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terça-feira, 19 de outubro de 2021

Viva Maria! (Viva Maria!) 1965

"Viva Maria!" é um western cómico que relata as aventuras de um circo itinerante e uma troupe de música no fictício país de San Miguel. O filme apresenta inúmeras sequências cómicas, incluindo granadas de mão lançadas por um pombo, Brigitte Bardot a balançar por entre as árvores com uma corda, um presidente corrupto, revolucionários ineptos cujos comportamentos põem em causa a sua capacidade de se conduzirem. O filme caricatura a infância revolucionária de Maria O´Malley, desde 1891 na Irlanda até 1907, na América Central, quando a jovem Maria explode uma ponte que o soldados coloniais britânicos estão a cruzar enquanto tentam alcançar o seu pai, um anarquista irlandês. Ela foge dos soldados e junta-se a um grupo itinerante em San Miguel. Durante uma perfomance, acidentalmente faz um número de striptease, que a torna muito famosa na região.
"Viva Maria" não se levou muito a sério, mas os censores do Texas, sim. O distribuidor submeteu o filme para a MPCB, em Dallas, para solicitar licença de exibição. Oito membros do MPCB votaram no filme como impróprio para menores, enquanto um nono membro se absteve. Uma portaria local permitia que o MPCB pudesse fazer esta classificação se acreditasse no seu julgamento que um filme "descrevesse ou retratasse brutalidade, violência criminal ou depravação de forma a incitar os jovens ao crime, delinquência ou promiscuidade sexual". A lei previa também que se um exibidor não aceitasse as regras, a MPCB devia entrar com um processo judicial para impedir a exibição do filme. O exibidor, neste caso, não aceitou a avaliação do filme, e fez uma exposição por escrito alegando que o filme tinha sido mal avaliado. 
O juiz da primeira instância alegou que o filme tinha duas ou três cenas que poderiam influenciar negativamente os jovens, mas o exibidor voltou a apelar até o caso ser julgado na Suprema Corte dos Estados Unidos, que deu razão ao filme realizado por Louis Malle, num caso que levaria a indústria de Hollywood a abandonar o Production Code. 


segunda-feira, 16 de agosto de 2021

E Deus Criou a Mulher (Et Dieu... Créa la Femme) 1956

 "E Deus Criou a Mulher", realizado por Roger Vadim, contava com Brigitte Bardot, a "fantasia de todo o homem casado" no papel de uma orfã de 18 anos que se torna numa mulher sexy e amoral de um homem e o objecto de desejo para dois outros. Trabalhando numa banca de jornal e a viver em St. Tropez com um casal que ameaça mandá-la de volta para o orfanato se ela não aceitar em mudar o seu comportamento em relação aos homens, sobre quem exerce um grande poder de atração. 
"E Deus Criou a Mulher", de Roger Vadim, juntou-se  a "L'Amant de Lady Chatterley" de Marc Allégret, e "Les Amants" de Louis Malle, numa série de filmes que forneciam ao público americano novas formas de visão artística e sensualidade nunca antes vistas em produções de Hollywood. Ainda mais importante, a sua popularidade levou a que mais filmes que tratavam da sexualidade humana a um nível mais adulto,  e por sua vez a um maior número de desafios que iriam parar aos tribunais, trazendo mais vitórias para o cinema.
Foi desafiado pela Legião de Decência em todas as cidades onde foi distribuído, mas mesmo assim conseguiu obter licenças em estados como Nova Iorque, Maryland e Virginia. Apesar dos protestos foi exibido em várias outras cidades nos estados de California, Illinois, Kentucky, Missouri, Ohio, Oregon, Pensilvânia, Texas e Washington. Na cidade de Filadélfia teve muitos problemas, foi proibido de acordo com uma lei que poderia considerar ilegal qualquer filme que fosse "lascivo, sacrílego, obsceno, indecente ou de natureza imoral", e de acordo com os padrões da cidade o filme preenchia 4 dos 5 requisitos. O aviso alertou os proprietários dos cinemas que exibirem o filme poderia resultar na sua prisão e apreensão do filme. A distribuidora, a Kingsley International, levou o caso a tribunal, numa luta bastante disputada, acabando por vencer contra a cidade de Filadélfia.

