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sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Iniciação Carnal (Carnal Knowledge) 1971

 "Carnal Knowledge" relata a história de dois colegas de quarto na universidade, Sandy e Jonathan, e as suas relações conturbadas com as mulheres, desde o final da década de 40 até à década de 60. Os críticos frequentemente comentam que este é um filme desconfortável para muitos homens assistirem, porque muitas das interacções humanas são comuns, mas também disfuncionais. Sandy e Jonathan abordam as mulheres de formas diferentes. Sandy é tímido e desajeitado e afirma sentir-se atraído pelas mulheres por causa da sua sensibilidade e inteligência. Em contraste, Jonathan é ousado e misógino, selecionando as mulheres com base nos seus recursos físicos. Quando os dois conhecem uma bela rapariga de nome Sandy numa festa da faculdade, Jonathan descarta-a porque os seus seios são muito pequenos. Sandy namora com ela e descobre que ela sexualmente apaixonante, embora virgem. Quando Jonathan descobre, convida-a para saír, e também se envolve com ela.
 "Carnal Knowledge foi aclamado como um dos 10 melhores filmes de 1971, mas em Março de 1972, um júri de Albany, na Geórgia, considerou o filme obsceno, e condenou o operador do cinema Billy Jenkins por distribuir material obsceno. O caso foi a julgamento no tribunal superior de Dougherty Country, e  juiz considerou Jenkins culpado. O júri baseou a sua decisão no estatuto de obscenidade da Geórgia, que podia variar de intérprete para intérprete. 
De apelação em apelação, o caso chegou ao Tribunal Supremo dos Estados Unidos, mais de dois anos depois, e finalmente Jenkins conseguiu ser ilibado do caso. Realizado por Mike Nichols, o filme foi um enorme sucesso comercial, e foi visto por quase 20 milhões de espectadores.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

O Último Dever (The Last Detail) 1973

Dois oficiais de baixa patente, Buddusky (Jack Nicholson) e Mulhal (Otis Young), são designados para levar um jovem marinheiro, Meadows (Randy Quaid), da base naval da Virgínia à prisão naval de New Hampshire para cumprir uma sentença de oito anos por causa de um erro banal. Buddusky e Mulhal apegam-se a Meadows e estão determinados a mostrar-lhe algumas coisas boas da vida em sua viagem ao norte.
Filme fantástico do grande realizador Hal Ashby, que incorpora tudo o que se deve esperar de um grande filme americano. É surpreendentemente ousado, transbordando de emoções e filmado com uma precisão casual brilhante que a tecnologia digital nunca será capaz de replicar. Ashby realizaria uma série de filmes dos mais importantes da década de 70, e vinha da montagem, tendo ganho um Óscar nesta categoria por "In the Heat of the Night" (1967), de Norman Jewison, com quem trabalhou mais activamente.
O filme é baseado num famoso livro de Darryl  Ponicsan, mas tanto as suas personagens e identidade vêm do excelente argumento de Robert Towne, um dos melhores argumentistas de Hollywood que no ano seguinte escrevia "Chinatown". Na verdade, a jornada narrada no livro é apenas a base para Towne mergulhar nestas personagens impregnadas de muito humor e da filosofia da rua testada na universidade da vida. O mais importante está nas trocas e descobertas que os três homens fazem uns dos outros. E um destaque especial para dois actores, Jack Nicholson e Randy Quaid, ambos seriam nomeados para o Óscar com este filme que também concorria para o prémio principal no festival.



