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segunda-feira, 5 de julho de 2021

O Aventureiro de Florença (The Affairs of Cellini) 1934

Passado na Florência do Século 16, em Itália, o filme, baseado na peça "The Firebrand", de Bess Meredyth, pretende relatar a vida amorosa do ourives e escultor Benvenuto Cellini (1500-71). O filme foca-se nas ligações sexuais dos artistas do período do Renascimento. A história envolve o que se pode chamar de um quadrilátero amoroso invocando Cellini, uma camponesa chamada Ângela, o duque de Florença, e a sua esposa. Cellini está apaixonado por Ângela, que é amante do duque, e a esposa deste está apaixonada por Cellini. 
Um dos primeiros filmes produzidos por Darryl F. Zanuck depois de saír da Warner Bros e fundar a 20th Century Fox, que lançaria muitos dos seus filmes através da United Artists.Como um acto contra o que ele considerava ser um clima de cada vez maior restrição e censura, resolveu não se associar ao MPPDA, ou com a Associação de Produtores de Cinema (AMPP), filial da costa oeste da MPPDA. Ao não ingressar em nenhum destes grupos poderia evitar enviar o argumento para o SRC, que poderia aprovar ou sugerir alterações que iriam atrasar a produção. Ao contrário dos outros estúdios membros, Zanuck fez o filme de acordo os seus próprios padrões. Apesar de o ter de submeter na mesma ao SRC, sujeito a modificações, a maioria dos cinemas americanos da altura estavam ligados ao MPPDA, e tinham concordado não exibir filmes sem o selo de aprovação destes. 
O chefe da SRC, Joseph Breen, criticou o filme por estar repleto de comportamentos lascivos e depravados, e criticou os personagens pessoas libidinosas que se envolvem em sexualidade promiscua. Antes que o filme pudesse receber o selo de aprovação da PCA, Zanuck teve de cortar cenas de abraços apaixonados, e outras que colocavam os personagens sugestivamente perto, ou em quartos. Depois de finalmente o filme receber o selo da pureza do PCA foi finalmente exibido nos cinemas, mas foi colocado na lista negra da diocese católica de Chicago. Em 1934 Chicago tinha o mais poderoso dos censores locais, bem como uma das maiores populações católicas romanas. O Cardeal de Chicago condenou o filme como imoral, e deu-lhe a classificação C, e alertou os católicos que enfrentariam a condenação eterna se vissem o filme. Um grande número de católicos boicotaram o filme, que acabou por ser um insucesso.
Legendas em espanhol.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

O Sinal da Cruz (The Sign of the Cross) 1932

 "O Sinal da Cruz" é adaptado de uma peça de Wilson Barrett, e apresenta uma perspectiva da perseguição do Imperador Nero aos cristãos. Cecil B. DeMille cria um espectáculo maciço no filme, contatando 4 mil extras e construindo um modelo de Roma em miniatura. Também ordenou a construção de um anfiteatro onde colocou dezenas de animais tirados de zoos locais. O cenário é o ano de 64 e Roma está a arder. Circulam rumores de que foi Nero que começou o fogo, mas ele pretende culpar os cristãos por toda esta devastação. 
Cecil B. DeMille tornou-se num dos mais famosos realizadores a escapar aos censores, e uma boa parte da sua fama veio deste filme, onde segundo ele "uma legião de seguidores da igreja podia sentir a sua libido estimulada desde que os pecadores fossem punidos no final por um anjo vingador". A mistura de pecado e sensação significou que os censores não apontaram algumas cenas que noutros filmes seriam apontadas, como por exemplo uma cena onde uma mulher nua é amarrada numa arena para ser violada por um gorila. Os censores estaduais eram menos premissivos, e foi este e uma série de outros filmes que levaram a que fosse criada a Catholic Legion of Decency (LOD), e levou a que a fosse criado o mais resstrito PCA.
Jason Joy, do SRC, aprovou o argumento com apenas algumas reservas, no entanto avisou que os censores locais poderiam ter outra visão sobre o filme. Depois de estreado, a Paramont recebeu uma série de cartas de grupos católicos a criticarem o filme, e depois de ter sido criado o PCA que reclassificava todos os filmes, "The Sign of the Cross" foi considerado dos mais ofensivos, e por isso, retirado da circulação. A cópia original foi seriamente cortada, mas foi recuperada recentemente pela UCLA Film and Television Archive.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: “Os Melhores Anos das Nossas Vidas”, de William Wyler

