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sexta-feira, 19 de março de 2021

Beware, My Lovely (Beware, My Lovely) 1952

Helen Gordon (Ida Lupino) é uma extravagante viúva que contrata Howard Wilton (Robert Ryan) para empregado, mas acaba por se arrepender, pois Ryan é um psicopata que, apesar de parecer uma pessoa normal, tem ataques de loucura seguido de amnésia.
Um thriller obscuro em que Ida Lupino volta a encontrar Robert Ryan, um ano depois de "On Dangerous Ground", desta vez pelas mãos de Harry Horner, um jovem realizador que não fez mais de 7 longas metragens. 
Lupino está particularmente bem neste filme, levando a sua personagem de simpática e compreensiva a medrosa, desesperada e resignada, com uma interpretação de bravura. Mas quem rouba o espetáculo é Robert Ryan. Neste filme ele é o vilão perfeito, um papel que dominou ao longo da sua carreira. Mesmo quando interpretava um dos heróis, era sempre o tipo errado de herói. No final dos anos sessenta ele fez duas personagens marcantes em "The Dirty Dozen" e "Wild Bunch". Como não fazia parte dos 12 nem da quadrilha ele simbolizava a figura da autoridade. Mas como se vivia o tempo dos anti-heróis, ele acabava por se tornar o vilão por padrão. 
Segundo consta Lupino dirigiu algumas cenas deste filme, quando a esposa de Horner estava hospitalizada.

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quarta-feira, 17 de março de 2021

Cega Paixão (On Dangerous Ground) 1951

Amargurado pelos anos de contacto direto com a escória da sociedade, um duro detetive de polícia (Robert Ryan) é designado para investigar a morte de uma jovem fora da cidade. Logo conhece o pai da vítima, e fica com o desejo de vingança. Acaba por se envolver com uma jovem cega (Ida Lupino), que pode ser a irmã do assassino. 
Nicholas Ray nunca foi o tipo de realizador que facilitasse, nem que isso o ajudasse no box-office, por isso a imagem do polícia intransigente em "On Dangerous Ground" acaba por não ser uma surpresa. Contudo, as audiências no início dos anos cinquenta não estavam preparadas para esta história, que incluía um detective sádico a tentar apanhar um assassino que podia ser um doente mental. Mesmo um final quase milagroso não salvou o filme do desastre bilheteiras, levando a RKO a perder 450 mil dólares na altura da estreia, que para aqueles tempos era uma soma bem considerável. 
A história de um polícia que procura um assassino deficiente mental e se apaixona pela sua irmã, foi submetida à RKO como um possível futuro projecto de Ray, contudo os leitores do estúdio consideraram que este projecto seria inadequado para ser filmado. É aqui que entra o produtor John Houseman, que queria terminar o contrato com a RKO e afastar-se do seu errático dono, Howard Hughes. Houseman conseguiu garantir os direitos do livro quando Ryan mostrou interesse no papel de protagonista, e, já com três talentos associados ao projecto, a RKO decidiu dar luz verde para se iniciarem as filmagens. Houseman descreveu o tempo que esteve a trabalhar para a RKO como o pior e mais negro momento da sua carreira, trabalhando numa atmosfera desagradável e improdutiva, que não podia ter sido mais distante dos dias que trabalhou com Orson Welles e o The Mercury Theater. Felizmente Houseman e Nicholas Ray deram-se bem nos vários filmes em que trabalharam juntos. O valioso membro anónimo em "On Dangerous Ground" era o argumentista A.I. Bezzerides, que adaptou o livro de Gerard Butler em colaboração com Ray.

terça-feira, 19 de março de 2019

A Quadrilha (The Outfit) 1973

Earl Macklin está sedento de vingança. Ele quer vingar a morte de seu irmão e não vai hesitar um só instante em seu objetivo até acertar as contas com os responsáveis, nem que tenha que mandar para o inferno todos aqueles que tentarem impedi-lo.
Em linhas gerais o que temos aqui é um filme na linha da vingança cega e obstinada, marca registada de Richard Stark, também autor de "à queima roupa" (point blank), de John Boorman, e que trazia Lee Marvin em seu melhor papel. Se Boorman se aproveita da história para criar um filme policial ultramegaestilizado que, em alguns momentos, se torna uma bela investigação sobre a memória, John Flynn, ao contrário, entrega um filme de ação genuíno, perfeito, objetivo. Era essa a sua característica: a objetividade. Talvez ele a tenha herdado de Robert Wise, com quem trabalhou em "homens em fúria" (odds against tomorrow). Ele vai direto ao assunto, sem firulas narrativas, dando a "a quadrilha", com o auxilio luxuoso de uma câmera nervosa, o tom de urgência que a história pede. 
O elenco também ajuda - e muito! O papel de Earl Macklin caiu direitinho para Robert Duvall. Quem também está nele é Joe Don Baker (que puta ator!), Karen Black, Tim Carey e Robert Ryan. Com todos esses elementos, por que "a quadrilha" não é considerado um clássico do cinema ao nível de um "gun crazy", por exemplo? Vai saber... E ser subestimado era algo do qual John Flynn sabia. Mesmo tendo feito filmes muito bons como "na solidão do desejo" (the sargeant), "a outra face da violência" (rolling thunder); "a marca da corrupção" (best seller); e "fúria mortal" (out for justice), seu nome é, no mais das vezes, associado pela critica àquela pecha de filmes descartáveis, sem muito conteúdo, sem que neles fossem observadas as sutilezas em sua objetividade realista. 
Depois desse filme há que ser pensado: a obra de John Flynn não seria merecedora de uma revisão? 
* Texto do Alexandre Mourão.

