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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
A Estrada Não Tem Fim (Two-Lane Blacktop) 1971
Os condutores em Two-Lane Blacktop, os homens por trás das rodas de carros potentes, competindo entre si por dinheiro e orgulho, são verdadeiros párias da sociedade, existindo num mundo estranho algures afastados da sociedade. Eles pareciam ter formado o seu próprio mundo privado e a sua própria linguagem, uma linguagem obscura sobre peças de carros, números, marcas e modelos, velocidades, transmissões. Falam completamente na linguagem dos carros, aparentemente incapazes de falar sobre qualquer outra coisa. Todo o seu modo de vida, a maneira de pensar, é centrada em torno de carros: dirigindo-os, competindo, arranjando dinheiro para arranjá-los ou actualizá-los, definindo destinos arbitrários apenas para quando chegarem lá, poderem chegar a um novo destino. Eles nem sequer têm nomes, neste filme são creditados simplesmente como "the driver" (o cantor James Taylor), "the mechanic" (o Beach Boy Dennis Wilson), "GTO" (Warren Oates), este último com o nome da marca do carro que dirige. Uma jovem que apanha boleia ao longo do caminho é simplesmente chamada de "the girl" (Laurie Bird), e nenhum deles parece querer saber do nome dela, que vai alternando no meio deles, aborrecida e tentando encontrar alguém que pensa em algo mais do que carros. Taylor e Wilson desafiam Oates para uma corrida a atravessar o país, com o vencedor a ficar com as chaves de ambos os carros.
Monte Hellman captura esta empoeirada e sinuosa caminhada com um olho afiado para os detalhes. Este é um filme de pequenos gestos, uma ode minimalista para aqueles que só existem dentro de seu próprio mundo, privado, itinerante, nómadas à deriva em torno da periferia da civilização. Dos quatro actores principais, Taylor, Wilson e Bird nunca tinham entrado em qualquer antes, e as suas interpretações são feitas para ser naturalistas e tranquilas. Eles são figuras icónicas, sem muito a dizer uns aos outros.O discurso destas personagens é mínimo, muitas vezes rondando um sussurro ou um murmúrio incoerente. Wilson e Taylor não são utilizados para conversas, não são usados para pessoas de fora da sua própria sub-cultura insular, essas, que não falam sobre carburadores ou válvulas. A "girl" entra na parte de trás do carro, um dia, sem dizer uma palavra, quando os nossos amigos estão a almoçar, e quando regressam e a encontram, não mostram nenhuma surpresa e nem sequer lhe dizem nada.
Hellman contrasta estes personagens minimalistas com um Oates "maior do que a vida", que domina implacavelmente o cenário sempre que aparece. Se os outros personagens são andarilhos sem raízes, sem personalidades claras, Oates, ou "GTO", é um homem que experimenta novos personagens, novas identidades, como se muda de roupa. É um contador de histórias, tecendo um passado para si próprio a partir de uma manta de retalhos. de histórias, cuja verdade é dúbia na melhor das hipóteses: de acordo com várias versões da história da sua vida, ele é um veterano de guerra da Coreia, um ex-piloto de testes de aviões, um empresário, um homem de família que deixou a esposa para trás. Todas estas histórias podem ser verdade, mas provavelmente nenhuma é, principalmente porque mais tarde também acabará por inventar uma para Wilson e Taylor. É um homem em busca de uma identidade, desesperado por algumas raízes, algumas ligações, alguma coisa para agarrar. Oates claramente não tem lugar dentro da cultura mainstream, que não pode acalmar o seu desejo de viajar ou a vontade da novidade, mas ele também não se encaixa confortavelmente dentro dos parâmetros da cultura do carros.
Esta é a tragédia do filme, em que estes andarilhos mal conseguem ver para além dos limites dos seus pára-brisas, uma visão restritiva que Hellman frequentemente destaca como um quadro dentro do quadro.
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Gone in 60 Seconds (Gone in 60 Seconds) 1974
O investigador de seguros Maindrian Pace e a sua equipa levam vidas duplas como ladrões de carros imparáveis. Quando um traficante sul-americano contrata Pace para lhe roubar 48 carros, todos, excepto um, um Ford Mustang de 1973, são uma tarefa simples. Quando Pace se prepara para roubar o Mustang, em Long Beach, não sabe que o seu chefe avisou a polícia, depois de uma disputa comercial. A polícia estava à espera de Pace, e persegue-o através de cinco cidades, enquanto ele tenta desesperadamente fugir.
