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segunda-feira, 15 de julho de 2013
Elvis (Elvis) 1979
Um filme para TV baseado na vida de Elvis Presley parece ser um pouco redundante. Os fãs parecem já saber tudo sobre ele e a sua vida tem sido dissecada desde a sua morte prematura em 1977. Mas este filme foi lançado em 1979. Os detalhes da vida de Elvis Presley podem ter sido conhecidos por muitos, mas ainda havia um certo elemento de mistério sobre o homem, uma mistura de factos com anedotas e lendas. O filme começa com Elvis (brilhantemente interpretado por Kurt Russell) à espera de entrar entrar em palco para o seu famoso concerto no International Hotel, em Las Vegas. Ele esteve longe dos holofotes desde há algum tempo e está muito nervoso. Enquanto pensa em como o concerto irá decorrer, começa a pensar sobre a sua vida e os espectadores são levados ao longo de uma jornada que mostra como um jovem rapaz de Tupelo, no Mississippi, se tornou o rei do rock ‘n’ roll. Este filme, originalmente feito para a TV dos Estados Unidos, teve depois uma versão teatral em outras áreas, por uma importante série de razões. A principal razão é que ele foi a primeira colaboração entre Kurt Russell e o realizador John Carpenter. Os dois homens iriam passar a fazer uma série de excelentes filmes, alguns dos quais poderíamos falar de sólidos clássicos, mas este seria um começo muito bom para a sua relação de trabalho. Além de Russell, contava com Shelley Winters no papel de Gladys Presley, e uma série de actores habituados a trabalhar com Carpenter, como Season Hubley (no papel de Priscilla), e Charles Cyphers (o Sheriff de Halloween). Foi nomeado para 3 Emmys, e um Globo de Ouro.
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quinta-feira, 2 de maio de 2013
Fantasmas de Marte (Ghosts of Mars) 2001
"John Carpenter's Ghost of Mars" começa como um bastante eficaz filme de terror/sci-fi, e de seguida, desenvolve-se rapidamente para uma obra de acção que envolve um pequeno grupo de sobreviventes a metralhar hordas de zombies possuídos. Carpenter, que co-escreveu o argumento com Larry Sulkis, tem uma idéia central interessante (mesmo que tenha sido utilizada no filme de Mario Bava, de 1965, Planet of the Vampires), mas, no final, permite que a idéia se desenvolva para algo bem diferente.
O filme passa-se no ano de 2167. Marte foi colonizada por milhares de seres humanos que estão à cerca de uma década a terraformar o planeta de modo a que a atmosfera seja completamente como a da Terra. Uma característica interessante atirada para a história é que a sociedade marciana tornou-se matriarcal, de modo que a maioria das figuras de autoridade são mulheres, em vez de homens. Isto inclui Melanie Ballard (Natasha Henstridge), uma das oficiais superiores de um esquadrão da Força Policial Marciana que está a caminho da principal cidade do planeta, Chryse City, em Shining Canyon, um pequeno posto avançado de mineração. Vão lá buscar James "Desolation" Williams (Ice Cube), um famoso criminoso acusado de matar e decapitar seis trabalhadores da ferrovia.
Uma vez em Shining Canyon, o pequeno esquadrão da policia (a maioria dos quais são novatos) rapidamente percebe que alguma coisa está mal. Encontram os prisioneiros, incluindo Desolation, trancado na prisão, mas mais ninguém parece rondar o local. Descobrem corpos decapitados de dezenas de moradores pendurados de cabeça para baixo, e pouco mais tarde, os seus chefes são encontrados presos fora da cidade. De seguida, os restantes moradores tornam a sua presença conhecida, com olhos demoníacos, rostos rasgados e pedaços de metal encravados nas bochechas, narizes e ouvidos, e parecem-se com uma multidão barulhenta de um concerto de Marilyn Manson, completamente fora de si.
Parece que os moradores de Shining Canyon foram possuídos pelos fantasmas desencarnados de Marte, que foram libertados durante uma escavação arqueológica. Estes aliens, que se parecem com névoa vermelha quando não estão dentro de um corpo humano, vão fazer tudo para impedir os seres humanos colonizadoras de assumirem o seu planeta.
