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sábado, 12 de setembro de 2020

Céu Vermelho (Blood on the Moon) 1948

Jim Garry, um cavaleiro solitário, encontra casualmente John Lufton e os seus homens. Lufton teme-o, acreditando que ele é um dos pistoleiros que está a ser recrutado por Tate Riling, um desalmado especulador que cobiça o gado de Lufton. Na realidade Garry e Riling são velhos conhecidos, e agora este pretende contratar pessoas que o ajudem nos seus projetos desonestos.
Depois de alguns grandes trabalhos no campo da montagem, que incluíam "Citizen Kane" e "The Magnificent Ambersons", ambos de Orson Welles, Robert Wise chegou à cadeira de realizador, pela mão do produtor Val Lewton, depois de ter sido chefe dos estúdios de terror da RKO. Estreou-se com "The Curse of the cat People" e "The Body Snatcher", mas depressa mudou para o filme do mundo do crime, em obras como "Game of Death" e "Criminal Court", mas foi com "Born to Kill" que realmente se destacou, um noir maravilhosamente duro e brutal. De seguida ele fez "Blood on the Moon", um título que pode sugerir um regresso ao território da ficção científica, mas que na realidade não tem nada a ver. É um híbrido entre o noir e o western, com os seus tons noir bastante vívidos, e uma personagem central moralmente ambígua, interpretada por um sempre excelente Robert Mitchum.
Wise aproveita ao máximo os espaços fechados e as sombras para criar uma atmosfera sombria, e também beneficia do excelente elenco, que além de Mitchum contava com Barbara Bel Geddes, Robert Preston e Walter Brennan. Um western a descobrir.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

O Rasto da Pantera (Track of the Cat) 1954

Track of the Cat é um western noir. Dirigido pelo lendário William Wellman, perto do final da sua carreira, que tinha começado no período do cinema mudo. O filme é bastante interessante cinematograficamente, porque o background nas cenas ao ar livre é a preto e branco. A única cor visível é a roupa das personagens que se destaca nitidamente contra o fundo. O filme conta a história da rica, mas muito disfuncional família Bridges. Eles são os donos de uma quinta nas montanhas, no noroeste, por volta da passagem para o século XX. 
 Robert Mitchum é a estrela principal como Curt, o irmão do meio de três irmãos. Está obcecado com a idéia de que uma mítica pantera negra se disse estar a vaguear pelas colinas e aparece a cada ano com as primeiras quedas de neve. William Hopper e Tab Hunter são os irmãos, mais velho e mais novo, respectivamente, e Teresa Wright interpreta a irmã. As outras pessoas da casa (ou do filme) são a religiosa mãe sempre a recitar a bíblia, o pai alcoólatra, a namorada do filho mais novo, e o empregado da família, Joe Sam, um antigo e misterioso nativo americano que prevê a aparecimento anual da fera. 
A história começa no início da manhã no primeiro nevão da estação. Os fazendeiros são despertados pela agitação do gado. Quando os filhos se preparam para ir atrás da pantera suspeita, e a mãe prepara o café da manhã, rapidamente se torna evidente o quanto problemática esta família é. O filho mais velho é um seguidor de Joe Sam e está no processo de esculpir um gato como um talismã para afastar a criatura. Mitchum é o "homem" da casa e também cobiça a namorada de Tab. 
 Os pais são personagens muito interessantes. Beulah Bondi, que pode ser vista como a mãe de Jimmy Stewart em "It's a Wonderful Life", é uma personagem completamente diferente aqui. Ela é uma mulher muito dura a citar Bíblia, mas esconde um certro egoísmo bem obscuro. O pai (Philip Tonge) dá uma das melhores representações de alcoólatra já vistas. Bebe, fica feliz, desmaia, acorda e começa tudo novamente. Não tem idéia do que está a acontecer com o resto da família. 
Track of the Cat, de William Wellman tem uma reputação como um interessante western psicológico, sendo um dos favoritos de Martin Scorsese. Wellman tenta aliar uma aventura ao ar livre simbólica com um drama familiar disfuncional e claustrofóbico. O filme de 1954 é baseado em um romance de Walter Van Tilburg Clark, cujo livro mais conhecido, "The Ox-Bow Incident", tinha sido filmado por Wellman, em 1943. Enquanto o filme anterior está mais preocupado com as injustiças sociais, Track of the Cat olha para as injustiças dentro de uma família.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A Barreira do Medo (Cape Fear) 1962

