Um marinheiro mal-humorado e bêbado, Bobo acorda de ressaca em San Pablo, sem ter certeza se cometeu ou não um assassinio. Depois encontra a felicidade quando evita o suicídio da jovem Anna. No entanto, o velho amigo Tiny fica com cíumes e deseja que Anna vá embora. O crime ainda não esclarecido pode ser o ingrediente que ele necessita para colocar seu plano em ação.
Primeiro de dois filmes que Jean Gabin fez nos Estados Unidos. Gabin foi um dos muitos da indústria cinematográfica europeia que fugiram para Hollywood para fugirem do flagelo Nazi. O problema é que Holywood não sabia o que fazer com ele. Uma mega star na sua França natal, mas relativamente desconhecido em terras americanas. A TCF colocou-o a trabalhar com Fritz Lang, um realizador também europeu que já vinha a trabalhar em Hollywood há alguns anos, mas as diferenças entre os dois eram muitas, e Lang acabou por sair fora da produção ao fim de duas semanas. Quem o substituiu foi Archie Mayo, que ficou com os créditos finais.
Alguns defeitos são apontados ao filme, desde o nome estúpido do protagonista, a algumas cenas bizarras, mas mesmo assim o filme foi nomeado para o Óscar de Melhor Fotografia a preto e branco, e vale, sobretudo, pelo fantástico trabalho dos quatro principais actores. Os restantes três são Ida Lupino, no papel da jovem suicida, e ainda Thomas Mitchell e Claude Rains. Gabin voltaria a França logo depois da guerra acabar.
Aristides Mavros (Claude Rains), um contrabandista internacional com sede em Lisboa, fez um contrato com Sylvia Merril (Maureen O'Hara), jovem e linda mulher dum ancião americano multimilionário, Lloyd Merril (Percy Marmont), a fim de conseguir a sua fuga e liberdade dum país atrás da Cortina de Ferro, onde se encontra incomunicável durante dois anos. Precisando dum barco veloz, Mavros contrata o serviço do capitão Robert Evans (Ray Milland), um ex oficial da marinha de guerra dos Estados Unidos, actualmente exercendo actividades ilegais transportando contrabando de vinhos e jóias no seu barco Orca.
Primeiro filme americano filmado em Lisboa, com interiores nos estúdios da Tóbis, e exteriores em alguns locais de Lisboa: Torre de Belém, Praça do Comércio, Castelo de S. Jorge e Mosteiro dos Jerónimos. Segunda obra realizada por Ray Milland (também protagonista), é um filme de série B bastante modesto, mas também muito charmoso.
Elegância é a palavra que melhor descreve este filme. A direcção de arte é um desses temas obscuros que ninguém se preocupa, mas neste caso, todo o filme é todo ele uma festa para os nossos olhos, graças a uma gestão inteligente de arte, usando tons de azul e castanho para reflectir a beleza natural das paisagens de Portugal. Cada frame é uma pintura quase perfeita, e o filme vale sobretudo pelos seus exteriores sumptuosos. A banda sonora incluía a versão instrumental de "LisboaAntiga", assinada por NelsonRiddle, que foi nº 1 no top dos Estados Unidos da América.
Errol Flynn interpreta um pirata inglês. Num dos seus raids, depois de libertar escravos ingleses detidos pela Espanha, conhece e apaixona-se por uma bela espanhola, Dona Maria Alvarez de Cordoba (Brenda Marshall, cujo tio é Claude Rains) mas, como é natural, ela não quer ter nada a ver com ele. No entanto, quando descobre que ele tem as suas jóias, a sua opinião sobre ele começa a mudar. Eventualmente, ele é "contratado" pela raínha de Inglaterra para atacar navios espanhóis, e derrotar Lord Wolfingham.
Tal como explicam os historiadores Rudy Behlmer e Dr. Lincoln D. Hurst no DVD, "The Sea Hawk" era uma mistura de idéias, embrulhadas numa épica aventura de capa e espada, perfeita: o título vem do romance de Rafael Sabatini, fielmente filmado em 1924, e o argumento funde-o com uma história de Seton I. Miller, com referências não muito leves sobre a II Guerra Mundial, que tinha começado recentemente, e o filme reunia muitos actores populares dos estúdios da Warner Bros, com majestosos cenários ingleses.
