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domingo, 5 de março de 2017

Coonskin (Coonskin) 1975

Um pregador (Charles Gordone) e o seu amigo Sampson (Barry White) dirigem-se para uma prisão distante onde esperam trazer de volta o amigo Randy (Philip Michael Thomas), de uma fuga da cadeia. Randy conseguiu alcançar o outro lado do muro com a ajuda de outro prisioneiro, Pappy (Scatman Crothers), mas Pappy não está lá muito convencido do plano de Randy, principalmente se Sampson e o pregador não chegarem a tempo. Enquanto esperam junto ao muro, Pappy conta a Randy a história de três homens, Rabbit (Thomas), Fox (Gordone), e Bear (White) que viajaram da sua terra natal conhecer a grande vida que os negros do Harlem supostamente vivem. Em vez do paraíso encontram um sitio podre, cheio de ressentimento e de raiva, onde as pessoas estão mais interessadas a lutar umas contra as outras para ganho pessoal, do que rebelar contra a opressão branca.
Durante muitos anos "Coonskin", de Ralph Bakshi, foi considerado um filme perdido. Depois do filme estar terminado, em 1975, membros do Congresso de Igualdade Racial, lidarados por Al Sharpton e Elaine Parker, fizeram pressão para o cancelamento da estreia do filme, apesar da maioria dos membros não o ter visto. Depois de uma exibição no Museu de Arte Moderna, que foi abalada por um piquete, a Paramont concordou em passar os direitos para outra empresa, a Bryanston, que faliu duas semanas depois do acordo ter sido assinado. Assim, durante muitos anos, entre 1975 e 2012, o filme só podia ser visto em cópias em VHS. 
Realizado por Ralph Bakshi, o autor de "Fritz, the Cat", a idéia do filme vinha do interesse do realizador pela história afro-americana nos Estados Unidos, e era focada no racismo e nos estereótipos racistas. Quando uma certa tendência filmica atinge o ponto de saturação começa a ser satirizada, e foi isso que aconteceu com a blaxploitation, da qual ainda faz parte este filme. Uma mistura surpreendentemente imunda e violenta de live-action e animação, é parte conto de fadas, parte drama de crime, ainda estendendo um olhar ao estilo de vida racial ao longo do caminho.
Apesar de tudo o que possam dizer dele, ou disseram no passado, "Coonskin" é uma desconstrução inteligente e pungente não apenas do individuo afro-americano, como também dos pobres caucasianos ruais, italo-americanos, homossexuais, entre muitos outros. E contava com grandes prestações do músico Barry White, na sua única aparição como actor, e Charles Gordone, que ficaria conhecido como o primeiro negro a ganhar o prémio Pulitzer. 

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sexta-feira, 3 de março de 2017

Truck Turner (Truck Turner) 1974

Truck (Isaac Hayes) é um caçador de recompensas que aceita um trabalho para localizar um homem chamado Gator. Quando Truck e o seu parceiro o encontram uma perseguição acontece, e Gator acaba por morrer. Isto faz com que a mulher de Gator, Dorinda, fique muito irritada e coloque, ela própria, a cabeça de Truck a prémio. O homem que concorda em matá-lo chama-se Blue, e parte com o seu gang no encalce de Truck.
Isaac Hayes não se contentou com os bastidores do cinema de  Blaxploitation, a escrever bandas sonoras para filmes deste movimento, que ainda pouco tempo antes lhe tinha rendido um Óscar para a melhor canção original, com o tema-título do filme "Shaft". Ele queria espalhar o seu talento, e Hollywood deu-lhe a hipótese de protagonizar um filme ainda muito cedo, este "Truck Turner". Provou ter carisma  neste filme, e acabou por se tornar  num actor de Hollywood, com um currículo recheado de filmes nos anos seguintes, até à data da sua morte, em 2008.
Jonathan Kaplan, um branco no meio de um movimento de negros, e que mais tarde ficaria conhecido por realizar "Os Acusados", o filme que valeu o primeiro Óscar a Jodie Foster, conduz bem a história, cheia de acção e violência que eram habituais neste tipo de obra. Tiroteios com proxenetas, prostitutas com facas, violência aleatória contra um gato doméstico, vale de tudo para encaixar mais uns dólares, e manter vivo o espírito negro do cinema da altura. Mas "Truck Turner" era mais do que isso, era um filme bem acima da média, e que vale a pena descobrir. Destaque ainda para Yaphet Kotto no papel de blue, e dois actores que seriam bastante reconhecidos como secundários: Scatman Crothers e Dick Miller.
Legendas em espanhol.

