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domingo, 3 de abril de 2022

Que há de Novo, Gatinha? (What's New Pussycat) 1965

 Michael James, um conhecido mulherengo, quer desesperadamente ser fiel à sua noiva Carole, mas depara-se com sérios problemas, já que todas as mulheres que conhece apaixonam-se por ele. O seu psicanalista, o Dr. Fassbender (Sellers), também não pode ajuda-lo, porque anda ocupado a cortejar uma das suas pacientes, que por sua vez está interessada em Michael. Uma catástrofe aparece no horizonte, quando todos os personagens se hospedam no mesmo hotel para passar o fim de semana, sem saberem uns dos outros.
Supostamente baseado na vida amorosa de Warren Beatty, apontado para ser o protagonista mas depois substituído por Peter O´Toole, com o próprio título a ser uma das suas famosas expressões, tinha Woody Allen com um dos seus primeiros trabalhos (como argumentista e um dos principais papéis). As suas obsessões familiares com os problemas que o amor e o sexo trazem para uma relação são cómicas, mas são muito mais cruas do que os argumentos que Allen escreveria mais tarde, e a sua personalidade de gozador e apaixonado estão já quase totalmente formados aqui. 
Com realização de Clive Donner, o elenco, para além de O´Toole, Allen e Peter Sellers. contava com uma constelação de estrelas: Romy Schneider, Capucine, Paula Prentiss e Ursula Anderss. 

domingo, 23 de janeiro de 2022

Calígula (Calígula) 1979

 "Caligula" relata de forma directa a história da ascenção e queda do imperador Calígula César, o quarto dos 12 Césares do Império Romano, e um dos mais conhecidos depois de Júlio César. A história conta que Calígula foi um dos mais malvados que controlou Roma, e que o seu reinado foi violento, sangrento e corrupto. Estes factos coloriram a visão artística de Gore Vidal, que escreveu o argumento original do filme. Vidal procurou transmitir a personalidade e as acções de Calígula no contexto de um filme biográfico. Mo entanto, o produtor e realizador Tinto Brass procurou alterar o foco graficamente, ilustrando o comportamento libertino e decadente do governante. Mandava matar membros da familia e conselheiros, obrigava as esposas dos seus senadores a trabalharem num bordel da sua própria construção, dorme com o cavalo, lambe o corpo nú da sua irmã mora, viola uma noiva e um noivo na recepção do seu próprio casamento, até ser vitima de um assassinato sangrento.
O filme foi amplamente discutido antes do seu lançamento. Muita atenção foi dada às cenas sexuais antecipadas, que mais tarde dominariam todas as criticas e considerações do trabalho. O filme foi financiado por Bob Guccione, editor da revista Penthouse, e custou 15 milhões de euros em finais da década de 70. Gore Vidal rejeitou as sugestões de Guccione de escrever cenas de cariz sexual no argumento, e acabou por processar o produtor por trer ignorado o seu pedido, e ter o seu nome removido dos créditos. Depois de verem a versão final, a maioria dos actores principais tentaram dissociar-se do filme, mas os seus nomes foram mantidos nos créditos. 
Guccione sabia que o filme nunca iria ser aprovado pela MPAA, então nunca o submeteu. Em vez disso, rotulou o filme de "apenas para audiências adultas", e instruiu os donos dos cinemas que o filme não podia ser exibido para audiências com menos de 18 anos. Foi produzido em Itália, mas quando chegou à alfândega dos Estados Unidos foi considerado obsceno. O tribunal acabaria por deixar o filme entrar no país alguns meses depois, mas a história de proibições ao filme estava apenas a começar. 