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domingo, 23 de outubro de 2016

O Rei dos Reis (King of Kings) 1961

A história da vida de Jesus Cristo desde o nascimento em Belém até à sua crucificação e subsequente ressurreição. Filmado em relativamente grande escala, inclui todos os grandes eventos referidos no Novo Testamento, o seu baptismo por João, os milagres (aleijados a andar, cegos a ver), e por aí adiante. O filme começa com a invasão romana a Pompeia em 65 B.C., a nomeação do Rei Herodes pelos romanos e finalmente a coroação de Herodes Antipas depois de matar o seu pai. A revolta liderada por Barrabás também faz parte do filme.
Durante um breve período de tempo, entre meados dos anos cinquenta, e meados dos anos sessenta, o sub-género Épico bíblico teve um grande boom no cinema de Hollywood, ao contrário de qualquer outro período de tempo. Principalmente por causa do desejo da indústria em travar uma batalha contra a televisão, e trazer mais pessoas para os cinemas, os produtores tentaram pegar nas histórias fundamentalmente mais conhecidas, e contá-las a uma escala mais grandiosa possível. 
Samuel Bronstone era romeno, tentou primeiro uma carreira na indústria cinematográfica nos anos 40, quando foi trabalhar para uma unidade francesa da MGM. Tendo conseguido trabalho como produtor independente, a sua produção foi relativamente medíocre até ao final dos anos 50. Nessa altura tornou-se pioneiro nas filmagens em exteriores em grande escala, produzidas em Espanha, reduzindo bastante os custos. Foi aqui que a MGM o convidou para a refilmagem de um classico de Cecil B. DeMille, de 1927, sobre a vida de Cristo. Seguir-se iam uma série de filmes de grande espectáculo, também produzidos por si: "El Cid" (1961), "55 Days at Peking" (1963) e "Circus World" (1964).
O argumentista escolhido era um nome familiar, Philip Yordan, conhecido pelo argumento de obras como "Broken Lance" (1954), "Johnny Guitar" (1954) e "The Harder They Fall" (1956). Já a escolha para realizador foi algo surpreendente: Nicholas Ray, com quem trabalhou também em "55 Days at Peking". Ray estava mais associado a filmes sobre contos íntimos de homens isolados, mas tinha uma enorme facilidade em trabalhar com Widescreen, e a sua compreensão da narrativa também ajudou a o escolher para trás das câmaras. 
O último grande obstáculo foi a escolha do protagonista, e Bronstone virou-se para Jeffrey Hunter, o ex-líder juvenil cuja boa aparência tinha sido utilizada em filmes como "The Searchers" (1956) e "The Last Hurrah" (1958). O restante elenco incluía uma série de actores conhecidos em Hollywood, como Robert Ryan, Rip Torn, Harry Guardino, Hurd Hatfield, Viveca Lindfords, entre outros. 
Misturando sentimentos entre o público e os críticos, o filme superou os $6,5 milhões nas bilheteiras, um número respeitável mas aquém do esperado. Visto como um todo, é um dos melhores filmes de entretimento saídos de Hollywood neste período de tempo, visualmente atraente e impressionante, beneficiando também da experiência da sua vasta equipa técnica, que incluía nomes como Miklos Rozsa na banda sonora e Franz Planer na fotografia. E não esquecer a narração, que não foi creditada, mas é da autoria de Orson Welles e escrita por Ray Bradbury. 

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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Cega Paixão (On Dangerous Ground) 1951

Amargurado pelos anos de contacto direto com a escória da sociedade, um duro detetive de polícia (Robert Ryan) é designado para investigar a morte de uma jovem fora da cidade. Logo conhece o pai da vítima, e fica com o desejo de vingança. Acaba por se envolver com uma jovem cega (Ida Lupino), que pode ser a irmã do assassino.
Nicholas Ray nunca foi o tipo de realizador que facilitasse, nem que isso o ajudasse no box-office, por isso a imagem do polícia intransigente em "On Dangerous Ground" acaba por não ser uma surpresa. Contudo, as audiências no início dos anos cinquenta não estavam preparadas para esta história, que incluía um detective sádico a tentar apanhar um assassino que podia ser um doente mental. Mesmo um final quase milagroso não salvou o filme do desastre bilheteiras, levando a RKO a perder 450 mil dólares na altura da estreia, que para aqueles tempos era uma soma bem considerável.
A história de um polícia que procura um assassino deficiente mental e se apaixona pela sua irmã, foi submetida à RKO como um possível futuro projecto de Ray, contudo os leitores do estúdio consideraram que este projecto seria inadequado para ser filmado. É aqui que entra o produtor John Houseman, que queria terminar o contrato com a RKO e afastar-se do seu errático dono, Howard Hughes. Houseman conseguiu garantir os direitos do livro quando Ryan mostrou interesse no papel de protagonista, e, já com três talentos associados ao projecto, a RKO decidiu dar luz verde para se iniciarem as filmagens. Houseman descreveu o tempo que esteve a trabalhar para a RKO como o pior e mais negro momento da sua carreira, trabalhando numa atmosfera desagradável e improdutiva, que não podia ter sido mais distante dos dias que trabalhou com Orson Welles e o The Mercury Theater. Felizmente Houseman e Nicholas Ray deram-se bem nos vários filmes em que trabalharam juntos. O valioso membro anónimo em "On Dangerous Ground" era o argumentista A.I. Bezzerides, que adaptou o livro de Gerard Butler em colaboração com Ray. 