Um início lento, mas ainda assim bem retro abre caminho para um clímax surpreendente. Eu digo clímax, mas toda a metade final do filme é o clímax - uma perseguição de carros ao longo de 40 minutos. Numa introdução recentemente gravada para o filme, a estrela, e mulher do realizador, conta como grande parte do elenco de apoio eram transeuntes e policiais verdadeiros, assim como bombeiros e pedestres, tal e qual como eles aparecem no filme. Tudo isto foi feito da forma mais barata possível.
H.B. Halicki, um duplo profissional, aventurou-se na realização com este pequeno filme independente, e o resultado, apesar de não ser satisfatório como obra de arte, acabou por se tornar num fenómeno de culto. Halicki fez tudo sozinho, produziu, realizou, interpretou, escreveu o argumento, e até fez muito do habitual trabalho dos duplos. A sequência final, é considerada a maior perseguição de carros da história do cinema.
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
O Profissional (The Driver) 1978
Ryan O'Neal desempenha o tradicional papel de Steve McQueen, taciturno, lobo solitário (não é uma surpresa, já que o papel tinha sido escrito para McQueen), neste chase-noir (se me é permitido chamá-lo assim) do argumentista e realizador, Walter Hill. É um thriller do velho estilo do "gato e o rato", abrigado num existencialismo auto-consciente, onde o policia e o bandido tentam superar-se um ao outro, e nós ficamos divididos entre torcer pelo "mau", já que os bons não parecem ser muito melhores.
Não nos é dado qualquer nome. O'Neal é o "The Driver", um profissional que conduz, em troca de grandes quantidades de dinheiro, em fugas pelas ruas de Los Angeles, depois de assaltos a bancos e outros delitos penais. É arrogante, mas quem o procura satisfaz todas as suas exigências, porque ele é simplesmente o melhor no que faz. É tenazmente perseguido pelo The Detective (Bruce Dern), que se tornou tão obcecado em derrubar o condutor duma vez por todas, que está disposto a cruzar a linha do procedimento legal para finalmente apanhar a sua esquiva presa. Neste caso, está a ser ajudado pela The Player (Isabelle Adjani), como uma testemunha ocular que insiste que ele não cometeu o crime. Por vezes é preciso uma mente criminosa para apanhar um criminoso tão perfeito, e o detective faz um acordo (ou uma chantagem) com alguns durões que podiam apanhar uma sentença de prisão prolongada, a fim de estabelecerem um assalto para apanhar o motorista em flagrante.
Tenso e com sequências de perseguição de carros extremamente bem editadas, que são a verdadeira estrela do filme. O'Neal pode não ter a presença na tela de um Steve McQueen, mas impregna ao seu personagem a complexidade necessária para este tipo de papel. Dern, é o único que tem um papel mais elaborado, rouba a cena como um policia conivente, tão cansado de ser superado, que acabou por perder toda a sua moral. Como um western sobre rodas, "The Driver" explora a ténue linha entre a lei e a ilegalidade, a ordem e o caos, através do cenário da paisagem urbana mais moderna.
Este era o segundo filme de Walter Hill, que então já tinha uma carreira considerável como argumentista, já que tinha escrito o argumento de filmes como: "The Getaway", "The Thief Who Came to Dinner", ou "The Mackintosh Man". Teve uma carreira bastante interessante até meados dos anos 70.
Este filme destoa um pouco neste ciclo, mas não deixa de ser interessante.
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
A Indecente Mary e o Louco Larry (Dirty Mary Crazy Larry) 1974
A história é baseada numa novela de Richard Unekis, chamada "The Chase". Envolve um condutor de carros de corrida, chamado Larry, e o seu mecânico (Peter Fonda e Adam Roarke), que decidem fazer um assalto para fazer face às despesas. O assalto não decorre conforme planeado, e, perseguidos, vão ser acompanhados por uma prostituta chamada Mary (Susan George), e os três irão passar o resto do filme no carro de Larry, um Dodge Charger com um poderoso motor V-8, com a polícia sempre na sua perseguição.
Esta premissa descreve uma série de chase-movies produzidos durante a década de 70. Alguns filmes de culto saíram desta vaga, como: Two-Lane Blacktop, Vanishing Point, Thunderbolt and Lightfoot, Gone in 60 Seconds, e um clássico particularmente perfeito chamado Dirty Mary, Crazy Larry.
Se procurarem um filme com grande profundidade ou que tenha algo a dizer, bem que podem prcurar noutro lugar. Dirty Mary Crazy Larry não tem nada de importante a dizer, sobre qualquer assunto. É simples e directo ao ponto ser muito eficaz como um filme de pura testosterona e acção. Sempre que uma perseguição está em vigor a câmera faz um grande trabalho a capturá-la e torná-la numa obra com muito suspense.