Assim, temos uma espécie de inversão do colonizador/colonizado dinâmica, possuindo os corpos dos invasores humanos e forçá-los a mutilarem-se para depois se matarem uns aos outros. Se Carpenter fosse um realizador mais político, o filme podia ser lido como uma acusação bastante interessante da mentalidade colonial ocidental, que tem sido a principal causa dos problemas na Terra - da vasta disparidade económica do homem, à escravidão nos últimos 1.000 anos.
Mas, Carpenter provavelmente não queria que as pessoas lessem o filme de um modo tão intelectual, e transforma-o num filme de livre acção, que é exatamente o que "Ghosts of Mars" é. Para nos manter longe de pensar, Carpenter preenche o filme com violência, caos e os incessantes acordes de guitarra eléctrica que ele mesmo compôs. Certifica-se que não nos preocupamos com outras personagens, excepto Melanie e Desolation, que são os únicos que têm mesmo personalidade. Os outros policiais, incluindo Jericho (Jason Statham), que é um devasso sexual, ou Bashira (Clea DuVall), que não tem qualquer tipo de personalidade perceptível, são simplesmente carne para canhão.
"Fantasmas de Marte" é muito melhor nas sequências de abertura, como o mistério do que aconteceu a ser lentamente revelado numa série de flashbacks dentro de flashbacks. Sulkis e Carpenter usam uma estrutura narrativa bastante complexa, permitindo que a história seja contada através de Melanie, enquanto esta relata o que aconteceu a uma comissão de averiguação. Aproveitando-se da vermelhidão sinistra de Marte, Carpenter e o director de fotografia Gary B. Kibbe (que já tinha trabalhado em praticamente todos os filmes de Carpenter desde 1987) dão ao filme uma densa bizarrice estéril, como se as cenas fossem literalmente encharcadas de sangue . É lamentável, contudo, que Carpenter não tivesse uma ideia mais inspirada para a última parte do filme, repetitiva, cheia de violência, e uma explosão nuclear. O resto do filme era bom demais para se contentar com isto.
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Vampiros de John Carpenter (Vampires) 1998
A história de "Vampires" é que a Igreja Católica tem financiado secretamente grupos de caçadores de vampiros. James Woods interpreta Jack Crow, líder de uma dessas equipas. Quando o filme começa, Jack e a sua equipa de caçadores conseguem aniquilar um ninho de vampiros no Novo México, mas perdem o "mestre", um super vampiro chamado Valek . Naquela noite, enquanto os caçadores apanham uma overdose de álcool e sexo num hotel barato, Valek aparece e chacina quase toda a equipa. Crow, o parceiro Montoya (Daniel Baldwin) e uma prostituta (Sheryl Lee) conseguem escapar, mas a prostituta foi mordida. Crow planeia usar a ligação psíquica que resulta da mordida de vampiro para descobrir Valek. Mas Valek tem um outro plano que lhe dará a capacidade de sobreviver à luz do sol, dando a Crow um incentivo extra para encontrá-lo.
Um dos problemas mais preocupantes sobre "Vampires" é a misoginia do filme. Vive muito dos ferimentos da vampira, para não mencionar a forma como a câmera incide sobre Sheryl Lee cada vez que ela está atada, e são muitas as vezes. O exemplo mais preocupante, contudo, é a relação entre Montoya e Katrina (personagem de Lee). Porque ela em breve irá se transformar num vampiro, Crow trata-la como tal. Montoya, por outro lado, apaixona-se por ela.
"Vampires" deve muito da sua existência à dupla Tarantino/Rodriguez e a uma ideia chamada "From Dusk Till Dawn"(1996). Este mais recente filme tem muitos detalhes do filme de Rodriguez, desde os cenários do sudoeste americano até à banda sonora (composta pelo próprio Carpenter, como de costume) e os protagonistas vestidos de couro. Embora os vampiros do filme de Carpenter sejam mais inspirados por Anne Rice do que pelos monstros de Tom Savini que apareciam em "From Dusk till Dawn", é óbvio que "Vampires" está a tentar capitalizar sobre a popularidade do primeiro, que já é um filme de culto.
Thomas Ian Griffith é credível como Jan Valek, um vampiro mestre com 600 anos de idade. É uma criatura de poucas palavras, pouco atraente e ciente de uma enorme brutalidade. Carpenter queria que os vampiros neste filme fossem menos convencionais, pois eles não são atraentes, nem sexies. Também são afectados por cruzes e por alho. Simplificando, são apenas monstros diferentes, e Griffith era perfeito para estabelecer este elemento.
