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sexta-feira, 3 de abril de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: "Stars in My Crown", de Jacques Tourneur

O Jornal do Fundão, os Encontros Cinematográficos, o Lucky Star – Cineclube de Braga e o My One Thousand Movies associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “Cinema em Tempos de Cólera: 40 dias, 40 filmes”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blog My Two Thousand Movies. O terceiro convidado é o realizador Pedro Costa, que disse simplesmente, “Stars in My Crown, como é óbvio.”


Sinopse: "Stars in My Crown" é, talvez, o mais perfeito e belo exemplo daquilo a que se chama a "americana" (evocação nostálgica do passado dos EUA) no cinema. É também o mais pessoal dos filmes do realizador, Jacques Tourneur, que para o dirigir aceitou um salário simbólico. Praticamente sem história, "Stars in My Crown" é uma colecção de vinhetas da vida numa pequena cidade no interior dos EUA, que retratam sentimentos e emoções, e tem como ponto de partida a vida de uma criança com o seu pai, pregador, na vila que os adoptou, onde o tranquilo deslizar do tempo é por vezes quebrado pelo drama (e o discurso de Joel McCrea na tentativa falhada de linchamento pelo Klu Klux Klan é um dos mais extraordinários momentos políticos de todo o cinema americano).

Stars in My Crown é do realizador francês Jacques Tourneur, que trabalhou sobretudo na América e contou em 1964 que “nessa altura (1949) estava livre, e não tinha contrato com qualquer firma. Tinha ganho bastante dinheiro com os filmes Berlin Express (1948) e Easy Living (1949). Tinha um grande amigo na MGM, William Wright, que preparava um filmezinho. Pedi-lhe para ler o argumento e ele emprestou-mo. Entusiasmei-me logo. Telefonei a Wright e disse-lhe que queria, custasse o que custasse, filmar esse argumento. Respondeu-me: 'Mas Jacques, é um filme sem importância, com um orçamento reduzidíssimo, que tem que ser feito em doze dias, e a nossa ideia é contratar um realizador pago à semana' Continuei a insistir e ele disse-me 'Jacques, percebe-me, não te podemos pagar'. Respondi-lhe: 'Ouve, não há problemas, faço o filme de graça'. Esta resposta estarreceu-o e, no dia seguinte, mandou-me dizer que me pagaria o que estavam dispostos a pagar ao realizador contratado à semana. O que, de resto, acabou por se virar contra mim, porque, quando acabei o filme, e me propuseram outros, todos os estúdios iam logo perguntar à MGM quanto é que me tinham pago e foi assim que o meu ordenado foi reduzido em dois terços. Foi o preço que paguei pela minha vontade de rodar este filme. O autor do romance, Joe David Brown, escreveu-me uma carta que guardei, em que me dizia que tinha ficado comovidíssimo ao ver o filme, que o achava bem melhor que o romance. E ainda hoje quando o encontro, Joel McCrea diz-me sempre 'Jacques, a maior alegria de toda a minha carreira foi ter trabalhado em Stars in My Crown'.” 
Em conversa com o crítico Chris Fujiwara, precisamente sobre Tourneur, em 2010, Pedro Costa confessou que “eu tenho um carinho pelo Stars in My Crown porque foi mesmo o primeiro que vi de forma consciente, e foi num grande ecrã, e é uma coisa rural, de mundo pequeno, tenho um carinho por coisas dessas. Provavelmente tem algo que ver com o realismo ou assim; realismo não, mas qualquer coisa ali que-- Bom, é a América, uma vila pequena; os outros filmes todos do Tourneur, não estão ancorados em lado nenhum, mesmo, ou é sempre uma espécie de-- podia ser um sítio imaginário, as ilhas, as ruínas, acho que todos eles. Não sei (...) Mesmo Londres [em Night of the Demon]. É demasiado poético, demasiado vago, não, vago não, demasiado brumoso. O Stars in My Crown provavelmente é uma coisa sentimental, e uma coisa visual; talvez se tivesse importado mais um bocadinho com o detalhe, ou tenha tido mais tempo. Consegue-se sentir isso. A sequência com o feno e os rapazes, por exemplo, acho que não se consegue pensar naquilo em casa. Talvez, mas… não sei como é que ele trabalhava, se tinham um storyboard, ou… (…) Não sei, ele provavelmente teve dois ou três dias para fazer aquilo; pôde tentar umas coisas, pôr os rapazes a mexer-se um bocadinho… Mesmo a coisa da câmara, é difícil, tecnicamente é pouco comum, há tipo sete ou oito planos… Não parece uma coisa pré-concebida de storyboard.” 

