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domingo, 2 de fevereiro de 2020

As Herdeiras (Örökség) 1980

Hungria, vésperas da Segunda Guerra Mundial. Szilvia é casada com Akos, um militar de boa aparência que deve a sua carreira à esposa, mas eles não podem ter filhos. Ela precisa de um herdeiro para herdar a riqueza da família. Consegue convencer uma jovem judia bonita e inteligente a engravidar do marido e dar o filho para adopção. No entanto, quando chega a hora do casamento as coisas descarrilham, não acontece o camento, e Akos inicia uma relação com Irene, a jovem judia. A criança nasce, e Szilvia promete vingança, e terá essa oportunidade com o começo da guerra.
Co-produção entre a Hungria e a França num filme sobre os efeitos da esterilidade e os ciúmes no casamento, no contexto da Segunda Guerra Mundial, com a constante perseguição aos judeus pelos nazis. A realizadora Márta Mészáros geralmente concentra-se nos seus filmes em temas como a gravidez, a meia idade, e outros tópicos, sem questionar o quadro geral. 
Márta Mészáros, uma realizadora já com uma longa carreira atrás de si, sobretudo com curtas, era pela primeira vez selecionada para a Palma de Ouro, apesar de quatro anos antes ter ganho o Fipresci Prize com o filme "Nove Meses", outra obra sobre o tema da gravidez. 
Sendo este filme uma coprodução, contava com uma actriz francesa como protagonista, Isabelle Huppert, agora uma das actrizes francesas mais reconhecidas, mas na altura ainda em início de carreira. Ela tinha outro filme a concorrer para a Palma de Ouro, "Salve-se Quem Puder", de Jean-Luc Godard. 
Legendas em inglês. Filme bastante raro. 

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domingo, 26 de janeiro de 2020

Loulou (Loulou) 1980

Nelly (Isabelle Huppert), jovem casada de classe média, é expulsa de casa pelo marido depois de se envolver com Loulou (Gérard Depardieu), um vagabundo recém-saído da cadeia. Os dois passam a viver juntos, com Nelly sustentando a casa e Loulou arriscando pequenos golpes. O amor é intenso, assim como as brigas, mas depressa a mulher descobre que está grávida e Loulou não aceita mudar de estilo de vida.
Maurice Pialat dirige com poder e autoridade um argumento escrito a meias com Arlette Langmann. Pialat quer que a história tenha um significado mais amplo em termos de crítica das atitudes francesas e consegue obter um ataque bem direcionado a uma sociadade obcecada pelo conforto da prosperidade, à custa das virtudes sociais.
Ao enfatizar os seus personagens e os elementos que os unem, e não as formas normais de desenvolvimento da história, Pialat consegue construir um filme agradável. Huppert estava ainda em inicio de carreira, e já conseguia aqui a sua quarta nomeação para os Césares (Óscares franceses). Era a segunda vez que Pialat concorria para a Palma de Ouro.

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sábado, 18 de janeiro de 2020

Salve-se Quem Puder (Sauve qui Peut (la Vie)) 1980

As histórias de três personagens cruzam-se: um produtor de televisão (Paul), a sua colaboradora e ex-namorada (Denise), e uma prostituta de quem Paul foi cliente (Isabelle). Denise decide terminar a sua relação com Paul e mudar-se para o campo; Isabelle decide abandonar o seu chulo e Paul quer apenas sobreviver. Um dia, Paul leva Denise para a sua casa de campo, que pretende arrendar, e Isabelle surge para ver a casa sem saber que o senhorio havia sido seu cliente.O filme está dividido em quatro partes: uma para cada personagem e uma última em que as três se cruzam.
Depois de "Tout Va Bien", de 1972, Jean-Luc Godard praticamente abandonou o cinema narrativo, concentrando-se em Grenoble com Anne-Marie Mieville, tabalhando apenas em vídeo, e trabalhando em filmes esparsos que desconstruíam a forma cinematográfica. Apresentado como o seu "segundo primeiro filme", "Sauve qui peut (la vie)" embora não seja exactamente um regresso ao Godard dos anos sessenta, era uma nova encarnação muito bem vinda, de um realizador que, mais uma vez, brincava com a forma narrativa por dentro. 
Momentos e imagens são ecoados através de diferentes personagens e locais. A literatura e a narrativa passam de personagem para personagem, e a coincidência e o acaso desempenham um papel envolvente e crível na estrutura narrativa. 
Era a primeira vez que um filme de Godard estava nomeado para a Palma de Ouro em Cannes, presença que passaria a ser habitual a partir daqui. Uma palavra também para o elenco, com Isabelle Hupert, Jacques Dutronc, e Nathalie Baye, todos a trabalhar pela primeira vez com o realizador.