Peter Fonda deixou a sua marca nos filmes independentes de baixo orçamento, e, de certa forma, nunca saiu do underground cinematográfico. Apesar de em 1969, Fonda ter sido considerado uma estrela pelo filme de culto, "Easy Rider", vale a pena lembrar que o próprio filme foi feito por quase nada (um orçamento estimado em $400.000 com um lucro bruto de US $60 milhões), com actores que, na altura, eram reletivamente desconhecidos. "Dirty Mary Crazy Larry" e "Ride With the Devil", feitos quase de seguida, são filmes perfeitamente característicos de Peter Fonda onde ele consegue arrancar duas interpretações emocionantes com papéis que são bastante antagónicos.
O filme está cheio perseguições, e bastante realistas. No início não é fácil de torcer pelas personagens, que fazem algumas coisas bastante desprezíveis, mas no decorrer da fuga, somos transportados para o seu mundo, e somos obrigados a torcer por eles; Mary tem as suas próprias razões para querer fugir, e existe uma enorme química entre Peter Fonda e Susan George como Larry e Mary. Vic Morrow é divertido como o policia desonesto que os persegue, disposto a fazer qualquer coisa para conseguir a sua captura. A realização estava a cargo de John Hough.
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Perseguição Alucinante (Race with the Devil) 1975
Frank e Roger partem com as suas esposas para o Colorado num veículo de lazer, para fazerem algum desporto, incluindo andar de moto . Enquanto estão acampampados num lugar isolado, testemunham um sacrifício num ritual satânico, mas o xerife local não encontra provas para apoiar as suas reivindicações e aconselha-os a continuarem as suas férias. Pelo caminho, no entanto, vão ser repetidamente atacados por membros do culto, e são obrigados a tomar medidas para se defenderem.
"Race with the Devil" é uma extremamente agradável e interessante produção independente, que consegue fundir algumas das preocupações temáticas do cinema americano dos anos 70. Em primeiro lugar, temos uma exploração (ainda que bastante sofisticada) de cultos satânicos. O aspecto mais perturbador é o alcance dessas seitas, a fim de manter o anonimato dos seus membros. Este filme apareceu nos cinemas um ano antes do sucesso no cinema de "The Omen" (1976), e continuou a provar que o diabo tinha um peso comercial significativo durante esta década. O realizador Jack Starrett explora o mito do Diabo ao máximo, mesmo quando ele não faz uma aparição. O filme conta também com uma corrente cinematográfica que procurou encontrar o horror dentro das populações alienadas da América rural. Estes horrores rurais como Deliverance (1972) e The Texas Chainsaw Massacre (1974) definiram uma tendência, tendo os rostos débeis da modernidade urbana enfre
ntado lutas primitivas de sobrevivência contra humanos esquecidos e desprezados pela modernidade. Com uma paisagem aberta, estradas vazias e desoladas, cidades sem vida, "Race With the Devil" cabe perfeitamente neste espaço temático. O filme também é um road movie, que venera o automóvel como um gadget para a expressão masculina, mas desafia preconceitos dos veículos a motor como um condutor do espírito pioneiro. Os nossos protagonistas descobrem algo no interior americano, mas é algo como um terrível pesadelo.
Legendas em espanhol.
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Um Assassino Pelas Costas (Duel) 1971
Duel foi o primeiro filme de Steven Spielberg, feito para televisão e adaptado de um conto do escritor e argumentista Richard Matheson. É extremamente simples, um thriller de suspense de fazer roer as unhas, que inexoravelmente aumenta a pressão sobre a viagem do empresário David Mann (Dennis Weaver), como ele enfrenta o motorista de um camião viciado que parece ter a intenção de o matar. Spielberg lentamente constrói o suspense, aparentemente do nada: a primeira vez que o camião aparece, com ângulos baixos e close-ups incómodos da grade enferrujada, pára-lamas podre, já a sugerir algo de sinistro. O filme começa com uma disputa inócua para a posição na estrada, como o impaciente Mann, atrasado para uma reunião, passa o camião, apenas para passar por ele, para depois, prontamente abrandar a sua marcha. Isto não seria mais nada do que puro machismo comum da estrada se não fosse pelos ângulos ameaçadores da câmara de Spielberg, que fazem o grande volume do camião sobre o carro muito menor, parecer um predador na perseguição da sua presa.