Amanhã, a escolha de Miguel Marías.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Golpe de Misericórdia (Colorado Territory) 1949



No território do Colorado, o fora-da-lei Wes McQueen (Joe McCrea) foge da cadeia para fazer um assalto a um comboio, mas depois de conhecer a bela colona Julie Ann (Dorothy Mallone), ele pensa se estará na altura de organizar a sua vida. O problema é que tem uma recompensa pela sua captura de 10 mil dólares, morto ou vivo.
Raoul Walsh dirigiu "Colorado Territory" em 1949. Um western, remake do seu próprio filme de gangsters de época "High Sierra" (1941), que trouxe para o estrelato Hunphrey Bogart, num dos seus primeiros papéis de actor principal. Mais do que apenas mais um filme na história do cinema, "Colorado Territory" tornou-se num filme de culto por causa da sua combinação de Western com Film Noir (muito ajudado pelo grande contraste a preto e branco das colinas do Novo México, fotografia de Sid Hickox), e o fascinante retrato da mulher protagonista, uma das mulheres mais duras da história do cinema.
Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial a Warner Bros. enfrentou um declinio nas bilheteira, relançando alguns dos filmes mais populares dos anos 30, e refazendo outros, mundando por vezes de género e de cenário. Felizmente para o público, alguém teve a feliz idéia de transformar "High Sierra" num western e contratar Raoul Walsh para fazê-lo. Os resultados foram bastante dinâmicos, com alguns críticos a considerarem que a história resultava melhor no Oeste selvagem do que no mundo do crime contemporâneo.
O melhor do filme era Virginia Mayo, no papel da dançarina Colorado, como uma cantora mestiça. Ida Lupino já tinha tido uma presença forte no filme original, mas Mayo foi muito mais dura, como se pode ver no duelo final. Walsh foi um dos poucos realizadores que soube apreciar o potencial de Mayo como actriz dramátca. O produtor independente Samuel Goldwyn tinha-a trazido poucos anos para Hollywood para trabalhar em musicais, normalmente como interesse romântico de Danny Kaye. William Wyler tinha dado uma pista do seu potencial quando a escolheu como mulher infiel de Dana Andrews em "The Best Years of Our Lives" (1946). Mas foi Walsh quem lhe deu os seus melhores papéis, por curiosidade, ambos em 1949. Neste mesmo ano ela interpretava a esposa assassina de James Cagney em "White Heat". O seu enorme talento foi tão tragicamente desperdiçado como qualquer coisa que aconteça aos personagens de "Colorado Territory".

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Correspondente de Guerra (Foreign Correspondent) 1940



Johnny Jones (Joel McCrea) é o correspondente de um jornal de Nova Iorque, que viaja para a Europa sob o pseudónimo de Huntley Haverstock, quando a Segunda Guerra Mundial estava prestes a rebentar. Chega primeiro a Londres mas logo depois está em Amsterdão, onde testemunha o assassinato de Van Meer (Albert Bassermann), um diplomata holandês. Entretanto ele descobre que quem morreu foi um sósia, e que Van Meer na verdade foi raptado pelo inimigo, que pretende arrancar dele alguns segredos. Jones entra em desespero porque a sua história é um bocado absurda, e ninguém acredita nele, e ao mesmo tempo o inimigo pretende matá-lo.
Embora "Foreign Correspondent" seja um dos filmes menos conhecidos de Alfred Hitchcock, (apesar das suas seis nomeações aos Óscares, que perderia para outro filme seu, "Rebecca"), é normalmente esquecido entre as listas de clássicos do realizador, sendo inclusivé considerado um filme de série B por alguns fãs, é, no entanto, um dos seus filmes mais eficientes no que diz respeito a entretimento. Podemos encontrar aqui algumas cenas clássicas, como a perseguição através de uma multidão de chapéus de chuva, a sequência nos moinhos de vento holandeses, a queda da torre da Catedral Westminster, e o clímax que incluí uma queda de um avião no oceano, sequência que parece bem feita demais para os seus dias. A ausência de popularidade deste filme talvez se deva à escolha dos protagonistas, Joel McCrea e Laraine Day, que,de facto não se identificam muito com os habituais protagonistas do realizador (a primeira escolha era Gary Cooper e Joan Fontaine).
Há uma tendência propagandista no filme, começando no título americanizado, que se desmascara a si próprio no argumento de Ben Hetch, Charles Bennett e Joan Harrison, apesar de Hetch não aparecer creditado. Durante o epílogo, mostrando o bombardeamento de Londres, faz-se a sugestão que os Estados Unidos se deviam preparar para um conflito armado, e que teriam de ser eles a ser os bastiões da paz num mundo prestes a ficar em chamas. O verdadeiro bombardeamento a Londres pelos alemães registou-se apenas três dias antes do lançamento do filme.
Embora o argumento estivesse em desenvolvimento há vários anos, estava bem em sintonia com os tempos caóticos em que foi feito. O filme é um precursor de um futuro grande êxito de Hitckcock, "North by Northwest", e quase tão divertido.

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