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sábado, 17 de fevereiro de 2024

O Bígamo (The Bigamist) 1953

Em São Francisco o casal Harry (Edmond O'Brien) e Eve Graham (Joan Fontaine) decide adoptar uma criança. Durante as entrevistas o comportamento suspeito de Harry chama a atenção de Mr. Jordan (Edmund Gwenn), responsável pela análise do processo de adopção. Certo de que o homem esconde um segredo, o agente começa uma investigação e descobre que Harry tem outra família em Los Angeles.
"The Bigamist" não é realmente um noir no verdadeiro sentido da palavra, mas tem algumas implicações. Além de realizar, Lupino interpreta com Edmond O´Brien e Joan Fontaine.. O´Brien é o Bigamo, Lupino e Fontaine são as mulheres infelizes que são as suas vítimas. A força do filme está mesmo nas interpretações principais e no argumento, que para o período era muito corajoso, lidando com sensibilidade com o sexo extraconjugal e a maternidade solteira. 
O filme foi uma produção independente de Lupino e do ex-marido Collier Young (que na altura já estava casado com Joan Fontaine), que adaptava uma história de Larry Marcus e Lou Schor. Pode-se dizer que o argumento é bastante suave para o bígamo, é punido mas há maturidade e sensibilidade num cenário em que pessoas decentes se metem numa confusão, não tanto por egoísmo mas devido a todas as fragilidades humanas normais.
Legendas em português.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

The Witches (The Witches) 1966

Quando estava em África, a professora Gwen Mayfield (Joan Fontaine) enfrentou um problema relacionado com tribalismo, com a sua sanidade a ser colocada à prova, sendo forçada a fugir quando praticantes de voodoo a atacaram. Alguns meses depois, quando já se sente melhor, candidata-se a um emprego numa pacata vila inglesa, que pensa que será mais seguro do que o seu trabalho anterior.  O padre Alan Bax (Alec McCowen) garante que ela será a pessoa ideal para o trabalho, mas algo de estranho se passa naquela localidade...
Diz a lenda que Joan Fontaine decidiu comprar os direitos do livro "The Witches" como um possível veículo para si pópria. Durante a década de sessenta muitos dos actores seus contemporâneos andavam a aparecer em filmes de terror, mas Fontaine não queria um papel de louca mas sim de heroína, e foi desta forma que preparou terreno para tal, num filme com produção da Hammer, tal como Bette Davis tinha feito no ano anterior com "The Nanny". Por ter sido o seu último filme no grande ecrã, gerou algum interesse ao longo dos anos, e também por ser uma das poucas incursões da Hammer no mundo da feitiçaria. 
O argumento era escrito por Nigel Kneale, o homem que tinha trazido o sucesso para a Hammer com os filmes de Quatermass, mas que fora desse território, entre a ficção ciêntifica e o terror, não tinha conseguido grande êxito, e que hoje é mais conhecido pelo seu trabalho inovador na televisão. Não se pode dizer que, de facto, seja um grande trabalho para a Hammer. Mas vale pela curiosidade.

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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Rebecca (Rebecca) 1940

É surpreendente que, apesar da sua longa e frutífera carreira e das várias nomeações recebidas, Hitchcock só tenha ganho o Óscar de Melhor Filme com a sua primeira película americana: "Rebecca". Talvez este facto seja indicativo do poder e influência do produtor David O. Selznick que, acabado de sair do sucesso de "E Tudo o Vento Levou" (1939), não deixou de passar a oportunidade de trabalhar com o realizador britânico nesta história gótica de fantasmas da autoria de Daphne Du Maurier.
Graças a um orçamento generoso, Hitchcock pôde transformar a mansão de Manderley numa personagem da película, gesto que mais tarde inspiraria Welles na sua concepção de Xanadu, em "O Mundo a Seus Pés". O palacete à beira-mar é o cenário nebuloso ideal para os amores atormentados de Joan Fontaine e Laurence Olivier. Este dá vida a um viúvo rico que corteja a inocente Fontaine e com ela casa após um romance meteórico. A protagonista nunca acredita na sorte que teve ao encontrar um homem tão atencioso, mas, à medida que a sua relação amorosa se aprofunda, vê-se assombrada pelo fantasma de Rebecca, a antiga e falecida esposa de Olivier. Serão as assombrações fruto de uma imaginação fértil e paranóia ou obra de uma força nefanda? E que relação existe entre estes acontecimentos estranhos e a senhora Danvers (Judith Anderson), a governanta sinistra que parece não dar paz a uma Fontaine à beira de um ataque de nervos?
"Rebecca" marcou a chegada auspiciosa de Hitchcock aos Estados Unidos e, na cerimónia dos Óscares de 1940, conseguiu mesmo derrotar a última obra britânica do realizador: Correspondente de Guerra. Quase todos os traços artísticos do cineasta estão presentes em "Rebecca" no seu esplendor: a omnipresença de um passado obscuro e misterioso que constantemente se intromete no romance malfadado dos protagonistas, as suspeitas à flor da pele e, como seria de esperar, a presença espectral e ameaçadora da desonestidade e traição. Faltam a "Rebecca" os gracejos espirituosos e o humor caracteristicos de Hitchcock. Todavia, esta ausência de leveza deve-se à natureza melancólica e gótica do romance de Du Maurier. Os segredos de Manderley empurram a ingénua Fontaine para o abismo da demência e Hitchcock diverte-se, intensificando gradualmente a tensão da película até à sua conclusão assombrosa."
 * Texto de Joshua Klein
Filme escolhido pelo Pedro Afonso. 