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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Suborno (The Racket) 1951

Robert Mitchum, em mudança de ritmo, interpreta um polícia honesto cujo criminoso rival (Robert Ryan) está a tentar tomar o controle da cidade. Um advogado (Ray Collins), e um inspector de polícia (William Conrad), já foram corrompidos por Ryan, e não olham a meios para contrariar o sentido de justiça de Mitchum.
Robert Mitchum foi uma das poucas estrelas de Hollywood que conseguiu atingir a fama sem se importar minimamente com as regras do "show bussiness". Quando trabalhou para Howard Hughes na RKO este soube gerir-lhe da melhor forma a intensidade da sua inexpressividade. Em "The Racket" (1951), um policial em que Mitchum e Ryan são rivais, Mitchum interpreta uma personagem cujo olhar a parecer que precisa de um café, que repetiria muitas vezes na sua vida. O personagem de Robert Ryan acaba por ser mais perfeito, e há quem diga mesmo que é ele quem rouba o filme, completamente.
Dirigido, em grande parte, por John Cromwell, "The Racket" era um remake de um filme que Hughes tinha produzido em 1929. Este filme, por sua vez, era uma adaptação de um peça de teatro interpretada por Edward G. Robinson e...o próprio Cromwell. Cromwell estava assim familiarizado com o material, mas Hughes não estava satisfeito com o seu trabalho. Depois de Cromwell abandonar o projecto, desapontado, Hughes chamou Nicholas Ray para filmar algumas cenas. Para além de Ray, várias outras pessoas rodaram algumas cenas antes da montagem final, Mel Ferrer, Tay Garnett, e Sherman Todd, mas Cromwell acabaria por ser creditado como realizador.

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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Inferno nas Alturas (Flying Leathernecks) 1951

John Wayne interpeta neste filme de guerra o Major Dan Kirty, comandante de um esquadrão de pilotos de caças no palco da guerra do Pacífico Sul, durante a Segunda Grande Guerra. Depois de ver os seus comandados serem massacrados na Batalha de Midway, Kirby passa a usar métodos de combate não recomendados pelos seus superiores, principalmente pelo seu superior, o capitão Carl Griffin (Robert Ryan), que os considera suicidas. 
O multi-milionário playboy e excêntrico impulsivo Howard Hughes era o produtor por detrás deste filme de Nicholas Ray, de 1951, "Flying Leathernecks". A decisão de Hughes de produzir o filme fazia sentido dado o seu interesse pessoal no mundo da aviação, e o seu primeiro filme ter sido um drama passado nas alturas, " Hell's Angels" (1930).
Durante a produção deste filme Hughes tornou-se um amigo próximo do protagonista, John Wayne, unidos pelas suas filosofias anti-comunistas, e pelo gosto em passar férias mexicanas. Por esta altura Wayne e Hughes eram duas das maiores estrelas de Hollywood, e Wayne estava relutante em participar em algo que pudesse prejudicar o seu caminho para o estrelato. Enquanto outras estrelas como Clark Gable, Robert Taylor, Robert Montgomery, e James Stewart se juntaram ás forças do seu país na Segunda Guerra Mundial, Wayne ficou de fora. Por ter ficado de fora, recebeu várias criticas dos seus amigos, principalmente John Ford, que também se alistou no exército. Assim, terminada a guerra, Wayne viu-se obrigado a contribuir para o levantamento do moral do país, em filmes como este " Flying Leathernecks", que fizeram dele uma estrela entre o final da década de 40, e inicio da década de 50.
Nicholas Ray foi escolhido para dirigir o filme, embora tivesse admitido que detestava filmes de guerra. Era conhecido como um libral, assim como também o era o co-protagonista Robert Ryan, havendo alguma especulação sobre os seus pontos de vista políticos, se eles irem colidir com os de Hughes e Wayne. Apesar de terem ideologias opostas, os dois campos trabalharam bem em conjunto, mesmo com a pressão dos números e a mudanças do argumento de última hora. Wayne e Ryan viriam a interpretar juntos outro filme de guerra: "The Longest Day", de 1962.

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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A Deusa do Mal (Born to Be Bad) 1950