Posto de outra forma, era quase uma sequela do filme "The Private Lives of Elizabeth and Essex," onde Elizabeth I (agora interpretada por Flora Robson) recebe a ajuda do corsário Geoffrey Thorpe (uma imagem mais malandra de Essex), para proteger Inglaterra contra o ataque de um diplomata espanhol (uma imagem conivente de Prince John, de "The Adventures of Robin Hood", interpretado pelo mesmo Claude Rains). Enquanto Thorpe depende da ajuda do seu leal companheiro Pitt (uma imagem de Little John de "The Adventures of Robin Hood" interpretado pelo mesmo Alan Hale), a confiança da raínha era depositada em Sir John Burleson (uma imagem de Sir Francis Bacon, de "Elizabeth and Essex")
É impossivel falar de "The Sea Hawk" sem falar dos seus dois irmãos mais velhos: "Captain Blood" e "The Adventures of Robin Hood". Quase toda a gente que trabalhou em "The Sea Hawk" também tinha trabalhado em "The Adventures of Robin Hood", e sabia exactamente o que fazer. "The Sea Hawk" ganha em várias comparações. A batalha naval do início do filme bate tudo o que "Captain Blood" tinha para oferecer. A decisão da Warner para filmar a preto e branco é que talvez tenha sido infeliz. Num mundo fantasista de navios detalhados, e guarda-roupa bastante elaborado, talvez o filme tivesse beneficiado mais sendo a cores, com o mesmo Technicolor usado em "Robin Hood", mas Michael Curtiz sabia como usar o preto e branco, e ainda assim esta obra tem algumas cenas assombrosas.
Historicamente tinha muito mais a ver com a Inglaterra dos anos 40, por causa da sua luta contra os Nazis, do que a luta contra a Espanha de 1585. Era um filme em tempo de guerra, apenas com um cenário diferente dos seus irmãos. Era um filme mais escuro, os seus heróis tinham de se sacrificar mais nas suas guerras, tal como era dito ao povo inglês para se sacrificar contra os alemães. O discurso final da raínha de Inglaterra era um chamar às armas de um povo que estava 400 anos atrasado no tempo.
Foi nomeado para quatro Óscares, todos em categorias técnicas.
Depois da morte doseu irmão, Larry Talbotregressada América para a suaterra natal,no País de Gales. Visitaum acampamento de ciganoscom uma jovemda aldeia, JennyWilliams, queé atacada porBela,um ciganoquese transformou num lobisomem.Larrymata olobisomem, masé mordidodurante a luta.A mãede Beladiz queisso fará com queele se transforme numlobisomemem cadalua cheia.Larryconfessa a situação ao seu paiincrédulo,SirJohn, quedepois se juntaos aldeões numacaça aolobo.
Dos três maiores filmes de monstros da Universal Studios, Drácula, Frankenstein e O Lobisomem, O Homem Lobo foi o único que não nasceu de um romance notável. Embora muitas lendas de lobisomens abundassem na imprensa, valeu a habilidade do argumentista Curt Siodmak, o talento na caracterização de Jack Pierce, e a interpretação de Lon Chaney Jr para contar a história de um homem condenado por uma maldição eterna, para matar os que ama pela luz da lua cheia. "The Wolf Man" foi originalmente concebido comoum veículo paraBorisKarloff, mas como muitas vezes aconteceem Hollywood, registaram-se mudanças nas intenções,assim como no argumento.Apenas o títulose manteve eo filmeacabou por seratribuído aorealizadorGeorgeWaggner e ao argumentista CurtSiodmak. Enquantoa realizaçãosem inspiraçãoe directa deWaggneré suficiente, é o trabalho de Siodmak que se destaca,primeirosobre o folcloreeuropeu,depois, criara sua própria história sobre um conto de fadasque se transformou numatragédia grega, uma história sobre um simpático herói condenado. Lon ChaneyJrfoi o único actor aretrataro trágicoLarryTalbot,amaldiçoadoa se transformar noHomemLoboe matarcontra a sua vontade,em cinco filmes de terrorda Universal, fazendo assim o papelexclusivamenteseu.O seu desempenhoagradável comoLennieem "OfMice and Men" como um tipocorpulento, simpático, revelou ser o actor perfeito paraeste retratodaagonia deTalbote do seualter-egodemoníaco. A Universal, em clara crise criativa, queriaoutro monstromemorávelpara adicionar à sualista principal, mudou a ambiguidade inicialdo argumento,o que deixouo públicoa querer saber seLarryera um lobisomemverdadeiro, ou se apenasapenas pensava que eraum, o que já tinha acontecido num filme anterior da Universal, "Werewolf of London". A caracterização, única, de Piercefazo lobisomemter uma humanidade, que muita falta faz nos filmes de hoje gerados em CGI. O processo de dissolução do lobisomem que na tela dura alguns segundos, na verdade, levou horas defilmagenstrabalhosascomocamadas de cabelo a serem aplicados na carade Chaneye a ser fotografado.Durante o processo,Chaneyteve que se manter muito quieto ena mesma posição durante horas,maso inovadorresultado finalvaleu a pena,eo procedimento seriamelhoradono decursodos filmessubsequentes. Uma palavra também para os actores secundários. Claude Rains muito bem no papel de pai de Talbot, Bela Lugosi no papel do Lobisomem que morde em Talbot, e Maria Ouspenskaya, sempre brilhante, como cigana que sabe tudo o que se está a passar.