O Jornal do Fundão, os Encontros Cinematográficos, o Lucky Star – Cineclube de Braga, o My Two Thousand Movies e a Comuna associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “40 dias, 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blog My Two Thousand Movies. O último convidado é Filipa Gambino, que escolheu Os Melhores Anos das Nossas Vidas de William Wyler.

Sinopse: Filme dramático norte-americano realizado em 1946 por William Wyler, The Best Years of Our Lives foi interpretado por Myrna Loy, Fredric March, Dana Andrews, Harold Russell, Teresa Wright e Virginia Mayo, entre outros. O argumento foi escrito por Robert E. Sherwood, baseando-se no livro Glory For Me, de MacKinlay Kantor. Tratando-se de um clássico sobre o regresso a casa, depois da guerra, e as dificuldades de adaptação à nova vida civil, o filme centra-se em três homens: Al Stephenson (Fredric March), Fred Derry (Dana Andrews) e Homer Parrish (Harold Russell). Os três regressam a casa juntos, atormentados pelas memórias recentes da guerra e com dúvidas acerca do seu futuro. Quando chegam, seguem diferentes caminhos. O marinheiro Homer regressa a casa sem mãos, Al regressa para a sua esposa Milly (Myrna Loy), filhos e o antigo emprego num banco, e Fred encontra uma mulher que praticamente o abandonou e não tem perspetivas de trabalho.

Em jeito de conclusão, escreve-nos que “o ecletismo deste ciclo (de uma maneira pouco premeditada já que a curadoria foi distribuída por tantas pessoas quantos os filmes que por aqui passaram) acabou, de certa forma, por reflectir os vários estágios pelos quais passámos durante esta quarentena. O terror do vírus desconhecido em Cassandra Crossing, ou da peste em A Máscara da Morte Vermelha, ou da cólera em 7 Mulheres; a estranheza da impossibilidade de sair do confinamento em O Anjo Exterminador, a necessidade de evasão em E.T. - O Extraterrestre ou Querido Diário, os dramas familiares como Spencer’s Mountain ou O Túmulo dos Pirilampos e tantos outros e tão bons onde pudemos encontrar paralelos com a situação em que nos encontramos. 
Escolhi Os Melhores Anos das Nossas Vidas porque descobri nele ecos para as perguntas que me invadem agora o pensamento, nesta fase de desconfinamento: vamos encontrar o mundo ainda como o deixámos? Haverá lugar nele para nós? Saberemos/poderemos ainda abraçar os que amamos? Terá o pior já passado? Tudo perguntas que atormentam estes 3 veteranos de guerra que Wyler acompanha no regresso a casa. 
Ao longo do filme o desconforto é palpável, o desajustamento destes homens às realidades às quais regressam quase que nos fere. No entanto, ou por isso mesmo, está cheio de vida e beleza. Particularmente marcantes os momentos em que Wyler recorre à profundidade de campo como forma de contar as histórias dos três homens ao mesmo tempo. Acontece no bar onde os três amigos se costumam encontrar mais que uma vez (Fred, no fundo, ao telefone com Peggy), acontece no magistral plano final: toda a força do poder redentor do amor numa única imagem. 
Esperemos que seja também esse poder redentor do amor a salvar-nos agora e que os melhores anos das nossas vidas estejam, afinal, ainda por viver.”