"Vampires" era originalmente para ser dirigido por Russell Mulcahy, com Dolph Lundgren no papel de protagonista.
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quarta-feira, 1 de maio de 2013
Fuga de Los Angeles (Escape from LA) 1996
Em 1998 um candidato à presidencia (Cliff Robertson) prega na sua campanha que Los Angeles precisa de ser "punida" pelos pecados que contém. No ano 2000 a cidade é separada do continente por um grande terremoto e transforma-se num local para onde todos os indesejáveis são remetidos. No ano 2013 o candidato do final do milénio tornou-se presidente vitalício mas a sua filha (A.J. Langer), não concordando com a política ditatorial do pai, que suprimiu uma série de liberdades individuais, rouba uma "caixa preta", que tem o poder de "desligar" todo o planeta e entrega-a ao principal líder (Georges Corraface) de Los Angeles. Assim, um aventureiro (Kurt Russell), que é um misto de herói e fora-da-lei, mas que em 1997 tinha salvo o presidente dos Estados Unidos, é "convocado" pelo actual presidente para recuperar a caixa e matar a filha, e se ele não cumprir a missão em menos de dez horas será morto por um vírus que foi colocado no seu sangue.
Escape From New York(1981) continua a ser a dos grandes filmes de acção e sci-fi. Uma obra inteligente, imaginativa e espirituosa de fantasia, que colocava a idéia de que Nova York estava a ser transformada numa prisão de segurança máxima, num mundo de crescente violência e brutalidade. Embora o filme não tivesse feito grande coisa nas bilheteiras (além de Halloween e Starman, poucos filmes de Carpenter fizeram um bom resultado na bilheteria), rapidamente se tornou numa grande peça de culto e os fãs pediram outra aventura de Snake Plissken. Em 1996, Carpenter e o seu protagonista preferido, Kurt Russell, finalmente cederam à pressão, e fizeram uma sequela.
Mais uma vez, Plissken é colocado na posição de ter de salvar o mundo - uma tarefa que ele realmente não gosta de fazer. Com o seu tipo de cansado do mundo, é, em muitos aspectos, um ainda mais escuro anti-herói do que tinha sido no primeiro filme. Claramente inspirado na personagem lacónica de Clint Eastwood, o "Man with No Name", Snake caracteriza uma figura impressionante deslizando através de uma paisagem pós-apocalíptica, impulsionado pelo desejo de auto-preservação em vez de um desejo de ajudar um mundo em que ele não tem mais nada a ver.
O argumento de Carpenter, Russell e da produtora Debra Hill trabalha sobre um determinado comentário social - Se "They Live" (1988) era uma crítica da era Reagan, "Escape from LA" tem o mesmo efeito sobre a administração Bush. Enquanto o presidente no primeiro filme (interpretado por Donald Pleasence) era humildemente ineficaz e sensível, desta vez o presidente (interpretado com fervor religioso por Cliff Robertson) é um louco que é capaz de tudo para atingir o seu objectivo.
Foi rodado com orçamento consideravelmente grande, mas morreu rapidamente no box-office. As crtiticas não foram muito positivas, no entanto, foi defendido ferverosamente por Roger Ebert (que normalmente não era muito apreciador de Carpenter). Embora longe de ser dos melhores trabalhos do seu talentoso realizador, ainda é muito melhor do que a média dos filmes pós-apocalípticos.
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A Cidade dos Malditos (Village of the Damned) 1995
A pequena comunidade costeira de Midwich cai sob um feitiço assustador que faz com que toda a cidade, de repente, fique em black out. Quando as mulheres despertam, encontram-se grávidas por alguma força desconhecida. Os filhos resultantes chegam todos de perfeita saúde e possuiem uma inteligência incrível, mas trás do seu olhar frio, e insensível existe um segredo terrível que os vai fazer matar para o manter oculto. "Village of the Damned" foi revivido em 1995 pelo ícone do terror John Carpenter, que muitos consideram ser o seu primeiro deslize para um declínio do realizador. Apesar de se manter fiel ao romance clássico de John Wyndham, "Village of the Damned" é feito como se fosse um drama feito para a televisão, oferecendo muito menos sustos do que a adaptação para o cinema do início dos anos 60.
