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terça-feira, 28 de abril de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: “Pouco a Pouco”, de Jean Rouch

O Jornal do Fundão, os Encontros Cinematográficos, o Lucky Star – Cineclube de Braga, o My Two Thousand Movies e a Comuna associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “40 dias, 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blog My Two Thousand Movies. O vigésimo oitavo convidado é a montadora Patricia Saramago, que escolheu Pouco a Pouco de Jean Rouch, justificando-se assim: «O orgulho do Sul do mundo. Para vermos de maneira diferente coisas a que estamos demasiado habituados.»

Sinopse: PETIT À PETIT é um exemplo extremo da noção de “antropologia compartilhada”, que foi tão cara a Rouch. Retomando ao seu modo a ideia das clássicas Lettres Persanes, de Montesquieu, Rouch conta a história de um habitante do Níger, cuja empresa vai construir o primeiro prédio de Niamey e vem a Paris ver como vivem as pessoas nas “casas de andares”. Isto é pretexto para uma divertida excursão de antropologia invertida, em que o africano observa com surpresa os estranhos hábitos dos parisienses, numa crítica implícita ao modo como os antropólogos franceses estudam os seus compatriotas. O filme também é um retrato dos espíritos da Paris dos primeiros anos do período pós-68.

Em 1968, quando se estava a preparar para rodar Petit à Petit, Jean Rouch escreveu aos Cahiers du Cinéma que “o filme vai ser improvisado durante a rodagem, naturalmente. O que se segue, são as grandes linhas da história, desenvolvida com os intérpretes ao longo de passeios pela África negra, e com o “herói”, Damouré Zika, durante a sua primeira estadia em Paris. 
“Tudo começa portanto nesta pequena aldeia do Níger, Ayorou, onde vivem os três inseparáveis: Illo, o pescador, Lam, o pastor, Damouré, o «galante». Depois de terem sido iniciados às regras elementares do comércio, como vimos em Jaguar, criaram eles próprios uma sociedade anónima, comissionada para vender os peixes deles, o gado, e vários outros produtos. Essa sociedade chama-se «Pouco a pouco», em memória da loja onde fizeram a sua aprendizagem no Gana, «Pouco a pouco, o pássaro faz o seu chapéu», o que significava que, pouco a pouco, o pássaro conseguia adquirir o turbante do chefe.” 
Legendas em inglês

Amanhã, a escolha de Cristina Amaral.

domingo, 2 de março de 2014

Crónica de um Verão (Chronique d'un été (Paris 1960)) 1961



Personagens da vida real discutem temas sobre a sociedade,  a felicidade nas classes trabalhadoras entre outros assuntos, e com esses testemunhos os dois realizadores criam momentos ficcionais com base nas suas entrevistas. Depois, discutem sobre as imagens criadas com as suas próprias palavras, e concluem se o filme obteve o nível de realidade pretendido.
Jean Rouch cujos filmes anteriores foram gravados em África, e Edgar Morin, um académico e escritor, andavam a experimentar um novo tipo de documentário sobre a sua própria sociedade que revelaria a vida mais íntima das pessoas. A partir de uma questão muito simples - "Are you happy, sir?" - "Chronique d'un été (Paris 1960)" mergulha cada vez mais na vida dos seus personagens. Estes incluem Marceline, uma sobrevivente do holocausto, Angelo, que trabalha em turnos exaustivos numa fábrica da Renault, Landry, um estudante da Costa do Marfim, e Marilù, uma jovem, bonita, e profundamente deprimida emigrante italiana. À medida que o filme avança, as cenas de abertura dão lugar a revelações íntimas e argumentos políticos muito disputados.
Uma verdadeira marca na história do cinema documental, Rouch e Morin foram dos primeiros realizadores a usar equipamento de sincronização de som de 16 mm, manual. Eles também estiveram na origem do termo "cinema verité" para explicar a sua abordagem, embora na prática, colocando pessoas em situações e provocando respostas, difira do que mais tarde viria a ser chamado de "cinema verité". O uso da paisagem urbana e a fotografia inovadora (o director de fotografia Raoul Coutard estava entre a equipa que produziu o filme), eram profundamente influenciadas pela Nouvelle Vague, e a subsequente pratica documental. A estrutura auto-reflexiva do filme, na qual Rouch e Morin exibem o filme para os intervenientes, para eles criticarem o que vêm, assim como as suas próprias reacções à critica, ainda são, incrivelmente, contemporâneos. 

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