Robert Mitchum é Max Cady, um ex-presidiário determinado a uma terrível vingança contra o seu ex-advogado Sam Bowden (Gregory Preck), e a sua família. Sam é advogado numa pequena cidade e o seu pior pesadelo torna-se realidade quando o criminoso que ele defendeu regressa para perseguir e atentar contra a vida e a honra da sua jovem esposa e da sua filha adolescente. Apesar da ajuda do chefe da polícia local e de um detetive particular, Sam não tem poderes legais para impedir Max neste jogo sádico de gato e rato.
Filme de suspense magistral, escrito pelo argumentista James R Webb e baseado no livro de John D MacDonald chamado "The Executioners", é um grande filme para J. Lee Thompson, um realizador mais vocacionado para filmes de acção, como era o caso de "The Guns of Navarone", também com Gregory Peck. 
Um filme surpreendentemente corajoso para o seu tempo, que ficou mais conhecido pelo papel de vilão tão naturalista de Robert Mitchum,  que sete anos antes tinha desempenhado outro muito famoso vilão da história do cinema, o Pastor de "The Night of the Hunter". Gregory Peck também está muito forte do papel de herói, assim como o filme tem um notável elenco: Polly Bergen, Martin Balsam, ou Telly Savalas. 
Em 1991 Martin Scorsese realizou um remake que melhorou o primeiro filme em quase todos os sentidos, na realização, na fotografia, no argumento que envolve novas dinâmicas sobre a família, nas interpretações de actores como Nick Nolte, agora o novo protagonista, Jessica Lange, Juliette Lewis, mas Robert DeNiro está a léguas da crueldade e da frieza de Mitchum como Max Cady. 

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terça-feira, 2 de outubro de 2018

A Noite do Caçador (The Night of the Hunter) 1955

Grande Depressão. No processo de roubar 10.000 dólares de um banco, Ben Harper mata duas pessoas. Antes de ser capturado, convence o seu filho adolescente John e a jovem filha Pearl a não contarem a ninguém onde escondeu o dinheiro, incluindo a mãe Willa, que foi no brinquedo preferido de Pearl, uma boneca que ela carrega para todo lado. Ben é capturado, julgado e condenado à morte, mas antes de ser executado divide a sua cela com um homem chamado Harry Powell, um vigarista e assassino que engana mulheres solitárias, principalmente ricas. Harry faz tudo o que pode para saber a localização do dinheiro, sem sucesso, e depois da execução de Ben, fica decidido que Willa será a sua próxima vítima, imaginando que alguém da família sabe onde está o dinheiro...
Como a maioria dos filmes que desafiam convenções, ultrapassam barreiras e demarcações confusas de tom, estilo e género, "The Night pf the Hunter", de Charles Laughton, não foi muito bem recebido quando foi estreado, em 1955, nem pelo público nem pela crítica (nem pela United Artists, o estúdio que produziu e distribuiu o filme tinha uma ideia do que era o filme).  Os críticos ainda geraram alguma simpatia, talvez porque reconheciam que o filme incorporava alguma ousadia, e incluísse tantos estilos temáticos diferentes. O público, por outro lado, ficou bem longe do filme, o que desgostou Laughton, um actor britânico já de créditos firmados que se estreava na realização, mas que acabaria por não fazer mais nenhum filme. 
Baseado num livro de Davis Grubb, e adaptado para o grande ecrã por James Agree, um argumentista e crítico de cinema que anteriormente já tinha adaptado "The African Queen" de John Huston, constrói um thriller que salta implacavelmente entre o realismo duro e o lirismo exagerado, dando a impressão de ser um pesadelo estilizado. Mais de 60 anos depois da sua estreia, "The Night of the Hunter" continua a ser um filme sem igual. É um pesadelo sombrio no qual elementos aparentemente díspares e impraticáveis se juntam para criar uma das visões mais perturbadoras do cinema. 
Filme escolhido pelo Hugo Tavares.

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domingo, 13 de novembro de 2016

Capítulo 4 - Drama

Bird - Fim do Sonho (Bird) 1988
"Bird" evoca a figura genial e trágica do saxofonista Charlie Parker (1920-1955), um exemplo superior dessa sua atitude criativa. A história de Charlie Parker é indissociável do seu protagonismo na criação do chamado som “bebop”. Não admira, por isso, que algumas das personagens marcantes do filme de Eastwood se chamem Red Rodney ou Dizzy Gillispie. Em todo o caso, "Bird" não é um mero inventário de figuras emblemáticas do jazz — é, acima de tudo, uma viagem pelos fantasmas mais íntimos de Charlie Parker.
No papel de Charlie Parker, Forest Whitaker tem aquela que, a meu ver, continua a ser a melhor composição de toda a sua carreira. E importa não esquecer a sua mulher, Chan Parker, interpretada por uma actriz admirável, infelizmente pouco conhecida — é ela Diane Venora. Entretanto, pode dizer-se que Clint Eastwood continua a ser um cineasta de "todos" os géneros: a sua agilidade temática e expressiva tem-lhe permitido ziguezaguear entre os mais diversos registos, reforçando uma imagem de marca muito pessoal — tal como Charlie Parker no jazz, Eastwood é um dos grandes individualistas do cinema americano.
* Texto de João Lopes.