Christabel (Joan Fontaine) engana toda a gente graças ao seu doce exterior, incluindo a prima Donna, e o seu noivo Curtis. O único que consegue ver através da sua fachada é Nick (Robert Ryan), um escritor robusto que a ama, mesmo assim. Christabel também gosta de Nick, mas gosta mais do dinheiro de Curtis. Depois de convencer Curtis gosta dele apenas pelo dinheiro, consegue convencê-lo a casar com ela. 
Baseado no livro "All Kneeling" de Anne Parish, como muitos outros filmes feitos na RKO durante o regime caótico de Howard Hughes, "Born to be Bad" tinha uma história longa e complicada, cheia de sexo, intriga e traição, como se gostava naquela altura em Hollywood.
Joan Fontaine tinha comprado os direitos do livro, e vendeu-os para a RKO. O filme tinha sido programado para entrar em produção em 1946, mas tinha sido colocado em espera duas vezes, depois de passar pelas mãos de sete argumentistas diferentes, até começar a produção em 1949. Foi durante este período que Hughes acabou por adquirir a RKO.
"Born to be Bad" era o quarto filme de Nicholas Ray. Nas obras anteriores ele já tinha demonstrado um estilo visual impressionantemente original, e uma capacidade para transmitir uma intensidade emocional, mesmo quando se trabalha com o material mais banal. Uma sequência no inicio é um exercício em bravura e estilo, introduz-nos aos principais personagens e prepara-nos para uma festa em casa da personagem de Joan Leslie. O movimento brilhantemente coreografado e iluminado pelo corredor do apartamento, com muitas portas a conduzirem-nos para fora dele, fornece-nos uma metáfora visual para o relacionamento das personagens. O trabalho do director de fotografia Nicholas Musuraca, que já vinha a trabalhar em filmes desde a década de 20 e cujo trabalho em "Out of the Past" ajudou a redefinir o film noir, é impressionante nesta sequência.
Como já era típico na obra de Ray, este tentava tornar agonizante cada cena, enquanto o produtor Robert Sparks tentava fazer apenas um melodrama romântico. Depois do filme estar terminado, Howard Hughes, como era habitual, e como dono do estúdio, resolveu meter o dedo. Ordenou que algumas cenas fossem refilmadas com outros realizadores, e mudou o final. Ray pediu o direito à montagem final, mas este foi negado. A desculpa é que o final que Ray pretendia não passava nos censores, e quando o filme foi lançado foi criticado como apenas mais uma "soap opera". Com o passar dos anos, e com o culto de Nicholas Ray a crescer, o filme foi re-avaliado, e hoje é considerado uma obra muito maior.

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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Duelo de Ambições (The Tall Men) 1955

Depois da Guerra Civil Americana, Ben Allison (Clark Gable), juntamente com o seu irmão, seguem para Montana. No caminho, salvam Nella (Jane Russell) de um ataque de índios e ela segue com eles. Os dois irmãos agora disputarão o coração da bela jovem.
Um western resistente, indisciplinado, e bastante agradável, que não desbrava nenhum terreno com o seu argumento pouco original, mas é feito de um modo tão profissional, que a maioria dos espectadores, principalmente os fãs do western, não vão dar importância ao fraco argumento. Este é um dos bons filmes que faz uma virtude da previsibilidade, isto é, quando as coisas não correm exactamente como são esperadas, qualquer pequena surpresa tem um maior impacto.
Mas "The Tall Men" existe mais para passear alguns actores de grande craveira, Clark Gable, Jane Russell, Robert Ryan e Cameron Mitchell, pelas belas paisagens do Oeste americano, pela belíssima fotografia de  Leo Tover, e o seu trabalho em Cinemascope, tudo sobre a batuta do maestro Raoul Walsh. Russell nunca foi uma actriz estupenda, mas tem muitas qualidades que foram aproveitadas neste filme. O filme gira mais em torno da excelente interpretação de Gable, aqui já em final de carreira.
Jean-Luc Godard era grande fã deste filme, e possivelmente aproveitou daqui a idéia de uma longa cena num espaço confinado para traçar o colapso de uma relação no seu belíssimo "O Desprezo" (1963).

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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Esporas de Aço (The Naked Spur) 1953



Um rancheiro (James Stewart) regressa a casa depois da Guerra Civil, para descobrir que a sua noiva vendeu a quinta e fugiu com o dinheiro. Desolado ele tenta ganhar a recompensa para um assassino astuto e manipulador (Robert Ryan), para assim poder recuperar a sua quinta, e vai ver-se no meio de uma trama com um prospector (Millard Mitchell), um ex-soldado (Ralph Meeker), e a namorada confusa do seu alvo (Janet Leigh).
Os westerns de Anthony Mann são duros moralmente e estilisticamente emocionantes, e "The Naked Spur" é um dos seus melhores, menos directo do que o tradicional "bom vs mau" de "Bend of the River" e "The Far Country", e um pouco menos pretensioso do que os seus filmes shakesperianos, como "The Man From Laramie". É um filme todo passado na vida selvagem, longe das cidades, onde os personagens são despidos pelos acontecimentos violentos, para revelarem a sua verdadeira natureza.
Além do argumento perfeito, Mann conta com um sentido visual magistral, elevando a câmera até ás rochas, e mostrando a violência na nossa cara. A câmera em Technicolor de William Mellor absorve o belo, mas perigoso cenário, dando ao filme uma paisagem psicótica. Os protagonistas deste filme de Anthony Mann, mais uma vez deixam que o seu desejo por vingança consuma as suas qualidades inerentes de honra e decência. A jornada torna-se um processo quase religioso de revelação, que finalmente permite a um deles amargamente alcançar o estado de graça.
Conseguiu uma nomeação para o Óscar de Melhor Argumento, para Sam Rolfe, e Harold Jack Bloom.

