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quinta-feira, 1 de abril de 2021

Todos Somos Ladrões (Thieves Like Us) 1974

Três ladrões condenados por roubarem bancos no interior do Mississippi fogem da prisão e deixam a cidade sob alerta. Eles não tem tempo a perder e tem que tomar muito cuidado, mas o envolvimento repentino entre um dos fugitivos e uma jovem rica deixar pôr tudo a perder.
Tal como "McCabe & Mrs. Miller" (1971), "Thieves Like Us" mostra Robert Altman a deitar um olhar revisionista ao passado da América. Tal como no filme anterior, também este é ritmicamente lírico, visualmente bonito, mas impiedoso no seu retrato aos desajustados e aos perdedores do lado errado da lei. Altman evoca perfeitamente o ritmo lânguido e a beleza nebulosa e decadente do "deep south". Embora o filme tenha alguns paralelos com "Bonnie & Clyde" e "They Live by Night", de Nicholas Ray, baseado no mesmo romance, Altman encontra uma poesia e tragédia distintas nesta história, e o filme permanece na história muito tempo depois do filme acabar.
Keith Carradine e Shelley Duvall são a dupla central do filme, tanto um como outro já vinham de filmes anteriores do realizador. Duvall era vendedora de cosméticos quando foi descoberta por Altman, e desde então fizeram vários filmes juntos. "Thieves Like Us" fez parte da seleção oficial do festival de Cannes de 1974. Altman já tinha ganho uma vez o festival, com "M.A.S.H.".

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

O Jogador (The Player) 1992

Um executivo de um estúdio pressionado por uma série de fracassos de bilheteria consecutivos começa a receber ameaças anónimas. Obcecado com as mensagens, mata o argumentista que acredita ser o responsável e tenta driblar as investigações policiais.
12 anos depois do desastre crítico e comercial que foi "Popeye", o realizador independente Robert Altman regressou em excelente forma com esta sátira amarga de Hollywood. Apesar de ser um filme de baixo orçamento, abunda uma infinidade de grandes estrelas de Hollywood, muitas delas mão planeadas, já que os lugares que elas frequentavam coincidiam com o local das filmagens. Tim Robbins tem uma grande interpretação como o produtor de coração frio cujo instinto é a sobrevivência, disposto a cortar a garganta (falando de uma forma metafórica) a qualquer pessoa que se interponha entre ele, e o que ele construiu. 
O humor é abundante, embora nunca óbvio, usando pistas visuais, como cartazes de filmes antigos, usando alusões subtis a outros filmes como referências, começando com um plano sequência de vários minutos que é uma clara alusão a filmes como "A Touch of Evil" de Orson Welles ou "The Rope" de Alfred Hitchcock. É também uma comédia de azar, colocando-nos na posição nada invejável de torcer para que Griffin literalmente saia impune. 
O filme seria nomeado para três Óscares, incluindo o de Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado, da autoria de Michael Tolkin. Além disso ganhou o prémio de Melhor Realizador e Actor em Cannes, entre muitos outros prémios. 


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Short Cuts - Os Americanos (Short Cuts) 1993



Helicópteros trovam pelo ar de Los Angeles. Cá por baixo, em cada casa, em cada apartamento, está a ser vivido um drama individual. Como em qualquer outro sitio, ou outro tempo da história, há alegria, tristeza, ciúmes, medo, reconciliações, dor e morte. Com "Short Cuts", um filme de Robert Altman baseado em nove curtas histórias e um poema do falecido Raymond Carver, à audiência é dada uma pequena parte de todas essas histórias.
A infidelidade assombra dois casamentos, enquanto que um acidente com o filho de outro casal traz às suas vidas uma viragem abrupta. Três pescadores amigos encontram o corpo de uma menina a flutuar perto do seu acampamento de pesca. Outro casamento, em que o marido vive preocupado sobre a escolha de carreira da esposa, que gere uma empresa de sexo pelo telefone. E ainda temos um homem que decide ensinar a sua ex-mulher o conceito de dividir as coisas, e uma mãe e uma filha que descobrem a dor que pode vir de não comunicarem. Vinte e duas personagens e dez histórias - seria preciso um mestre para entrelaça-las todas num filme harmonioso. Robert Altman não só aceitou esta difícil tarefa, como saíu vitorioso.  
Altman revisitando o território de Nashville, um conjunto de histórias amargas em redor de um festival de música, onde ordenadamente reuniu todas as personagens num único acontecimento trágico. Mas em "Short Cuts" ele tentou algo mais corajoso, e mais evasivo, ao alcançar uma busca vã por algo mais significativo. Desta vez, a cena final foi muito menos conclusiva, mas até lá ele vai sacudindo os personagens. Cada uma das histórias apresentadas em Short Cuts (excepto, talvez, uma) dariam o seu próprio filme. Há facetas em cada personagem que são deixadas por explorar (não por acaso), e de certa forma, ainda esperamos mais quando os créditos finais começam a correr. Isto apesar das três horas de duração do filme.
Ao contrário de Nashville, Short Cuts não tem um objectivo final ou uma mensagem fácil. É um grande filme sobre um pequeno mundo, onde as pessoas se levantam todas as manhãs, em busca de coisas que as façam felizes, tentando evitar as coisas más. Por vezes esta busca corre mal, e acaba por se tornar em algo mau. É a vida.
Tal como no filme anterior (O Jogador), Altman reuniu um elenco grandioso à sua volta. Não vou falar em nomes, a não ser que Tom Waits faz parte do elenco, como Earl Piggot. Tentem descobri-lo.

