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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

O Homem Sem Braços (The Unknown) 1927

Alonzo é um atirador de facas sem braços num circo - ou, pelo menos, assim parece. Na verdade, ele é um criminoso com os braços intactos. Ele e o seu cúmplice, Cojo (um homem pequeno), estão a esconder-se da polícia. Alonzo considera o seu disfarce perfeito, principalmente porque esconde uma deformidade invulgar na sua mão esquerda que o denunciaria imediatamente como o criminoso que a polícia está procurando. Nanon, filha de Zanzi, o dono do circo, é o seu alvo amoroso. Embora Alonzo esteja apaixonado por ela, o pai dela despreza-o. 
Entre 1919 e 1930, Tod Browning fez onze filmes com outra figura bastante singular de Hollywood, o ator Lon Chaney. Apelidado de "o homem das mil caras" pelo seu domínio dos efeitos de maquiagem surpreendentes, Chaney compartilhou com Browning uma fascinação pelo bizarro e pelo não convencional e pela deformidade física, possivelmente como resultado dos seus respectivos primeiros anos: os pais de Chaney eram surdos-mudos enquanto Browning supostamente trabalhava num circo como palhaço, contorcionista e ainda num número chamado "The Living Hypnotic Corps". “The Unknown” é uma obra de um génio distorcido, que reúne o melhor desta famosa dupla no mesmo filme. Os fãs de “Tales From The Crypt” vão adorar este doentio, bizarro e barroco filme que sangra com ciúmes, mentiras malignas e momentos que ainda fazem rir de descrença. 
 Um estranho veículo para Lon Chaney que também apresenta uma jovem Joan Crawford como seu interesse romântico. Crawford é a filha adulta abusada do sádico dono de um circo, Nick De Ruiz. Crawford aprendeu a desprezar as mãos e os braços dos homens, o que representa problemas para o homem forte do circo, Norman Kerry. 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Johnny Guitar (Johnny Guitar) 1954

Na década de cinquenta o western sofreu uma grande revitalização na forma como era apresentado ao público. Tudo era aproveitado para trazer novas visões, como uma nova interpretação do film noir, em "The Furies" (1950), ou o thriller psicológico em "High Noon" (1952). "Johnny Guitar" (1954), de Nicholas Ray, era uma experiência arrojada a cores, inversão de papéis, cenários estilizados, e emoções operáticas, que resultaram numa obra prima poucas vezes repetida. Funcionando, de certa forma, como um ataque anti-McCarthy sobre a psicologia das massas, o filme conta-nos a história de Vienna (Joan Crawford), a dona de um saloon que está pronta para receber de braços abertos a chegada do caminho de ferro, à sua pequena cidade fronteiriça. Um grupo de membros da comunidade, liderados pela enraivecida Emma Small (Mercedes McCambridge), opõe-se à idéia, e pretende expulsar Vienna da cidade.  Para sua protecção, Vienna contrata um ex-pistoleiro, Johnny Guitar (Sterling Hayden), que ela não vê desde que terminaram a sua tumultuosa relação, cinco anos atrás. Quando Johnny chega, as emoções são fortes, agravadas pelo relacionamento de Vienna com Dancin' Kid (Scott Brady), um fora da lei cujas culpas são parcialmente atribuídas à dona do saloon.
Produzido pelo Republic Studios, "Johnny Guitar" foi o primeiro projecto de Ray depois de deixar a RKO, onde estava já com um contrato de sete anos. O filme fazia parte de um pacote que incluía Roy Chanslor, um ex-jornalista que se tinha tornado argumentista, e que tinha escrito esta história de propósito para Joan Crawford. Na altura, o Republic era considerado o mais prestigiado dos estúdios pequenos, e o contrato com Ray dava-lhe uma grande quantidade de liberdade criativa, apesar do orçamento do filme ser bastante reduzido. Uma das primeiras coisas que Ray fez, foi contratar Philip Yordan para reescrever completamente o argumento. 
Muitos dos actores secundários eram veteranos de outros westerns, como Ward Bond, John Carradine, Royal Dano, Ernest Borgnine e Sheb Wooley, mas Sterling Hayden era uma escolha invulgar para o papel central do filme, porque ele nem sabia andar a cavalo, tocar guitarra, ou sequer disparar uma arma. Isso também não interessava, já que o confronto final seria entre as duas mulheres, Vienna e Emma.
Tal como as suas personagens na tela, Joan Crawford e Mercedes McCambridge foram também ferozes rivais na rodagem do filme. Crawford, cuja inveja profissional das actrizes mais novas era bem conhecida, iniciou a contenda quando observou o realizador e o resto do cast a aplaudir uma cena que McCambridge tinha acabado de filmar. Daí para a frente a relação entre as duas seria muito má. Crawford, como estrela principal do filme, exigiu grandes mudanças no argumento, favorecendo-a, é claro. A maior revisão foi um problema em relação ao sexo. Em vez do foco central ser nas personagens de Johnny Guitar e o Dancin' Kid, passaria a ser em relação a Vienna e Emma, que passariam a ser personagens mais tradicionalmente masculinas. Verdade seja dita, se estas mudanças não tivessem tido lugar, o filme não seria tão valorizado como é hoje.
Nicholas Ray estava muito infeliz durante a rodagem do filme, e as criticas medianas recebidas durante a estreia também não ajudaram. No entanto, "Johnny Guitar" foi muito admirado na Europa. Adorado por Francois Truffaut, que o proclamou "the beauty and the beast of westerns, e com o tempo tornou-se num filme de culto, e numa das obras mais duradouras de Ray.