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Capítulo 11 - Western

Estávamos muito reduzidos no que tocava a Westerns lançados durante os anos 80. Não mais do que uma dezena (ou nem tantos), dignos de nota, de um género que nunca se recompôs do desastre financeiro que foi o seu último épico, "As Portas do Céu", de Michael Cimino. Mas o Western não estava esquecido, enquanto era comum passar na televisão, agora tinha outra fonte de divulgação, o mercado de VHS, principalmente a venda directa, que aos poucos lançava todos os seus grandes sucessos.

As Portas do Céu (Heaven's Gate) 1980
1890, Estado de Wyoming, EUA. Um xerife (Kris Kristofferson) faz o possível para proteger fazendeiros imigrantes dos ricos criadores de gado, em guerra por mais terras. Ao mesmo tempo, ele luta pelo coração de uma jovem (Isabelle Huppert) contra um pistoleiro (Christopher Walken).
Tal como as colunas de fumo e as nuvens de poeira que sopram em qualquer épico com mais de 200 minutos, o desastre incial crítico e comercial deste filme de Michael Cimino perdurará para sempre, obscurecendo as suas maiores qualidades artísticas, que digamos que eram muito boas, levando o filme hoje a ser muito mais apreciado do que era na altura.
"Heaven’s Gate" marcava o fim de uma época. Produzido e distribuído pela Unites Artists, o estúdio fundado pelo realizador D.W. Griffith, e pelos actores Charles Chaplin, Douglas Fairbanks, e Mary Pickford, como forma de escapar ao controle dos grandes estúdios sobre a sua arte, este filme era suposto ser o ponto mais alto da chamada “New Hollywood”, que tinha tomado conta do cinema nos anos 70, formada por jovens realizadores como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, o próprio Cimino, entre outros, e que eram um cruzamento entre o cinema de arte europeu, e o cinema clássico de Hollywood. Se este filme tivesse vingado, a história do cinema seria muito diferente hoje em dia.

Silverado (Silverado) 1985
Kevin Kline, Scott Glenn, Kevin Costner e Danny Glover são quatro heróis involuntários que têm no seu caminho a esquecida Silverado, a cidade em que os seus pais vivem e que foi tomada por um xerife corrupto e por um cruel ladrão de terras. Está nas suas habilidades com as armas a salvação da cidade. Mas primeiro eles têm que tirar uns aos outros da cadeia e aprender quem são os seus verdadeiros amigos.
"Silverado" era um retrocesso do Western que não se incomodava de  tentar reinventar o género numa nova fórmula. Abrange todos os velhos clichés e fórmulas dos velhos tempos, actualizando-os com uma nova geração de estrelas que não cresceu a vê-los. Na altura do seu lançamento foi considerada uma grande revisão, mas com o passar dos anos, e a quantidade de tempo entre o seu lançamento e o declínio do western, já não parece um filme tão importante.
Mesmo assim merece ser visto ou revisto, não só pelo realizador, Lawrence Kasdan, como pelo fantástico elenco, que para além dos nomes mencionados em cima, contava ainda com John Cleese, Rosanna Arquette, Brian Dennehy, Jeff Goldblum, Linda Hunt, Jeff Fahey,  entre outros.

