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domingo, 4 de setembro de 2016

O Mercenário (Quién sabe?) 1966

Gringo Bill Tate (Lou Castel) viaja de comboio para Durango, no México da década de 1910, uma época de revolução de bandos de bandoleros errantes. Depois do comboio ser emboscado pelo gang de El Chucho (Gian Maria Volonté), Tate tira o melhor partido da situação, e depois de ser baptizado por El Niño, junta-se aos bandidos que estão a colecionar armas para o revolucionário General Elias. Mas na realidade, Gringo tem um plano secreto, que já está a ser posto em prática...
Muito violento para a sua época, é um filme cheio de acção e com um grande sentido de humor, fortemente politizado. O argumento é escrito pelo criador do argumento de "A Batalha de Argel", de Gillo Pontecorvo,  Franco Solinas, (que também escreveu o argumento de outros filmes politizados, como "Salvatore Giuliano", "Tepepa", "Queimada", "La Resa Dei Conti", "État de Siège", ou "Le Soldatese", que vimos recentemente no ciclo de Zurlini), e é um filme solidário com os revolucionários de esquerda. A sequência final não faz mistério sobre a tendência política deste filme de Damiano Damiani, mas, no entanto as coisas não são tão simples assim, os bandoleros também participam em invasões de casas particulares, que expôe o lado obscuro do movimento para a redistribuição de terras mostrando a ganância que não é menor do que a dos ricos proprietários das terras. 
.Este filme é muitas vezes interpretado como uma alegoria sobre o envolvimento dos Estados Unidos nas políticas sul americanas. Em 1966 não havia qualquer evidência de actividades ilegais da CIA, mas havia muitos rumores, e na altura que o filme foi lançado era difícil não interpretá-lo doutra forma, a não ser do envolvimento externo dos americanos. Tal como a maioria dos argumentistas "comprometidos" dos anos sessenta, Solinas era marxista. Era um teórico bem versado em teorias marxistas, e isso reflecte-se inevitavelmente nas suas narrativas e caracterizações. Este filme acabaria por dar inicio a um novo sub-género dentro do "spaghetti", chamado Zapata. Não teria muitos seguidores na tela, mas os poucos que teve seriam de inegável importância. 
Nota: não confundir o título em português com o filme de Sérgio Corbucci com o mesmo nome. Também ele um western Zapata, e que em Portugal ficou com o título de "Pistoleiro Profissional".

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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Confissões de um Comissário de Polícia ao Procurador da República (Confessione di un Commissario di Polizia al Procuratore della Repubblica) 1971



A corrupção da Máfia no sistema é o foco deste filme, mais especificamente em como dois oficiais do governo tão díspares escolhem lidar com ela. Ambas as filosofias individuais e a abordagem ao problema são bastante diferentes, levando os homens a entrar em conflito em vez de trabalharem juntos.
A capital da Sicília, Palermo, é o cenário. O responsável pelo comando da polícia é o Capitão Bonavia (Martin Balsam), um polícia veterano, cuja atitude imperturbável  esconde um inimigo implacável para o crime organizado, personificado por D'Ambrosio (Luciano Catenacchi), o chefe máximo da Máfia local. D'Ambrosio está bem colocado na indústria de construção em Palermo, e como tal tem amigos muito bem colocados na comunidade empresarial e no governo da cidade. Ao longo dos anos Bonavia prendeu-o várias vezes, para o ver liberto logo a seguir, por falta de provas. Entretanto chega o novo procurador da republica,  Traini (Franco Nero). Os dois oficiais da justiça desconfiam um do outro, já que os tentáculos da Máfia chegam a todo lado. Será que vão conseguir trabalhar juntos?
Superficialmente, "Confessione di un Commissario di Polizia al Procuratore Della Repubblica" é um típico drama sobre o mundo do crime, igual a tantos outros saídos na década de 70, chamados  "Poliziotteschi", cheio de negócios sujos, e intensas lutas entre policias e ladrões, mas o filme tem alguns toques invulgares, para o colocarmos alguns furos acima da média. Franco Nero, que não era dos actores mais expressivos da sua geração, tem aqui um dos seus papéis mais determinantes, e Martin Balsam traz algum vigor ao seu papel de um capitão da polícia, que pode ter pisado a lei em nome da justiça. Balsam e Nero fazem convincente jogo de confiança/desconfiança, e formam uma dupla perfeita ao longo do filme. 
Damiano Damiani era um realizador que já vinha a fazer filmes politicos a algum tempo, sempre disfarçados de outros sub-géneros. Tomamos como exemplo "A Bullet for the General", um Zapata Western, que eram spaghetti westerns com um fundo político, neste caso a revolução mexicana. Aqui temos um "Poliziotteschi" disfarçado, mas tão bem disfarçado que nem nos apercebemos para colocar esta etiqueta no filme, colocando-se entre os melhores filmes do mundo do crime daquela época.  
O norte americano Martin Balsam tinha acabado de participar em "O Pequeno Grande Homem", de Arthur Penn, e entraria numa série de filmes italianos na década de 70, alguns dos quais policiais. 
Seria um dos primeiros filmes italianos a colocar a Máfia no centro de toda a corrupção. Este filme ainda produziu duas pseudo-sequelas, ambas realizadas por Damiano, e com Franco Nero no mesmo tipo de papel, mas ambas menos importantes.

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