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sábado, 20 de abril de 2019

Mary Stuart, Raínha da Escócia (Mary of Scotland) 1936


Mary Stuart regressa à escócia para governar como rainha, para o desgosto de Elizabeth I de Inglaterra, que considera uma rival perigosa. Há muita confusão sobre com quem Mary se casará, e para seu arrependimento posterior ela escolhe o Lord Barnley sobre o forte mas pouco popular Earl of Bothwell. Um golpe palaciano leva à guerra civil e prisão domiciliária de Mary, mas ela escapa e foge para Inglaterra, onde um destino pior a espera…
O que poderia ser um poderoso e agitado drama histórico, "Mary of Scotland" acaba por ser um filme bastante tépido, porque não foi feito da melhor forma. Muito se falou sobre a actriz Ginger Rodgers ter querido o papel de Elizabeth no filme, mas não foi permitida, e por certo que faria melhor que a actriz escolhida, Florence Eldridge. Grande parte do insucesso do filme deveu-se ao casting da actriz principal, Katherine Hepburn, num papel que não lhe servia. Ao contrário da histórica Mary, a heroína do filme é demasiado macia e demasiado vitima. Se lhe tivessem dado o fogo, a paixão que a verdadeira Mary tinha, talvez Hepburn tivesse dado uma outra força à personagem. 
Grande parte do diálogo de Maxwell Anderson, o autor da obra original, foi perdido quando adaptado para o cinema, por Dudley Nicholas, e isso funcionou tanto a favor como contra o filme. John Ford também não parece muito confortável neste território do drama histórico, mas ele e o director de fotografia Joseph H. August dão ao filme um visual marcante, principalmente nas formas diferentes como filmam Mary e Elizabeth. Se Mary é uma personagem aborrecida, pelo menos tem um bom apelo visual.
Legendas em espanhol.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O Vento Será a Tua Herança (Inherit the Wind) 1960



Todos os nomes foram alterados, mas os eventos descritos em Inherit the Wind, de Stanley Kramer, baseavam-se numa das mais espectaculares batalhas judiciais da primeira metade do século 20. O nome do julgamento é normalmente conhecido como "Scopes Monkey Trial" que numa única frase combinava o nome do réu (o professor do Tennessee John T. Scopes), o principal ponto de discórdia (a teoria da evolução de Darwin), e a natureza do caso em geral, uma farsa de todo o tamanho. Aconteceu no calor sufocante de Julho de 1925, e marcou uma das batalhas mais quentes e públicas entre as forças do cristianismo fundamentalista, e o progresso científico.
O que fez este julgamento ter sido tão notável não foi apenas o que estava em jogo (particularmente a intromissão de uma religião dominante no campo da educação financiada pelo estado), mas também as pessoas que estavam em jogo. Na defesa estava o advogado agnóstico Clarence Darrow, que era bem conhecido por trabalhar com sindicatos, e um grande opositor à pena capital. A acusação era chefiada pelo grande orador William Jennings Bryan, um senador fundamentalista que já tinha concorrido à presidência três vezes.
"Inherit the Wind" debruça-se sobre os factos mais gerais do caso, desde a prisão do professor na pequena cidade de Hillsboro, no Tennessee (a verdadeira cidade foi Dayton), seguindo-se do julgamento no tribunal. É sobretudo um filme de actores, por completo, desde o advogado da defesa interpretado por Spencer Tracy, que lhe valeu uma nomeação para o Óscar, aos grandes papéis de Fredric March, como advogado de acusação, Gene Kelly, mostrando todas as qualidades dramáticas como um repórter cínico, e um elenco de apoio cheio de nomes conhecidos. O  Hornbeck de Gene Kelly é o infiel numa sala cheia de partidários, e proporciona um alívio cómico consistente.
Adaptado de uma peça da Broadway por Jerome Lawrence e Robert E. Lee, capta o calor e o clamor deste julgamento, embora perca a oportunidade de fazer entender os dois lados do caso. Por ser adaptado por Nedrick Young e Harold Jacob Smith, "Inherit the Wind jogo com um discurso virulento após o outro, em que o discurso científico choca  violentamente com o zelo religioso profundo.
O produtor e realizador Stanley Kramer, habilmente manipula o material incendiário visual, fazendo um bom uso do foco profundo e composições cuidadosas que enfatizam as oposições na sala. Algumas das melhores cenas no filme, são, na verdade, as menos controversas, em que Drummond e Harris, que antes eram velhos amigos, se sentam a conversar, em vez de gritarem um com o outro.
Nomeado para quatro Óscares, foi um filme escolhido pelo Rui Alves de Sousa.

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