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domingo, 13 de março de 2022

Dr. Estranhoamor (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb) 1964

"É uma das melhores comédias negras de sempre, o filme mais engraçado sobre a era nuclear e uma das obras-primas de Stanley Kubrick. "Dr. Estranhoamor" está recheado de fabulosas interpretações cómicas - destaque para Peter Sellers, que interpreta três personagens, e para a interpretação de George C. Scott -, que se integram num cenário de insanidade mal contida nesta comédia de enganos iluminada por cenas satíricas. A história começa quando o general Jack D. Ripper (Sterling Hayden) - que comanda a base da força aérea de Burpelson -, obcecado com a ideia de que os comunistas estão a tentar roubar os "preciosos fluidos corporais" dos norte-americanos, entra em loucura total e ordena um ataque imediato à União Soviética. O Presidente dos Estados Unidos (Peter Sellers) reúne-se, em desespero, com os seus conselheiros, que incluem o general Buck Turgidson (George C. Scott) e o cientista ex-nazi Dr. Estranhoamor (também interpretado por Peter Sellers). Estes não vêem outra solução senão deixar que os soviéticos abatam os bombardeiros americanos, o que constitui uma "perda aceitável" para as estatísticas. Entretanto, o embaixador soviético (Peter Bull) informa-os que a URSS possui um "Doomsday Device" - um engenho prestes a lançar bombas nucleares mal sejam atacados... O filme recebeu quatro nomeações da Academia de Hollywood, nas categorias de melhor actor (Peter Sellers), melhor realizador, melhor filme e melhor argumento adaptado (Peter George, Stanley Kubrick e Terry Southern)."
* texto Público

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Anatomia de um Crime (Anatomy of a Murder) 1959

 Baseado num best seller de 1958 escrito por Robert Traver, vagamente baseado num caso real, um assassinato ocorrido em Michigan em 1952. A história, passada principalmente num tribunal, gira à volta da morte do proprietário de um bar por um tenente do exército, Manion, que afirma ter agido com uma apaixonante raiva depois do proprietário do bar ter violado a sua esposa. A defesa de Manion cabe a Paul Bigler que, desde que foi eleito procurador local, passou mais tempo a pescar do que a exercer a sua actividade. Biegler concorda defender o tenente, mas o caso começa a ficar mais complicado por causa do comportamento sedutor de Laura Manion, e à medida que a história se desenvolve começam a ser questionadas as motivações do crime. 
Em 1959, a cidade de Chicago invocou uma portaria de 1907 para recusar a licença à Columbia Pictures para exibir "Anatomy of a Murder". Os censores da cidade, chefiados pelo superintendente da policia, opôs-se ao filme devido ao uso de termos como "violação", "esperma", "penetração", "contracepção" no depoimento do julgamento. Os membros do conselho também se opuseram ao relato de Laura Manion sobre a violação e argumentaram que o utilização de tal terminologia tornavam o filme obsceno de acordo com a portaria da cidade. Representando a Columbia Pictures, o realizador e produtor Otto Preminger, abriu um processo contra a cidade, para obter licença para a exibição do filme.
Ao preferir a decisão, o tribunal determinou que a comissão de censores tinha ultrapassado os limites constitucionais, e reverteu a decisão dos censores. O juiz aplicou a medida estabelecida em relação a livros e peças que exigia que a obra fosse julgada como um todo em termos do seu efeito sobre um leitor ou espectador. Mais um caso complicado, em que a justiça venceu em tribunal.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A Vida é um Jogo (The Hustler) 1961

"Em "A Vida é um Jogo", Paul Newman representa Fast Eddie Felson, um "tubarão" atrevido do bilhar, que gasta o seu tempo vagueando de mesa em mesa à procura de alguns papalvos para depenar. O empresário, género abutre, personificado por George C. Scott, vê um filão em Eddie, e tenta ensinar-lhe que manter o sangue frio é a chave para ganhar, mas Newman descobre da pior maneira que permanecer cool também significa excluir tudo e todos da sua vida excepto a mesa de bilhar e o homem que se tenta bater.
Fora os espectaculares planos de ecrã largo a preto e branco das fumarentas salas de bilhar, "A Vida é um Jogo" é um filme sobre pessoas e, como tal, apresenta um arsenal de desempenhos impressionantes.  Com Newman e Scott está o lacónico Jackie Gleason, e a patética Piper Laurie que se torna o interesse amoroso, maldito e alcóolico de Newman (embora amor seja uma palavra demasiado forte para descrever o que eles partiilham). O filme de Robert Rossen continua a ser um dos retratos mais notáveis e cínicos da natureza humana já feitos, uma descrição gelada de um mundo onde a lealdade dura o tempo de uma jogada ganhadora, e onde a vitória nem sempre se distingue da derrota." Texto de Joshua Klein
Venceu dois óscares, num total de nove nomeações, com destaque para os actores, que arrecadaram quatro nomeações: Paul Newman, Piper Laurie, Jackie Gleason e George C. Scott, que recusou a nomeação por considerar que os actores não podiam competir uns com os outros, a não ser que estivessem a interpretar o mesmo papel. Mais tarde recusou o Óscar em "Patton" pelas mesmas razões.