O significado deste duelo na auto-estrada é a masculinidade, como é sugerido pela conversa de Mann ao telefone com a sua esposa, quando ele lhe telefona do posto de gasolina, aqui é que a acção começa a sério. Tiveram uma discussão na noite anterior porque tinham estado numa festa onde um amigo ou sócio tinha obviamente perseguido a esposa de Mann - "ele praticamente me violou", diz ela, com um casal e duas crianças a brincarem inocentemente nas proximidades - e Mann não tinha feito nada para impedir o assédio. Com o incidente para trás, ela está disposta a deixá-lo, mas é óbvio que foi uma falha da masculinidade de Mann, uma falha em proteger a sua mulher e defender a sua honra, a incapacidade de afirmar a sua força e domínio, como um homem. Uma falha sexual, também, a incapacidade de manter a posse sexual exclusiva da sua mulher. Esta breve conversa dá todo um sentido ao filme, assim como o programa de rádio que Mann escuta durante as cenas introdutórias, uma conversa em que um homem se preocupa por não ser o "cabeça da família", porque a sua esposa manda em casa. Quando o atendem na estação de gasolina e lhe dizem "you're the boss," fazem uma piada similiar, sugerindo que ele, também, não se sente totalmente seguro com a sua masculinidade.
Talvez estes motivos sejam psicológicos, mas há algo muito hitchcockiano na estreia de Spielberg. O filme é preenchido com pequenos detalhes hitchcockianos - especialmente na senhora de idade, vibrante, que administra o posto de gasolina - com alguns momentos de suspense e humor negro digno do mestre. De um modo geral, todos os espaços abertos, assim como a situação geral de um homem a ser perseguido por um veículo, aparentemente com a intenção de o matar, evoca o confronto do avião agrícola de North By Northwest. Mas o duelo do filme lembra-nos também "Os Pássaros". Assim como no filme de Hitchcock, Duel é sobre a violência sem sentido, incompreensível. Algo inocente liga o protagonista na busca da sua destruição, sem qualquer razão aparente. Assim como os pássaros não têm nenhum propósito, não há motivo para a sua súbita violência, o motorista do camião, num duelo que permanece inescrutável, o seu rosto sempre obscurecido - o máximo que Mann consegue ver são as suas botas, ou o antebraço. Esta súbita violência não faz sentido, é um pesadelo tão inexplicável como é aterrorizante.
Esta atmosfera, juntamente com a aura misteriosa, quase apocalíptica, do inflexível camião, faz de "Duel" um filme de estreia consistente e poderoso. O monólogo interior, na narração, é tratado desajeitadamente, e não acrescenta muito ao filme, que poderia ser mais potente sem palavras. Este é um conceito que requer poucas palavras e poucos adornos, e uma vez que Mann regressa à estrada, perseguido pelo camião incansável, o filme adquire novamente velocidade e nunca diminui até à sua conclusão final.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Corrida da Morte no Ano 2000 (Death Race 2000) 1975
É o ano 2000, e toda a América observa atentamente a Transcontinental Road Race, envolvendo cinco pilotos e os seus navegadores numa corrida de Nova York a Nova Los Angeles. O que torna esta corrida original é que objectivo não só é de chegar à linha de chegada em primeiro lugar, mas exige que os pilotos também matem o maior número de pedestres possível ao longo do caminho. Quanto mais fraco e indefeso for o pedestre, mais pontos ganha o piloto. Frankenstein é o mais popular dos condutores, amado por milhões em todo o país, mas o seu navegador é a neta de Thomasina Paine, o líder do movimento rebelde que procura colocar um fim a esta corrida bárbara de uma vez por todas, e sabotar todos os condutores ao longo da prova.
Na década de 1970 houve vários filmes que tentaram nos dizer o que o futuro traria. Segundo Death Race 2000, iria haver uma sociedade do pós guerra mundial governado por um homem. O desporto que mantinha as massas entretidas era a "grande corrida", onde os pilotos marcavam pontos ao matar pessoas inocentes.
Este é um filme de muito baixo orçamento com valores de produção relativamente baixos. Todos os Estados Unidos se pareciam com o sul da Califórnia. Os cenários tinham as estruturas mal iluminadas. Todo o dinheiro parece ter sido gasto com os carros, que são interessantes, parecem ter um chassis comum, mas cada um tem um corpo único.David Carradine interpreta Frankenstein e Silvester Stallone o seu rival, Machine Gun Joe-Viterbo, um mafioso italiano estereotipado.
À primeira vista pode parecer um filme rídiculo, uma piada de quinze minutos prolongada por mais de uma hora. Tematicamente falando, nada aqui é particularmente novo, mas a concepção e execução são do melhor possível entre os filmes de baixo orçamento, ou não fosse produção de Roger Corman, e realização de Paul Bartel.
Alguns anos depois, este filme viria a ser influência para um famoso jogo de computador, Carmageddon.
