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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Yi-Yi (Yi-Yi) 2000

"O filme mais acessível de Edward Yang e provavelmente o melhor desde "Guling Jie Shaoniam Ska Ren Shijian", esta película do ano 2000 acompanha três gerações de uma família contemporãnea de Taiwan, de um casamento até a um funeral e, embora dure três horas, momento algum parece vão.
Trabalhando uma vez mais com actores amadores, Yang arranca um desempenho notável a Wu Nien-Jen  - ele próprio um importante argumentista e realizador - como N.J., um sócio de meia idade de uma empresa de informática em declínio, que espera formar uma parceria com um desenhador de jogos japonês, e que tem um encontro secreto em Tóquio com uma mulher (Su-Yun Ko) que abandonou trinta anos atrás. Outros personagens importantes em "Yi Yi" incluem o filho de oito anos do herói (Jonathan Chang), a filha adolescente (Kelly Lee), a mulher espiritualmente traumatizada (Elaine Jin), a sogra comatosa (Ru-Yun Tang) e o cunhado endividado (Hsi--Sheng Chen). O filho - um prodígio cómico e frio chamado - Yang-Yang  - tem mania de fotografar aquilo que as pessoas não vêem, por exemplo, a parte de trás das próprias cabeças, porque, para ele, é a parte da realidade que falta.O rapaz parece ser o porta voz de Yang, a quem parece não faltar nada quando entrelaça pontos de vistas divergentes e comoventes refrões emocionais, criando um dos mais ricos retratos da família do cinema moderno." 
Texto de Jonathan Rosenbaum
Venceu o prémio de Melhor Realizador em Cannes, com o Melhor Filme a fugir para "Dancer in the Dark".
Filme escolhido pelo Bruno Villar.

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sábado, 16 de dezembro de 2017

Um dia de Verão Soalheiro (Gu ling jie shao nian sha ren shi jian) 1991

"Épico em extensão mas não tanto em dimensão, este retrato subtil e rico de Taiwan assinado por Yang encaixa tantos pormenores na sua aparentemente breve duração de quatro horas que admira que o filme tenha saído tão curto. Passado em Taipei no princípio da década de sessenta, durante um único ano lectivo, "Um dia de Verão Soalheiro" mostra um país que ainda estava de ressaca por causa do influxo de nacionalistas chineses (liderados pelo repressivo Chiang Kai-shek). A Taiwan de Yang está dividida entre comunismo e democracia, nacionalismo e liberdade, com confusão, alienação e incerteza, conduzindo a uma desorganização por vezes debilitante. 
Por mais rigoroso que seja este filme, Yang infunde-o com toques de humor e humanismo que compensam a atmosfera angustiante de tragédia iminente. A realização é paciente e serena; o filme é como uma grande sinfonia de dezenas de personagens cujo tom e ritmo são habilmente orquestrados por Yang. Preferindo planos longos, estáticos ou lentos a grandes planos, Yang dá ao elenco grande liberdade para explorar as suas emoções (ou aparente ausência delas), representando para a história e para os outros, não apenas para a câmara; ainda assim, é óbvio que Yang quer que o filme seja tanto sobre lugares e coisas específicos como sobre pessoas. Não admira pois, que o filme revele factos e situações com o cuidado, planeamento e deliberação de um grande romance.
Tampouco surpreende o peso emocional da conclusão trágica do filme, o resultado do rigoroso design narrativo de Yang (por sua vez o resultado de quatro anos de preparação) que consegue entrelaçar a história das gangues de rua de Taipei, amor adolescente, rock and roll, valores culturais perdidos e a busca de uma identidade nacional. Embora frequentemente comparado com o clássico melancólico Fúria de Viver, de Nicholas Ray, "Um dia de Verão Soalheiro" é muito mais do que isso. Uma obra-prima da Nova Vaga de Taiwan, e um ponto alto do cinema do final do século XX, este é um filme cuja percepção de tempo e lugar é magistral, ultrapassando quase o domínio da mera narração. É como um álbum de fotografias multifacetado, composto por fotos verdadeiramente comoventes, que convidam à reflexão."
 Texto de Joshua Klein