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sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Dia Mais Longo (The Longest Day) 1962



Junho de 1944. As forças Aliadas, combinando militares dos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e França, preparam uma invasão em massa da França. Os alemães preparam a defesa do ataque, sem saber exactamente de onde ele virá, e a resistência francesa na Normandia, descobre alguns problemas atrás das linhas inimigas.
Com um elenco cheio de estrelas com nomes bastante familiares, quer sejamos fãs do cinema mainstream de Hollywood, ou do cinema trash europeu. Tal como a maioria dos épicos do período, o filme foca-se nos generais e presta pouca atenção aos soldados em campo. Durante a noite de 5 de Junho, a resistência francesa (liderada pela bela Irina Demick e Maurice Poli) faz explodir comboios, e corta as comunicações dos alemães. O elenco varia de veteranos como Henry Fonda, Richard Burton, Rod Steiger, Robert Ryan, e John Wayne, a novatos, como era na altura Sean Connery. Se olharmos atentamente podemos descobrir George Segal a subir um penhasco. Até mesmo a futura estrela de "Family Feud", Richard Dawson tem um pequeno papel.
O filme é um trabalho para a Fox, do produtor tornado independente Darryl F. Zanuck, e é  baseado no livro de Cornelius Ryan, do mesmo nome, e contava a invasão da Normandia em grande detalhe, graças a muitas histórias contadas por homens que estiveram lá. O filme de Zanuck mantém esse espírito, fazendo uma releitura desse dia famoso, não apenas tão detalhadamente para satisfazer qualquer pessoa que queira saber sobre história, mas também criando um grande envolvimento na trama. Ficamos a saber todos os factos e números, nomes e horários, mas também ficamos com uma visão mais pessoal.
Para ajudar a construir este filme episódico, Zanuck contratou três diferentes realizadores. Ken Annakin dirigiu os episódios Britânicos, Andrew Marton cobriu os americanos, enquanto Bernhard Wicki filmou as sequências alemãs, não só dando-lhe uma elevada dose de realismo, (os nazis aqui falam alemão, e não em inglês como em dezenas de outros filmes da Segunda Guerra Mundial), mas também dando uma visão audaciosa dos inimigos, que são vistos como pessoas reais. Este é um rico e detalhado retrato do Dia D, que se recusa a ver apenas um dos lados da história em termos genéricos.
Apesar de um elenco de tantas estrelas, e a colaboração de três realizadores, este é inquestionavelmente um filme de Zanuck. É o tipo de épico que é produzido, e não dirigido. A coordenação deste tipo de produção, rivaliza com a do próprio Dia D, e foi a visão singular de Zanuck que levou o filme a bom porto. O próprio Zanuck orgulha-se em dizer que dirigiu algumas cenas no filme, então quando ele é referido como “Darryl F. Zanuck’s The Longest Day,” não é uma questão de ego, são créditos merecidos pois é o coroamento de uma carreira lendária no cinema.

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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O Mistério da Casa de Bambú (House of Bamboo) 1955



Na Tóquio dos anos 50, um comboio é desviado e uma enorme remessa de armas roubadas, um roubo que deixa um elemento do bando para trás - um ex-soldado americano - ferido pelos seus próprios colegas e deixado para morrer. Ele é questionado pelos militares americanos, mas morre sem revelar nada. Chega Eddie Kenner (Robert Stack), um ex-soldado com antecedentes criminais e uma atitude muito má. Mas Eddie não é bem o que parece, e consegue fazer contato com Sandy Dawson (Robert Ryan), que anda, obviamente, a executar algum tipo de grande operação, e o seu plano é ajudado por Mariko (Shirley Yamaguchi), a esposa japonesa do americano morto. 
O primeiro filme americano a ser filmado inteiramente no Japão, "House of Bamboo", tem, inevitavelmente, um piscar de olhos sobre o turismo em Tóquio, em que a realidade foi adulterada para se conformar com a visão americana da década de 1950, como o Japão devia parecer. Assim, quase todas as mulheres que vemos estão vestidas com um quimono, a montanha Fuji e o Kamakura Daibutsu (Budha gigante) são destacadas, e as paredes e lojas estão repletas de sinais de que, por vezes, não fazem sentido literário, caracteres kanji selecionados pela sua aparência em vez de significado. Mas o filme também capta detalhes que não poderiam simplesmente ter estado presentes numa produção norte-americana, como os penteados ocidentais ostentados por mulheres já desenvolvendo um gosto para todas as coisas americanas, e os sinais do principio da recuperação económica e industrial que deixaram as ruas principais surpreendentemente cheias de luz e trânsito.
Feito apenas dez anos depois do fim da 2 ª Guerra Mundial e apenas três anos depois da ocupação oficial dos EUA ter terminado, o filme também reflete algumas novas atitudes, mas ainda incertas da América para a questão das relações raciais. O envolvimento romântico de Eddie, e (presume-se) sexual com Mariko tinha o equivalente na vida real aos soldados americanos estacionados no Japão, que se envolveram e casaram com raparigas locais, em muitos casos, mas ainda era um território largamente inexplorado nos filmes americanos (ainda faltavam dois anos para o filme de Joshua Logan, Sayonara). O filme também captura a hostilidade local para tais relações, com Mariko posteriormente a ser evitada pelos seus vizinhos, um preconceito que ainda vamos encontrar traços distintos no Japão de hoje.
Mas "House of Bamboo" não vive só do conflito social, mas também da eficácia como um thriller de crime e,  pela curta complexidade do enredo e originalidade (o filme é um remake parcial do filme de William Keighley, de 1948, "The Street with No Name") , vivo, manipulador, da fotografia de Joe MacDonald e pela deliciosa interpretação de Robert Ryan como o frio, mas mortal Sandy Dawson.
Foi maravilhosamente filmado em Cinemascope. 