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Corrida Contra o Destino (Vanishing Point) 1971
"Vanishing Point" é a ode final para a necessidade de velocidade, uma corrida feroz dedicada ao "último herói americano para quem a velocidade significa liberdade de alma", o condutor Kowalski (Barry Newman), a fazer uma corrida de alta velocidade do Colorado a San Francisco com a polícia na sua perseguição. Os pulsar do cinema e as grandes rotações com Kowalski num vaivém entre os estados ocidentais, como um motorista de entregas. Atravessando o oeste americano, Kowalski tem a missão de levar um Super Dodge Challenger para o seu dono em tempo record. Tinha apostado com um amigo que cumpriria o objectivo – mas, mesmo se não houvesse alguma aposta, Kowalski não diminuiria a velocidade. Está disposto a correr no deserto. Ele, o carro e a estrada, chamando a atenção da polícia, que segue no seu encalce.
O realizador Richard C. Sarafian tem uma obsessão pela estrada, e transforma este filme numa celebração extática da jornada de Kowalski, no seu desafio teimoso e sem propósito de autoridade, numa odisseia através das planícies. A maior parte do filme passa-se na estrada, no carro com Kowalski ou olhando pela janela para o que ele vê, a panorâmica através das paisagens desfocadas do Oeste ou olhando para baixo nas linhas brancas da estrada, acelerando e não vendo mais do que os poucos metros à frente do nariz do carro.A primeira meia hora do filme é quase perfeita, ficando tão próxima da experiência subjectiva do movimento de Kowalski, que se pode praticamente sentir os solavancos e o rugido do poderoso motor.
"Vanishing Point" continuava a tendência de muitos lançamentos de baixo orçamento no final dos anos 60 e início dos 70, em que era apresentada a filosofia da contracultura misturada com problemas existenciais que trazem à história algo mais profundo na mensagem. Comparações com "Easy Rider" são difíceis de evitar, ambos apresentam heróis em fuga das autoridades numa viagem cheia de drogas e anti-autoritarismo de comportamento, enquanto a banda-sonora, cheia de rock e melodias folclóricas reforçam os ideais predominantes do estilo de vida hippie.
É um dos melhores filmes de perseguição dos anos 1970 (e porque não o melhor?), que exploravam a canonização de pessoas que se atreveram a domar o último vestígio da liberdade, e da estrada aberta. Tem um orçamento modesto, mas efectivamente tornou-se num dos maiores filmes de culto dos anos 70.
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O Comboio dos Duros (Convoy) 1978
Convoy é talvez um dos mais estranhos filmes do final dos anos setenta sobre caminonistas e os ataques à autoridade, com um enredo confuso, e o facto do filme pisar uma linha, não muito bem definida, entre a auto-paródia e a auto-importância. Talvez devemos considerar que a saúde de Peckinpah nos últimos anos da sua vida, e as histórias sobre o abuso de substâncias ilegais, acabam por fazer alguma mossa na carreira do realizador. É relatado que o actor James Coburn rodou uma boa parte da longa-metragem como segundo realizador, quando Peckinpah não se sentia à altura da tarefa.
Kris Kristofferson desempenha um camionista durão, que ganha a vida nas estradas dos Estados Unidos, fazendo amigos e amantes, ao longo do caminho. Um dia, ele e os amigos, são incomodados por um xerife corrupto (e racista), Lyle (Ernest Borgnine), que leva o seu dinheiro, até ao momento da vingança, depois de uma gigante parada de camiões. Na luta contra as autoridades rapidamente Rubber Duck (Kristofferson) se torna um herói para outros camionistas, que rapidamente se envolvem em ajudá-lo, seguindo a sua liderança num comboio que se estende por mais de um quilómetro.
Provavelmente o motivo porque este filme foi feito, foi o sucesso de "Smokey and the Bandit", que contava uma história muito semelhante, de um bandido desportivo, que alcançava muitos corações por causa da sua indefinição com a lei, fazendo com que as pessoas o ajudassem sempre que podiam. As comparações acabam aqui. Onde Smokey conseguia um charme irreverente, Convoy vacilava, levando a sua própria história muito a sério, apesar do ridículo dos muitos eventos que aconteciam. Com o passar dos anos, este filme ganhou um estatuto de filme de culto para os nostálgicos dos anos 70, assim como para os fanáticos de Peckinpah, que provavelmente viam-no como uma curiosa obra-prima. O verdadeiro valor do filme, talvez seja algo a meio caminho de tudo isto que falei, no entanto vale a pena ser descoberto.
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sábado, 2 de fevereiro de 2013
O Polícia da Estrada (Electra Glide in Blue) 1973
Um eremita comete suicídio com uma espingarda, no deserto do Arizona, ou pelo menos assim parece. John Wintergreen (Blake) é um policia de moto de cano curto que anseia começar a usar fato e gravata como detective da polícia. Com o seu parceiro Zipper (Bush), é um dos primeiros a chegar à cena do suicídio e começa a reunir pistas, agindo como o equivalente do Arizona a um Texas Ranger. As suspeitas de que tenha havido outro crime são inicialmente rejeitadas até que o relatório do legista encontra outra bala no corpo, que não corresponde à da espingarda...