Carpenter joga um pouco com a ideia de que as crianças-demónio podem ser capazes de se tornar algo mais emocional e humano sob certas circunstâncias: o pequeno David (Thomas Dekker), na verdade, desenvolve uma espécie de compreensão da dor e perda, pois ele é o único do grupo sem um companheiro. Essa idéia, no entanto, é aparentemente menor para qualquer discurso intelectual, talvez para permitir a possibilidade de uma sequela. (A sequela que se esperava e nunca aconteceu.)
O elenco é bastante eclético, e não há muitos rostos familiares da obra de Carpenter. Christopher Reeve (no seu último papel antes do trágico acidente) tem uma liderança sólida, que traz bastante presença na tela para o papel do médico da cidade. O resto dos personagens paracem realmente sinto colocados para ampliar a contagem de corpos. Temos Mark Hamill como o padre da cidade, o grande George "Buck" Flower, ou Kristie Alley, como contraponto romântico.
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terça-feira, 30 de abril de 2013
A Bíblia de Satanás (In the Mouth of Madness) 1994
Sam Neill interpreta John Trent, um investigador de seguros que está preso num asilo de loucos, assombrado na sua própria cela por um demónio sombrio. Depois de um médico se aproximar de Trent, a história desenrola-se como uma extensa busca em flashback para explicar a sua condição psicótica. Trent foi designado por uma editora cujo escritor-estrela é Sutter Cane (muito bem interpretado por Jurgen Prochnow), aparentemente desaparecido. O seu desaparecimento segue o seu mais recente lançamento em livro, um evento que desencadeia a histeria entre os seus leitores, porque quando as lojas ficam sem mais cópias para venda, os fãs começam a enlouquecer. Trent vai investigar o desaparecimento do escritor, mas está longe de imaginar o que está para vir...
Depois de um encontro desastroso com a máquina do estúdio de Hollywood em 1992, em Memórias de um Homem Invisível, John Carpenter tirou umas férias do cinema durante dois anos, só surgindo para dirigir e apresentar um episódio de uma antologia irregular para a tv cabo intitulada "Body Bags". A sua carreira tinha vindo a ser prejudicada pelo fracasso de The Thing (1982) e o seu entusiasmo pelo processo fílmico tinha azedado gradualmente. 1994 era o ano de "In the Mouth of Madness", e apesar de uma recepção calorosa mas pobre na bilheteria, dava evidências sólidas de que, se lhe fosse dado material decente e controle criativo, Carpenter ainda era um talento viável.
Uma homenagem auto-reflexiva a Stephen King e, em particular, a HP Lovecraft, o filme misturava o film noir, terror e surrealismo de uma forma verdadeiramente eficaz e original. Muito mais experimental do que a maioria dos seus outros trabalhos - Carpenter, afinal de contas, tinha-se modelado filme após filme - e continuava o seu fascínio por protagonistas duros, cenários claustrofóbicos e sequências bem orquestradas e assustadoras. O argumento escrito por Michael De Luca é repleto de toques e idéias inteligentes, e uma abordagem sensata e sólida do realizador, com o material a dar-lhe assunto para enveredar surpreendentemente bem pelo imaginário surrealista. Embora muitas vezes criticado por ser um filme que começa bem, mas perde vapor no final, eu diria que é um dos projetos realizados com mais sucesso do realizador. O final espiritual não oferece qualquer senso de conclusão ou explicação, e isto talvez seja um problema para alguns espectadores, mas se encaixa perfeitamente na divertida abordagem de auto-reflexão do do filme.
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segunda-feira, 29 de abril de 2013
Memórias de um Homem Invisível (Memoirs of an Invisible Man) 1992
Chevy Chase é o protagonista como o preguiçoso empresário Nick Halloway, um homem tão aborrecido com a vida e com a sua carreira que passa a maior parte do tempo a fugir das responsabilidades. Uma noite, enquanto tentava dormir por causa de uma forte ressaca, num misterioso prédio de escritórios, Nick é atingido por uma estranha explosão proveniente de uma experiência científica que fica fora de controlo, tornando o seu corpo e as roupas invisíveis a olho nú - as pessoas podem literalmente ver através dele. Um grupo de desonestos agentes do governo, liderados por David Jenkins (Sam Neill), quer apoderar-se da oportunidade de obter o que poderia ser a melhor arma secreta de espionagem, um agente invisível, e por isso tentam capturar Nick. Nick não está muito entusiasmado com a idéia de ser picado e incitado a fazer experiências, e apenas com a ajuda da beleza que acabou de conhecer, Alice Monroe (Daryl Hannah), tenta fugir dos seus perseguidores.