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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A Batalha de Anzio (Anzio) 1968



Produzido por Dino De Laurentiis e centralizado numa das mais sangrentas batalhas da Segunda Guerra Mundial, Anzio tem Robert Mitchum como Dick Ennis, um correspondente americano da guerra que se vai juntar aos Aliados em Janeiro de 1944, o durante o desembarque no porto da cidade italiana de Anzio. Uma vez que as tropas estão em segurança em terra, Ennis, acompanhado pelo Cabo Rabinoff (Peter Falk) e pelo soldado Movie (Reni Santoni), têm um jeep à sua disposição para encontrar a estrada para Roma, sem a oposição alemã em qualquer lugar à vista. Ele relata as suas descobertas ao General Lesley (Arthur Kennedy), que, temendo uma armadilha, decide não avançar, mas ficar parado em Anzio e fortalecer a ponte. A sua hesitação dará tempo ao inimigo tempo para se reagrupar, levando a um confronto, que acabará por custar aos Aliados milhares de homens.
Anzio tem as suas fraquezas, uma das quais logo nos momentos iniciais do filme. Trata-se da balada que toca durante os créditos iniciais, uma música intitulada "This World is Yours", cantada por Jack Jones. Outra falha que assombra continuamente o filme, no entanto, é sua inclinação anti-guerra, que ocasionalmente espreita através da forma de diálogo enfadonho que nunca se sente ser genuíno. Ao discutir os objectivos da guerra com o General Lesley, Ennis revela o motivo pelo qual ele continua como um correspondente. "Eu tenho que responder a uma pergunta que tem sido feita por mim desde que vi o meu primeiro homem morto. Por que fazemos isto? Porque as pessoas se matam umas às outros?"
Anzio compensa estas falhas graças a algumas cenas de batalha emocionantes, muitas vezes acompanhadas pela banda sonora empolgante do compositor Riz Ortolani. Há uma sequência tensa em que as tropas americanas caminham para a direita numa emboscada alemã, com alguns snipers Nazis a brilharem. Estes momentos, junto com a bela paisagem italiana e um desempenho sólido de Peter Falk (que, supostamente, estava tão descontente com o argumento que acabou por escrever o seu próprio diálogo), Anzio é um filme que, embora não seja perfeito, é divertido o suficiente para valer uma atenção, bem como uma recomendação.

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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Encruzilhada (Crossfire) 1947



Crossfire é um noir fascinante com uma mensagem que foi típica na era pós Segunda Guerra Mundial, lentamente crescente por debaixo de uma superfície de mistério. No início, o filme parece ser apenas mais uma obra impressionante de suspense, filmado sobre um assassinio e violência, abrindo com uma sequência brutal encenada no meio da escuridão, como vários homens a lutarem, com as suas sombras projetadas nas paredes até que um deles é atirado ao chão, derrubando uma lâmpada, deixando a tela momentaneamente completamente escura. Depois da queda, um dos homens acende a luz, verifica o corpo no chão, e sai com outro homem, tudo isto no meio da escuridão, com apenas as metades inferiores dos corpos visíveis, o resto obscurecido pelas sombras. É uma introdução intensa, rápida e brutal, a iluminação gritante aumentando a sensação de ameaça e a brutalidade neste assassinato anónimo. O resto do filme segue a investigação deste crime, pois o que inicialmente parece ser o resultado infeliz de ums discussão normal acaba por se tornar algo muito mais brutal, libertando os impulsos mais feios.
A investigação, conduzida com precisão e muita calma pelo capitão da polícia Finlay (Robert Young), gira em torno de um grupo de soldados que estavam com o homem assassinado, Samuels (Sam Levene), antes da sua morte. Os três soldados - Mitchell (George Cooper), Montgomery (Robert Ryan) e Floyd (Steve Brodie) - que tinham estado com Samuels num bar e regressado para o quarto com ele, mas naquela altura as várias histórias divergem, deixando pouco claro quem matou o homem. Mitchell parece ser o bode expiatório mais provável, mas o seu amigo Keeley (Robert Mitchum) pensa o contrário e começa a investigar as coisas por ele mesmo. O filme emprega uma estrutura do estilo Citizen Kane com pessoas diferentes, preenchendo os espaços em branco na noite do crime, mas o dispositivo é vestigial, como fica claro relativamente cedo o que realmente está a acontecer aqui. 
No início, alguns indícios são descartados no diálogo, sugerindo algo além de uma típica briga de bêbados e, eventualmente, dispensa o filme com a estrutura de flashback inteiramente, e revela quem era o assassino, bem antes do clímax. O motivo para este abandono do mistério central do filme é que o realizador Edward Dmytryk, trabalhando com um argumento adaptado por John Paxton a partir de um romance de Richard Brooks, procura algo muito mais profundo do que um mistério "whodunnit". O filme alterna a meio do mistério noir num tratado apaixonado contra o preconceito e a intolerância, contra o tipo de ódio que, como diz Finlay, "é como uma arma carregada", pronta a disparar a qualquer momento. A fonte do romance do filme era sobre o preconceito anti-homossexual, mas a mensagem é traduzida para o anti-semitismo de Hollywood, também porque qualquer menção explícita sobre a homossexualidade ainda era impossível no cinema da altura, e por causa de ser um filme sobre o fanatismo anti-judaico seria sem dúvida ainda mais relevante nos anos do após a guerra, como os horrores dos campos de extermínio a tornarem-se do conhecimento público.
Crossfire é o raro típico filme que sobrevive ao tempo para manter o seu poder na era moderna. As situações que retrata continuam a ser actuais, o firme exame directo ao ódio irracional - seja racial, étnico ou sexual - torna-o um filme importante. Pela primeira vez, as sombras do noir não são apenas para esconder uma outra história de damas más ou homens gananciosos. Em vez disso, o que se esconde nas sombras é tanto mais familiar ou assustador: o ódio de um homem por causa do modo como ele nasceu, a violência incubadas nos sentimentos do preconceito e da parcialidade, as sementes do genocídio plantadas nas mentes de pessoas aparentemente vulgares que carregam o seu ódio como armas carregadas.