O Bando de Jesse James (The Long Riders) 1980
"The Long Riders" era mais uma entrada (entre muitas) nos westerns sobre o bando dos irmãos James-Younger, os famosos assaltantes de bancos, mas também um dos esforços mais interessantes para cobrir o território. O realizador Walter Hill tem um dos seus melhores trabalhos por trás das câmeras, o seu primeiro filme directamente no território do Western, com um certo pendor Peckinpah-esque (talvez um pouco demais, até) capturando a brutalidade e a violência sangrenta do pistoleiro ocidental. Hill tem fama de ser o verdadeiro sucessor de Peckinpah, a até chegaram a trabalhar juntos, e, definitivamente, este foi dos filmes que mais ajudou para o mito. 
Grande parte do filme conta a história da queda do bando dos irmãos James-Younger, como a agência de detetives Pinkerton conseguiria apanhá-los nas suas casas das famílias do Missouri, enquanto os cofres tornavam-se cada vez mais difíceis de arrombar. Para dar maior realismo, o elenco de irmãos na tela é interpretado por irmãos na vida real - os três Carradines (David, Keith e Robert) como os Youngers, os dois Quaids (Dennis e Randy) como o Millers, e dois Keaches (Stacy e James) como os irmãos James. Mesmo o elenco de apoio tem irmãos na forma de Christopher Guest e Nicholas Guest como os irmãos Ford. Curiosamente, os irmãos não são pintados nem como bons, nem como maus, eles têm respeito uns pelos outros, mas irão cometer alguns atos hediondos, incluindo assassinatos, que só pode ser visto como repreensível. 
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terça-feira, 21 de junho de 2016

Paixão (Passion) 1982

Num aldeia suíço; uma equipa de filmagens prepara um filme sobre os antigos mestres da pintura. Mas o realizador polaco, Jerzy, tem alguns problemas em encontrar a luz certa para o filme, e as filmagens estão inutilizáveis. Entretanto, ele começa a relacionar-se com duas mulheres locais: Hanna, a proprietária do hotel, e Isabelle, que está desempregada depois de envolver-se exaustivamente em questões sindicais na fábrica onde trabalhava. Os sentimentos de Jerzy oscilam entre a simpatia pela causa de Isabelle e o charme excitante de Hanna.
"O filme dentro do filme" é talvez mais o objectivo de Jean-Luc Godard, do que os envolvimentos emocionais dos seus personagens. "Passion" é também um filme auto-reflexivo onde os personagens são tratados pelos mesmos nomes dos actores (Jerzy Radziwilowicz chama-se Jerzy, Isabelle Hupert chama-se Isabelle, Hanna Schygulla chama-se Hanna). Godard está interessado na relação entre as imagens e o som um com o outro, e bem como nas divisões entre artifício e vida real. 
Tal como a maioria dos filmes de Godard, "Passion" evoca mais do que explica, plantando as ideias mas não atingindo o objectivo da resolução. Sendo assim, respostas não serão encontradas, Godard deixa as suas personagens circularem e depois guia os seus personagens para o pôr do sol. As mulheres aparentemente parecem libertadas do realizador, que não consegue manter a sua vida no caminho certo em busca da realidade que o abandonou, enquanto ele continua a procurar a próxima mentira.  
"Passion" seria a sequela natural de "Sauve Qui Peut (la Vie)" e um intrigante filme sobre o trabalho e o amor. Desafia a curiosidade dos espectadores levando-os a olhar atentamente para as imagens evocativas de Raoul Coutard, a política sexual de Jerzy e as suas mulheres e o confuso processo de criar um filme. Foi selecionado para a seleção oficial de Cannes, em 1982.