Gente de Dublin (The Dead) 1987
6 de janeiro de 1904 e Dublin celebra o Dia dos Reis num ambiente de neve. Na casa das irmãs Morgan, Julia (Cathleen Delany) e Kate (Helena Carroll), é oferecida uma ceia a amigos e parentes, incluindo a realização de um encontro musical e poético. Já perto do final da celebração, quando boa parte dos convidados já tinham saído, o barítono Bartell D'Arcy (Frank Patterson) começa a cantar uma música triste, que faz com que Gretta Conroy (Anjelica Huston) se lembre de uma antiga paixão que já faleceu. Surpreso com a mudança de comportamento de sua esposa, Gabriel (Donal McCann) interessa-se pela história.
Passado na Irlanda, durante a viragem do século 19 para o século 20, o filme mostra um jantar em casa de uma família com os seus convidados, onde reminiscências e momentos de melancolia trazem indagações e algumas revelações existenciais.
Baseado num conto do mesmo nome do livro "Dubliners", de James Joyce, foi o derradeiro filme realizado por John Huston, e contava com Anjelica  Huston, a sua filha, no papel de protagonista. O argumento era da autoria de outro filme de Huston, Tony Huston, e esta seria considerada a adaptação mais fiel a contos de Joyce, com apenas algumas alterações para ajudar a sua passagem para o cinema.

Os Amantes de Maria (Maria's Lovers) 1984
1946. O veterano de guerra americano Ivan Bibic (John Savage), que foi um prisioneiro de guerra, sofreu uma crise nervosa que só lhe permitia morrer ou sonhar. Assim, ao regressar para a sua pequena cidade natal, Brownsville, na Pensilvânia, ele só pensa em encontrar o seu sonho: uma refugiada jugoslava, Maria Bosic (Nastassja Kinski), uma amiga de infância que se tornou numa bela mulher. Ele sempre sonhou ter com Maria o casamento perfeito, embora ela seja desejada por outros homens. Ivan diz que sonhou tanto com Maria que ela vive nos seus sonhos, não no seu corpo, e é verdade, pois os sonhos dele não são iguais à realidade. Maria e Ivan casam-se, mas ele descobre que não consegue fazer amor com ela.
Andrei Konchalovsky era um realizador russo bastante bem cotado no cinema do seu país, que entre outras coisas, era amigo e colaborador do lendário Andrei Tarkovsky, estreava-se aqui em território americano. Um filme notável porque marcava a estreia de Konchalovsky em língua inglesa, sendo também um dos primeiros filmes de realizadores russos falados em inglês.
Nastassja Kinski, filha de Klaus Kinski, com apenas 23 anos era já uma das maiores sex symbols dos anos 80 graças a filmes como "Tess", "One From the Heart", "Cat People", "Paris Texas", "The Hotel New Hampshire", entre outros, sendo esta uma das suas maiores explosões de sensualidade.
Para além de John Savage o filme conta ainda com o veterano Robert Mitchum, num dos papéis principais.

Havana (Havana) 1990
Final da década de 1950. Vivem-se tempos turbulentos, e a política de Cuba vive uma violenta fase de transição. A poderosa milícia de Fidel Castro bate de frente com o Exército do país, liderado por Fulgencio Baptista, e toma o poder na capital, Havana. É neste cenário conturbado que Jack (Robert Redford), um jogador norte-americano, chega à bela e destruída cidade para organizar um histórico torneio de póquer. Contundo, durante a viagem, ele conhece a bela Roberta (Lena Olin), uma cubana que rouba o seu coração. Pouco depois de se envolverem, a mulher reencontra o marido, o revolucionário Arturo, e os dois acabam presos e torturados. Jack irá tentar ajudá-los...
Um filme que queria ser o "Casablanca" das Caraíbas. Era o regresso de Sydney Pollack ao cinema depois do seu multi-premiado "Africa Minha", e marcava a sétima colaboração do realizador com Robert Redford. 
Apesar de uma recepção considerável na altura, foi um fracasso comercial, tendo em conta que era uma super-produção americana. 
Raul Julia recusou-se a ser creditado no filme depois de não lhe ter sido dado honras de ter o nome ao lado de Redford e Olin no cartaz do filme. O elenco contava com dois actores nascidos em Cuba, Tomas Milian e Tony Plana, para além dos experientes Alan Arkin e Richard Farnsworth. 