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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Os Terroristas (Kong bu fen zi) 1986

Uma jovem escapa de um cerco da polícia. Sentindo-se oprimida e com a sua vida destruída, começa a irradiar as suas perturbações através de telefonemas anónimos. A partir daí, três histórias paralelas começam a se encaixar. O quebra-cabeças envolve, além da jovem terrorista, uma testemunha que fotografa os acontecimentos e um casal em crise.
Um filme profundo e onírico de histórias paralelas, sombrio, confuso e enigmático, onde tudo é magistralmente combinado. Edward Yang co-escreve o argumento com Hsiao Yehand, e cria uma atmosfera intensa, raramente vista num filme americano, que tem algo desagradável a dizer sobre a vida na grande cidade de Taipei, sobre aprender lições da vida da forma mais difícil, através da amarga experiência, que é possível ser terroristas sem realmente o perceber, e muitas vezes a nossa vida não corre tão bem como na ficção. Tudo termina como uma nota de ambiguidade, deixando-nos a nós descobrir se tudo o que realmente aconteceu era um sonho ou uma ficção. Para Yang pouco importa, para ele os personagens envolvidos perderam o equilíbrio e o seu lugar no mundo. 
O ambiente e a estrutura do filme, na forma como estuda a vida na sociedade, é bastante semelhante a um filme de Antonioni. Mostra um país que perdeu o seu equilíbrio espiritual, e está a sofrer de um enorme crescimento económico.Yang usa a movimentada paisagem urbana de Taipei como o terror eminente que confronta os cidadãos. É um olhar moderno sobre a forma como os habitantes da cidade, de todos os sectores da vida, se enganam em acreditar que o seu crescente conforto material tornou a sua vida muito melhor.  
 "The Terrorizer" é talvez a descrição de Yang mais desenvolvida sobre a modernidade urbana. Recebeu um prémio no Festival de Cinema de Locarno de 1986, e foi considerado o "filme mais original do ano" no festival London Film Festival, em 1987. Dos filmes deste ciclo é talvez o mais modernista, e o mais parecido com os filmes de arte europeus, que sem dúvida o influenciaram. Antonioni, por exemplo, é uma influencia óbvia e admitida pelo realizador. 

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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

História de Taipei (Qing mei zhu ma) 1985

Lung, um ex-membro da famosa equipa de basebal Little League, trabalha agora como operário numa velha fábrica de tecidos. Apesar do tempo que já passou, ele é incapaz de deixar para trás as memórias das glórias do passado. Um dia, ao reencontrar Ah-chin, um antigo parceiro de equipa que agora é taxista, vai acabar por revirar factos do passado ao falarem sobre a actual mulher de Lung, ex-namorada de infância do amigo. 
No seu segundo filme, Edward Yang escolheu o título em inglês "Taipei Story" para fazer eco na famosa obra prima de Ozu, mas os dois filmes não podiam ser mais diferentes. Enquanto Ozu puxa pelo espectador, convidando-o a simpatizar com os seus personagens, Yang mantém a audiência longe emocionalmente. Tsai Chin e Hou Hsiao-Hsien (o famoso realizador, numa das suas poucas aparições como actor) interpretam Lung e Ah-chin com uma tal reserva num cenário tão austero, que parece que Yang está literalmente a sufocar todo o oxigénio do filme. 
Em "Taipei Story" Yang retrata um mundo muito distante da imagem habitual de Taiwan, caracterizada por um crescimento económico ininterrupto, com harmonia e progresso para qualquer sector da população. As décadas do pós-guerra, particularmente a partir da década de setenta em Taiwan, certamente foram de rápida industrialização, mas tudo isto foi acompanhado por um enorme conflito de classes, e crise. 
Yang, um contemporâneo de Hou, fez apenas sete longas-metragens antes da sua morte por cancro. O trabalho dos dois realizadores foi moldado pelos duros anos da ditadura anticomunista em Taiwan, e de um ponto de vista geralmente oposicionista e dissidente. Alguns criticos sugeriram que "Taipei Story" era uma exposição da classe média taiwanesa, mas Yang responde atribuindo tragédias pessoais às próprias mudanças.