Uma pequena raridade, "Memórias de um Homem Invisível" é um thriller sério cerca de metade do tempo, e uma comédia durante mais um quarto, sendo o resto do género romântico. Este é um daqueles filmes que tenta agradar a muitos públicos, para no fim acabar por não agradar a ninguém. Isto não quer dizer que seja um filme mau, mas não é forte o suficiente em qualquer género em particular para ser recomendado a qualquer grupo específico. O realizador John Carpenter continua a sua obra consistente (mesmo sendo inconsistente, por vezes), com esta obra a mudar de tema e substância, tendo em conta a carreira de Carpenter, certamente uma encomenda de um estúdio grande que pensava que deveria haver mais comédia e romance num filme sério sobre um homem que descobre que perdeu a sua visibilidade (literalmente).
Memórias de um Homem Invisível, no meio de todas as suas ambições, só é verdadeiramente bem sucedido como uma montra de efeitos especiais, e só por isso vale a pena ser visto.
O romance entre Chase e Hannah também não é explorado com muita profundidade, e isso não ajuda que o actor seja envolvente o suficiente do ponto de vista romântico. No entanto, o filme como um todo até é uma obra bastante interessante, ainda que bastante esquecido dos fãs do realizador.
Custou 40 milhões de euros, e nem 15 fez nas salas americanas.
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O Príncipe das Trevas (Prince of Darkness) 1987
Quase uma década depois de Halloween, o realizador John Carpenter tentou fazer outro filme sobre a "pura maldade". Um grupo de cientistas reúne-se para tentar decifrar o que de estranho na cidade está a acontecer, quando os esquizofrénicos estão de alguma forma em sintonia. Eles reúnem-se em volta do edifício olhando ameaçadoramente (liderado por um psico Alice Cooper). Isto por vezes pode não fazer muito sentido, mas é um puro Carpenter, uma tentativa de fazer mais um filme de baixo orçamento que ele controla desde a concepção até a conclusão. E isso diz tudo.
Uma seita secreta de sacerdotes, The Brotherhood of Sleep, com quase 2.000 anos, funcionam como guardiões de um estranho vasilhame nunca tocado por mão humanas. Segundo esta Irmandade, esta é a essência líquida do próprio Satanás. Sentindo que o momento da destruição apocalíptica está a chegar, Loomis implora ao professor Birack para aplicar métodos científicos com o objectivo de descobrir a verdadeira natureza da coisa. O professor monta uma equipa com os seus melhores alunos da pós-graduação para começar uma investigação imediata. Juntam-se à tarefa outros especialistas da universidade, em várias disciplinas científicas e até mesmo línguas antigas. A pesquisa ainda nem começou realmente quando coisas estranhas começam a acontecer dentro e ao redor da igreja...
A história de "O Príncipe das Trevas" consegue ir muito longe. Fala-se da antimatéria, de feixe de transmissões do futuro e de um Jesus extraterrestre que aparece na Terra para alertar a humanidade sobre a vinda do "Anti-Cristo", o pai de Satanás. Para que estas idéias se transformem no equivalente cinematográfico a uma sessão de terror, Carpenter monta um cenário assustador com uma série de emoções equivalentes a filmes de casas mal assombradas. O mal é finalmente liberto e começa a infectar os pesquisadores, um por um. Alguns são "demónios" possuídos enquanto outros são mortos para serem ressuscitados como zombies. Dada a natureza selvagem da história e das situações, Carpenter de forma inteligente depende de um elenco composto por actores de confiança, com quem ele já tinha trabalhado anteriormente.Pleasance, Victor Wong, Dennis Dun, além de Peter Jason, que trabalhava pela primeira vez com Carpenter.
Aqui, o realizador está nitidamente num terreno muito familiar, aumentando habilmente a tensão, se bem que o filme treme um pouco nas cenas principais que envolvem a manifestação física deste "Gás de Satanás '.
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domingo, 28 de abril de 2013
As Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim (Big Trouble in Little China) 1986
Kurt Russell interpreta como o camionista Jack Burton, que se vê no meio de uma antiga guerra, quando a noiva de um grande amigo é raptada diante dos seus olhos. O mais estranho neste rapto, é que os homens que a levaram não são exatamente homens, mas fantasmas à procura do regresso do maligno feiticeiro Lo Pan, para a mortalidade através do casamento e do sacrifício de uma certa mulher de olhos verdes. Com a ajuda de um grupo de homens do bairro de Chinatown de San Francisco, Jack agora entra no mundo do sobrenatural para resgatar a jovem e derrotar Lo Pan de uma vez por todas.