domingo, 9 de outubro de 2016

Idílio Selvagem (The Lusty Men) 1952

"“The Lusty Men” começa com um dos mais belos momentos de nostalgia, momento mítico do velho oeste e do cinema clássico norte-americano, desse homem mítico e sem rumo que vagueia pela mesma mítica América dos westerns e dos noirs que tudo dizem e tudo mostram, esse homem tão mítico e tão próprio de Ray como de Ford que por um instante ou por um impulso ou só por “não ter mais pernas para andar” (e quem já viu “The Lusty Men” sabe que estas “pernas” tudo dizem) visita a casa onde passou a infância para recordar ou apenas para sonhar com aquilo que nunca teve, outra das coisas tão míticas de Ray e tão longes de Ford, a ausência do lar. Coisa tão distante de Nicholas Ray e tão próxima de Ford, o lar, o oposto a tudo o que sempre Ray procurou, o vaguear, a inadaptação e a falta de rumo e dum sentido na vida. É desse momento tão mítico e nostálgico quanto lírico que nasce todo o sentido de “The Lusty Men”, essa coisa de homem errante nessa América selvagem dos rodeos, nesse oeste daquele tempo que abandonou os pistoleiros e os fora-da-lei para abraçar os bravos e os cowboys que enfrentam os touros e os potros e os dominam por alguns segundos, é disso tudo que se fazem os bravos nessa América tão bruta quanto fascinante donde brotam os mais perigosos jogos da vida, é disso que irrompe Jeff McCloud o tal que visita a casa onde nasceu, o tal que encontra o que em tempos foi uma pistola ainda escondida onde a deixou, o tal que por momentos visita aquilo de que sempre se afastou, o lar. 
E se falava das “pernas” mais atrás é porque cedo se percebe que McCloud se retirou desse mundo dos rodeos, dessa coisa fria e brutal que tudo rouba e tudo desvia do caminho que os inicia, coisa de costelas partidas e de pernas fodidas que tudo impossibilitam e tudo fazem perder. É também cedo que se percebe que Wes Merritt, o aprendiz, vai repetir o mesmo trajecto de Jeff, caminhos errantes de quem se perde nesse mundo viciante do dinheiro rápido (e a certa altura Louise a mulher de Wes diz para Jeff: “o que rápido vem rápido se vai”), nessa coisa viciante que lhes faz ferver o sangue e que os faz sentir vivos e desejosos de enfrentar o medo, que os faz esquecer os sonhos e os propósitos de estar naquele meio. É pelo rancho que outrora foi dos McClouds que Wes se lança às arenas e aos touros e aos potros, coisa de sonhador que já Jeff o fora (e sabemo-lo pela sua confissão na tal visita inicial), sonhos do casal que até ali economizava o que podia para ter o que sempre desejaram, coisa que Jeff sabia no que resultaria porque já o viveu, porque ele sabe que o tal dinheiro rápido se desvanece nos vícios adquiridos, porque mesmo com uma mulher a querer controlar tudo se destrói e tudo se vai pelo álcool ou pelo jogo ou pelas mulheres, porque ele sabe que enfrentar o perigo vicia e fá-los sentir mais vivos e heróicos. É por causa do lar que tudo começa e tudo brota, o mesmo lar que Jeff sonhou um dia voltar, é pelo lar que eles se lançam aos touros, mas ele sabe-o bem que o caminho é tortuoso e errante e que todo o homem tomba. E é precisamente por Louise que Jeff vai ficando e ficando e aguentando o declínio de Wes, é por ela que ele se vai espelhando nele e é por ela que se lança uma última vez à arena e aos touros…"
Texto de Álvaro Martins, daqui.

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Macau (Macao) 1952

Robert Mitchum é Nick Cochran, um veterano da Segunda Guerra Mundial que viaja para o Extremo Oriente para fugir à acusação de um crime que não cometeu, enquanto Jane Russell é Julie Benson, uma cínica cantora. Os dois encontram-se a caminho de Macau. A antiga colónia portuguesa apresentava-se como a Las Vegas/Mónaco do Oriente, onde a impunidade reinava e onde os criminosos procurados internacionalmente se escondiam. Uma troca de olhares e as suas vidas cruzam-se para sempre. Dois destinos tão parecidos que esperam por uma razão para assentar.
De acordo com os créditos de abertura, "Macao" foi dirigido por Josef von Sternberg. Na verdade, Howard Hughes despediu Sternberg ainda antes das filmagens terem terminado, e o filme foi completado, mas não creditado, por Nicholas Ray. Mitchum e Russell voltam a encontrar-se depois de no ano anterior terem protagonizado "His Kind of Woman", de John Farrow, também ele um film noir. Uma obra com uma dupla de protagonistas desta natureza não era para ser realizada por um homem como Sternberg: um artista, um criador, um autor, e de temperamento dificil. E por causa disso a sua relação com Mitchum nunca foi das melhores.  
O filme foi quase todo rodado nos estúdios da RKO, com algumas sequências a serem filmadas em exteriores para dar um certo ar exótico. O operador de câmara  Dick Davol foi enviado para os exteriores verdadeiros para garantir algumas imagens dos lugares onde se passava a acção, acabando por ver-se envolvido numa intriga maior do que a do filme. Viu-se confrontado com uma série de pequenos e grandes oficiais que exigiram uma compensação monetária para permitirem filmar. Na sua folha de subornos encontra-se subornos a oficiais, funcionários da emigração, policias de várias nações, e até mesmo os condutores dos pitorescos sampans, nas vias de trânsito congestionado. 
"Macao" era um desses produtos de estúdio onde ninguém tinha alguma força criativa. Hughes sabia o que queria, e esperava que o filme fosse produzido pela sua equipa de engenheiros. O argumento foi escrito por sete argumentistas. Oito se considerarmos que Mitchum fez algumas regravações de improviso nos últimos dias de filmagem, quando o resto da equipa tinha ficado sem idéias. 

