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domingo, 3 de junho de 2018

O Delfim (O Delfim) 2002

Portugal, finais dos anos 60. Tomás Palma Bravo, o Delfim, o Infante, é o herdeiro de um mundo em decomposição. É ele o dono da Lagoa, da Gafeira, de Maria das Mercês, sua mulher infecunda, de Domingos, seu criado preto e maneta, de um mastim e de um "Jaguar E", que o leva da Gafeira a Lisboa e às putas. Um caçador, detective e narrador, que todos os anos volta à Lagoa para caçar patos reais, descobre, um ano depois, que Domingos apareceu morto na cama do casal Palma Bravo e que Maria das Mercês apareceu a boiar na Lagoa. Quanto a Tomás Palma Bravo e ao mastim, dizem-lhe que desapareceram sem deixar rasto. E que da neblina da Lagoa se ouvem agora misteriosos latidos. 
 "O Delfim" foi realizado por Fernando Lopes, a partir da obra homónima de José Cardoso Pires, tendo sido o argumento escrito por Vasco Pulido Valente. Nas palavras do realizador, é "sobretudo um prodigioso pretexto cinematográfico para entender paixões e emoções, misérias e grandezas de um Portugal agonizante, em plena guerra colonial e com o seu ditador (Salazar) a morrer lentamente, como o país. Será também um filme sobre um tempo em suspensão. E sobre um universo metafórico - a Gafeira - que é a propriedade e ao mesmo tempo a imagem de Tomás Palma Bravo, o herdeiro e último representante de uma raça em vias de extinção".

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domingo, 6 de maio de 2018

Matar Saudades (Matar Saudades) 1988

O filme passa-se numa aldeia de Trás-os-Montes e tem como protagonista um homem que, depois de ter emigrado para França, regressa à sua aldeia onde tudo parece ter mudado. Abel (Rogério Samora) resolve regressar depois de ter recebido uma carta do irmão a informá-lo que algo se passa com Teresa (Teresa Madruga), a noiva que deixou em Portugal. Enquanto a aldeia se prepara para a representação do "Acto da Paixão", em que Teresa participa, Abel prepara-se para a vingança. 
Fernando Lopes, a partir de um excelente argumento, assinado por ele próprio de parceria com Carlos Saboga e António Pedro Vasconcelos, realizou em 1988, "Matar Saudades", uma terrível e tocante história de paixão e morte numa esquecida aldeia de Trás os Montes. "Matar Saudades", onde se refletem alguns dos temas mais caros ao cinema de Lopes, como a nostalgia do passado e as dificuldades de adaptação à inevitabilidade transformadora do presente, é, na verdade, um belo, agreste e amargo filme, que conta com um grande elenco onde se destacam os nomes de Rogério Samora, Teresa Madruga e Eunice Muñoz.

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sexta-feira, 4 de março de 2016

Nós por cá Todos Bem (Nós por cá Todos Bem) 1978

Uma equipa de filmagem dirige-se à Várzea dos Amarelos, de visita à mãe do realizador, onde fixa alguns momentos da vivência local e escuta a velha senhora. Com o documentário cruzam-se evocações (ou fantasias) ficcionais biográficas.
"Depois de "Uma Abelha na Chuva" havia que esperar mais, é certo. Só que Fernando Lopes, apostando na fusão do directo (ver "Belarmino")  e da ficção (ver "Abelha...") não foi capaz de um sólido ponto de vista e sobretudo não caminhou por terrenos que pudesse escavar com a percutência do seu trabalho anterior.
Escolhendo, para protagonista do filme, a sua própria mãe, enveredando por um certo tom confessional, Lopes indecide-se entre o pudor afectivo e a distância documental, tal como não resolve a ambivalência entre uma suposta verdade do directo e e um relativo visionarismo da ficção.
Os limites do filme são o somatório dessas não ultrapassadas contradições. Mas as potencialidades (a verdade que ele traduz) estão exactamente nesse campo. Entre um país e uma memória, um passado e um presente, Portugal/1976 era o território da dúvida, incertezas. "Nós por cá Tudo Bem" reflecte-o.
A reter: a cenografia de Jasmim (sobretudo a cozinha e o bordel): as canções de Sérgio Godinho; nos actores: Zita Duarte e a breve (fulgurante) aparição de Lia Gama." JLR

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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Uma Abelha na Chuva (Uma Abelha na Chuva) 1972

