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domingo, 25 de janeiro de 2026

Born to Kill (Born to Kill) 1947

 


Helen (Clair Trevor) acaba de se divorciar  em Reno, e regressa à pensão onde está hospedada para acertar contas. A dona da pensão conversa animadamente com uma das inquilinas, Laury, que lhe fala do seu novo namorado. O segundo, já agora...Nessa noite, Helen vai a um casino onde um dos apostadores lhe chama a atenção. Ela não sabe que ele é Sam Wilde (Lawrence Tierney), o outro namorado de Laury, que num ataque de ciúmes a assassina e ao outro homem, e é Helen quem encontra os corpos. No entanto, ela não chama a polícia...

Muito antes de "Reservoir Dogs" (1992) ou interpretar o pai de Elaine em "Seinfeld", Lawrence Tiernay era um dos mais duros do cinema noir, e nunca foi tão duro ou cruel como neste "Born to Kill". A sua interpretação no papel principal de "Dillinger" (1945) tornaram-no na primeira escolha para papéis que precisavam de uma brutalidade implacável. Com uma voz rouca e traços marcantes, era uma boa escolha para o lado mais sombrio do Noir, e poucos conseguem ser tão sombrios como este "Born to Kill". 

O filme é baseado em "Deadlier than the Male" o primeiro livro de James Edward Gunn, escrito no âmbito de uma aula de literatura, e aproveitaria o seu sucesso para seguir uma carreira como argumentista, em obras como "The Young Philadelphians" (1959). A realização é de Robert Wise.

Legendas em inglês.


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sábado, 12 de setembro de 2020

Céu Vermelho (Blood on the Moon) 1948

Jim Garry, um cavaleiro solitário, encontra casualmente John Lufton e os seus homens. Lufton teme-o, acreditando que ele é um dos pistoleiros que está a ser recrutado por Tate Riling, um desalmado especulador que cobiça o gado de Lufton. Na realidade Garry e Riling são velhos conhecidos, e agora este pretende contratar pessoas que o ajudem nos seus projetos desonestos.
Depois de alguns grandes trabalhos no campo da montagem, que incluíam "Citizen Kane" e "The Magnificent Ambersons", ambos de Orson Welles, Robert Wise chegou à cadeira de realizador, pela mão do produtor Val Lewton, depois de ter sido chefe dos estúdios de terror da RKO. Estreou-se com "The Curse of the cat People" e "The Body Snatcher", mas depressa mudou para o filme do mundo do crime, em obras como "Game of Death" e "Criminal Court", mas foi com "Born to Kill" que realmente se destacou, um noir maravilhosamente duro e brutal. De seguida ele fez "Blood on the Moon", um título que pode sugerir um regresso ao território da ficção científica, mas que na realidade não tem nada a ver. É um híbrido entre o noir e o western, com os seus tons noir bastante vívidos, e uma personagem central moralmente ambígua, interpretada por um sempre excelente Robert Mitchum.
Wise aproveita ao máximo os espaços fechados e as sombras para criar uma atmosfera sombria, e também beneficia do excelente elenco, que além de Mitchum contava com Barbara Bel Geddes, Robert Preston e Walter Brennan. Um western a descobrir.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Famintas de Amor (Until They Sail) 1957

A vida de quatro irmãs da Nova Zelândia durante a Segunda Guerra Mundial, e a forma como a vida delas é afectada pela chegada dos militares norte-americanos. Paul Newman interpreta um militar cínico que se apaixona por uma das irmãs, uma viúva, interpretada por Jean Simmons, com Joan Fontaine a interpretar a irmã mais velha, e Piper Laurie a interpretar a irmã promiscua, cujas aventuras sexuais a levam à tragédia. A irmã mais jovem é interpretada por Susan Dee, na sua estreia cinematográfica. 
Paul Newman tinha chegado a Hollywood com um contrato com a Warner Brothers, que rapidamente transformou no seu primeiro filme, um épico bíblico chamado "The Silver Chalice" (1954). Emprestado à MGM, Newman rapidamente compensou esse desastre com interpretações bastante aclamadas como o boxeaur Rocky Graziano de "Somebody Up There Likes Me" (1956), e o veterano de guerra de "The Rack" (1956).  O seu próximo filme era este Until They Sail (1957), que voltava a reunir Newman com o realizador de "Somebody Up There Likes Me", e que era Robert Wise. Apesar de Newman gostar de trabalhar com Wise, não estava particularmente contente com este filme, por o considerar um "filme de mulheres", e o seu papel ser periférico. 
Newman estava cada vez mais insatisfeito com os termos de contrato da Warner, que ganhava 1000 dólares por semana, enquanto o estúdio ganhava 75 mil de cada vez que o emprestava. Também não estava satisfeito com a ausência da nomeação ao Óscar para "Somebody Up There Likes Me". 
Alguns temas controversos foram abordados no filme, como a promiscuidade, ter filhos fora do casamento, mas são tratados de um forma surpreendentemente directa e sofisticada para uma audiência dos anos cinquenta. E são tratados da forma mais simpática e humana possível, não havendo indícios de sensacionalismo espalhafatoso nem da repressividade que os filmes dessa época costumavam ter ao lidar com o assunto. 