O oeste selvagem do início dos anos 1970 não é exactamente habitado por homens da lei com a integridade de um Gary Cooper em High Noon, de modo que Wintergreen é antiquado ao tentar fazer a coisa certa. O filme é sobre a queda do sonho americano. É muito mais um filme do seu tempo, um tempo em que vários factores políticos tinham envelhecido o país, esmagando o sonho americano. Wintergreen é diferente, em grande parte porque ainda tem sonhos e ilusões. Ele acha que a lei deve ser cumprida exactamente pelo livro, não importa quem é o criminoso, e os seus colaboradores serão sempre homens honestos. Quando prova que é suficiente pensador para ver para lá de um suicídio fraudulento, os sonhos de uma promoção para detective, de repente, ficam ao seu alcance. Como um dos grandes filmes-anónimos da década de 1970, Electra Glide in Blue, trazia um Robert Blake três décadas antes de se tornar réu de um crime na vida real, e dois anos antes do seu sucesso na série de TV "Baretta", com uma das suas melhores interpretações até hoje.
Electra Glide in Blue é o único filme dirigido pelo produtor musical James William Guercio, que colocou no mapa bandas como os Blood, Sweat & Tears, ou os Chicago. O produto final é tão bom, que somos obrigados a desejar que ele tivesse feito mais filmes. A sua estreia na realização foi, obviamente, reforçada pela escolha do diretor de fotografia, Conrad Hall. Nos comentários de áudio do DVD, Guercio diz que Electra Glide in Blue foi uma produção de baixo orçamento para a United Artists, mas graças à excelente fotografia de Hall ficamos a pensar que se tratava de um filme de grande orçamento.
Guercio fez Electra Glide in Blue como o "outro lado" de Easy Rider. No momento em que os policias estavam sob o fogo da contracultura, Guercio queria fazer um filme sobre um policia com integridade, que simplesmente fazia o seu trabalho. Comercialmente, nunca recuperou de ser rotulado como "fascista" no Festival de Cannes de 1973 - outro indicador de como os tempos mudaram - mas lentamente tornou-se numa obra de culto, ao longo dos anos, e agora é visto mais como um complemento para Easy Rider do que um ataque directo à sua política.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Deserto de Almas (Zabriskie Point) 1970
Diz a lenda que quando o italiano Michelangelo Antonioni chegou à América para fazer o seu segundo filme em língua Inglesa (depois do sucesso monstruoso de Blow-up), ficou chocado com a reacção como a produção do seu filme o recebeu. Nunca houve qualquer dúvida sobre os seus ideais - o cineasta era famoso por declarações cinematográficas seminais como "L'Avventura", "La Notte" ou "L'Eclisse" - e o seu filme foi planeado para ter em conta todos os aspectos da cultura devassa ocidental (leia-se: EUA). Mas, com a aplicação da lei local, acusando Antonioni de tudo, de incitar motins para corromper a moral da juventude, a contracultura deste autor estava a dirigir-se para um confronto com os mais conservadores dos americanos - e realmente não foi uma luta justa.
Como resultado, muitos consideram Zabriskie Point como um fracasso. Eles viam isto como uma espécie de compromisso, uma versão das filosofias de Antonioni frustradas por um momento em que os anos 60 estavam a morrer e não havia ninguém por perto para elogiar o cadáver. Charles Manson tinha morto a esposa de Polanski, a Guerra do Vietname (e a batalha dentro de casa) alastrava-se e a política da liberdade e senso comum para o bem da nação adormecia. Antonioni queria que o seu encapsulamento etéreo da Geração da Paz fosse uma afirmação forte e inabalável, da visão de uma terra corrompida pelo consumismo e ganância corporativa. O que ele fez, em vez disso, foi um poema tentador, uma obra-prima que faz os seus pontos em símbolos tão óbvios e reclamações tão calculadas de forma que não podiamos imaginar que a sua mensagem fosse tão simples.
Quando pela primeira vez encontramos o nosso herói, Mark, ele está a manifestar-se numa greve de estudantes. Está cansado de toda a conversa e quer agir - e agora. Infelizmente, durante o confronto, resultante com a polícia, um policia é baleado e morto - e Mark é apontado como o mais provável suspeito. Na fuga da lei, rouba um pequeno avião e dirige-se para o Vale da Morte, na Califórnia. Lá, ele encontra uma jovem estudante de antropologia, Daria. Um exemplo do poder do amor livre e do flower power, ela está disposta a ajudá-lo, e a garantir um acordo para explorar um terreno local.