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domingo, 15 de novembro de 2015

O Telefone Fatal (I Saw What You Did) 1965

Duas adolescentes pregam partidas por telefone, ao telefonarem para estranhos e susurrarem "eu sei o que fizeste, e sei quem és". Um dia ligam para a pessoa errada, e na hora errada, pois o psicopata Steve Marek (John Ireland) acaba de assassinar a sua esposa. Mas, mais alguém sabe do terrível crime que foi cometido naquela noite, a vizinha do assassino Amy Nelson (Joan Crawford).
Depois do seu tardio regresso no filme de Robert Aldrich "What Ever Happened to Baby Jane?" (1962), Joan Crawford era uma estrela de novo. Já na casa dos sessenta anos, nunca mais iria recuperar a sua reputação de outrora, mas ela gostava do reconhecimento que estava a ter de um certo número de cinéfilos, e o nome que a mantinha como uma estrela de elevado potência. Depois do seu papel de Baby Jane, entrou na fase do terror da sua carreira, fase essa que soube ser muito bem explorada por William Castle, fase essa que durou dois filmes.
O sucesso de bilheteira de "Strait-Jacket" voltou a reunir Castle com Crawford, apenas um ano depois. Baseado numa história de mistério da escritora Ursula Curtiss chamada "Out of the Dark", o filme era uma incursão na sub-categoria do cinema de terror chamada "teen horror". No entanto, a contagem de corpos aqui é bastante menor do que o habitual, sendo também visíveis influências para futuros clássicos como "Black Christmas" (1974), de Bob Clark, ou "Halloween" (1978), de John Carpenter, então, claramente, o "Scream" (1986), de Wes Craven. Adolescentes em perigo ainda era um tema tabu quando decorria a década de sessenta, por isso Castle jogou pelo seguro, não adiantando o tema muito profundamente. No entanto, a sua descrição dos subúrbios típicos americanos, como um viveiro de inquietação sexual, voyeurismo, chantagens e homicídios, colocam o filme algures entre "Peyton Place" e "Twin Peaks".

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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Volúpia do Crime (Strait-Jacket) 1964

Já faz vinte anos desde que Lucy Harbin (Joan Crawford) despedaçou o marido e a amante com um machado. Depois de passar duas décadas em prisão psiquiátrica os médicos declararam-na preparada para voltar ao mundo. Entretanto, o difícil reencontro com a filha - que presenciou os crimes - e algumas marcas do seu doloroso aprisionamento, geram suspeitas de que Lucy pode estar a preparar-se para voltar aos seus velhos costumes decapitadores.
William Castle faz a sua primeira incursão no que o dramaturgo Sky Gilbert chamou de "gothic horror aged star comeback flick", com este "shocker" de 1964. A produção do filme não começou lá muito bem, mas quando Castle conseguiu contratar Joan Crawford para o papel principal, ele aproveitou a hipótese de elevar a reputação dos seus pequenos filmes de terror de baixo orçamento. Mesmo sem conseguir o orçamento que desejava, conseguiu fazer um clássico do cinema "camp".
"Strait-Jacket" era ainda assim um filme de "exploitation". Depois de vários êxitos de bilheteira com filmes de baixo orçamento feitos pela Columbia Pictures, Castle juntava forças com Robert Bloch, o homem que tinha escrito "Psycho", o livro que Alfred Hitchcock tão bem adaptou para o cinema, e que inspirou inúmeros filmes de terror psicológico, que o imitavam. Castle achou que o argumento escrito por Bloch para este filme era tão forte, que nem usou nenhum dos seus "truques", promocionais habituais.
Embora o realizador tivesse pensado lançar o filme sem qualquer truque, não resistiu à idéia de dar aos patrões um machado de plástico com sangue falso. Mas o verdadeiro chamariz para a estreia era Joan Crawford, que concordou fazer aparições durante as exibições do filme.
"Strait-Jacket" foi um enorme sucesso, e acabou por ser uma benção para Joan Crawford, que tinha concordado participar no filme com um pequeno salário, e uma participação nos lucros. Enquanto muitos críticos consideraram que Crawford teve uma interpretação melhor do que o filme merecia, outros notaram que este melodrama pesado não conseguiu disfarçar que a estrela de 60 anos interpretava uma personagem de 29 no início do filme. Crawford continuou a fazer filmes deste género, colaborando com Castle em " I Saw What You Did" (1965), que veremos nos próximos dias.

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