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sábado, 8 de agosto de 2015

A Ameaça de Andrómeda (The Andromeda Strain) 1971

Um satélite artificial cai no Novo México carregando um microorganismo que começa a contaminar a população e mata todos na cidade próxima à queda, excepto um bébé e um velho. Uma equipa de cientistas tenta conter a epidemia e encontrar a cura, numa corrida contra o tempo.
Um livro de Michael Crichton do mesmo nome, de 1969, serviu de base para este filme, saltando para a produção pouco depois do livro ter sido lançado. Com uma grande quantidade de dinheiro desviada para o design dos cenários e para os gráficos computorizados, "The Andromeda Strain" era uma aposta arriscada para os produtores, principalmente porque não havia grandes estrelas no elenco. Desta forma, faz lembrar um pouco "2001: A Space Odyssey", de Stanley Kubrick, embora o âmbito do filme não seja sobre a beleza do espaço para além da nossa atmosfera, mas é mais sobre como a letalidade do espaço pode intervir na nossa vida. Parte thriller, parte disaster movie, e realizado por Robert Wise (de "The Sound of Music" ou "Star Trek"), o filme tocava em muitos medos do tempo em que foi feito, como a detonação nuclear, guerra química, paranóia, e experiências científicas que correm mal. Estes receios ainda hoje não desapareceram, o que torna a história interessante para os espectadores de hoje, desde que possamos ignorar os aspectos negativos da tecnologia usada.
É interessante ver um filme com uma ameaça extraterrestre que não se assemelha a qualquer coisa que vimos até aqui, porque a maioria dos filmes tem algo com uma aparência humanoide,  ou mesmo reptiliana. Na verdade, até é uma representação muito mais plausível de uma ameaça alienígena do que a representada por muitos outros filmes de ficção científica. É também interessante para descrever o quanto frágil a vida na terra é quando uma simples forma de vida microscópica pode rapidamente se regenerar e se espalhar.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Marcado Pelo Ódio (Somebody Up There Likes Me) 1956


Rocky Graziano (Paul Newman) está a tentar evoluir no mundo do crime quando é finalmente apanhado e preso. Na cadeia, ele é indisciplinado e está sempre a envolver-se em sarilhos. Quando sai passados vários anos decide começar uma nova vida. Rocky descobre que consegue ganhar algum dinheiro a lutar boxe e é rapidamente aclamado como um novo talento do pugilismo.
Esta é a verdadeira história de Rocky Graziano, e segue-o desde a altura em que ele cometia crimes, passando uma temporada temporada na cadeia e no exército, até se tornar campeão do mundo de pesos-médios. Ao contrário do que indica o título do filme, ninguém lá em cima estava a olhar pelo filme. A produção acidentada começou com a morte do primeiro protagonista do filme: James Dean. A história do pugilista Rocky Graziano era da preferência de Dean, que queria muito interpretar o pugilista, e iria voltar a juntá-lo ao seu co-protagonista de "Rebel Without a Cause", Sal Mineo, e colocá-lo ao lado da sua namorada de fora do grande ecrã, Pier Angeli. O novo protagonista era Paul Newman, já com a idade de 31 anos era considerado demasiado velho, e canastrão, para o papel do pugilista. A estreia de Newman em "The Silver Chalice" tinha sido um fracasso, mas este filme iria colocá-lo no mapa.
Newman mergulhou profundamente no papel, e retirou uma interpretação de alto calibre, muito diferente que o público se habituou nos seus filmes mais famosos. O filme foi rodado nas ruas de Nova Iorque, num belíssimo preto e branco, com uma fotografia que acabaria por ganhar um Óscar.
Com dois filmes sobre o mundo do boxe tão importantes, a saírem no mesmo ano, começava-se a adivinhar um grande futuro para os filmes sobre este desporto, que continua a ser o desperto mais bem retratado no cinema. Para além de todos estes pormenores, também era o filme que lançava actores como Steve McQueen, Robert Loggia, ou Robert Duvall, em papéis muito secundários. A realização estava a cargo de Robert Wise, um realizador já com um percurso de respeito em Hollywood, que tinha feito, por exemplo, a montagem de "Citizen Kane". Este filme ganhou 2 Óscares.