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

A Conspiração do Silêncio (Bad Day at Black Rock) 1955



A execução modesta mas forte em propósito exibida por "Bad Day at Black Rock" onde John J. Macreedy (Spencer Tracy), um misterioso veterano da Segunda Guerra Mundial expõe um segredo xenófobo da cidade do título, espelha a imagem de John Sturges, um grande realizador esquecido na maior parte das vezes, realizador de filmes de grande orçamento cujas obras foram diversas vezes definidas pela sua habilidade eficiente e pela forte preocupação com a masculinidade. Realizador semelhante a Robert Aldrich ou John Huston, dois cineastas com interesses semelhantes em clássicos, géneros com figuras masculinas centrais, Sturges sabia como movimentar uma história a partir do ponto A para o ponto B, fazendo um mínimo de barulho. Meio século depois, a sua estética limpa e evocativa, e firme uso de widescreen permanecem extremamente subvalorizados, e o seu elevado número de trabalhos, desde épicos como "The Great Escape" e "The Magnificent Seven", até à sua adaptação de Hemingway em "O Velho e o Mar" ou "Joe Kidd", é caracterizada por uma competente robustez, que permanece por demais ausente na moderna era de Hollywood.
"Bad Day at Black Rock" foi o primeiro filme da MGM rodado em Cinemascope, e Sturges, seria nomeado para um Oscar de Melhor Realizador, transforma o vazio expansivo do seu corpo num personagem onipresente. Depois de uma sequência de abertura em que um comboio atravessa o deserto vazio (uma imagem agressiva de um contemporâneo 1945, cuja cultura era invadinda pelo antiquado Velho Oeste), chega o Macreedy (de Tracy) a Black Rock, e a sua presença inesperada e enigmática imediatamente coloca a cidade em alerta. Black Rock não teve visitantes nos últimos quatro anos, e esta falta de acções de turismo servia ao fazendeiro Reno Smith (Robert Ryan) ao seu capanga Coley (Ernest Borgnine) e a Hector (Lee Marvin) muito bem, uma vez que lhes permitia manter o controle sobre a comunidade, tomada pela culpa sobre a morte de um agricultor japonês chamado Komoko. Macreedy procura Komoko, ainda antes de encontrar os seus anfitriões pouco hospitaleiros, e Sturges apresenta-o numa posição perigosa na cidade através de sequências em ecrã largo, opressivo contra a vasta paisagem. Um homem civilizado de Los Angeles fora do seu elemento natural, Macreedy, cujo fato preto e deficiência (não tem a mão esquerda) marcam-no como um outsider, que é regularmente colocado no ecrã em contraste espacial com os seus inimigos, é ameaçado não só por Smith, mas pelo mundo em si, que o envolve como uma serpente envolvendo as mandíbulas à volta da sua presa. 
O argumento de Millard Kaufman, adaptado do conto de Howard Breslin "Bad Time at Hondo", de Don McGuire, é fiel aos moldes de "High Noon", tanto no que diz respeito à sua narrativa superficial sobre um homem decente em pé de guerra contra um bando de vilões e, em termos do seu confronto alegórico da lista negra de Hollywood. Durante a sua estadia de 24 horas em Black Rock, Macreedy, um intruso intrometido compara Smith a uma doença, e que ele desesperadamente quer destruir - descobre uma cidade atormentada pelo ódio, pela culpa, cobardia e hipocrisia, em que os homens (e uma mulher, Anne Francis) ou incentivados ou vergonhosamente permitem que Smith haja violentamente com o seu fanatismo. O silêncio nominal das personagens "boas" como Doc (Walter Brennan) e o bêbado xerife Tim Horn (Dean Jagger) são tão condenáveis como a brutalidade da Smith e dos seus capangas.
Filmado em 1955, "Bad Day at Black Rock" foi uma das primeiras produções de Hollywood a enfrentar directamente a Segunda Guerra Mundial e o internamento de cidadãos japoneses-americanos, um incidente de preconceito e paranóia alimentada pela desconfiança. E embora o filme astutamente se recuse a transformar o seu herói num mártir,Macreedy pode estar determinado a desvendar o crime da cidade, mas ele está preocupado principalmente com a tentativa de não sofrer o mesmo destino fatal de Komoko).

