attack of the Crab Monsters". 
"Attack of the Crab Monsters" também foi escrito por Charles B. Griffith, e estava carregado de boas ideias. Provavelmente tinha ideias para cinco filmes. O cenários é incerto, com a ilha constantemente a desmoronar-se, criando uma sensação de isolamento e medo, bem ajudada por uma partitura musical de Ronald Stein, e uns visuais bizarros e inquietantes, com alguns toques de "gore", como uma mão a ser decepada, mas nada prepara o espectador para o que está por vir. 
Custou apenas 70 mil dólares a ser produzido mas rendeu mais de um milhão nas bilheteiras, tornando-se no filme de Corman mais rentável desta fase da sua carreira. Há quem diga que parte do sucesso se deveu à selvajaria do título: "Attack of the Crab Monsters".

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Not of This Earth (Not of This Earth) 1957

Um agente extraterrestre chega à Terra do distante planeta Davana, através de um transportador de matéria bastante evoluído. Começa então a aterrorizar o sul da Califórnia, numa tentativa de adquirir sangue para a sua raça moribunda, com o resultado a ser uma devastante guerra nuclear.
"Not of this Earth" embora não seja considerado dos melhores filmes de Roger Corman, é, sem dúvida um dos melhores dos anos cinquenta do realizador, e também um dos melhores de ficção científica para este início de carreira, e o motivo talvez seja porque o filme percorreu vários géneros sem nunca descarrilar. Mais importante, é um "shocker" de baixo orçamento que resulta bastante bem, graças, principalmente, aos argumentistas, onde estava incluído Charles B. Griffith, que já começava a ser uma habitual colaboração de Corman, e ao fantástico elenco, apesar do actor principal, Paul Birch, não se dar bem com o realizador. Talvez isso até tenha sido um factor decisivo para melhorar o seu desempenho, já que o seu desempenho é bastante hostil, e a sua personagem um dos aliens mais assustadores dos anos cinquenta.
Paul Johnson (Birch), sempre no seu fato preto, que o faz parecer o empresário mais sinistro do mundo, e com um discurso que também não aquece nada. Talvez Birch não tenha gostado da personagem, mas não conseguimos imaginar outro actor a ficar com o papel. 
Com apenas 67 minutos de duração, diz-se que foi umas das principais inspirações para "They Live" (1988), de John Carpenter. 

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terça-feira, 7 de novembro de 2017

It Conquered the Earth (It Conquered the Earth) 1956

Um dos vários membros restantes de uma raça de extraterrestres, habitantes de Vénus, é guiado para a Terra por Tom Anderson, um cientista descontente, que lhe diz em que humanos ele deve meter dispositivos de controle mental. Entre eles está o seu antigo amigo e companheiro Paul Nelson. Nelson finalmente persuade o paranóico Anderson que errou ao se aliar a um alienígena determinado a dominar o mundo.
Este filme de série B de Roger Corman é talvez mais conhecido pelo extraterrestre ridículo com aparecia de vegetal criado por Paul Blaisdell, que já tinha criado o mutante do filme anterior de Corman, mas na realidade até é uma entrada bastante decente no sub-género dos filmes de histeria comunista do meio do século, como "Invaders from Mars" (1953), ou "Invasion of the Body Snatchers" (1956).  Lee Van Cleef é estranhamente eficaz (e bem fundamentado) no papel central, de cientista tão desiludido com a humanidade que recorre a um ser extraterrestre para "salvar o mundo de si próprio".  Destaque também para o outro protagonista, Peter Graves, ainda bem longe do seu papel na série "Missão Impossível", e Beverly Garland, bem convincente no papel da esposa de Van Cleef.
O argumento de Charles B. Griffith faz maravilhas com cenários que de outra forma seriam risíveis (como morcegos de borracha a atacarem pescoços de pessoas para lhes removerem todas as emoções), além de outras cenas notáveis. A grande força do filme vem de facto do argumento, com uma profundidade que não é muito habitual encontrar em filmes de baixo orçamento deste período, com discussões filosóficas sobre o poder das emoções humanas. Aliás, o argumento tem a sofisticação de outros filme de Corman deste período, como veremos em breve.