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quarta-feira, 19 de junho de 2013

A Casa Maldita (The Haunting) 1963


O romance de 1959, de Shirley Jackson, "The Haunting of Hill House", destaca-se a dois níveis. Como um romance de terror sobre uma casa que "nasceu com a maldade." E como um romance psicológico sobre uma mulher emocionalmente carente que é suscetível a sugestões do sobrenatural, real ou imaginário. O livro tinha duas interpretações plausíveis dos eventos. Ou Hill House era assombrada, ou  Eleanor era psicocinética, e, inconscientemente, causava as assombrações invisíveis. Curto e literário, o romance dá um prazer enorme de ler, tanto pela sua prosa como pela sua história. 
A partir deste material original, Robert Wise dirigiu o filme da casa assombrada por excelência, uma obra-prima do horror, tão sublime que remakes apenas se arriscaram a uma comparação pobre. "The Haunting" de Wise, é fiel ao romance original, com pequenas variações no nome das personagens, ênfase e na exposição. 
O argumento eficiente de Nelson Gidding abre com a narração da história de Hill House, de acidentes fatais, suicídio, loucura e homicídio, pelo Dr. Markway. Isto imediatamente introduz o espectador a Hill House, uma personagem pelo seu próprio direito. Dr. Markway (Richard Johnson) é um antropólogo que procura uma prova do sobrenatural, e a desagradável história de Hill House e a sua reputação convenceram-no de que alí seria um bom sitio para procurar. Para obter assistência, ele convida os outras pessoas com experiência no paranormal, ou talentos para se juntarem a ele na Hill House.
Nell (Julie Harris) é escolhida porque, durante a infância pedras choveram na sua casa durante três dias. O Dr. Markway espera que a sua presença atraia fenómenos paranormais genuínos, embora ele deixa em aberto a possibilidade de Nell ser psicocinética. Os outros convidados são Theo (Claire Bloom), uma artista com dons ESP, e Luke (Russ Tamblyn), o herdeiro playboy de Hill House. 
As assombrações da Hill House rapidamente enfocam em Nell, uma mulher tímida e amargurada que sacrificou 11 anos da vida pela mãe, doente e ingrata. Apesar de ingénua e inexperiente, Nell parece mais velha do que os anos que tem. .Nell anda há muito tempo confortada com a crença de que "algum dia, alguma coisa lhe vai acontecer." Quando, pouco depois da mãe morrer, o Dr. Markway a convida para ir a Hill House, ela acha que o seu momento finalmente chegou. 
Há um velho ditado que diz que as coisas mais assustadoras são as sugeridas, e deixadas invisíveis, porque nenhum escritor ou cineasta pode ultrapassar a imaginação do público. Isto muitas vezes é falso, no entanto, é bem verdade, que "The Haunting", é um modelo de terror sem sangue. Nenhum fantasma ou sangue é visível. Tudo é sugerido pela luz, pela sombra, pelo som, criando uma atmosfera misteriosa que desgasta os nervos dos personagens e agrava as suas tensões interpessoais. A fotografia a preto e branco de David Boulton impregna luzes e sombras com a ameaça do sobrenatural, mas "The Haunting" é especialmente notável pelos efeitos sonoros. Os piores terrores de Hill House são ouvidos, mas nunca vistos.

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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O Túmulo Vazio (The Body Snatcher) 1945