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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Suborno (The Racket) 1951

Robert Mitchum, em mudança de ritmo, interpreta um polícia honesto cujo criminoso rival (Robert Ryan) está a tentar tomar o controle da cidade. Um advogado (Ray Collins), e um inspector de polícia (William Conrad), já foram corrompidos por Ryan, e não olham a meios para contrariar o sentido de justiça de Mitchum.
Robert Mitchum foi uma das poucas estrelas de Hollywood que conseguiu atingir a fama sem se importar minimamente com as regras do "show bussiness". Quando trabalhou para Howard Hughes na RKO este soube gerir-lhe da melhor forma a intensidade da sua inexpressividade. Em "The Racket" (1951), um policial em que Mitchum e Ryan são rivais, Mitchum interpreta uma personagem cujo olhar a parecer que precisa de um café, que repetiria muitas vezes na sua vida. O personagem de Robert Ryan acaba por ser mais perfeito, e há quem diga mesmo que é ele quem rouba o filme, completamente.
Dirigido, em grande parte, por John Cromwell, "The Racket" era um remake de um filme que Hughes tinha produzido em 1929. Este filme, por sua vez, era uma adaptação de um peça de teatro interpretada por Edward G. Robinson e...o próprio Cromwell. Cromwell estava assim familiarizado com o material, mas Hughes não estava satisfeito com o seu trabalho. Depois de Cromwell abandonar o projecto, desapontado, Hughes chamou Nicholas Ray para filmar algumas cenas. Para além de Ray, várias outras pessoas rodaram algumas cenas antes da montagem final, Mel Ferrer, Tay Garnett, e Sherman Todd, mas Cromwell acabaria por ser creditado como realizador.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Núpcias Trágicas (Pursued) 1947



Desde a infância, que o órfão Jeb Rand (Robert Mitchum) é atormentado por pesadelos sobre a noite em que foi adoptado por uma viúva depois do assassinato dos seus pais. Depois de se tornar herói da guerra, ele regressa para casa, decidido a casar com a irmã de criação. Mas o sombrio passado de Jeb volta, trazendo um rastro violência e vingança, para atrapalhar a felicidade do casal.
""Pursued" é filme para merecer três ou quatro longos ensaios sobre o género (o gender como sexo e como género fílmico) ou a dimensão psico-sociológica do "sonho" (não, da "memória") do protagonista interpretado por Robert Mitchum. Mitchum, no rosto, na voz e na pose, traz ao filme a ambiência noir quase ao mesmo tempo que o jogo de contrastes, o preto-muito-preto da fotografia a preto-e-branco, e toda a reversão temporal - lá está, psicanalítica ou, se preferirem, "out of the past" - que espoleta a narrativa. No entanto, "Pursued" é, antes de mais, um western, constatação imediata dada pela paisagem, que, no entanto, vai sendo traída (a constatação e a paisagem) em toda à linha à medida que entramos no trauma e nos pesadelos do nosso "herói" - e as aspas já nos estão a colocar, de novo, no território do noir. Segundo especialistas como Scorsese*, este terá sido o primeiro western noir da história do cinema, o que denuncia de imediato um traço nem sempre tido em conta no cinema de Walsh (que já tinha salientado na minha análise a "The Big Trail"): o seu grau de rigor e "competência" paredes-meias com uma "fúria" secreta pela experimentação fílmica.
Se, como diz Jacques Lourcelles, "The Big Trail" funcionava como grande documentário épico, quase metafísico, disfarçado de filme de cowboys, "Pursued" é um noir atormentado, por vezes perverso na sua indiferença moral, que usa e se deixa usar pela paisagem do western clássico. Disse atrás "fúria" para caracterizar esse Walsh secreto que procura sabotar os géneros que tanto ajudou a cristalizar. Disse-o a pensar em "The Furies" de Anthony Mann, filme que me parece claramente dever o mundo a "Pursued" - aliás, se me tivessem mostrado este filme de Walsh, sem indicação quanto ao seu realizador, eu diria estar na presença de um filme de Anthony Mann, dada a carga trágica que corre nas veias de uma família que mutila e se auto-mutila... Mas não, é mesmo um "filme de Raoul Walsh". E como ver nele a sua assinatura, o seu "toque" autoral? Arrisco - porquanto dizer que Walsh é um auteur antes ou depois de um puro metteur en scène soará a heresia em certos círculos - começar pela personagem feminina, interpretada por Teresa Wright. É certo que Walsh é um realizador predominantemente masculino, mas, talvez por isso mesmo, as suas mulheres estão muitas vezes marcadas pela mesma dose de incompreensibilidade..."
Texto do Luis Mendonça, podem ler mais aqui.