sábado, 8 de dezembro de 2018

Edição Especial (Broadcast News) 1987

Três ambiciosos "Workaholics" estão à solta na sala de imprensa de uma rede de TV onde as suas vidas profissionais e pessoais acabam irremediavelmente interligadas. Tom (William Hurt) é um âncora moderno, bonito, bem educado e um pouco burro. Jane (Holly Hunter) é a sua ambiciosa e brilhante produtora, que está decidida a transformar Tom num verdadeiro sucesso das notícias. E Aaron (Albert Brooks) é um competente repórter, mas totalmente desprovido de carisma para atrair o público, que não consegue tolerar o rápido sucesso de Tom frente às câmeras ou junto de Jane. Os elementos perfeitos para um explosivo e divertido triângulo amoroso.
Visto hoje, 31 anos depois da sua estreia no cinema, "Broadcast News", a segunda longa metragem de James L. Brooks e sucessor do hiper sucesso "Laços de Ternura", é uma excursão antropológica à era passada das notícias em rede, assim como uma comédia sintonizada com as relações no sucesso profissional. Dadas as massivas mudanças que se deram nos mídia desde os anos oitenta, há pouco sobre a representação do frenético pulso que há nas redações de hoje em dia, mas em 1987 o filme foi um retalho detalhado do que acontece por detrás de uma câmara de uma noticiário, em 2018 é um documento histórico de como as coisas costumavam ser (ou deviam ainda ser).
Ao contrário da maioria dos filmes de Hollywood, que tendem a concentrar num protagonista singular ou casal, Brooks divide "Broadcast News" em três personagens centrais, cujas várias interacções, antagonismos, acoplamentos e desacoplamentos, definem tanto o arco dramático da história, quanto as várias facetas do ambiente de trabalho. Somos apresentados a cada um desses personagens como crianças, que Brooks usa para definir com humor as suas características de carácter conflituante.
Foi nomeado para 7 Óscares, mas perdeu-os todos. Era o ano em que ganhava "O Último Imperador", de Bernardo Bertolucci.
Filme escolhido pelo André Sousa. 

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terça-feira, 24 de abril de 2018

Duelo no Missouri (The Missouri Breaks) 1976

Tom Logan é um ladrão de cavalos. O rancheiro David Braxton tem cavalos, e uma filha, que valem a pena roubar. Mas Braxton acabou de contratar Lee Clayton. um infame "regulador" que chega para caçar os ladrões de cavalos. Um de cada vez...
"The Missouri Breaks" não é um western usual. Na verdade, não é nada usual. As palavras mais usadas pela altura da sua estreia eram "bizarro" e estranho, e confundiu bastante as audiências tendo em conta que era um filme interpretado por Marlon Brando e Jack Nicholson. Mas hoje em dia, esta mistura peculiar de clichés do western, humor negro, romance e drama de vingança, contribuem para um entretimento interessante.
A história era antiga, sobre dois inimigos naturais, rancheiros e foras da lei, mas o escritor e argumentista Thomas McGuane dá-lhe uma inesperada reviravolta. Fazendo equipa com ele estavam os actores Marlon Brando e Jack Nicholson, no auge da sua fama, um realizador, Arthur Penn, que era um autor e ao mesmo tempo, entertainer. Para não falar do fantástico elenco de secundários: Randy Quaid, Kathleen Lloyd, Frederic Forrest, Harry Dean Stanton, entre outros. Apesar de McGuane ser mais conhecido pelos seus casamentos, já tinha escrito algumas obras interessantes sobre a exploração do machismo, como "Rancho Deluxe" e "Ninety-Two in the Shade". McGuane tinha escrito este argumento para ser um projecto seu, com ele próprio a realizar o filme, com Warren Oates e Harry Dean Stanton como protagonistas. Quando o produtor Elliott Kastner se envolveu no projecto, teve a ideia de convidar Brando e Nicholson para protagonistas (vizinhos na vida real, mas nunca tinham trabalhado juntos). Os dois acabaram por concordar, indo a realização parar às mãos de Arthur Penn, um realizador que ambos respeitavam.
Enquanto que a maioria dos críticos tenham sido particularmente indelicados com o filme quando estreou, Tom Milne foi dos poucos que admirou. Considerou-o um dos grandes westerns dos anos setenta.