"The Body Snatcher" continuava a vaga de filmes de terror inteligentes do produtor Val Lewton para a RKO, uma série de filmes de série B com alguns sustos e emoções fortes, mas que sempre superavam o seu objectivo modesto. Os filmes de Lewton eram extraordinários, não apenas por causa atmosfera lúgubre como pelo aclamado uso inventivo de sombras para sugerir o horror em vez de mostrar-lo diretamente. Para Lewton, estas produções de terror de baixo orçamento tornaram-se numa maneira de explorar a atracção sexual e estranheza (Cat People), questões de classe (The Leopard Man) e a psicologia da infância (The Curse of the Cat People). The Body Snatcher é, superficialmente, um conto de um silêncio assustador de assassinos em série que incorpora tanto de uma história da vida real do início do século XVIII, dos assassinos Burke e Hare, como de uma curta história de Robert Lewis Stevenson baseada nesses eventos. Burke e Hare eram uma dupla de assassinos que mataram 18 pessoas e depois venderam os cadáveres das suas vítimas para o Medical Edinburgh College, onde os médicos essencialmente eliminavam as provas através da dissecação. O filme capta os temas subjacentes deste incidente macabro, investigando as questões da moralidade levantadas pela história: os compromissos envolvidos na investigação científica, o valor comparativo de vidas humanas e a ética da profissão médica em geral.
Dr. MacFarlane (Henry Daniell) é um pesquisador respeitado, o chefe de uma escola para médicos em formação e um especialista em anatomia. No entanto, a sua prática está contaminada pela associação com o sinistro John Gray (Boris Karloff), um homem monstruoso que cava sepulturas e fornece o hospital, mais propriamente o médico, com um suprimento constante de cadáveres para dissecção e estudo. O médico vê Gray como uma terrível necessidade, uma maneira de contornar as leis que ele acredita que restringem a pesquisa científica e limitam o progresso da medicina. Se Gray poder fornecer a escola com mais cadáveres, segundo MacFarlane, poderá treinar melhores médicos que podem, mais tarde, salvar mais vidas. No entanto, as justificações à parte, Gray também parece ter uma enorma influência sobre o médico, pois eles aparentemente já se conhecem desde hà muitos anos e estavam de alguma forma envolvidos juntos nos crimes de Burke e Hare. MacFarlane arrasta o seu jovem assistente Fettes (Russell Wade) para a história, para este receber os cadáveres de Gray, assinando e pensando que eles eram obtidos através de meios legais. 
Lewton, em conjunto com o realizador Robert Wise, criam uma atmosfera tipicamente obscura e sombria. As ruas de Edimburgo, parece constituir-se principalmente de becos escuros através dos quais os personagens sinistros como Gray, podem circular, com a sombra estendia por todas as paredes. O design do som é igualmente impressionante. Uma pedinte que parece estar constantemente em volta da acção, preenche a noite com canções melancólicas. O constante trote do cavalo de Gray, com os cascos ecoando no vazio da noite, enquanto puxam a carruagem, sinalizando a chegada da desagradável carga, durante a noite.
 O desempenho de Karloff como Gray é poderoso e surpreendentemente complexo. Karloff tem uma presença intimidante, especialmente quando revela a sua técnica com uma só mão para sufocar as vítimas. Este personagem sinistro torna-se claro que é mais complexo do que um simples vilão de filme de terror, porque na realidade ele é um homem solitário e pobre, com muito pouco para viver para além da sensação de poder que recebe de associar-se com um médico famoso como MacFarlane. Há uma nota de tristeza na interpretação de Karloff, um leve núcleo emocional sob a superfície do mal. Esta complexidade marca Karloff como um dos grandes nomes do cinema de terror. Este filme foi a sua última colaboração com o seu companheiro, e também ícone dos anos 30 e 40, Bela Lugosi, que tem aqui um papel menor, como o servo de Karloff, Joseph. O confronto entre estas duas lendas da tela é terrivelmente desequilibrado. Aqui, Karloff domina claramente Lugosi, mas é muito divertido ouvir o actor húngaro dizer, através de seu sotaque característico, "I'm from Liverpool".

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A Maldição da Pantera (The Curse of the Cat People) 1944