domingo, 23 de outubro de 2016

Sombras Brancas (The Savage Innocents) 1960

Inuk é um esquimó que, ofendido por um padre, comete um assassinato. Perseguido pela polícia,  aventura-se pelo inóspito norte canadiano em busca de refúgio.
Para uma mais moderna audiência "The Savage Innocents" pode apresentar vários problemas. Para começar temos um animal que é morto na tela, e nestes tempos pré-CGI ele é morto de verdade. Na sequência de abertura vemos um urso polar a nadar nas águas geladas, antes de ser atingido por dois arpões e começar a sangrar para o mar. Num documentário sobre o povo Inuit bem podíamos esperar por isso, mas numa longa metragem de ficção somos apanhados de surpresa.
Depois há o casting. Apesar da história ser sobre o povo Inuit, ou povo esquimó como eram também conhecidos, há poucos deles no filme. O personagem principal é interpretado por um actor nascido no México (Anthony Quinn), e a sua restante família é interpretada por uma mistura de actores chineses e japoneses. São quase tão credíveis como Marlon Brando o era a fazer de japonês em "Teahouse of the August Moon". A vida dos esquimós é romantizada como o tinha sido por Robert Flaherty no seu filme de 1922, "Nanook of the North", e observada a partir de uma perspectiva então moderna (1959). Até o título do filme trai este ponto de vista, sugerindo que os esquimós são "selvagens inocentes": "inocentes" porque não entendem os caminhos da então sociedade civilizada, "selvagens" porque não aderem ás suas restrições morais e comportamentais. 
O filme era distribuído por um estúdio de Hollywood, a Paramont, numa altura que não havia actores de origem étnica a trabalhar no cinema mainstream, obrigando os estúdios a escolher regularmente actores brancos para estes papéis. Anthony Quinn interpretou uma grande quantidade destes papéis ao longo da sua carreira, italiano em "La Strada", pintor francês em "Lust for Life", líder tribal árabe em "Lawrence of Arabia", e foi nomeado para o Óscar como protagonista em "Zorba, the Greek". E não nos podemos esquecer que o primeiro filme feito por um realizador esquimó, e com um elenco esquimó, só aparecia em 2001, chamando-se "Atanarjuat, The Fast Runner". "The Savage Innocents" mostra os esquimós no seu estilo de vida numa forma surpreendentemente positiva. Inclui elementos que seriam considerados pela chamada sociedade civilizada de primitivos, e apresenta-nos o povo esquimó nas suas acções diárias. 
Foi mais um filme de Ray a ser criticado na altura da estreia, e a ser recuperado anos mais tarde, sendo dos seus filmes menos conhecidos. Peter O´Toole é um dos perseguidores de Anthony Quinn, estreia-se aqui no cinema, nas longas metragens.

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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Lord Jim (Lord Jim) 1965



Baseado num conto de Joseph Conrad, "Lord Jim" é uma história de um homem em busca de redenção, por um acto de covardia que surgiu a partir da própria fragilidade humana. "Lord Jim" conta com Peter O'Toole na pele do personagem do título, um jovem oficial na Marinha Mercante, que se desgraça ao abandonar o navio. Desonrado procura uma forma de aliviar o seu erro, não apenas perante os olhos da marinha inglesa, mas também perante si próprio. Entretanto, recebe a dura missão de entregar um carregamento de dinamite, algures num local desconhecido do Oriente, e acaba por se unir aos nativos locais na sua luta contra O General (Eli Wallach), um rude opressor. Pelo caminho ele conhece Brown (James Mason), um pirata que tem um plano misterioso e que irá colocá-lo em confronto com o seu verdadeiro destino.
Realizado por Richard Brooks, no auge da sua popularidade, durante a década de sessenta, "Lord Jim" é um filme que viveu na sombra de uma outra grande obra interpretada pelo mesmo protagonista, Peter O´Toole. Estou a falar, é claro, de "Lawrence da Arábia", de David Lean. Há uma relação simbiótica entre estes dois filmes, isto porque a personagem do romance de Conrad deu a hipótese a O'Toole de trabalhar mais um anti-herói, igualmente forte e mentalmente desgastante. O filme de David Lean era um exercício de poética cinematográfica, construido sobre uma estrutura de estudo de personagem, Brooks oferece uma estrutura filmíca rigorosa. Enquanto as versões anteriores de Brooks de obras de Dostoyevsky, Williams, e Fitzgerald foram prejudicadas pelos caprichos de Hollywood, "Lord Jim" abriu-lhe uma janela para ele fazer o filme que quisesse, sem falsos finais felizes impostos, mas a sua visão acabou por irritar mais gente do que era esperado.
Estilisticamente, Lord Jim é um retrato da técnica cinematográfica em transição, dividida entre a mística de Hollywood e autenticidade de uma abordagem mais moderna. Não foram apenas as raízes de Conrad que fazem "Lord Jim" parecer um precursor de Apocalypse Now, entre outros, mas o seu desejo de se envolver mais a sério em temas como a raça e a sexualidade, política e o carácter pessoal, deixam o filme um pouco abaixo das suas expectativas. Ainda assim é um grande épico da década de 60.

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