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terça-feira, 19 de março de 2019

A Quadrilha (The Outfit) 1973

Earl Macklin está sedento de vingança. Ele quer vingar a morte de seu irmão e não vai hesitar um só instante em seu objetivo até acertar as contas com os responsáveis, nem que tenha que mandar para o inferno todos aqueles que tentarem impedi-lo.
Em linhas gerais o que temos aqui é um filme na linha da vingança cega e obstinada, marca registada de Richard Stark, também autor de "à queima roupa" (point blank), de John Boorman, e que trazia Lee Marvin em seu melhor papel. Se Boorman se aproveita da história para criar um filme policial ultramegaestilizado que, em alguns momentos, se torna uma bela investigação sobre a memória, John Flynn, ao contrário, entrega um filme de ação genuíno, perfeito, objetivo. Era essa a sua característica: a objetividade. Talvez ele a tenha herdado de Robert Wise, com quem trabalhou em "homens em fúria" (odds against tomorrow). Ele vai direto ao assunto, sem firulas narrativas, dando a "a quadrilha", com o auxilio luxuoso de uma câmera nervosa, o tom de urgência que a história pede. 
O elenco também ajuda - e muito! O papel de Earl Macklin caiu direitinho para Robert Duvall. Quem também está nele é Joe Don Baker (que puta ator!), Karen Black, Tim Carey e Robert Ryan. Com todos esses elementos, por que "a quadrilha" não é considerado um clássico do cinema ao nível de um "gun crazy", por exemplo? Vai saber... E ser subestimado era algo do qual John Flynn sabia. Mesmo tendo feito filmes muito bons como "na solidão do desejo" (the sargeant), "a outra face da violência" (rolling thunder); "a marca da corrupção" (best seller); e "fúria mortal" (out for justice), seu nome é, no mais das vezes, associado pela critica àquela pecha de filmes descartáveis, sem muito conteúdo, sem que neles fossem observadas as sutilezas em sua objetividade realista. 
Depois desse filme há que ser pensado: a obra de John Flynn não seria merecedora de uma revisão? 
* Texto do Alexandre Mourão.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Capítulo 6 - Policial

Brigada de Homicídios (Homicide) 1991
O detective Bob Gold (Joe Mantegna) tem de capturar um assassino que nem o FBI consegue apanhar. Mesmo antes de começar é enviado para outro caso do assassinato de uma velha senhora judia numa zona habitada por negros. As evidências apontam para um grupo de ódio aos judeus, mas o caso não é tão linear como parecia à primeira vista.
"Homicide" era o terceiro filme de David Mamet como realizador, depois de se estrear em 1987 com "House of Games", e "Things Change", de 1989, que já vimos neste ciclo, e é um dos seus filmes mais estranhos e atraentes. Embora comece como um thriller policial convencional, gradualmente transforma-se num psicodrama sobre a crise de identidade de um detective, que o leva a um mundo negro de organizações secretas e violência.
Com o director de fotografia Roger Deakins (favorito dos Coen) atrás da câmara, "Homicide" é um filme visualmente impressionante, que rapidamente desvia qualquer criticismo ao background teatral de Mamet. Concorreu no festival de Cannes de 1991.

Pacto Fatal (Best Seller) 1987
Ao planear a vingança contra um executivo corrupto, Cleve (James Woods), um assassino profissional, junta-se a um ex-policia (Brian Dennehy), agora tornado escritor de sucesso, para executar o seu plano. Mas essa aliança irá tornar-se perigosa, pois pode solucionar um caso misterioso, e os verdadeiros criminosos já estão no encalce destes dois homens.
Realizado por John Flynn, e com argumento de Larry Cohen, "Best Seller" tem o seu argumento mais forte na presença electrizante de James Woods, um dos grandes actores dos anos 80, sempre em papéis bastante complexos e em registos diferentes, acrescentado uma enorme complexidade ao personagem principal. É dificil imaginar outro actor neste papel, e o que leva a pensar se ele terá sido feito exclusivamente para o actor, já que ele mistura um charme maléfico com uma intensidade maníaca, atirando para segundo plano Brian Dennehy, que também tem uma admirável prestação.
O realizador John Flynn foi sempre um dos realizadores mais ignorados deste período, realizando dois filmes de culto dos anos 70, "The Outfit" e "Rolling Thunder", traz aqui uma qualidade extra ao filme. Podem ler um pouco mais sobre o filme aqui, num texto magnifico do João Palhares.