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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Famintas de Amor (Until They Sail) 1957

A vida de quatro irmãs da Nova Zelândia durante a Segunda Guerra Mundial, e a forma como a vida delas é afectada pela chegada dos militares norte-americanos. Paul Newman interpreta um militar cínico que se apaixona por uma das irmãs, uma viúva, interpretada por Jean Simmons, com Joan Fontaine a interpretar a irmã mais velha, e Piper Laurie a interpretar a irmã promiscua, cujas aventuras sexuais a levam à tragédia. A irmã mais jovem é interpretada por Susan Dee, na sua estreia cinematográfica. 
Paul Newman tinha chegado a Hollywood com um contrato com a Warner Brothers, que rapidamente transformou no seu primeiro filme, um épico bíblico chamado "The Silver Chalice" (1954). Emprestado à MGM, Newman rapidamente compensou esse desastre com interpretações bastante aclamadas como o boxeaur Rocky Graziano de "Somebody Up There Likes Me" (1956), e o veterano de guerra de "The Rack" (1956).  O seu próximo filme era este Until They Sail (1957), que voltava a reunir Newman com o realizador de "Somebody Up There Likes Me", e que era Robert Wise. Apesar de Newman gostar de trabalhar com Wise, não estava particularmente contente com este filme, por o considerar um "filme de mulheres", e o seu papel ser periférico. 
Newman estava cada vez mais insatisfeito com os termos de contrato da Warner, que ganhava 1000 dólares por semana, enquanto o estúdio ganhava 75 mil de cada vez que o emprestava. Também não estava satisfeito com a ausência da nomeação ao Óscar para "Somebody Up There Likes Me". 
Alguns temas controversos foram abordados no filme, como a promiscuidade, ter filhos fora do casamento, mas são tratados de um forma surpreendentemente directa e sofisticada para uma audiência dos anos cinquenta. E são tratados da forma mais simpática e humana possível, não havendo indícios de sensacionalismo espalhafatoso nem da repressividade que os filmes dessa época costumavam ter ao lidar com o assunto. 

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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A Deusa do Mal (Born to Be Bad) 1950

Christabel (Joan Fontaine) engana toda a gente graças ao seu doce exterior, incluindo a prima Donna, e o seu noivo Curtis. O único que consegue ver através da sua fachada é Nick (Robert Ryan), um escritor robusto que a ama, mesmo assim. Christabel também gosta de Nick, mas gosta mais do dinheiro de Curtis. Depois de convencer Curtis gosta dele apenas pelo dinheiro, consegue convencê-lo a casar com ela. 
Baseado no livro "All Kneeling" de Anne Parish, como muitos outros filmes feitos na RKO durante o regime caótico de Howard Hughes, "Born to be Bad" tinha uma história longa e complicada, cheia de sexo, intriga e traição, como se gostava naquela altura em Hollywood.
Joan Fontaine tinha comprado os direitos do livro, e vendeu-os para a RKO. O filme tinha sido programado para entrar em produção em 1946, mas tinha sido colocado em espera duas vezes, depois de passar pelas mãos de sete argumentistas diferentes, até começar a produção em 1949. Foi durante este período que Hughes acabou por adquirir a RKO.
"Born to be Bad" era o quarto filme de Nicholas Ray. Nas obras anteriores ele já tinha demonstrado um estilo visual impressionantemente original, e uma capacidade para transmitir uma intensidade emocional, mesmo quando se trabalha com o material mais banal. Uma sequência no inicio é um exercício em bravura e estilo, introduz-nos aos principais personagens e prepara-nos para uma festa em casa da personagem de Joan Leslie. O movimento brilhantemente coreografado e iluminado pelo corredor do apartamento, com muitas portas a conduzirem-nos para fora dele, fornece-nos uma metáfora visual para o relacionamento das personagens. O trabalho do director de fotografia Nicholas Musuraca, que já vinha a trabalhar em filmes desde a década de 20 e cujo trabalho em "Out of the Past" ajudou a redefinir o film noir, é impressionante nesta sequência.
Como já era típico na obra de Ray, este tentava tornar agonizante cada cena, enquanto o produtor Robert Sparks tentava fazer apenas um melodrama romântico. Depois do filme estar terminado, Howard Hughes, como era habitual, e como dono do estúdio, resolveu meter o dedo. Ordenou que algumas cenas fossem refilmadas com outros realizadores, e mudou o final. Ray pediu o direito à montagem final, mas este foi negado. A desculpa é que o final que Ray pretendia não passava nos censores, e quando o filme foi lançado foi criticado como apenas mais uma "soap opera". Com o passar dos anos, e com o culto de Nicholas Ray a crescer, o filme foi re-avaliado, e hoje é considerado uma obra muito maior.

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