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domingo, 12 de maio de 2013

O Expresso de Berlim (Berlin Express) 1948



A RKO foi o primeiro estúdio de Hollywood a fazer um filme de ficção na Alemanha do pós-guerra, um filme de espionagem/whodunit passado num comboio com uma longa escala em Frankfurt para abrir o drama, é também uma peça intrigante de propaganda aliada que pretende provocar apoio para a reunificação de um ex-inimigo, a fim de frustrar um movimento de resistência alemão não identificado no submundo, definido em promover divisões e disputas entre americanos, britânicos, franceses e as forças de ocupação soviéticas. 
A mensagem do argumento de Harold Medford (baseada numa história de Curt Siodmak) é bastante clara: não odei os alemães, existem bons que tentam estabelecer um Estado democrático, progressivo, com metas internacionais pacíficas.
É este pensamento progressista que finalmente convence quatro membros figurativos das potências aliadas - Robert Lindley (Robert Ryan), um cientista; Perrot (Charles Korvon), um viajante francês; o tenente soviético Maxim Kiroshilov (Roman Toporow), e um burocrata britânico chamado Sterling (Robert Coote) - para ajudar o Dr. Bernhardt (Paul Lukas) e a sua assistente francesa Lucienne (Merle Oberon) a escapar de tentativas de assassinato pelo movimento da resistência. 
Claro que todos começam a sua viagem de comboio a não gostar uns dos outros, fazendo observações que não fazem justiça, bem como abrigarrem um ódio coletivo para com os alemães em geral, mas o assassinato repentino de um falso Dr. Bernhardt deixa o grupo preso em Frankfurt, onde eles são analisados por uma equipa americana antes de lhes ser cencebida premissão para viajar para Berlim. Antes do grupo poder entrar no comboio, no entanto, o bom médico é raptado, e os viajantes desconfiados relutantemente procuram-no juntos pela cidade, e, eventualmente, descobrem pistas sobre o esconderijo secreto da resistência.
A paragem em Frankfurt produz imagens surpreendentes, mostrando uma cidade bombardeada em ruínas, e a narração de Paul Stewart, uma característica regular ao longo do filme, ironicamente oferece detalhes de localizações e comentários editoriais sobre sobreviventes devastados pela guerra, ou se focam em cartazes de avisos sobre familiares desaparecidos durante a guerra. A narração de Stewart também fornece alguma ajuda geográfica, uma vez que descreve o caminho onde os personagens são levados de autocarro pelas ruas da cidade em ruínas, a passagem por um posto de controle militar dos EUA, e a aproximação do ex-IG Farben Building (agora o Edifício Poelzig), quartel-general do Supremo Comando Aliado depois da Segunda Guerra Mundial. É neste prédio enorme, onde os personagens são interrogados sobre a explosão de uma bomba no comboio, e os actores foram filmados dentro do complexo de escritórios.
Berlim só é vista no final, mas novamente a narração de Stewart aponta as localizações, como a estação de Wannsee - "Wannsee é o mais perto que se pode trazer o Expresso de Berlim hoje" -, bem como o irreconhecível Hotel Adlon, as ruínas do Reich Chancellery, Unter den Linden, e o Portão de Brandenburgo. 
Realizado por Jacques Tourneur, o filme é ostensivamente uma mensagem de esperança, cristalizada na sequência final onde Lucienne e Bernhard caminham pelo Portão de Brandemburgo juntos, enquanto um soldado com uma só perna passa em frente deles, visto apenas como uma silhueta gritante avançando para a frente, e não para trás, num passado em ruínas.

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sábado, 29 de dezembro de 2012

O Rapaz dos Cabelos Verdes (The Boy with Green Hair) 1948


Um rapaz de cabeça rapada, chamado Peter (Dean Stockwell), é encontrado a vaguear sozinho pela noite, e a polícia não consegue obter-lhe uma palavra. Um advogado (Robert Ryan) é chamado, e Peter conta-lhe sobre as circunstâncias que o levaram a ter o cabelo cortado. Ele, um órfão de guerra, viveu tranquilamente com o avô adoptivo irlandês, até que um dia acordou para descobrir que o seu cabelo tinha ficado verde - de seguida, a sua vida torna-se um inferno..
Esta alegoria bem-intencionada foi escrito por Ben Barzman e Lewis Alfred Levitt, a partir de uma história de Betsy Beaton, e provavelmente era uma forma de animar os órfãos de guerra deixados na esteira da Segunda Guerra Mundial. Também tem ambições como uma parábola anti-guerra, e como um apelo pela tolerância - na verdade, possui muito de fantasia.
 No entanto, ainda é um filme subestimado por muitos. Assim como a história usa elementos de fantasia para fazer ver os seus pontos mais sérios, Peter inventa histórias para lidar com a sua situação trágica, o avô (Pat O'Brien) inventa contos de encontros com reis para animá-lo. Peter está em negação sobre a morte dos seus pais, dizendo a si mesmo que vão estar em casa em breve, e ele irá ter os dias acolhedores da infância de volta.
Embora ele seja tratado com simpatia pela maioria das pessoas na primeira metade do filme, quando o cabelo fica verde é submetido a assédio moral que muitos órfãos deverão ter enfrentado. Os adultos querem que ele corte o cabelo porque havia rumores de que a água ou o leite estão contaminados, e isso pode ser a causa do seu cabelo verde. Uma cena interessante tem um grupo de rapazes perseguindo Pedro para lhe cortarem o cabelo, ele esconde-se, então, ajuda um dos seus perseguidores a encontrar os óculos perdidos, só para ter o rapaz a persegui-lo de novo, mostrando como nenhuma boa acção fica impune .
Numa parte um pouco estranha, cartazes de órfãos de guerra ganham vida e dizem a Pedro que ele deve usar o cabelo verde para chamar a atenção para acabar com a guerra. Ele agora tem um propósito, mas o sentimento é ingénuo, mesmo que o filme pareça sentir que a guerra é uma ameaça sempre presente.
A mensagem do filme é entregue sem rodeios, mas ainda assim afetava muita gente, talvez porque a guerra ainda estava tão fresca quando Losey fez este filme, em 1948. Era a sua primeira longa metragem.

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