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segunda-feira, 1 de abril de 2013

M.A.S.H (M.A.S.H) 1970



À frente do seu tempo e ainda uma das mais subversivas comédias de sempre a surgir a partir de um grande estúdio, não é de surpreender que tivesse havido alguma resistência nas posições superiores da 20th Century Fox para lançar M.A.S.H., em 1970. Apesar de ser passado na Coreia, as ligações com a guerra politicamente e publicamente impopular do Vietname eram muito fortes... a mistura de comédia obscena e sexista com sequências sangrentas  de cirurgia muito desconcertante... o desprezo flagrante por qualquer forma de autoridade era muito pronunciado ... e assim por diante... O que é que eles estariam a pensar quando fizeram um filme de guerra em que o exército parecia uma enorme piada, e apenas uma arma é disparada no filme inteiro, por um árbitro num jogo de futebol?
No entanto, "M.A.S.H." conseguiu escapar do estúdio e chegar aos cinemas, e foram todas essas qualidades que os executivos do estúdio estavam preocupados que tornaram o filme tão revolucionário. Nunca houve um filme de um grande estúdio como este, e as audiências responderam à sua mistura ousada de realismo e comédia e simpatizaram com a postura anti-autoritária dos seus difíceis mas simpáticos personagens principais. 
Baseado num romance pouco conhecido de 1968, de Robert Hooker, acerca dos veteranos cirurgiões de combate da Guerra da Coreia, M.A.S.H ​​é contado num estilo solto, de forma episódica, com muitos dos seus diálogos a serem improvisados no set (para a consternação do argumentista Ring Lardner Jr., um dos infames "Hollywood Ten", que tinha sido penalizado pelo Macarthismo desde os anos 50). O realizador Robert Altman, que era na altura quase desconhecido, com apenas um punhado de pequenos filmes e episódios de TV no seu currículo, compreendeu no material aquilo que outros não conseguiram, e logo percebeu que o humor desta história subversiva precisava de espaço para trabalho, e que não podia ser limitada pelas exigências das narrativas tradicionais de Hollywood.
Os vários episódios centram-se num trio irreverente, mas altamente talentoso de cirurgiões, num Mobile Army Surgery Hospital (daí o nome, M.A.S.H.) a poucos quilómetros da linha de frente da Coreia: Hawkeye Pierce (Donald Sutherland), Trapper John McIntyre (Elliottt Gould), e Duque Forrest (Tom Skerritt). Não são profissionais do Exército rígidos, nem arrogantes, são jovens que foram levados contra a sua vontade e, portanto, estão dispostos a fazer qualquer coisa para evitar a autoridade e a disciplina, especialmente na forma de a enfermeira-chefe, uma major chamada Houlihan (Sally Kellerman).
O que este trio mais odeia é a hipocrisia, que vêem em todo os lado, especialmente nas figuras de autoridade (daí o apelido que dão a Houlihan, "Hot Lips", depois de transmitirem o seu encontro amoroso com outra figura autoritária, o major Frank Burns(Robert Duvall), pelo altifalante do acampamento). Há um elemento carnavalesco em tudo o que fazem, onde o ponto principal é a inversão do poder-hierarquia para fazerem aqueles que são a autoridade parecerem tolos. Ao mesmo tempo, há uma veia profundamente humanísta que corre ao longo do filme, com Hawkeye e os outros a usarem o seu comportamento desordeiro como uma forma de psicologicamente distanciar-se dos horrores à volta deles. O verdadeiro horror que eles vêem não é o seu próprio cinismo travesso, mas a natureza estóica da rotina do exército, apesar dos corpos mutilados que percorrem o acampamento todos os dias. 
Ganhou a Palma de Ouro em 1970, e no ano seguinte o Óscar de Melhor Argumento, além de ter conseguido outras quatro nomeações, incluindo Melhor Filme e Realizador. 

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