Um universo rural imobilista e opressivo, quebrado por ausências, desencontros ou silêncios, incidindo sobre um casal, Maria dos Prazeres, Álvaro Silvestre. Relação conjugal de compromisso, que é estilhaçada pelo conflito latente das paixões, fraquezas e desejos recalcados...
 É um dos filmes portugueses mais emblemáticos feitos antes da revolução de Abril de 1974. A acção passa-se num ambiente social rígido. Faz uso de uma narrativa forte, não-linear, muito próxima do cinema francês dos anos 60. O filme destaca as três classes que formavam o meio rural português da época: o povo, a aristocracia e a burguesia. O filme não é uma transcrição exacta da obra literária, antes uma interpretação sonora e visual das várias leituras que Fernando Lopes fez do livro e, do universo criado por Carlos Oliveira em 1953. A falta de meios terá ditado a adopção de uma estratégia experimental por parte do seu realizador/produtor, que viu a rodagem e montagem do filme, irem sendo intercaladas pela produção de pequenos filmes publicitários que asseguravam a subsistência do projecto. Este moroso processo de montagem favoreceu e promoveu o carácter experimentalista e o desejo de Fernando Lopes em desafiar as convenções: desmontando o enredo da obra de Carlos Oliveira, eliminando personagens e descontextualizando geográfica e socialmente a narrativa. Desta forma, Uma Abelha na Chuva requer a participação do espectador para que seja devidamente apreciado, pois possui uma construção fílmica extremamente fragmentária, elíptica, com saltos narrativos, deslocações de sentido e repleta de mensagens subliminares. A sua linguagem demonstra a vontade vanguardista da época em inovar estratégias estéticas. Há, por isso, uma procura incessante na desconstrução permanente no interior da própria narrativa, que é construída através da repetição de cenas sem diálogo, da insistência em certos movimentos que intensificam e dão ênfase às acções dos personagens.
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ontinuidades em som e imagem, este estilo próprio tem como resultado um filme onde por vezes o som não está, propositadamente, sincronizado com a imagem, onde há uma intenção clara no uso da voz off nos longos monólogos interiores das personagens, na montagem repetitiva que, em conjunto com freeze frames ou com fotografias, quebram o fluxo da narrativa.

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Belarmino (Belarmino) 1964

A existência marginária e popular de Belarmino Fragoso - engraxador, colorista de fotografias - antigo campeão de boxe, através de um "questionário psicológico", que logo salta para o universo social e urbano onde se inscreve: das origens humildes, com a força embargada das palavras cruas - sobre o drama que constitui a sua vida, realçando as irregularidades e explorações de que foi vítima - o inquérito dissolve-se na cadência excêntrica e nostálgica, da Lisboa crepuscular...
Belarmino (1964, Fernando Lopes) é o registo biográfico de Belarmino Fragoso, homem de biscates, homem da vida. Belarmino é um filme de difícil enquadramento, apenas que faz parte do chamado Cinema Novo Português com todas as múltiplas influências e constrangimentos dos seus intervenientes, autores e contexto.
 Debruçando-se sobre as vicissitudes da vida do pugilista, Lopes desmonta a dura realidade do seu personagem e país: humilde, marginal, decadente, analfabeto, explorado, com fome. Em tom de entrevista, com perguntas disparadas fora de campo, é a resposta confessional, na primeira pessoa, que elucida acerca de Belarmino. A tela branca sugere uma neutralidade no seu relato – relato que apenas informa, apresenta factos, dados, opiniões. Para conhecer Belarmino Fragoso é necessário acompanhá-lo, pois são os vários espaços da cinzenta Lisboa que paradoxalmente abrem as portas ao seu mundo interior. O “Belarmino Fragoso” constrói-se nos espaços onde deambula, uma Lisboa entre tantas, que é o próprio Belarmino. O espaço apresenta-se como o alter-ego da pessoa, as imagens chegam com um travo voyeur. Os percursos de Belarmino traçam à vez os seus desejos e conflitos interiores. Os “territórios belarminianos” transmitem as suas emoções, os seus devaneios, e tudo aquilo que não é dizível. Inexorável campo sem contra-campo, Belarmino está sempre presente, confinado. Não se vê Belarmino à deriva em Lisboa, está-se “dentro do Belarmino” e desse modo abre-se a janela de uma cidade.

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Crónica dos Bons Malandros (Crónica dos Bons Malandros) 1984



Crónica dos Bons Malandros do jornalista e escritor português Mário Zambujal, editada em 1980, atingiu um grande êxito editorial e literário, tendo tido umas das suas reedições mais recentes em 2004. O livro relata o quotidiano dos membros de uma quadrilha fora do comum, que recusava o uso de armas de qualquer espécie, tendo, simbolicamente, como chefe um homem com a alcunha de pacifista, este livro é dividido em nove capítulos que se estruturam do geral para o particular, recorrendo a uma "espécie" de didascálias, para apresentar as personagens e alguns pormenores da ação.
A história anda à volta de um grupo de amigos que se dedica a pequenos assaltos, até que é subornado por um misterioso italiano que os desafia a roubar obras de arte num museu de Lisboa. Entre os preparativos para o grande golpe, vamos conhecendo os membros do grupo e os caminhos que os levaram à marginalidade, até que chega o dia do tão esperado assalto. Mas as coisas não correm como estava previsto...
Da autoria de Mário Zambujal e Fernando Lopes, este último também realizador deste filme, em 1984, "A Crónica dos Bons Malandros" conta com um espectacular elenco de atores como é o caso de João Perry, Duarte Nuno, Lia Gama, Maria do Céu Guerra, Nicolau Breyner, Paulo de Carvalho, entre outros. 

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