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sábado, 15 de agosto de 2015

Selva Humana (The Friends of Eddie Coyle) 1973

"Sabe aquela famosa frase? “Com amigos como este, quem precisa de inimigos?”. Então, é este tipo de “amigo” que o título do filme se refere nesta obra prima do diretor Peter Yates. Eddie Coyle, interpretado por Robert Mitchum, conta, a certa altura, que ganhou o apelido de fingers depois de um servicinho ter dado errado e seus “amigos” terem arrebentado sua mão como castigo. Realmente mui amigos...
Yates é bastante esperto ao retratar este mundo de uma maneira sombria e extremamente melancólica, sob o olhar cansado de um Robert Mitchum cheio de dilemas. Seu personagem já inicia o filme em apuros. A esta altura da vida, Eddie teve problemas com a lei, possui mulher e três filhos, não quer ir pra prisão na sua idade, então resolve virar “dedo duro” da policia pra sair dessa situação de uma vez, mas acaba colocando sua vida em risco. E, basicamente, é isso que temos aqui para formar uma trama bem desenvolvida.
Esqueçam cenas de ação mirabolantes ou perseguições de carro em alta velocidade como em BULLIT, também de Yates, nada de adrenalina por aqui. O que OS AMIGOS DE EDDIE COYLE nos dá é o drama de um homem simples envolvido numa teia criminosa, tentando se livrar, mas acaba se enrolando cada vez mais. A direção de Yates é ótima e funciona muito bem nesse sentido, evitando os excessos que poderiam desviar a atenção; o roteiro também é bem enxuto, inspirado no romance de George V. Higgins (que eu não li); mas o que realmente torna o filme uma obra prima dos anos setenta é a presença de um Robert Mitchum inspirado.
Esqueçam cenas de ação mirabolantes ou perseguições de carro em alta velocidade como em BULLIT, também de Yates, nada de adrenalina por aqui. O que OS AMIGOS DE EDDIE COYLE nos dá é o drama de um homem simples envolvido numa teia criminosa, tentando se livrar, mas acaba se enrolando cada vez mais. A direção de Yates é ótima e funciona muito bem nesse sentido, evitando os excessos que poderiam desviar a atenção; o roteiro também é bem enxuto, inspirado no romance de George V. Higgins (que eu não li); mas o que realmente torna o filme uma obra prima dos anos setenta é a presença de um Robert Mitchum inspirado.
Como já devem ter percebido, OS AMIGOS DE EDDIE COYLE é uma obra mais séria que o habitual, um exercício de realismo dentro de um gênero repleto de situações exacerbadas que, aqui, não vêm ao caso. Até mesmo nas cenas de assaltos a bancos, que Yates intercala na estrutura narrativa, são ausentes de qualquer tipo de manipulação emocional. Yates prefere apostar na atmosfera natural, com a magnífica fotografia crua de Victor J. Kemper (que já havia trabalhado com John Cassavetes em HUSBANDS e depois faria UM DIA DE CÃO, de Sidney Lumet); nos diálogos que carregam muito mais tensão; e claro, em Robert Mitchum brilhando como nunca."
Texto do Ronald Perrone, daqui
Legendas exclusivas para o My Two Thousand Movies, da autoria do Rui Alves de Sousa.

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sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Dia Mais Longo (The Longest Day) 1962



Junho de 1944. As forças Aliadas, combinando militares dos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e França, preparam uma invasão em massa da França. Os alemães preparam a defesa do ataque, sem saber exactamente de onde ele virá, e a resistência francesa na Normandia, descobre alguns problemas atrás das linhas inimigas.
Com um elenco cheio de estrelas com nomes bastante familiares, quer sejamos fãs do cinema mainstream de Hollywood, ou do cinema trash europeu. Tal como a maioria dos épicos do período, o filme foca-se nos generais e presta pouca atenção aos soldados em campo. Durante a noite de 5 de Junho, a resistência francesa (liderada pela bela Irina Demick e Maurice Poli) faz explodir comboios, e corta as comunicações dos alemães. O elenco varia de veteranos como Henry Fonda, Richard Burton, Rod Steiger, Robert Ryan, e John Wayne, a novatos, como era na altura Sean Connery. Se olharmos atentamente podemos descobrir George Segal a subir um penhasco. Até mesmo a futura estrela de "Family Feud", Richard Dawson tem um pequeno papel.
O filme é um trabalho para a Fox, do produtor tornado independente Darryl F. Zanuck, e é  baseado no livro de Cornelius Ryan, do mesmo nome, e contava a invasão da Normandia em grande detalhe, graças a muitas histórias contadas por homens que estiveram lá. O filme de Zanuck mantém esse espírito, fazendo uma releitura desse dia famoso, não apenas tão detalhadamente para satisfazer qualquer pessoa que queira saber sobre história, mas também criando um grande envolvimento na trama. Ficamos a saber todos os factos e números, nomes e horários, mas também ficamos com uma visão mais pessoal.
Para ajudar a construir este filme episódico, Zanuck contratou três diferentes realizadores. Ken Annakin dirigiu os episódios Britânicos, Andrew Marton cobriu os americanos, enquanto Bernhard Wicki filmou as sequências alemãs, não só dando-lhe uma elevada dose de realismo, (os nazis aqui falam alemão, e não em inglês como em dezenas de outros filmes da Segunda Guerra Mundial), mas também dando uma visão audaciosa dos inimigos, que são vistos como pessoas reais. Este é um rico e detalhado retrato do Dia D, que se recusa a ver apenas um dos lados da história em termos genéricos.
Apesar de um elenco de tantas estrelas, e a colaboração de três realizadores, este é inquestionavelmente um filme de Zanuck. É o tipo de épico que é produzido, e não dirigido. A coordenação deste tipo de produção, rivaliza com a do próprio Dia D, e foi a visão singular de Zanuck que levou o filme a bom porto. O próprio Zanuck orgulha-se em dizer que dirigiu algumas cenas no filme, então quando ele é referido como “Darryl F. Zanuck’s The Longest Day,” não é uma questão de ego, são créditos merecidos pois é o coroamento de uma carreira lendária no cinema.

