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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Ashes and Embers (Ashes and Embers) 1982

Anos se passaram desde que Nay Charles regressou de lutar na guerra do Vietname, mas as cicatrizes mentais deixadas por esta experiência nunca foram curadas. Pelo contrário, cresceram ainda mais. Como um veterano negro, não há lugar para ele na América, nem casa, se é que alguma vez houve alguma. Sente-se irritado com todos em redor - a namorada, Liza Jane, o seu filho Kimathi, e a avó resistente que vive no campo. Não consegue discernir nem o amor nem a bondade à sua volta, nem focar-se numa direcção para seguir a vida. Liza Jane espera atraí-lo para o movimento negro de libertação em que participa, mas ele recusa todos os convites para se aproximar pessoas ou fazer parte de uma comunidade.
"Ashes and Embers" de Haile Gerima, passa por tantos momentos de inquietação, como o seu protagonista em estado de choque. É como uma longa e indigesta montagem sem indicação de que curso irá seguir, ou quando passa subitamente para outro ponto da vida de Nay Charles. O filme de Gerima não é linear, meio experimental, meio narrativo, mas, acima de tudo, um filme de combate. No filmes, de uma forma quase Resnaisca Nay Charles descola-se no tempo e no espaço com a facilidade e a anarquia da memória.
Estreado em 1982, depois da primeira vaga de filmes sobre o Vietname, como "Coming Home", ou "Apocalypse Now", que é citado ironicamente no filme, e antes da segunda vaga, que começaria quatro anos depois com "Platoon",  mas o que mais se aproxima de Nay Charles é o Travis Bickle de "Taxi Driver".
Filme raro, sem legendas.

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Imdb

domingo, 29 de julho de 2018

Bush Mama (Bush Mama) 1979

Uma mulher negra à beira de um ataque de nervos. Uma filha para criar e outro bébé a caminho, o marido na prisão, a Assistência Social que ameaça cortar os benefícios caso ela não faça um aborto, os vizinhos que falam demais. A violência racista da sociedade americana se precipita sobre uma vida. Mas sua imaginação não cabe no mundo estreito que fizeram para ela. Dorothy sonha. 
 "Dorothy observa o mundo de sua janela e no recorte dessa moldura o que ela vê e ouve é um espaço que repele e nega sua subjetividade. Portanto, muitas das vezes em que Dorothy se põe diante dessa janela, seu corpo se revela cansado, o seu próprio exercício de olhar o mundo vem carregado com a vontade de desistir dele. Ainda assim, ela insiste em olhar, como se a atitude em si mesma fosse uma possibilidade de resistência. Quando Haile Gerima filma a atriz Barbara Jones na ação de se colocar observando o ambiente externo enquanto, internamente, tudo lhe sugere não desafiar o que está dado lá fora, sob a moldura retangular da janela de um apartamento na periferia de Los Angeles, há na repetição desse enquadramento uma forte marcação política sobre o próprio cinema ao qual Gerima está vinculado. Um que está ciente do quão insubordinado pode ser o simples gesto de levantar os olhos. E observar o mundo de sua própria janela. E ligar uma câmera.
 Quando surgem então as primeiras imagens de Bush Mama (1979), segundo longa-metragem de Gerima, aquilo que a princípio parece ser a encenação de mais um baculejo da polícia na população negra é, na verdade, uma declaração pessoal do diretor sobre seu direito de olhar. Não sabemos, e o filme em nenhum momento revela esse dado, mas as cenas projetadas em câmera lenta na abertura do longa são da própria equipe de filmagem, incluindo aí também o diretor, sendo abordados pela polícia no meio da rua. A câmera que captura essas cenas está atrás de uma janela, escondida, discretamente dando um zoom no que vê."
Texto de Fora de Quadro 
Este filme não tem legendas. 

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Imdb