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Se D. Juan Fosse Mulher (Don Juan ou Si Don Juan était une Femme...) 1973

Jeanne (Brigitte Bardot) vive em Paris e acredita ser a reencarnação de Don Juan. Ela visita um padre dizendo-lhe que assassinou um homem. Ele vai até seu elegante apartamento - o pai morreu deixando-a rica - e ela conta-lhe histórias sobre os homens que seduziu. A sedução é fácil, a destruição é que requer planeamento.
Como o título do filme sugere, a idéia é trocar o infâme amante latino por uma mulher, uma idéia saliente no início dos anos 70, quando a segunda onda do feminismo estava no seu auge. A idéia é ainda mais subversiva porque o realizador Roger Vadim escolheu para o papel principal a sua ex-mulher, Brigitte Bardot, revertendo o poder da dinâmica que tinha definido a sua carreira como actriz, quase 20 anos antes. Em vez de ser o objecto do olhar masculino, ela passaria a objectivar os homens, possuí-los e, eventualmente, destruí-los. Por ser Vadim a realizar o filme ainda o tornaria mais interessante, porque ele era o responsável por moldar Bardot no seu status de objecto sexual internacional, principalmente por causa do seu filme descoberta de 1956, "E Deus Criou a Mulher".
"Don Juan" acabaria por ser a última aparição de Bardot no cinema, e, de certa forma, resumia a sua carreira. Como actriz ela começou como um sex symbol, cujo principal apelo era a sua líbido, combinada com a inocência juvenil, e acabou aqui, como uma extensão lógica dessa persona, com a sua sexualidade a envelhecer e a amadurecer, para terminar assim, como uma arma.
Alguns actores de destaque acompanham Bardot: Robert Hossein, Jane Birkin e Maurice Ronet.

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A Verdade (La Vérité) 1960



Dominique Marceau (Brigitte Bardot) vai a tribunal por causa do assassinato do seu amante Gilbert Tellier (Sami Frey). À medida que o julgamento se vai desenrolando vamos ficando a conhecer os eventos do passado que levaram à actual situação. Ficamos a conhecer a sua vida com os pais e a irmã Annie, que era noiva de Gilbert. Dominique seduz Gilbert para se divertir, como uma mulher livre, e sem trabalho, envolvendo-se com vários homens. Depois vemos a sua tentativa de se suicidar depois de Gilbert a deixar, e voltar para Annie. O seu advogado é capaz de tudo para tentar salvá-la, mas mas regras da sociedade estão contra ela, e nem a inocência parece ser suficiente para a salvar.
Com "La Vérité" Clouzot fez o seu ataque mais virulento a uma sociedade que estava a ser prejudicada com a falsa moralidade da burguesia, e incapaz de se adaptar aos novos tempos. Já com um anterior filme anti-burguesia, "Le Corbeau" (1943), Clouzot tinha sido censurado no Vaticano, mas toda a hostilidade aberta contra si durante anos não foi suficiente para saciar o seu ódio e o seu desprezo contra esta classe social. Em "La Vérité", um dos mais perfeitos e absorventes filmes de Henri-Georges Clouzot, não é o crime que está a julgamento mas toda uma geração, que são julgados pelos mais velhos por serem egoístas, preguiçosos e imorais. A verdade sobre a culpa ou a inocência é irrelevante. No fim sabemos que a teimosia e um coração de pedra vão decidir o veredicto.
A estrutura do filme, um drama de tribunal em que os eventos do passado são contados em flashback, enfatizando o conflito entre duas gerações que parecem nada ter em comum. Os que vemos no tribunal são manifestadamente mais tradicionalistas, de direita, os que vemos nos flashbacks são os jovens da actualidade, que vivem para o momento, e não têm intenção nenhuma de deixar os valores da classe média antiquada estragar a sua felicidade. São dois mundos completamente diferentes, divididos por diferentes valores morais, e Clouzot dá-nos um vislumbre do que irá acontecer no decorrer da década de 60, e que irá culminar nos acontecimentos de Maio de 68.
Por esta altura Brigitte Bardot era mais conhecida por aparecer em comédias leves, e ela seria uma das últimas pessoas esperadas num filme de Clouzot, mas foram poucos os realizadores que foram capazes de tirar proveito da actriz, porque todos queriam aproveitar o seu sexy appeal, mas Clouzot esteve muito bem, sendo dos melhores que soube trabalhar a actriz.
Este filme foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme em língua estrangeira, e ganhou um Globo de Ouro na mesma categoria.