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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A Batalha de Anzio (Anzio) 1968



Produzido por Dino De Laurentiis e centralizado numa das mais sangrentas batalhas da Segunda Guerra Mundial, Anzio tem Robert Mitchum como Dick Ennis, um correspondente americano da guerra que se vai juntar aos Aliados em Janeiro de 1944, o durante o desembarque no porto da cidade italiana de Anzio. Uma vez que as tropas estão em segurança em terra, Ennis, acompanhado pelo Cabo Rabinoff (Peter Falk) e pelo soldado Movie (Reni Santoni), têm um jeep à sua disposição para encontrar a estrada para Roma, sem a oposição alemã em qualquer lugar à vista. Ele relata as suas descobertas ao General Lesley (Arthur Kennedy), que, temendo uma armadilha, decide não avançar, mas ficar parado em Anzio e fortalecer a ponte. A sua hesitação dará tempo ao inimigo tempo para se reagrupar, levando a um confronto, que acabará por custar aos Aliados milhares de homens.
Anzio tem as suas fraquezas, uma das quais logo nos momentos iniciais do filme. Trata-se da balada que toca durante os créditos iniciais, uma música intitulada "This World is Yours", cantada por Jack Jones. Outra falha que assombra continuamente o filme, no entanto, é sua inclinação anti-guerra, que ocasionalmente espreita através da forma de diálogo enfadonho que nunca se sente ser genuíno. Ao discutir os objectivos da guerra com o General Lesley, Ennis revela o motivo pelo qual ele continua como um correspondente. "Eu tenho que responder a uma pergunta que tem sido feita por mim desde que vi o meu primeiro homem morto. Por que fazemos isto? Porque as pessoas se matam umas às outros?"
Anzio compensa estas falhas graças a algumas cenas de batalha emocionantes, muitas vezes acompanhadas pela banda sonora empolgante do compositor Riz Ortolani. Há uma sequência tensa em que as tropas americanas caminham para a direita numa emboscada alemã, com alguns snipers Nazis a brilharem. Estes momentos, junto com a bela paisagem italiana e um desempenho sólido de Peter Falk (que, supostamente, estava tão descontente com o argumento que acabou por escrever o seu próprio diálogo), Anzio é um filme que, embora não seja perfeito, é divertido o suficiente para valer uma atenção, bem como uma recomendação.

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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Encruzilhada (Crossfire) 1947