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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

That Day on the Beach (Hai tan de yi tian) 1983

Duas amigas que não se veem há mais de trinta anos, encontram-se. Uma é uma pianista de concertos de sucesso, que regressou de uma tournée na Europa, e a outra acaba de começar um novo negócio. 
Um drama sério sobre uma família perturbada é o filme de estreia do realizador taiwanês Edward Yang, que o co-escreveu com  Nien-Jen Wu. Yang está creditado por ter iniciado a Nova Vaga do cinema de Taiwan com esta sua primeira obra, mas se for bem analisado é um filme demasiado longo, e inclui basicamente material de uma soap opera. Através do uso de constantes flashbacks com revelações sobre a vida familiar, amantes secretos, e mudanças constantes na forma como os personagens principais se comportam ao longo dos anos, parece ser um filme mais profundo do que realmente é.
Ainda assim, é uma primeira obra impressionante sob qualquer padrão. A história é simples, mas a forma como é contada é complexa, e isso é o que permite transcender o género do melodrama. Yang constroi uma narrativa fraturada sobre a dissolução de um casal burguês, que vive na cidade de Taipei.  O acto da comunicação e revelação libertam as suas personagens femininas de ficarem aprisionadas pelos seus respectivos passados e atormentadores masculinos.  
Edward Yang faleceu com uma curta idade de 59 anos, deixando o mundo com os seus filmes que retratam a realidade do seu país de uma forma honesta, e com humanismo. 
Legendas em inglês.

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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

In Our Time (Guang yin de gu shi) 1982

Um conjunto de quatro curtas-metragens de quatro realizadores taiwaneses (Tao Te-chen, Edward Yang, Ko I-Chen e Yi Chang), que anunciam o início da chamada "new wave" de Taiwan, e também nos introduz ao cinema de Edward Yang, através do segundo segmento. Colocadas juntas, cada uma destas curtas representa uma década dos anos 50 aos anos 80, e naturalmente nos apresenta uma visão instantânea da vida deste povo ao longo destes quarenta anos. 
Na primeira história temos o universo inocente das crianças, o jovem incompreendido pelos pais, vagueando de canto em canto, sempre acompanhado do seu dinosauro de plástico. A segunda é sobre uma jovem a passar pela idade da puberdade, a olhar curiosa para o peito nú do seu novo inquilino. A terceira história segue pelo caminho da comédia, com a história de um rapaz que não é levado a sério pelos amigos. A quarta história é a mais livre, e conta-nos a história de um homem recém casado que fica fechado do lado de fora do apartamento, com apenas uma toalha a cobrir o corpo, mas tem de enfrentar o cão do vizinho, e um mundo de estranhos das ruas movimentadas de Taipé.
 Os quatro realizadores eram todos estreantes e tinham estudado em escolas de cinema no exterior, onde adquiriram novas ideias e formas de fazer cinema, bem diferentes daquelas dos seus anciões taiwaneses. Cada história passada numa década diferente, avança cronologicamente, com as idades dos seus protagonistas a a evoluir também (passamos de um jovem de 8 anos, para uma adolescente, depois para um universitário, e por último um homem casado de fresco). As histórias são todas curtas, e a caracterização dos personagens principais é muito bem conseguida, todos eles não-actores a quem foi pedido que fossem eles próprios e não encarnassem outra pessoa.
Além disso, é impossível de ignorar o contexto social. Junto com os problemas habituais de crescer, há também a pobreza e a alienação. De repente os filmes em Taiwan tornaram-se arte e comentário social, e não apenas entretenimento. Essas são as grandes vantagens deste filme, o triunfo da juventude sobre a experiência.

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