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

O Terror (The Terror) 1963

Um jovem tenente francês (Jack Nicholson) perde-se do seu regimento e vai parar a uma praia aparentemente deserta. Logo vê a imagem de uma bela jovem, que o ajuda a encontrar água bebível – é certo que ela o livrou de um problema, mas está para lhe criar uma série de outros, numa trama envolvendo um estranho assassinato passional, que teria sido cometido pelo Barão Von Leppe (Karloff), um velho sinistro que vive soturnamente no seu castelo, alvo de estranhas feitiçarias. Encantado com a mulher e intrigado com os mistérios do local, o jovem tenente vai tentar desvendar o mistério.
"The Terror" foi realizado em apenas três dias. Roger Corman tinha apenas três dias para o cenário do filme que tinha acabado de fazer, "The Raven", ser retirado, e também mais três dias de contracto com Boris Karloff, uma estrela. Falou com alguns elementos da produção de "The Raven" para fazerem um trabalho rápido, e convidou o actor Leon Gordon para escrever um argumento que girasse em volta dos cenários do castelo, com as cenas exteriores a serem rodadas mais tarde. Corman também convidou alguns dos seus protegidos para realizarem algumas sequências, que acabaram por dar ao filme um ar confuso. Entre as pessoas que deram uma mãozinha encontravam-se Francis Ford Coppola, Jack Hill, Monte Hellman, ou Jack Nicholson, que também era protagonista. Dado os nomes que participaram na produção, todos eles viriam a alcançar sucesso no futuro, esta obra tornou-se num filme de culto.
Jack Nicholson estava em inicio de carreira, e este seria o seu primeiro papel de protagonista. Para contracenar com ele chamou Sandra Knight, a sua esposa da altura, também ela ligada a Roger Corman. Uma nota também para outro actor em início de carreira e ligado a Roger Corman: Dick Miller.

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Profissão: Repórter (Professione: Reporter) 1975


"Há apelos difíceis de ignorar. E o feito por Hollywood nos anos 70 a um obstinado Antonioni, em pico de carreira, culminou mesmo na feitura de "Zabriskie Point" e em "Professione: Reporter", obras vistas pelos puristas do mestre italiano como menores.
Longe dessa verdade, "Professione: Reporter" conta outra vez como tema assombrado da personalidade fílmica do seu autor, embora também fruto de contemporaneidade cinematográfica pós neo-realista e nouvelle vague a que deu forma, uma história de malaise e alienação. Com o aparato hollywodesco sempre na sombra e uma rara liberdade de actuação, Antonioni escolheu a dedo os actores, particularmente a dupla Jack Nicholson/ Marie Schneider e partiu para o deserto. E da sua viagem (deles) pelo mundo, numa afirmação de identidades transitórias que passa no lado de cá para o de lá da câmara, nasceu, à data, um sucesso moderado, quer comercial, quer crítico.
Jack Nicholson, também ele apanhado numa fase da vida de mudança da sua dramatis personae - passando da energia e rudeza viril de "Chinatown" ou "Five Easy Pieces", sucessos anteriores, à aura negra e cerebral de "The Shining" e "One Flew Over the Cuckoo´s Nest")- encarna agora David Locke, um repórter televisivo que investiga os movimentos armados terroristas num país do norte africano. Quando um conhecido do quarto ao lado morre, Locke, sem grande reflexão, decide fugir da sua vida, mulher, emprego, responsabilidades, assumindo a identidade do falecido, transmitindo a “morte” para si próprio. E desta fuga identitária, que assume na visão de Antonioni uma dimensão de road movie calmo, melancólico e surpreendentemente cosmopolita (alguns dos seus melhores momentos são no sul de Espanha ou em Munique), muito do que se conta são as palavras não ditas de Jack Nicholson, os seus gestos densamente minimais, a sua postura mansa de ebulição intelectual. Muito da grandeza de "Professione: Reporter" é sobretudo a superior afirmação, por parte de um actor sanguíneo, de algo que nunca teria sido e certamente nunca voltou a ser, um corpo endemoinhado por uma entidade, uma alienação difícil de explicar.
 Da fuga do jornalista à sua perseguição pela Europa, por parte da mulher que deixou, - por ela já não ser aquilo que ele era, como ele que já não queria ser aquilo que é-, parte da correria lenta por casas rústicas, hotéis encaixados na paisagem e linhas do infinito traçadas por estradas percorridas, justifica-se com uma nova postura de vida activa. Ou por outras palavras, o seu novo eu, o assumido com a morte de Robertson (Charles Mulvehill), está mais fincado na vida do que ele estava, tendo assim que correr e abandonar o alheamento e observação passiva próprias do “seu” jornalismo, pouco inquisitivo.
Como fosse a insatisfação identitária uma corrida à volta da própria cauda (como confessa o protagonista, debaixo de uma árvore à sua nova namorada, “que se sente só um”, apesar das muitas identidades), "Professione: Reporter" também é, apesar de aparentar o seu contrário, uma obra de imobilidade, uma viagem interior, labirinto emocional kafkiano, que justifica uma circularidade e pontos da contacto no trajecto dos personagens. Claro que, este tipo de leituras metafísicas, e sobretudo metapsíquicas, reconhecidamente o “colestrol” do cinema de Antonioni, verdadeiros locais decadentes de chegada, são infinitamente mais débeis do que estes corpos em fuga(s) que palminham esta Europa estranhamente serena. Ainda assim, as diversas leituras que carrega "Professione: Reporter" são certamente mais justificadas, ou não fosse, em momento da sua reposição, anunciada a obra no poster lançado entre nós, como a mais narrativa das viagens de Antonioni. E é essa dose de narratividade, esses traços de história, os elementos menos geridos. Demasiadamente marcados e evidentes, reenviam o espectador a um cinema que não é bem o de Antonioni, ou pelo menos, no qual também ele se sente um viajante, como indica o seu título em linha inglesa, "The Passenger".
Texto de Carlos Natálio, daqui.