Crossfire é um noir fascinante com uma mensagem que foi típica na era pós Segunda Guerra Mundial, lentamente crescente por debaixo de uma superfície de mistério. No início, o filme parece ser apenas mais uma obra impressionante de suspense, filmado sobre um assassinio e violência, abrindo com uma sequência brutal encenada no meio da escuridão, como vários homens a lutarem, com as suas sombras projetadas nas paredes até que um deles é atirado ao chão, derrubando uma lâmpada, deixando a tela momentaneamente completamente escura. Depois da queda, um dos homens acende a luz, verifica o corpo no chão, e sai com outro homem, tudo isto no meio da escuridão, com apenas as metades inferiores dos corpos visíveis, o resto obscurecido pelas sombras. É uma introdução intensa, rápida e brutal, a iluminação gritante aumentando a sensação de ameaça e a brutalidade neste assassinato anónimo. O resto do filme segue a investigação deste crime, pois o que inicialmente parece ser o resultado infeliz de ums discussão normal acaba por se tornar algo muito mais brutal, libertando os impulsos mais feios.
A investigação, conduzida com precisão e muita calma pelo capitão da polícia Finlay (Robert Young), gira em torno de um grupo de soldados que estavam com o homem assassinado, Samuels (Sam Levene), antes da sua morte. Os três soldados - Mitchell (George Cooper), Montgomery (Robert Ryan) e Floyd (Steve Brodie) - que tinham estado com Samuels num bar e regressado para o quarto com ele, mas naquela altura as várias histórias divergem, deixando pouco claro quem matou o homem. Mitchell parece ser o bode expiatório mais provável, mas o seu amigo Keeley (Robert Mitchum) pensa o contrário e começa a investigar as coisas por ele mesmo. O filme emprega uma estrutura do estilo Citizen Kane com pessoas diferentes, preenchendo os espaços em branco na noite do crime, mas o dispositivo é vestigial, como fica claro relativamente cedo o que realmente está a acontecer aqui. 
No início, alguns indícios são descartados no diálogo, sugerindo algo além de uma típica briga de bêbados e, eventualmente, dispensa o filme com a estrutura de flashback inteiramente, e revela quem era o assassino, bem antes do clímax. O motivo para este abandono do mistério central do filme é que o realizador Edward Dmytryk, trabalhando com um argumento adaptado por John Paxton a partir de um romance de Richard Brooks, procura algo muito mais profundo do que um mistério "whodunnit". O filme alterna a meio do mistério noir num tratado apaixonado contra o preconceito e a intolerância, contra o tipo de ódio que, como diz Finlay, "é como uma arma carregada", pronta a disparar a qualquer momento. A fonte do romance do filme era sobre o preconceito anti-homossexual, mas a mensagem é traduzida para o anti-semitismo de Hollywood, também porque qualquer menção explícita sobre a homossexualidade ainda era impossível no cinema da altura, e por causa de ser um filme sobre o fanatismo anti-judaico seria sem dúvida ainda mais relevante nos anos do após a guerra, como os horrores dos campos de extermínio a tornarem-se do conhecimento público.
Crossfire é o raro típico filme que sobrevive ao tempo para manter o seu poder na era moderna. As situações que retrata continuam a ser actuais, o firme exame directo ao ódio irracional - seja racial, étnico ou sexual - torna-o um filme importante. Pela primeira vez, as sombras do noir não são apenas para esconder uma outra história de damas más ou homens gananciosos. Em vez disso, o que se esconde nas sombras é tanto mais familiar ou assustador: o ódio de um homem por causa do modo como ele nasceu, a violência incubadas nos sentimentos do preconceito e da parcialidade, as sementes do genocídio plantadas nas mentes de pessoas aparentemente vulgares que carregam o seu ódio como armas carregadas.

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sábado, 11 de maio de 2013

O Arrependido (Out of the Past) 1947


Jacques Tourneur dirigiu um dos maiores noirs de todos os tempos com Out of the Past, que também deu a Robert Mitchum um dos seus dois maiores papéis (o outro foi o de The Night of the Hunter). 
Mitchum interpreta Jeff Bailey, um trabalhador de um posto de gasolina que namora com uma rapariga local, Ann (Rhonda Fleming), com quem está tentando fazer uma vida normal. Mas o seu passado persegue-o e ele é forçado a terminar uma história iniciada noutro ponto da vida. Trabalhar para um rico gangster (Kirk Douglas), é enviado para a América do Sul para encontrar a namorada errante do gangster, Kathie (Jane Greer). Mas em vez de trazê-la para casa, apaixona-se por ela e fogem juntos.Mas o gangster não vai desistir de procurá-los.
Tendo-se formado na escola de cinema de Val Lewton, Tourneur era um mestre das sombras e da escuridão, e como tal era uma realizador mais adaptado ao noir, do que a qualquer outro género. O filme começa de um modo muito brilhante, mas no momento em que Jeff se afunda de volta para o submundo das sombras, a escuridão começa a invadir cada frame. Até os cantos das salas, portas e janelas, conspiram contra ele, fechando-o e impedindo-o de entrar em cena. Daniel Mainwaring adaptou a sua novela, "Build My Gallows High", sob o pseudónimo de Geoffrey Homes.
Explicar o enredo de "Out of the Past" seria uma tarefa difícil e, francamente, o argumento do filme não pretende ser claro. É como um sonho, um quebra-cabeças pelo qual Mitchum vai caminhando. É a viagem ao presente, passado e novamente ao presente seguindo um caminho até a um final fatalista, que é o que torna o filme tão interessante. A maior parte do filme nem sequer parece noir. A High Sierra sem núvens e o verão mexicano parecem brilhantes demais para um noir. Mas Out of the Past é sem dúvida um dos maiores e mais originais, com algumas das suas qualidades a serem produtos do seu tempo, ao passo que outros aspectos garantem, pelo contrário, a sua atemporalidade. O filme atravessa a linha entre estas duas identidades, equilibrando cada uma numa perfeita sincronia, sempre com fortes indícios de que um verdadeiro artesão está no comando. Ironicamente, o nome de Jacques Tourneur não é dos primeiros que vêm à mente quando se fala dos grandes realizadores da altura como John Huston, Billy Wilder, Nicolas Ray ou Stanley Kubrick, os quais dirigiram alguns dos melhores noirs. Mas isso nunca vai mudar o facto de que Tourneur saltou a cerca com Out of the Past.
O filme estreou em Inglaterra com o mesmo título do romance, mas os distribuidores americanos mudaram para o título mórbido e mais simples Out of the Past. Seria refeito em 1984 com o nome de Against All Odds, e com Jeff Bridges, Rachel Ward e James Woods nos principais papéis.

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