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O Dia do Fim do Mundo (Day the World Ended) 1955

Depois de uma guerra nuclear, um grupo improvável de pessoas, incluindo um rancheiro, um geólogo, um criminoso e a sua namorada encontram-se presos no meio do nada enquanto lutam contra um mutante criado por Paul Blaisdell. O geólogo e o criminoso também vão lutar pela atenção da filha do rancheiro.
Lançado nos anos cinquenta, em plena era atómica, "Day The World Ended" conta a história do que aconteceu quando o homem finalmente se destrói num holocausto nuclear. Apenas sete pessoas sobrevivem à explosão, e o destino da humanidade está nas mãos deste pequeno grupo, que luta pelo seu destino neste novo mundo mutante.
"Day The World Ended" foi o terceiro filme de Corman como realizador, e o primeiro no domínio da ficção científica. Corman tornou-se num herói de culto, o messias do cinema de baixo orçamento, mas sem dúvida que a sua maior contribuição foi como produtor. 
Uma casa no sopé das montanhas de Hollywood serve de refúgio para este grupo, assim como uma grande lagoa em Sportsman's Lodge. O resto do filme é filmado nas Bronson Caverns em Griffith Park. O filme faz um óptimo trabalho ao mostrar as pressões enfrentadas pelos sobreviventes, principalmente o cientista e o seu irmão radioactivo. A capacidade dos dois em fazer a situação parecer real, ajuda o monstro a parecer menos falso. Enquanto Corman é conhecido por trabalhar rápido e barato, os seus actores não parecem apressados na tela. O gangster é interpretado por Mike "Touch" Connors, antes de se tornar no herói da série "Mannix". 

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domingo, 5 de novembro de 2017

Roger Corman - Parte 1

Roger Corman é considerado o Papa do cinema Pop, o indiscutível rei da série B, e um dos mais prolíficos realizadores de todos os tempos. Se não fosse ele, provavelmente nunca conheceríamos realizadores e actores como Martin Scorsese, Francis F. Coppola, James Cameron, Joe Dante, Jonathan Demme, Peter Bogdanovich, Curtis Hanson, Robert de Niro, Jack Nicholson, Dennis Hopper, Peter Fonda, Bruce Dern, entre outros. Como distribuidor trouxe pela primeira vez para a américa os trabalhos de Ingmar Bergman, François Truffaut, Federico Fellini, Akira Kurosawa, expondo a jovens realizadores americanos um tipo de cinema que iria mudar Hollywood para sempre.
Apesar destas importantes colaborações para o cinema, ele provavelmente será mais conhecido pelos filmes de exploitation que fez. A sua filosofia para fazer filmes era de minimizar os riscos principalmente a fazer filmes de género destinados a um público específico, piorizando a quantidade sobre a qualidade, tentando espremer cada moeda do orçamento para maximizar o lucro. Por vezes isto significava tirar o dinheiro restante de um filme, e usá-lo para fazer outro completamente diferente, e fazê-lo bem depressa. Ele também reutilizaria cenários e actores ao longo de uma série de filmes, para economizar custos. Por vezes era contratado um argumentista para escrever o argumento no local.
Corman tirou o diploma no curso de engenharia industrial de Stanford, conseguindo um emprego na U.S. Electrical Motors. Demitiu-se ao fim de quatro dias, dizendo ao chefe que "cometeu um terrível erro". Acabou por prosseguir uma carreira no cinema, depois de um breve período na Fox, a ler argumentos. Mas rapidamente descobriu que queria seguir a sua carreira sozinho.
Acabou por ir parar à recém formada American International Pictures (AIP), que se dedicava a fazer filmes independentes de baixo orçamento, destinados a adolescentes. Aqui produziu e co-produziu 19 filmes nos seus primeiros três anos com a companhia. Também teve um grande impacto como realizador, onde dirigiu inúmeros filmes.
Um ciclo de Corman, que se queira o mais completo possível, demoraria muito tempo. Então, decidimos cortá-lo em várias partes, com a primeira a ir para o ar nos próximos dias, e que irá focar-se nos filmes realizados por sim no início de carreira, entre 1955 e 1959, com especial enfoque nos filmes de monstros.
Dada a raridade de alguns dos filmes que serão apresentados, não terão legendas, mas a maioria terá legendas em português.


segunda-feira, 25 de abril de 2016

O Terror (The Terror) 1963

Um jovem tenente francês (Jack Nicholson) perde-se do seu regimento e vai parar a uma praia aparentemente deserta. Logo vê a imagem de uma bela jovem, que o ajuda a encontrar água bebível – é certo que ela o livrou de um problema, mas está para lhe criar uma série de outros, numa trama envolvendo um estranho assassinato passional, que teria sido cometido pelo Barão Von Leppe (Karloff), um velho sinistro que vive soturnamente no seu castelo, alvo de estranhas feitiçarias. Encantado com a mulher e intrigado com os mistérios do local, o jovem tenente vai tentar desvendar o mistério.
"The Terror" foi realizado em apenas três dias. Roger Corman tinha apenas três dias para o cenário do filme que tinha acabado de fazer, "The Raven", ser retirado, e também mais três dias de contracto com Boris Karloff, uma estrela. Falou com alguns elementos da produção de "The Raven" para fazerem um trabalho rápido, e convidou o actor Leon Gordon para escrever um argumento que girasse em volta dos cenários do castelo, com as cenas exteriores a serem rodadas mais tarde. Corman também convidou alguns dos seus protegidos para realizarem algumas sequências, que acabaram por dar ao filme um ar confuso. Entre as pessoas que deram uma mãozinha encontravam-se Francis Ford Coppola, Jack Hill, Monte Hellman, ou Jack Nicholson, que também era protagonista. Dado os nomes que participaram na produção, todos eles viriam a alcançar sucesso no futuro, esta obra tornou-se num filme de culto.
Jack Nicholson estava em inicio de carreira, e este seria o seu primeiro papel de protagonista. Para contracenar com ele chamou Sandra Knight, a sua esposa da altura, também ela ligada a Roger Corman. Uma nota também para outro actor em início de carreira e ligado a Roger Corman: Dick Miller.