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terça-feira, 11 de agosto de 2015

O Rei de Marvin Gardens (The King of Marvin Gardens) 1972

Jack Nicholson e Bruce Dern interpretam dois irmãos afastados, David e Jason, o primeiro um apresentador de um programa de rádio depressivo, o segundo um ex-condenado extrovertido. Quando Jason arrasta o irmão mais novo para uma lúgubre Atlantic City, e para um esquema imobiliário fraudulento, os eventos em direcção à tragédia começam a ser irreversíveis.
Depois de vários anos em papéis menores, Jack Nicholson atingiu o estatuto de vedeta com Easy Rider (1969) e Five Easy Pieces (1970), logo seguidos por uma sequência de sucessos do público e da crítica, como "Carnal Knowledge", "Chinatown", "The Last Detail" ou "One Flew Over the Cuckoo´s Nest". Mas no meio destas obras houve um que foi um fracasso de público e de crítica, e que hoje é um filme de culto, muito mais reconhecido, e que talvez não tenha sido compreendido por ter sido um dos filmes mais pessimistas do seu tempo.
"The King of Marvin Gardens" é uma obra cheia de momentos surreais e diálogos obscuros, com a cidade a ser fotografada em toda a sua desolação, e toda a sua beleza decadente por László Kovácscorrect, que também fotografou "Easy Rider" e "Five Easy Pieces". O filme é melhor visto em conjunto com "Atlantic City", realizado quase uma década depois por Louis Malle. 

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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Estranhos na Mesma Cidade (Ironweed) 1987



Francis Phelan (Jack Nicholson) é um antigo jogador de Baseball, alcoólatra e marido, que abandona a vida de casado para viver na estrada. Em 1938 regressa à sua cidade natal, como vagabundo, em Albany, Nova Iorque. As ruas são-lhe familiares, e trazem-lhe à mente o sentimento de culpa da morte do filho, 22 anos antes, e outra que ele causou a um trabalhador durante uma greve. Embora seja um homem violento, também se preocupa com Helen (Meryl Streep), companheira de rua durante muitos anos, e Rudy (Tom Waits), outro vagabundo seu amigos. Depois de reunir algum dinheiro, está na altura de visitar a sua ex-mulher (Carroll Baker), e restante família.
William Kennedy adaptou a sua própria novela, vencedora de um prémio Pulitzer, para o grande ecrã, num filme realizado pelo realizador argentino/brasileiro Hector Babenco. Filme que tinha tudo para vencer, já que Babenco vinha do enorme sucesso de "O Beijo da Mulher Aranha", que lhe tinha valido uma nomeação ao Óscar de melhor realizador, e um Óscar de Melhor actor para William Hurt. O trabalho de actores é mais uma vez impecável, e daqui resultariam mais duas nomeações, uma para Jack Nicholson, outra para Meryl Streep.
Há uma grande morbidez e uma tristeza extrema que percorrem o filme, a que Babenco se liga e nunca se curva perante a audiência, para lhes dar o caminho mais fácil. Francis é um homem assombrado pela morte, pela morte do seu filho, pela morte de outro homem às suas próprias mãos, pela dissolução de um casamento, e pelo falhanço de conseguir qualquer sucesso.
Este é sobretudo um filme de actores. Primeiro de Jack Nicholson, depois de Meryl Steep. Tom Waits trabalhava pela primeira vez com Babenco (voltaria a trabalhar), também tem um papel de destaque, mas é um pouco abafado perante as estrelas maiores. Mais um papel decadente, bem ao seu estilo.