A homenagem de John Carpenter aos filmes de kung fu e aos seriados de aventura à moda antiga, estava uns bons 10 anos à frente do seu tempo - naturalmente, foi um fracasso na bilheteria. Mas Big Trouble in Little China viria a tornar-se num favourite cult nos clubes de vídeo e na TV por cabo. E merecidamente, por uma razão muito simples: é um dos melhores filmes de aventuras dos anos 80.
Carpenter e os argumentistas não estão muito preocupados com a lógica ... Nem deve estar o espectador. O filme está virado para a aventura, fantasia e o humor. O ritmo é furioso, a acção abundante e bem encenada. Carpenter claramente gosta do cinema de artes marciais asiáticas, e diverte-se com as convenções do género, sem gozar com elas. Os efeitos especiais, embora tenhamos de ter em conta que estavamos em 1986, são bastante competentes.
Big Trouble in Little China marca a quarta colaboração entre o realizador John Carpenter e o actor Kurt Russell, que pela primeira vez se juntaram em 1979, no filme feito para TV, Elvis. Dois anos mais tarde, Russell seria a estrela principal em Escape from New York, seguido pelo clássico Sci Fi/terror, The Thing, duas obras que dariam o tom para a mistura entre o herói solitário, camp humor, e o cinema de terror, que eram tão típicos na obra do realizador.
Big Trouble é uma miscelânea de Carpenter, pois é um cruzamento de vários géneros, e na maioria das vezes, a pura loucura da mistura fornece a maior parte do combustível para o fogo do sucesso do filme em ser interessante. Era o filme mais caro de Carpenter até então, tendo custado um total de 25 milhões de dólares, que já era muito para aquela altura. Tendo feito apenas metade nas bilheteiras, viria a tornar-se em mais um filme de culto.
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Starman - O Homem das Estrelas (Starman) 1984
Uma raça extraterreste intercepta uma sonda espacial descrevendo a Terra, convidando outros povos para a visitar. Estes aliens aceitam a oferta, enviam um da sua raça para conhecer o nosso planeta. O enviado do exterior chega à terra, e despenha-se no interior dos Estados Unidos. Usando o DNA encontrado num cabelo que se encontrava num livro de fotos de uma mulher (Karen Allen), ele transforma-se num homem muito semelhante ao seu marido morto (Jeff Bridges). Agora, deve chegar a um ponto de encontro no Arizona para voltar para a nave-mãe antes de morrer, mas a SETA e o FBI sabem que ele se encontra na terra, e querem captura-lo. O alien não tem outra hipótese senão raptar a mulher para esta poder ajudá-lo.
O filme lida com muitas questões sociais dificeis de lidar. Os seres humanos temem o que não conhecem, e encontram no desconhecido potencialmente como prejudicial. Nós procuramos o desconhecido, mas também o medo dele e não conseguimos entender as consequências, além de esperarmos sempre o pior. É este foco que o filme explora. Ao longo do filme, os humanos não conseguem entender a razão para a visita do Starman para a terra, e ele tem dificuldade em entender o idioma Inglês e o que sabe sobre nós foi a partir do registro no satélite.
"Starman" tem um óptimo argumento, bem trabalhado e com um muito bom desenvolvimento de personagens. Os argumentistas Bruce Evans e Raynold Gideon criam um argumento e uma história que jogam com as emoções das pessoas, além de todas as questões sociais e éticas que trás para a mesa, é também um filme sobre a esperança e o amor.
É dos filmes menos amados de Carpenter, pelo menos desta fase inicial. Apesar de ser uma obra de ficção ciêntifica, afasta-se muito do habitual teor do realizador, que normalmente anda à volta do filme de terror, e aqui concentra-se numa história de amor. Aparte isso, é uma obra bastante interessante, peca pelas semelhanças que tem com "ET - O Extra-Terreste" de Spielberg, que tinha sido lançado dois anos antes, mas a grande interpretação de Jeff Bridges valeu-lhe uma nomeação para os Óscares, que nesse ano fugiu para F. Murray Abraham, em "Amadeus".