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Shalako (Shalako) 1968



Baseado num romance de Louis L'Amour, Shalako é passado no Novo México, nas terras da reserva Apache, onde um grupo de caçadores europeus de elite alegremente ignora repetidas advertências de que estão em perigo de um ataque indio iminente. Passado nas ruínas de um forte, Shalako (Sean Connery, com um sotaque escocês intacto) faz o seu melhor para preparar a burguesia arrogante e ignorante. Deixa-os então com o guia Fulton (Stephen Boyd), na esperança de chegar a um posto do exército e regressar com soldados antes dos caçadores brancos serem mortos. No entanto, quando a situação no forte se deteriora, Shalako regressa numa tentativa desesperada de levar os europeus através do território indígena para um local de segurança.
Na esteira do sucesso dos Westerns espanhois, alemães, e, principalmente, italianos, os Euro-Westerns de maior orçamento tornaram-se inevitáveis. A natureza intrínseca destas produções intercontinentais é compensada com uma história muito bem contada. Shalako tem um realizador norte-americano (Edward Dmytryk), tem actores escoceses, franceses e alemães, exteriores espanhóis e interiores britânicos. Os créditos identificam-no como uma produção britânica, apesar de dinheiros franceses e alemães e, possivelmente, poderem ter sido envolvidos no projeto. Embora tais produções cinematográficas muitas vezes acabem em desastre, Shalako funciona muito bem. A dicotomia dos ricos, europeus impecavelmente vestidos, com seu desgaste formal, porcelanas finas, e jóias, faz um contraste interessante com o sujo, rude cowboys americano. O cerco do forte é bem dirigido, cheio de acção e suspense críveis. 
O que parece ter decepcionado o público em 1968 foi a falta de química entre Connery e a co-estrela Brigitte Bardot, que interpreta uma condessa que se apaixonava por Shalako. Bardot, entrando no seu período de rosto pálido e activista dos animais, tem cabelo e maquilhagem singularmente anacrónicos.  
O elenco é extremamente interessante, e conta ainda com Jack Hawkins e Woody Stroode. 

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sexta-feira, 21 de junho de 2013

O Desprezo (Le Mépris) 1963



Paul Javal é um escritor de novelas de detectives que é contratado pela produtora cinematográfica de Jeremy Prokosch para re-escrever um guião sobre a Odisseia de Homero. Prokosch está em desacordo com o seu realizador, Fritz Lang, que deseja capturar a glória e o realismo da antiguidade grega, enquanto Prokosch quer simplesmente fazer muito dinheiro. Javal concorda em assumir o trabalho, mas logo descobre que a sua esposa, Camille, começou a desprezá-lo pela sua falta de convicção. Javal foi um grande escritor mas agora sucumbiu à atracção do talão de cheques do Prokosch. Ele vai ser obrigado a escolher entre o seu casamento fracassado ou o seu novo emprego – ou será demasiado tarde para decidir? Acima de tudo, Le Mépris parece ser o filme mais convencional de Jean-Luc Godard. Um filme brilhante e caro, com os seus exteriores sumptuosos e um grande elenco composto por alguns actores de grande nome (incluindo o lendário realizador Fritz Lang, a fazer dele próprio). Notável pela ausência das marcas habituais de Godard – o humor cínico intelectual, a edição dura, o uso frenético de jumpcuts, etc. No entanto, se olharmos mais de perto veremos que este filme é tão subversivo e politizado como qualquer outro que Godard tenha dirigido. Baseado num romance de Alberto Moravia (A Ghost at Noon), Le Mépris explora os conflitantes interesses de um realizador de cinema, um produtor e um argumentista. Isto ao mesmo tempo que assistimos à desintegração do casamento do argumentista. Inteligentemente, o filme que está a ser feito (A Odisseia) paralela as vidas dos protagonistas da história – Javal é Ulisses, a sua esposa é Penélope e o produtor Prokosch é o rival de Ulisses, Poseidon. Estas vertentes sobreposições trazem um agudo senso de ironia trágica ao filme, o que torna o final particularmente doloroso e cruel. Dos actores principais, Brigitte Bardot é aquela que é usada para subtrair o maior efeito, por Godard. Mesmo em cenas onde o diálogo é dividido entre ela e a sua co-estrela, Michel Piccoli, é sobre ela que a câmera permanece. No entanto, aqui, ao contrário de tantos outros filmes menores, a intenção não é puramente de exploração. Longe de ser lasciva, a fotografia de Raould Coutard sobre Bardot é sublime, servindo para aumentar a tragédia da existência frágil da sua personagem. As imagens suculentas, reforçadas pela banda-sonora assombrosa de Georges Delerue, transmite tanta dor interior e o presságio da tragédia grega que está por vir. Esta é a realidade do desempenho de Brigitte Bardot no filme que um jornalista (possivelmente encorajado por Godard) foi levado a promulgar um dos maiores mitos do cinema – que o verdadeiro nome da atriz era na verdade Camille Javal. O Desprezo está cheio de referências fílmicas a Chaplin, Griffith, Hawks, Ray e Minnelli e outros heróis da revista francesa Cahiers du Cinéma, onde Godard era crítico.

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