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terça-feira, 16 de abril de 2013

Chinatown (Chinatown) 1974



Chinatown, de Roman Polanski é uma das obras-primas do grande cinema americano dos anos 70, e um dos pontos mais altos da obsessão da década sobre o revisionismo do género. Ao lado de O Padrinho, de Coppola (1972), Nashville, de Altman (1975), e Tubarão, de Spielberg (1975), os restantes filmes de gângsters, o musical, e o filme de monstros, respectivamente. Chinatown ajudou a inaugurar uma nova era do cinema americano em que os géneros da idade de ouro de Hollywood foram reescritos com novas regras, intensidade e estética elevada, e um tom muito mais livre, que já não tinha de obedecer às regras do Código de produção da indústria.
O argumento de Robert Towne, ainda hoje aclamado como um dos melhores jamais escritos e um modelo de estudo que aspirantes a argumentistas tentaram emular, pagam a amorosa, e ao mesmo tempo maliciosa homenagem, às histórias de detetives, que tinham sido forjadas por escritores da celulose como Dashiell Hammett e Mickey Spillane e, de seguida, deram uma expressiva vida cinematográfica aos noirs dos anos 40 e 50 em filmes realizados por nomes como John Huston, Jules Dassin, Fritz Lang, Robert Siodmak, e Orson Welles. Passado em Los Angeles no final dos anos 30, Chinatown, foi um dos primeiros filmes modernos a evocar conscientemente a era passada do filme noir. Apesar de ter sido filmado a cores, com fotografia sépia de John Alonzo, que muitas vezes se assemelhava a postais antigos, não tem o mesmo efeito visual como o preto-e-branco, mas ao mesmo tempo enfatiza o ambiente árido de um modo que as imagens puramente monocromáticas nunca puderam fazer (o que é absolutamente crucial para um filme que gira em torno da centralidade da água na luta pelo poder sobre o desenvolvimento de Los Angeles). 
Um dos meios pelo qual o filme se desvia acentuadamente dos filmes que o inspiraram é o protagonista. Ao contrário do Sam Spade de Humphrey Bogart em The Maltese Falcon (1941), que é geralmente considerado o primeiro verdadeiro filme noir, JJ Gittes, o detective particular de Jack Nicholson não é um arquetipo masculino primordial, mas sim um protagonista involuntariamente absurdo e por vezes complicado, cujo senso de controle é altamente ilusório. O filme estabelece imediatamente a sua persona através do seu trabalho tirando fotos de esposas e maridos adúlteros, uma forma de trabalho dos detectives que fica tipicamente abaixo dos melhores detectives privados.
Notoriamente sombrio, contudo totalmente convincente, o final de Chinatown (que era uma fonte de grande luta entre Towne e Polanski que estavam indecisos quando a produção do filme começou) é um dos maiores do cinema moderno, no sentido de que é tão completo na sua representação do mal triunfante que transcende a tela e as demandas que refletem sobre ele filosoficamente. Tal como o final de "Rosemary´s Baby" (1968), outra obra-prima de Polanski, a força bruta da feia verdade é o coraçãodo filme. 
Ganhou apenas um Óscar, claro, o de argumento,  mas conseguiria mais 10 nomeações. Era o ano de "O Padrinho - Parte 2"

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