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sábado, 29 de outubro de 2016

Capítulo 1 - Terror

Vamos começar esta viagem ao mundo do VHS pelo género de Terror, que ao mesmo tempo irá ser a nossa forma de festejar o Halloween. O terror foi ganhando popularidade com o passar dos anos, e se durante muito tempo era um género tabu, hoje em dia é dos mais procurados. Principalmente a partir dos anos 80 tivemos um boom considerável, em parte por causa da evolução dos efeitos especiais. Graças a isso muitas obras deste género tornaram-se mainstream durante esta década: "O Uivo da Fera", "Companhia dos Lobos", "A Mosca", "Gremlins", "Um Lobisomem Americano em Londres", "The Evil Dead", "Pesadelo em Elm Street", "The Shining", "Poltergeist", entre outros.
Vamos então fazer uma viagem por este género, não pelos filmes de primeira linha, mas pelos outros que vêm logo a seguir. Estes foram alguns dos filmes presentes na prateleira de terror.

A SEITA DO MAL (The Believers) 1987
Ao investigar o brutal assassinato de dois jovens, um detetive perde o equilíbrio mental. O psicólogo da polícia descobre que a insanidade do colega está diretamente relacionada com um culto religioso especializado em sacrifícios humanos.
O filme fala sobre a religião de Santeria, uma fé que teve a sua origem no comércios de escravos, quando os nativos africanos foram transportados à força para as Caraíbas e foram e foram convertidos aos catolicismo. A fim de manter as suas crenças nativas, misturam conceitos da sua religião com os principios de Roma. Estima-se que 35000 pessoas pratiquem Santeria nos Estados Unidos. 
Baseado no livro "The Religion" de Nicholas Conde, e adaptado por Mark Frost (antes de se envolver em "Twin Peaks"), foi um dos melhores filmes sobre o oculto realizados nos anos 80. Realizado pelo britânico John Schlesinger, que aos poucos tentava regressar à boa forma do seu inicio de carreira, este acabaria por ser o seu melhor filmes pós-1980, a par com "Pacific Heights", que veremos mais para a frente. Martin Sheen é o protagonista.

 ARACNOFOBIA (Arachnophobia) 1990
Toda a gente tem medo de alguma coisa...mas a fobia do Dr. Ross era muito estranha. Quando ele se muda com a família para uma cidade do interior, aquilo que o apavorava transforma-se numa crescente ameaça para todos os moradores do lugar. As aranhas estão prestes a destruir a cidade inteira. A única hipótese de salvar todo mundo é superar este medo infantil - mas pode ser tarde demais...
Atrás deste projecto estava a Amblin Entertainment, e logo a equipa de produção de alguns dos maiores êxitos dos anos 80, "ET", "Poltergeist", "Indiana Jones e o Templo Perdido", "Goonies", "Regresso ao Futuro", logo as expectativas eram bastante elevadas. Frank Marshall era um dos cabeças do estúdio, junto com Steven Spielberg e Kathleen Kennedy, salta pela primeira vez para atrás das câmaras, e pode-se dizer que fez um bom trabalho. Estava-se no auge da popularidade da Amblin, e tinha-se que aproveitar o momento.
É um filme um pouco reminiscente de "Gremlins". A pequena cidade a ser invadida por criaturas. O facto de serem aranhas, dá um tom um pouco mais realista ao filme, e os efeitos especiais são do melhor da altura. Destaque para a curta interpretação de John Goodman, apesar do protagonista ser Jeff Daniels.

 A FELINA (Cat People) 1982
Natassia Kinski é Irene, uma bela jovem que ao descobrir o seu primeiro amor, apercebe-se que uma explosiva experiência trazer-lhe-á trágicas consequências. Esta poderosa paixão ultrapassa todo o caos à sua volta, incluindo as bizarras exigências do seu próprio irmão (Malcolm McDowell) uma vez que a puxa para um destino bizarro.
"Cat People" era um remake do filme do mesmo nome realizado por Jacques Tourneur. Em plenos aos oitenta, com a pouca facilidade em descobrir cinema, o filme original era uma obra completamente obscura, ao passo que hoje é muito mais conhecido. Era um projecto de Paul Schrader, um argumentista ligado aos Movie Brats (Coppola, De Palma, etc), e que tinha já no seu historial argumentos tão importantes como "Yakuza", "Taxi Driver", ""Obsession", "Rolling Thunder", e que procurava um lugar ao sol no campo da realização, sendo este já o seu quarto filme. E pode-se dizer que até aqui a sua carreira corria muito bem.
Como cinema fica bastantes furos abaixo do original, mas é um óptimo projecto de promoção à actriz Natassia Kinski, uma das maiores sex symbol dos anos 80.