A Câmara Secreta (The Star Chamber) 1983

Steve Hardin (Michael Douglas), um jovem juiz precisa de dar satisfações à sua consciência quando criminosos deploráveis são libertados no seu tribunal devido à ação de advogados espertalhões que encontram buracos na lei. Hardin sente-se totalmente impotente até que descobre "O Esquadrão da Justiça", um pequeno grupo de homens poderosos determinados a estabelecer a sua própria justiça vigilante. Em reuniões secretas e a portas fechadas, eles decretam as suas próprias sentenças para os culpados que escaparam do sistema sem pagar pelos seus crimes.
"A Câmara Secreta" tem para nos oferecer provocadores conflitos morais e éticos que lidam com a complicada dicotomia do sistema da justiça. Por um lado as leis existem para proteger as pessoas inocentes de serem exploradas pelos agentes da polícia, por outro lado podem não ser suficientes para condenar pessoas que se sabe que são culpadas, com os criminosos a conseguirem escapar às grades. Isso coloca a questão de se as leis devem ou não ser seguidas, e se a protecção do público esta comprometida.
Reakizado por Peter Hyams, contava ainda com Hal Holbrock no papel de um grupo de policias renegados, depois de um papel muito parecido em "Magnum Force".

Os Duros Não Brincam (Though Guys Don´t Dance) 1987
A maior parte da história é contada em flashback: Dougy Madden (Lawrence Tierney) visita o filho Tim (Ryan O´Neal) pela última vez porque tem cancro. E Tim está a sofrer um bloqueio na sua criatividade, também por conta dos efeitos de muitos anos de bebida, drogas e sexo.A sexy esposa de Tim, Patty Lariene (Debra Stipe), deixou-o recentemente e ele tenta refazer a sua ligação com a ex-mulher Madeleine (Isabella Rossellini), que agora está casada com um chefe da polícia psicótico, Alvin Luther Regency (Wings Hauser).Um crime vai acontecer, e ele é o principal suspeito.
17 anos depois de "Maidstone", Norman Mailer, um escritor que já tinha ganho dois prémios Pulitzer, volta para trás das câmaras, num argumento promissor, homenageando o film noir. O argumento era baseado num livro seu, tendo ele próprio escrito o argumento com alguns toques nos diálogos de Robert Towne, que por sua vez já tinha recebido um Óscar num filme parecido, "Chinatown". Infelizmente tudo correu mal, e o filme foi uma das grandes desilusões dos anos 80. Acabou com a carreira de Ryan O´Neal, que nunca mais conseguiu entrar num filme decente, e conseguiu sete nomeações para os prémios negativos da moda, os Razzie Awards. Mesmo assim foi respeitado por uma pequena parte da crítica, que o classificou como um interessante neo-noir.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O Executor Implacável (Rolling Thunder) 1977

Ao regressar do Vietname, o Major Charles Rane (William Devane) é recebido como um herói na sua cidade natal, sendo reconhecido com um carro e uma mala com moedas de prata. Um grupo de mexicanos, próximos dali, ao saberem da notícia, vão atrás do major para o roubar. É assim que matam a sua mulher, o filho e danificam permanentemente a sua mão direita. A sede por vingança vai mover o Major, acompanhado pelo seu fiel companheiro (interpretado por Tommy Lee Jones).
A meia hora inicial desenvolve um claro contraste entre as posturas públicas verticais e as vidas privadas dos prisioneiros de guerra que chegavam do sudeste asiático. Paul Schrader era um jovem argumentista (30 anos) cuja raiva contida tinha muito a dizer sobre os efeitos posteriores da guerra do Vietname, que já tinha sido visto em obras anteriores, como "Obsession" de Brian de Palma, ou "Taxi Driver", de Martin Scorsese. Ele refugia-se no ranger dos dentes, em vez do flexionar os músculos num filme de acção convencional.  John Flynn, o realizador, a fazer um belo trabalho com exteriores, a filmar na fronteira entre o México e o Texas, embora algumas das paisagens se percam no processamento de cor barrenta, propositadamente. E a beleza da interp
retação de Linda Haynes, a groupie que se atira para a personagem de Devane, um toturado herói de guerra, é um bónus inesperado neste filme bastante másculo.
Um dos grandes filmes de culto dos anos 70.

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