No minuto em que se encontram, Daria corteja Mark com a sua sexualidade e ficam ligados com a necessidade de rebelião e revolução. Partem para Zabriskie Point, onde continuam a discutir políticas, tanto sociais como pessoais. Ele tem a certeza da sua inocência e sentido de justiça.
Costuma-se dizer que os cineastas estrangeiros fazem um trabalho muito melhor a captar o espírito da época americana, não importa a época, que os seus colegas americanos. Um exemplo perfeito chega na forma de Zabriskie Point. Não se encontra uma melhor destilação da década dos anos 60 inteiros e tudo o que eles representavam - bom, mau, perspicaz, indiferença - que esta visão artística intransigente. Como um modernista, um cineasta conhecido pelos seus ideais desconexos, Antonioni ainda era capaz de ultrapassar as expectativas. Zabriskie realmente conta uma história bastante linear, fixando-se na fuga de Mark e Daria da sociedade como a base para tudo o que se segue. Ao contrário de alguns críticos que já afirmavam que o filme estava desatualizado, Zabriskie Point, na verdade, constrói, oferecendo-nos múltiplos significados para cada acção. Pode nem sempre ter sucesso, mas quando o faz, é mágico. Em essência, esta é uma história sobre o pecado, e o sacrifício de dois seres humanos para o aperfeiçoamento da humanidade em geral.
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
As Estradas Sem Fim dos Anos Setenta
Aquando do nascimento do Menino Jesus, portanto há mais de dois mil
anos, os três reis magos encetaram cada um por si uma longa viagem.
Belchior, Baltazar e Gaspar, assim se chamava cada um deles, percorreram
montes, vales ou desertos, calores e fúrias intempestivas, sempre
guiados pela estrela divina. São Beda, o Venerável, escreveu num certo
tratado: "Belquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas
brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de
vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto
do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta
anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz". Um velho, um moço e um
mouro, cada um na sua e unidos numa causa, lá se encontraram e na sua
imensa fé cumpriram um destino e um objectivo.
Arthur Rimbaud, 1854-1891, poeta Francês. Tanto que se meteu com a luz, os negros, mortes e infernos e demais elementos que se diz que pelos vinte anos não mais escreveu um poema. Avistou ou falou à loucura ou precisou de para sempre se libertar de tudo o que no papel tinha convocado, não muito mais saberemos. Entre alistamentos em exércitos e tráfico de armas, cartas à irmã e perdições eternas, rasgou vários continentes, fez de Aden ou de Harar o éden de todos os dissidentes ou asfixiados e quando tentou voltar a casa já era tarde e tais espasmos queimantes só os poderemos para sempre imaginar ou algures presentir.
Entre os três reis magos e a viagem de um ponto A a um ponto B com uma missão e mapa a cumprir custe o que custar e todos os Rimbauds que necessitaram de se evadir em primeiro de tudo de si próprios, chama interior, caminhada para lado nenhum ou para onde calhar, sem rumo, podemos meter ao barulho as Odisseias, os Homeros ou os Ulisses, o Western clássico americano como o verdadeiro início do road-movie no cinema, sendo a fibra dos cowboys ou dos índios o dínamo e os cavalos as grandes máquinas para o palmilhar louco, ou então, puxando mais atrás, Alexandre o Grande ou o guerreiro Viriato, isto para irmos a.C ou às ancestrais guerras e guerreiros como original terreno imprevisível a vencer.
Portanto, o road sempre existiu e talvez nada mais poderoso que o movie para captar todos os dilemas e contendas nobres ou amaldiçoadas entre o homem e o seu sistema nervoso e toda a paisagem, química e física do que o rodeia e tanto lhe é indiferente. Resultado de altercações indesculpáveis, biologias viciadas ou sede de conhecimento ou posse, o homem é uma criatura tão propensamente sedentária como inquieta, e do vagabundo Chaplin até ao romântico e severo Frank Capra, que ainda experienciavam possíveis humanidades e comunhões, mesmo que já contendo no corpo todas as sementes da destruição, até aos zombies do "Two-Lane Blacktop", solidões mortais do policia do "Electra Glide in Blue" ou o incompreensível "Vanishing Point", uma degradação e um mistério que todos podemos sentir e sondar, sem grandes ou nenhumas respostas que não quase sempre tragédias e eternidades comprimidas.