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domingo, 26 de outubro de 2014

O Palácio Maldito (The Haunted Palace) 1963



No centro do filme temos a presença familiar de Vincent Price, aqui a ter um duplo papel: no prólogo do filme ele é Joseph Curwen, um suposto feiticeiro, condenado a ser queimado na fogueira pelos assustados habitantes de Arkham, uma povoação de New England afectada pela paranóia da bruxaria. Antes da sua carne ser consumida pelas chamas, ele promete voltar para assombrar a cidade. 110 anos depois, o descendente de Curwen, Dexter Ward, chega à cidade, ele que tem uma estranha semelhança com o seu antepassado, facto que não vai passar despercebido pelo habitantes locais que vivem no terror da ressuscitação de Curwen para os assombrar.
Talvez sem surpresa, "The Haunted Palace" é uma adaptação livre de um conto original de Lovecraft, em grande parte por causa do confronto de um homem com o seu antepassado feiticeiro. Mas onde o Ward de Lovecraft é substituido pelo seu antepassado, Roger Corman e Price preferem seguir por um caminho muito mais metafísico, com o espírito de Curwen a exercer a sua vontade através de uma pintura, e dos seus assistentes, Lon Chaney, Jr. e Milton Parsons. O que se segue, deve muito mais a Poe do que a Lovecraft, com toda a gente em volta de Ward - incluindo a sua pobre e confusa esposa (Debra Paget) - sem saber se ele está possuído pelo seu antepassado, que voltou para cumprir a vingança.
Este cenário permite a Price assumir a posição de um trágico conflito interior, uma dupla personalidade que ajudou a construir o lugar do actor no panteão dos ícones do cinema. Como Ward ele é calmo e educado, com a marca da tristeza do actor, quase sentimos que ele já sente o peso do legado da família antes de Curwen ressurgir. Como Curwen ele transforma-se num maníaco sádico, tanto pela sua voz como pelas expressões faciais, tornado-se mais nítidas e mais agressivas.
Um dos melhores filmes de Roger Corman na década de 60, e uma das suas melhores colaborações com Vincent Price.

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terça-feira, 7 de maio de 2013

A Máscara da Morte Vermelha (The Masque of the Red Death) 1964



O principe Prospero regularmente organiza grandes bailes de máscaras no seu castelo, com convidados selecionados que têm permissão para lá ficar e manterem-se a salvo da praga chamada "Morte Vermelha", que está a assombrar o país. Prospero é também um satânico para estas festividades, que têm um grande número de abusos, humilhações e actos sexuais sádicos.
Ocasionalmente viaja para fora do castelo para convidar novas pessoas para a sua sociedade demente. Numa pequena aldeia ele depara-se com Gino, que leva para o castelo, com a sua adorável namorada Francesca e o pai Ludovico para sua própria diversão e tentar colocar Gino e Ludovico um contra o outro numa luta pela sobrevivência. No entanto, a morte rasteja por todo o lado, e os planos de Próspero podem não resultar tão bem como ele planeava...
"The Masque of the Red Death! é baseado em duas histórias de Edgar Allan Poe, a primeira tem o mesmo título do filme, e a segundo chama-se Hop-Frog. É a sétima de oito adaptações de Poe por Roger Corman, e é muitas vezes considerarado um dos melhores filmes do realizador.

Roger Corman rodeou-se de pessoas talentosas para esta produção, incluindo Nicolas Roeg (Don't Look Now, The Witches), que foi contratado como diretor de fotografia. Juntos, criaram um filme bonito e elegante, cheia de cores como uma história aos quadradinhos. Fizeram um excelente trabalho na criação de um clima festivo dentro do castelo, enquanto mostram o medo e a escuridão fora dele. A história com cores desempenha um papel muito importante, tanto no humor como também na própria história. 
A premissa é muito bem definina para arrancar um bom desempenho para Vincent Price, como o príncipe Prospero. Prospero é um homem rico e poderoso, arrogante, sem respeito pela vida de ninguém. É tão sinistro neste papel que até parece que se está a divertir.
The Masque of the Red Death exibe todo o talento que Roger Corman realmente tinha. Muito foi feito com um orçamento pequeno, e foi uma co-produção entre os Estados Unidos e a Grâ-Bertanha.


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