Poucos títulos de filmes poderiam ser tão enganadores como "The Curse of the Cat People", um filme suave, meditativo sobre uma jovem menina e o seu amigo imaginário. Concebido apenas como outro filme de terror de baixo orçamento do produtor Val Lewton, uma sequela ao primeiro grande sucesso, Cat People, mas em vez disso, Lewton criou uma ode profundamente pessoal para a inocência da infância, da confusão e da solidão das crianças num mundo adulto que não compreendem. A jovem Amy (Ann Carter) é a filha dos heróis de Cat People, Oliver e Alice (Kent Smith e Jane Randolph, ambos repetindo os papéis do primeiro filme), agora casados depois dos trágicos acontecimentos do filme anterior. Apesar desta conexão tangível com o passado, o tom desta sequela está muito longe do melancólico e sombrio terror sobrenatural de Cat People.
Em vez disso, o filme é sobre o mundo de fantasia interior de uma criança solitária. Amy é uma menina isolada e distante, facilmente distraída das brincadeiras com as outras crianças, muitas vezes preferindo correr sozinha para fazer amizade com uma borboleta, por exemplo. Ela tem uma imaginação activa e um espírito livre, mas o seu encapsulamento vai aumentando no seu mundo próprio, o que preocupa o pai Oliver, que já viu o estrago que as fantasias vivas podem fazer. De facto, os problemas de Amy só são agravados por Oliver, que, ferido pelo seu passado, simplesmente repreendende-a e punindo-a quando julga que as suas fantasias foram longe demais. Praticamente corta as linhas de comunicação entre eles, explicitamente dizendo-lhe que ele não quer ouvir nada sobre as suas fantasias ou sobre o seu isolamento das outras crianças na escola.
Depressa ela descobre que a sua amiga imaginária, na forma de Irena (Simone Simon), a mulher gato mortal do primeiro filme, é a falecida esposa de Oliver. Mas, apesar de Simon volta a interpretar o papel de Irena - possivelmente um fantasma ou simplesmente uma invenção da imaginação da jovem - ela não é de todo a criatura intimadora que espreitava em Cat People. Vestida de belas e glamorosas ropuas, brilhando sob a luz do inverno gelado do quintal da família, Irena parece uma princesa de um musical da Disney. Com a sua voz melodiosa e ligeiramente estrangeira, Simon prova ser tão potente neste filme como era com o seu papel mais sinistro do seu antecessor. Ela é amiga de Amy, uma fonte de conforto quando a jovem tem de lidar com a maldade e a inconstância das crianças da escola ou as mensagens inconsistentes da paternidade que enfrenta em casa.
Na verdade, Amy encontra conforto e apoio em todos os lugares, menos na sua própria casa, onde os seus bem-intencionados pais não conseguem descobrir se há algo de errado com a jovem ou se ela é apenas uma criança comum. Amy é amiga da velha senhora Farren (Julia Dean), que vive numa mansão, assustadora e decrépita ao virar da esquina. Esta velha senhora dá à menina um "anel de desejos" (o anel do primeiro filme) e conta-lhe histórias de fantasmas como a lenda do cavaleiro sem cabeça. O próprio Lewton cresceu não muito longe de Sleepy Hollow, e do misto de fascínio e terror que Amy sente ao ouvir esta história, cuja idéia deve ter sido tirada da própria infância de Lewton. A Sra. Farren é interessante para Amy, mas a jovem não entende o que está acontecer nesta casa.
Apesar de "The Curse of the Cat People" dificilmente ser uma história de terror, a atmosfera sombria e beleza visual que as produções de Lewton nos habituaram, é muito possivelmente o seu pico de forma. O filme teve dois realizadores, ambos estreantes: Gunther von Fritsch, que foi demitido por causa da lenta pogressão do filme, e Robert Wise, que tinha feito a montagem de obras como Citizen Kane, e que só entrou neste filme para o completar. Há uma aura levemente estranha no filme, uma sugestão de algo assustador sob a sua superfície ensolarada suburbana, mas a única dica do filme ser sobrenatural está no caminho de Irena. Logo fica evidente que o verdadeiro perigo reside não com uma presença fantasmagórica a voltar para assombrar os vivos, mas com os problemas incompreensíveis e as emoções do mundo adulto.

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O Dia em Que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still) 1951


Num dia replecto de eventos, uma nave alienígena aterra em Washington, e dela surge um emissário do outro mundo (Rennie), que assume a forma humana. Ele tem uma mensagem para todos os habitantes da Terra, mas não irá revelá-la, a menos que todas as nações do mundo estejam presentes para ouvi-la. O ser escolhe uma mãe e um filho (Patricia Neal e Billy Gray) para transmitir esta directiva, mas, infelizmente, este é um mundo dividido e não pode aceitar a mensagem prontamente. Será que a incapacidade da humanidade em se unir irá levar à sua destruição?
O Dia em que a Terra Parou condensa Cristo, Lincoln e os ideais das Nações Unidas em Klaatu (Michael Rennie), um porta-voz interestelar para a "proteção mútua de todos os planetas e eliminação completa da agressão" e, ao fazê-lo, torna a força alienígena numa missão de paz, dissociando-os de qualquer discurso da supremacia americana, militar, política e moral, ou, pelo menos, esclarecendo que só existem na medida em que estão preparados para acabar com todo o tipo de guerra em nome da cooperação global e conciliação.
É certo que é parco em acção e efeitos especiais, e este clássico de Robert Wise de ficção científica inovadora pode parecer estranho superficialmente, mas este conto subtilmente paranóico de um mundo em crise ainda é enervante nos dias de hoje, como era nos anos 50. "The Day the Earth Stood Still" de facto transcende o seu género, tendo como objectivo a desconfiança generalizada e a intolerância da época, caracterizada pelo macarthismo e a Guerra Fria. O realizador, que fez a montagem de "Citizen Kane" e que viria, mais tarde, a realizar "The Haunting" e "The Sound of Music", consegue retirar performances bastante sólidas do seu elenco, com um Rennie contido e uma Patricia Neal a carregarem o filme.  
Indispensável para os fãs do cinema dos anos 50, e todos os devotos de sci-fi.

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