Num ciclo assim chamado "As Estradas Sem Fim dos Anos Setenta", que um dos últimos genuínos e persistentes cinéfilos à face da terra vos entrega neste blog, duas ousadias que infletem a cantilena dos compêndios da chamada sétima arte: "Dirty Mary Crazy Larry", de um estranho John Hough, balada de predestinação noir e requiem terminal pelo analógico pré "Death Proof", gatos pretos, acasos e esoterismos macabros que se nos sussurram de um outro mundo é pela pelicula e pelo reconhecível que nos chagam; "Race With the devil", arrancado por um Jack Starrett, e por um Fonda e um Oates, que entre outras coisas perceberam esta arte da rua como a arte do impuro que é o que nos traz por aqui, e que como sempre só no realismo, que aqui lhe podem chamar amadorismo, todas as efabulações e delírios ganham essa força amplificada que é a força do ontológico e do honesto, por mais mirabolantes que sejam. E como um e outro dominam e agarram pelos cornos o "saber fazer"...
Então, bom ciclo para todos, de preferência com um som bem alto, para que o rosnar ensurdecedor dos motores possa ceder degrau aos lancinantes silêncios dos tantos magoados que irão conhecer.
José Oliveira, Janeiro de 2013
Os meus agradecimentos ao José Oliveira, do blog Raging-b, por esta fantástica introdução.
Arthur Rimbaud, 1854-1891, poeta Francês. Tanto que se meteu com a luz, os negros, mortes e infernos e demais elementos que se diz que pelos vinte anos não mais escreveu um poema. Avistou ou falou à loucura ou precisou de para sempre se libertar de tudo o que no papel tinha convocado, não muito mais saberemos. Entre alistamentos em exércitos e tráfico de armas, cartas à irmã e perdições eternas, rasgou vários continentes, fez de Aden ou de Harar o éden de todos os dissidentes ou asfixiados e quando tentou voltar a casa já era tarde e tais espasmos queimantes só os poderemos para sempre imaginar ou algures presentir.
Entre os três reis magos e a viagem de um ponto A a um ponto B com uma missão e mapa a cumprir custe o que custar e todos os Rimbauds que necessitaram de se evadir em primeiro de tudo de si próprios, chama interior, caminhada para lado nenhum ou para onde calhar, sem rumo, podemos meter ao barulho as Odisseias, os Homeros ou os Ulisses, o Western clássico americano como o verdadeiro início do road-movie no cinema, sendo a fibra dos cowboys ou dos índios o dínamo e os cavalos as grandes máquinas para o palmilhar louco, ou então, puxando mais atrás, Alexandre o Grande ou o guerreiro Viriato, isto para irmos a.C ou às ancestrais guerras e guerreiros como original terreno imprevisível a vencer.
Portanto, o road sempre existiu e talvez nada mais poderoso que o movie para captar todos os dilemas e contendas nobres ou amaldiçoadas entre o homem e o seu sistema nervoso e toda a paisagem, química e física do que o rodeia e tanto lhe é indiferente. Resultado de altercações indesculpáveis, biologias viciadas ou sede de conhecimento ou posse, o homem é uma criatura tão propensamente sedentária como inquieta, e do vagabundo Chaplin até ao romântico e severo Frank Capra, que ainda experienciavam possíveis humanidades e comunhões, mesmo que já contendo no corpo todas as sementes da destruição, até aos zombies do "Two-Lane Blacktop", solidões mortais do policia do "Electra Glide in Blue" ou o incompreensível "Vanishing Point", uma degradação e um mistério que todos podemos sentir e sondar, sem grandes ou nenhumas respostas que não quase sempre tragédias e eternidades comprimidas.
Num ciclo assim chamado "As Estradas Sem Fim dos Anos Setenta", que um dos últimos genuínos e persistentes cinéfilos à face da terra vos entrega neste blog, duas ousadias que infletem a cantilena dos compêndios da chamada sétima arte: "Dirty Mary Crazy Larry", de um estranho John Hough, balada de predestinação noir e requiem terminal pelo analógico pré "Death Proof", gatos pretos, acasos e esoterismos macabros que se nos sussurram de um outro mundo é pela pelicula e pelo reconhecível que nos chagam; "Race With the devil", arrancado por um Jack Starrett, e por um Fonda e um Oates, que entre outras coisas perceberam esta arte da rua como a arte do impuro que é o que nos traz por aqui, e que como sempre só no realismo, que aqui lhe podem chamar amadorismo, todas as efabulações e delírios ganham essa força amplificada que é a força do ontológico e do honesto, por mais mirabolantes que sejam. E como um e outro dominam e agarram pelos cornos o "saber fazer"...
Então, bom ciclo para todos, de preferência com um som bem alto, para que o rosnar ensurdecedor dos motores possa ceder degrau aos lancinantes silêncios dos tantos magoados que irão conhecer.
José Oliveira, Janeiro de 2013
Os meus agradecimentos ao José Oliveira, do blog Raging-b, por esta fantástica introdução.
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