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quinta-feira, 31 de março de 2016

Os Possessos (Les Possédés) 1988

Em 1970, numa pequena cidade russa, um grupo de jovens revolucionários anarquistas tem como objectivo derrubar o regime czarista através da violência. Os ataques causam um clima de psicose e desconfiança mútua entre a população. Mas, na realidade, tanto os revolucionários como os opressores estão a ser manipulados por um diabólico indivíduo, que usa a violência para satisfazer as suas vinganças pessoais.
Desta vez é o polaco Andrej Wajda a recriar de maneira brilhante a atmosfera de terror e tensão do profético livro de Dostoiévski, sobre os riscos do fanatismo político. De um redemoinho de más intenções nasce o incêndio que queimou a vila dos estudantes e acabou por tomar a russia imperial. Com a sensibilidade dos grandes artistas Fiodor Dostoievski antecipa em 45 anos os crimes da Revolução Russa de 1917.
O twist que Wajda trouxe para o filme é essencial. Loucura, relações humanas frágeis e utopia são os principais ingredientes, entre os quais também se encontra a evolução de várias personagens russas. Nenhuma delas parece fazer parte do mundo real, todas parecem fazer parte do reino da filosofia.
Uma equipa de produção muito boa, com um argumento escrito a oito mãos, onde se incluía a realizadora polaca Agnieszka Holland e o francês Jean-Claude Carrière. O elenco também era bastante razoável, e contava com nomes como Isabelle Hupert, Bernard Blier, Omar Sharif, Lambert Wilson e Jerzy Radziwilowicz, protagonista de dois dos mais famosos filmes deste realizador, "Homem de Ferro" e "Homem de Mármore".
O filme concorria no festival de Berlin de 1988. De realçar ainda que o pai do realizador polaco foi assassinado pelos russos em 1940, quando ele tinha apenas 14 anos, numa tragédia que foi chamada de "O Massacre da Floresta de Katyn".

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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Minha Mãe (Ma Mère) 2004



Quando fica a saber da morte do pai, o jovem de 17 anos, Pierre, vive uma súbita e dramática crise de identidade. Enquanto passa férias com a mãe, Hélène, numa ilha do Mediterrâneo, ele passa por uma iniciação turbulenta e destrutiva nos mistérios do sexo. Com a sua amada mãe, ele descobre que é um ninfomaniaco incontrolável, viciado em práticas sexuais obscenas, e que o seu pai possuía um vasto tesouro de material pornográfico. Longe de incomodada pelo despertar violento do seu filho, Hélène piora as coisas, incentivando-o a entregar-se aos seus desejos carnais ao máximo - com consequências desastrosas.
De um modo geral, os filmes dividem-se em duas categorias: aqueles que vemos por prazer e aqueles que vemos para ampliar os nossos horizontes. Ma mère é um filme que certamente não se enquadra na primeira categoria (exceto para aqueles que têm algumas idéias muito estranhas sobre o que constitui o entretenimento), mas provavelmente também não pertence ao segundo ponto. É um filme que empurra os limites em relação ao conteúdo sexual explícito. Definitivamente não é para pessoas fracas de coração.
Ma mère é baseado numa novela controversa de Georges Bataille, e é o segundo filme a ser realizado por Christophe Honoré, cuja primeira obra, o duro, mas envolvente drama "17 fois Cécile Cassard", ganhou enorme aclamação da crítica. Pelo positivo, há algumas interpretações excepcionais - mais notadamente as de Isabelle Huppert e Louis Garrel - e o argumento de Honoré consegue capturar a complexidade da relação mãe-filho, com todas as suas conotações edipianas obscuras. Honoré é menos bem sucedido a fazer o filme acessível ao seu público - a escolha do estilo cinematográfico e a montagem fazem o filme parecer feio e incoerente, uma abordagem que serve para distanciar o espectador do drama, tornando o que vemos ainda mais grotesco e ofensivo do que caso contrário pode ter parecido. O realizador também tem uma tendência a tornar-se pretensioso em certas ocasiões, com algumas opções da música, obviamente, inadequadas para imagens panorâmicas do mar e da areia, de uma forma que compromete o tom sombrio do realismo em que esteve antes. Ainda assim, uma obra a descobrir.
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