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Christine - O Carro Assassino (Christine) 1983
Quando um geek da universidade, Arnie Cunningham (Keith Gordon) compra um carro velho na esperança de restaurar a sua antiga glória, este parece tomar conta da sua vida. Gastando cada vez mais tempo a reparar o seu carro amado, evita os amigos e as preocupações familiares tornando-se mal-humorado e instável. Mas não é apenas o humor de Arnie que levanta preocupação, já que o carro parece ter ganho uma vida própria, cheirando a vingança sobre qualquer um que se tente colocar entre os dois.
Depois do fracasso crítico da sua versão high-tech de The Thing (1982) - o filme só viria a ser reconhecido mais tarde -, a carreira de John Carpenter estava num estado de crise. Foi despedido da adaptação da Universal de "Firestarter" de Stephen King e ficou com medo de que dificilmente iria conseguir outra oferta de emprego. Assim, quando a Columbia Pictures o convidou para dirigir a adaptação de outra história de King, ele aproveitou logo a oportunidade. Carpenter estava muito ferido pela recepção de "The Thing", que sabia que era um bom filme, feito tal e qual como tinha prometido. Com a mente devastada pela reprovação, aproximou-se de "Christine" como um mercenário, efetivamente distanciando-se um pouco do material de origem, o conto, talvez com medo de outro fracasso. Com o passar dos anos, o realizador referia-se ao filme como um fracasso nascido do medo e da frustração criativa. Mas passados todos estes anos, todos nós sabemos que tanto "The Thing" como "Christine" são duas grandes obras do cinema de terror dos anos 80.
"Christine" nunca atinge o nível de intensidade dos melhores trabalhos de Carpenter, mas funciona muito bem em função de uma premissa que pode até ser descrita como pateta. Como um filme de terror, nunca é totalmente bem-sucedido simplesmente por causa da sua premissa - que é muito imprecisa para ser levada a sério. Onde o filme consegue superar-se é na descrição dos personagens e seus relacionamentos. Sendo uma variação sobre o tema estabelecido por King em "Carrie", carrega no drama de um loser do colégio que se vinga através das forças sobrenaturais. A evocação de Carpenter, da escola na pequena cidade está perfeitamente bem caracterizada.
Entre os pontos mais altos do filme está um excelente elenco. Keith Gordon é o actor ideal para interpretar Arnie, efetivamente progredindo de vítima a sociopata arrogante. Alexandra Paul (depois da série Baywatch) é encantadora e persuasiva como a namorada de Arnie, uma das muitas personagens fortes femininas do trabalho de Carpenter. Harry Dean Stanton também faz um bom trabalho num pequeno papel como um policia que investiga os vários crimes, mas são Robert Prosky e Roberts Blossom que obtêm os melhores diálogos nos seus respectivos "velhos sujos" cameos.
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sábado, 27 de abril de 2013
Veio do Outro Mundo (The Thing) 1982
"The Thing" é a tentativa do realizador John Carpenter para refazer um clássico da ficção científica de 1951, "The Thing from Another World" (ambos com base na história de John Campbell, "Who Goes There?"), mas aqui tinhamos algo muito diferente. Carpenter agita as emoções e arrepios, e cobre tudo em gore, e neste caso, raramente falha. A construção é magistral, como é a qualidade das caracterizações, que são fracas, mas eficazes, e quando tudo está a ferver, há um enorme poder nas interpretações. Há alguns desenvolvimentos implausíveis, aqui e ali, mas no final, pouco importa,e "The Thing" leva-nos até sitios onde nunca fomos, e alcança um pantamar que poucos filmes dos anos 80 alcançaram.
A história começa na Antártida, onde um grupo de cientistas estão instalados, até que um dia são perturbados pelos sons de tiros vindos de um helicóptero norueguês, aparentemente tentando matar um cão fugitivo. Eles falham a sua presa, e o helicópetero norueguês acaba por despenhar-se, sem nenhuma explicação de qual é o problema. Temendo mais violência, a tripulação americana viaja para o acampamento norueguês, apenas para descobrir acontecimentos muito estranhos, incluindo um corpo mutilado humanóide que possui órgãos internos normais. De seguida, o cão revela que não é realmente um cão, mas uma espécie de organismo alienígena com o poder de imitar outras formas de vida e dominar até que assuma o controle de tudo ao seu redor. Os outros ciêntistas são as próximas vítimas e, em breve, ninguém pode confiar nos outros.