O DESVENDAR DE UM MISTÉRIO (The Changeling) 1980
Desde a trágica morte da sua família, o compositor John Russell abandonou Nova York e agora vive numa casa solitária na esperança de continuar compondo e encontrar a paz. Enquanto aprecia o silêncio e a solidão de sua nova residência, começa a ver constantemente o corpo de um rapaz. Nas suas andanças pela casa, descobre uma entrada secreta para um antigo quarto de criança que permanecia esquecido. Nele John encontra uma cadeira de rodas e uma caixinha de música e tem o pressentimento de que alguma coisa terrível aconteceu naquele quarto. 
 Um dos bons filmes sobre casas assombradas que se fez no período entre final dos anos setenta, e principio dos anos oitenta. Passou um pouco ao lado de uma carreira de sucesso, talvez por ter sido uma produção canadiana, mas o elenco de velhas estrelas é do melhor que se podia encontrar: George C. Scott, Trish Van Devere, Melvin Douglas e Jean Marsh. É bastante superior a "The Amityville Horror" de Stuart Rosenberg, mas inferior a "The Shining" de Kubrick, do mesmo ano. A realização é de Peter Medak.
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Doutor Estranhoamor (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb) 1964


O General Jack D. Ripper (Sterling Hayden) enviou o seu esquadrão de aviões com ordem para atacar a União Soviética graças a uma falha de segurança, que, posteriormente, se torna impossível para qualquer outra pessoa trazer os aviões de volta. Quando a notícia deste ataque chega a Washington, o presidente Merkin Muffley (Peter Sellers) chama os seus assessores para a sala de guerra, onde o general Buck Turgidson (George C. Scott) sugere que o melhor plano de acção será a de apoiar os aviões com umas coordenadas mais ofensivas para paralisar as forças soviéticas e limitar as baixas americanas. Mas os russos, para surpresa de todos, acabam de construir uma "Doomsday Machine", destinada a destruir toda a vida animal do planeta.
A mais negra, e quase de certeza, melhor comédia negra de todas, Dr. Strangelove pensa o impensável e atinge o impossível encontrando humor na perspectiva da aniquilação termonuclear global. Sem dúvida que filme teve o maior impacto quando foi lançado pela primeira vez, logo depois da crise dos mísseis cubanos, no auge da Guerra Fria, em 1962, o mais próximo que a humanidade esteve, até agora, de fazer explodir o planeta. No entanto, o filme continua a ter uma ressonância poderosa e oferece uma experiência ao espectador convincente e estranhamente inquietante. A Guerra Fria pode ter terminado, mas a possibilidade de todos nós desaparecermos numa nuvem de fumo radioativo continua a ser uma hipótese assustadoramente real, especialmente como um número crescente de nações a ter poder nuclear.
Dr. Strangelove não é apenas uma brilhante sátira sobre a histeria da Guerra Fria e postura militarista lunática (aqui a guerra é justamente representada apenas como mais uma faceta da libido masculina reprimida), também aponta a uma falha fundamental na estratégia de destruição global, ou seja, que nenhum sistema, por mais bem concebido, seja infalível.
Dr. Strangelove marcou o ponto mais alto da carreira de Stanley Kubrick até ao momento, embora o realizador já tivesse feito uma série de filmes importantes, incluindo os seus antecessores Paths of Glory (1957) e uma superlativa adaptação de Lolita de Nabokov (1962),  mas este foi o seu primeiro grande triunfo como auteur, o início de uma carreira de triunfos cinematográficos que incluem 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), Laranja Mecânica (1971), Barry Lyndon (1975) e The Shining (1980).  
Não só é um filme extremamente engraçado que oferece o argumento mais convincente para a proibição de armas nucleares, como também é uma peça incrivelmente bem trabalhada de cinema. Kubrick sabia instintivamente como construir uma imagem visual que iria causar um grande impacto, emocionalmente e intelectualmente, e isso está evidente por todo o filme. Observemos o contraste entre as cenas estáticas, quase irreais na sala de guerra e o realismo quase documental nas cenas do cockpit e as sequências onde a base aérea é atacada, filmadas através do uso inovador da câmera na mão. Os líderes políticos e militares estão, como sempre, completamente separados da realidade da situação ridícula que eles criaram. Tal como os outros grandes cineastas, nomeadamente D.W. Griffith, Sergei Eisenstein e Alfred Hitchcock, Kubrick entendeu que as imagens, não as palavras, são o meio pelo qual o verdadeiro cineasta se comunica com o seu público. As palavras são apenas um complemento.
Com Peter Sellers a desempenhar três papéis, todos na perfeição, o filme não poderia deixar de ser uma obra-prima cómica. No seu contrato com Kubrick, a Columbia Pictures tinha estipulado que Sellers iria interpretar quatro papéis, mas o actor estava relutante em interpretar o Major Kong, e depois de ter sofrido uma lesão menor, o papel foi dado a Slim Pickens, que foi um substituto admirável. Enquanto Sellers domina o filme, atingindo novos patamares de hilaridade demente como o Dr. Strangelove, existem algumas contribuições memoráveis ​​dos seus colegas do elenco. George C. Scott quase rouba o filme como o militar que vê a guerra como a solução para todos os problemas e Sterling Hayden é assustadoramente convincente no seu papel de general que causa toda esta confusão. E quem pode esquecer a visão de Pickens montado na bomba atómica? Um filme imperdível.

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