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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

11 Anos de Thousand Movies /Times Are Changing, Not Me (2012)

Hoje os Thousand  Movies completam o bonito número de 11 anos. 11 anos a passar filmes para todos vós, uma longa luta que parece não ter fim.
Nesta data especial tenho um pequeno presente para vós, um filme que se estreia hoje online, e que foi co-realizado pelo José Oliveira, a Marta Ramos e o Mário Fernandes. Três velhos amigos aqui deste sitio que em 2012 fizeram este documentário sobre o realizador Manuel Mozos, outro nome bem respeitado aqui por este local.
O nome deste documentário reflete bastante bem o que se passa por aqui: "Times are Changing, Not Me". A verdade é que ao longo deste tempo as coisas não mudaram muito por aqui, mas provavelmente é preciso um espaço assim, e eu acredito no que faço, por isso tenho mantido as coisas sempre assim.
Sobre este filme, o José Oliveira disse o seguinte: "Esta frase é do Pat Garrett & Billy the Kid (Duelo na Poeira, 1973) e resume um pouco o cinema do Mozos, esta relação de resistência. Isto apesar do Xavier, por exemplo, ser um filme completamente moderno, pois está sempre a extravasar, a inventar coisas novas, aquele travelling na Alameda, a construção coral das várias personagens que se cruzam com o Xavier, aquele rodopio. E depois a câmara e a montagem do Manuel vão sempre atrás daquilo com relações ultra complexas. Mas apesar de tudo já ninguém filma assim, ou pouca gente. “Times are changing but not me” é uma crença que se podem ainda utilizar muitas coisas do passado, de um grande cinema, que o Mozos viveu. O Mozos num texto magnifico sobre o Peckinpah fala disso, das grandes salas de cinema, que os filmes dele só se poderiam ver em salas monumentais, com ecrãs monumentais, com cadeiras todas partidas, com a película a partir no meio do filme. Um grande cinema que ele conheceu, esse ritual, essa experiência religiosa de ir ao cinema. Hoje vemos os filmes nos shoppings ou na internet, são novas maneiras. Mas ver o cinema nessas condições do passado importa para muitas coisas. Por exemplo, vês hoje um filme do Manuel ou do Pedro Costa, que viveram esta forma de fazer e ver o cinema, e reparas como as escalas de planos, os detalhes, como se filma um rosto, um corpo, tudo é diferente por causa dessa experiência que tiveram. Por outro lado, a geração de hoje já não filma dessa maneira pois sabe que a dimensão do ecrã em que vamos ver o seu filme é menor. As escalas vão diminuindo ou vão sendo mais dispersas." 
Optem sempre por verem os filmes numa sala de cinema, sempre que for possível. Quando não for possível, sabem onde podem vir ter.

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domingo, 16 de dezembro de 2018

Longe (Longe) 2016

Em “Longe”, José Oliveira criou uma obra admirável na sua aparente simplicidade, sempre tão difícil de alcançar, e que deixa claro que a vontade do realizador para continuar a fazer cinema é imensa.
 O tempo avança, a geografia altera-se, novas tecnologias surgem, mas os temas essenciais da existência são quase sempre os mesmos desde que se começaram a narrar as primeiras histórias em todas as culturas do mundo. Uma boa história não é matéria suficiente para dar um bom filme, outros factores relacionados com o uso linguagem do cinema são mais decisivos, são esses que definem a importância de um filme.
Os primeiros planos de “Longe” definem de imediato a estrutura formal do filme: o rigor dos enquadramentos e os longos planos fixos. A acção desenrola-se dentro do plano e não é a câmara que procura a acção em piruetas ou outros efeitos de encher o olho, mas acompanhando à distância o périplo de um homem, de passado desconhecido, no regresso à grande cidade, a lugares, ao encontro de velhos amigos e de uma filha de quem só tinha conhecimento da existência por carta. 
Com uma fotografia e som exemplares, mas sem música decorativa a preencher os vazios, apenas o som da água, do vento, do burburinho da cidade, das vozes ao longe ou dos personagens nas poucas falas. Este regresso a um cinema de narrativa linear clássica, depurado e resistente, estabelece um paralelo com o regresso do protagonista, que não sabemos de onde vem, nem as causas da sua ausência, tal como alguns personagens de antigos filmes. 
José é o nome do homem que vem de longe. Dos canaviais junto às margens de um rio, apresenta-se de corpo inteiro, como um solitário fordiano que atravessa lentamente um território que já foi o seu em tempos idos.
* Texto escrito pelo Daniel Curval. Podem ler o resto aqui, mas aconselho a fazerem-no depois de verem o filme.
"Longe" foi produzida pela Optec, e foi das curtas metragens mais faladas de 2016, tendo sido exibida em festivais como Locarno, Caminhos do Cinema Português, Encontros de Cinema do Fundão e no BH International Film Festival.

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