A falta de informações sobre a criatura, a incapacidade de realmente saber quem está "infectado", e o facto de que os personagens estão basicamente presos na Antártida levam a construir a tensão, enquanto algumas criações extremamente grotescas fazem o resto. Temos dificuldades em decidir quais partes são mais eficazes, se estas criaturas incríveis e repugnantes ou os momentos em que os personagens têm de decidir quem entre eles está infectado. No fim das contas, provavelmente é a grande combinação de sustos e tensão insuportável que fazem de "The thing" tão grande, e perder um destes componentes seria arruinar o filme.
Na sua essência, é um filme derivado, não só porque é um remake, mas também é muito semelhante a outros filmes que saíram em anos anteriores, inclusive "Alien", e "Invasion of the Body Snatchers", mas consegue destacar-se dos filmes anteriores pela acção fantástica, e pela assombrosa banda sonora de Ennio Morricone, para não falar das grandes interpretações de Kurt Russell e Keith David, ambos habituais colaboradores de Carpenter.
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Nova Iorque, 1997 (Escape From New York) 1981
Sempre houve um sentimento de distopismo e ansiedade apocalíptica no género ficção científica, e os anos 70 - com a sua recessão mundial, a escassez de petróleo, o conflito do Vietname, e as sempre presentes tensões entre o Ocidente capitalista e o Leste comunista - ajudaram a alimentar um tensão especial de que a fixação que encontrou caminho para uma série de filmes de baixo orçamento que dominaram a série B e as prateleiras dos clubes de vídeo no início da década de 1980. Foi um breve período de ansiedade, encravado no meio dos sonhos da morte da contracultura dos anos 60, e renovado orgulho em Ronald Reagan.
Ao lado de Mad Max, de George Miller (1979) e a sua sequela The Road Warrior (1981), Escape From New York é sem dúvida o melhor candidato para o progenitor desta vaga particularmente moderna de distopismo na ficção científica (o facto de que Carpenter e o co-argumentista Nick Castle originalmente escreverem o argumento em 1974, o ano de Watergate, diz tudo). A história passa-se no ano, então futurista de 1997, depois de uma terceira guerra mundial e um aumento épico em crime que levou o governo dos EUA para a decisão radical de transformar a ilha de Manhattan numa prisão federal gigante da qual ninguém tem permissão para sair. Não há guardas lá dentro, apenas uma população de criminosos violentos que desenvolveram sua própria sociedade depravada.
Logo no início do filme um grupo socialista radical rapta o Air Force One e fá-lo caír na cidade, esperando matar o presidente conservador (Donald Pleasence). O Presidente sobrevive, no entanto, e deve ser resgatado a partir da cidade que se tornou prisão, dentro de 24 horas. Num acto de desespero, o comissário da polícia Bob Hauk (Lee Van Cleef) contrata Snake Plissken (Kurt Russell), um veteranos das operações especiais que se tornou ladrão e que estava previsto para ser exilado para Manhattan, mas agora pode ser a única hipótese que o governo tem para resgatar o presidente. Snake é enviado para a prisão da ilha, com ordens para encontrar o presidente e trazê-lo de volta em segurança, e por uma boa razão, é que Haul implantou-lhe uma bomba relógio no seu pescoço. Assim, a vida de Snake está em jogo, e se os fora-da-lei de Manhattan não o matarem, os explosivos nas suas artérias o farão.
A maior parte do filme segue Snake no interior da prisão, navegando no escuro, por uma selva de ruínas tentando evitar os vários gangues enquanto procura pelo Presidente, que rapidamente cai nas mãos de The Duke (Isaac Hayes), o líder do maior gang da ilha, e que quer usar o novo refém como moeda de troca para a amnistia. Snake é ajudado por vários insiders, incluindo o "cérebro" (Harry Dean Stanton), um informante desonesto que traiu Snake no passado; a namorada deste, Maggie (Adrienne Barbeau), e um motorista de táxi (Ernest Borgnine), que aparece em conveniência da narrativa para fornecer transporte e fuga (há muito poucos carros a trabalhar que restam na ilha, e ninguém tem uma arma).
Como outros filmes do género, há elementos em Escape from New York, que não envelheceram muito bem, mas ainda assim é um dos grandes filmes de John Carpenter, bastante acima do seu futuro remake.
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