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quarta-feira, 1 de março de 2017

The Mack (The Mack) 1973

Goldie regressa às ruas depois de cinco anos em numa prisão, e torna-se o rei entre os proxenetas. Entretanto, deve enfrentar dois policiais brancos corruptos e um grande chefe do crime organizado, que o quer de volta como empregado.
Embora seja normalmente agrupado entre os filmes da Blaxploitation, "The Mack" está ligeiramente separado deste subgénero, devido à sua história mais séria, e ao profundo comentário social, que não era habitual nos filmes deste movimento. É mais um estudo de uma personagem, retratando a queda, subida, e novamente queda de um negro saído da prisão que se torna um dos maiores proxenetas da sua área, uma dica que Oliver Stone seguiria mais tarde com "Scarface". Foi um filme muito bem sucedido no seu tempo, apesar de não carecer dos valores de produção de "Shaft", da MGM, ou o impacto dramático de "Superfly", mas muitas das suas idéias sobre a capacitação em vingar na vida de um homem negro levaram o filme a um estatuto de culto, reconhecido por muitos críticos e especialistas. 
Michael Campus, um antigo documentarista, adopta uma abordagem mais pessoal ao argumento muita vezes revisto e improvisado de Robert J. Poole, mostrando todas as personagens como pessoas plenamente realizadas, cada uma delas com as suas próprias fraquezas e forças, nenhuma delas é branca ou preta em termos de idealizações, mas sim cinzentas, tanto no sentido figurativo como literal. O personagem principal, interpretado por Max Julien, traz a combinação certa de inteligência e percepção, para acreditar que podia fazer o que quisesse se simplesmente colocasse a sua cabeça a pensar.
Num período em que os filmes roubam tanto uns aos outros, "The Mack" emerge como um dos mais únicos, e apesar de não ter a estrutura para ser considerado um grande filme, para audiências maiores, vale sem dúvida uma espiadela, e não apenas para os fãs da Blaxploitation.
Legendas em espanhol.

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Foxy Brown (Foxy Brown) 1973

Um dos filmes mais marcantes do cinema de blaxploitation, Foxy Brown é, talvez, o filme mais popular de Pam Grier, e dos mais populares do género. Grier (Black Mama Branco Mama, Jackie Brown) é a personificação de Foxy Brown - sexy, forte, e alternativamente capaz de seduzir ou maltratar o pior dos homens. Aqui ela interpreta a namorada de um ex-agente federal disfarçado, que foi baleado e dado como morto pelos senhores do crime local. Algumas semanas no hospital e algumas cirurgias plásticas mais tarde, ele pode andar de novo pelas ruas, sem medo de ser reconhecido, como Michael Anderson - ou assim pensa. O irmão de Foxy, Link (Antonio Fargas), tem um preço pela sua cabeça, e para consertar as coisas, denuncia Dalton...
Foxy Brown é um filme de culto para muita gente, especialmente para os fãs de Grier, ou do realizador Jack Hill, ou para o cinema de blaxploitation da década de 70. Como em muitos filmes deste género, a falta de qualidade das interpretações nunca permite que ele ser convincentemente realista. Pelo contrário, é o tipo de filme que gostamos pelas suas falhas, em vez das suas qualidades. O diálogo, muitas vezes horrível, o guarda-roupa tolo, as lutas amadoras, caracterizações excêntricas, e Pam Grier mudando de roupa de uma cena para outra, e se isso for suficiente para entretê-lo, então este é um filme a não perder.
Tal como a colaboração entre Hill e Grier anterior, "Coffy", Foxy Brown é muito violento e sangrento, embora nunca pareça ser muito sério nesse sentido. A reputação de Foxy Brown trancende a sua qualidade real, então se estiverem à procura de um bom filme, vão por certo ficar decepcionados. No entanto, se estiveram apenas à procura de acção, excitação, porrada, e uma enorme variação de estilos dos anos 70, Foxy Brown definitivamente encaixa-se no pretendido

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Blacula (Blacula) 1972

Uma versão moderna da história clássica de Dracula, de uma forma bastante inventiva. "Blacula" é a história de Manuwalde, um príncipe africano. Em 1780, depois de visitar o Conde Drácula, Manuwalde é transformado num vampiro e trancado num caixão... Saltamos para 1972, quando dois colecionadores de antiguidades transportam o caixão para Los Angeles. Os dois abrem o caixão e libertam o vampiro na Los Angeles da actualidade. Blacula vai encontrar a sua esposa, e vai ser perseguido por um homem que descobre a sua identidade.
Um filme "campy", mas não tão cómico como o seu sugestivo nome poderia implicar, e mais impressionante do que poderia ser esperado de um filme que seguisse a premissa de Drácula para a Blaxploitation. Abundam estereótipos, embora não tão flagrantes como o dos dois homossexuais que trabalham como designers de interiores e descobrem o caixão infame. Notável é o trabalho do protagonista, interpretado por William Marshall, que não segue a tendência da blaxploitation em geral, mas é um príncipe educado que trata toda a gente com respeito (bem, excepto as suas vítimas).
Um esforço respeitável do realizador William Crain (Dr. Black Mr. Hyde, Midnight Fear), a trabalhar um argumento escrito por Joan Torres e Raymond Koening, misturando risos óbvios com momentos de horror, drama, tragédia, e um pouco de romance também, principalmente tendo em conta o minúsculo orçamento com o qual se trabalhava. Custou apenas 500 mil dólares, e teve uma sequela no ano seguinte, "Scream, Blacula Scream".

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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Coffy (Coffy) 1973

A enfermeira "Coffy" Coffin (Pam Grier) leva uma vida dupla. Durante o dia é uma enfermeira na sua labuta diária. À noite ela é um anjo vingador numa cruzada pessoal, perseguindo os traficantes de droga que levaram a sua irmã para a má vida. Pelo caminho ela encontra um detective da polícia honesto que também está a levar uma vida dupla.
Um dos filmes preferidos de todo o movimento da Blaxploitation, apresentando uma história atraente para os fãs do género, além de um excelente argumento e realização de Jack Hill. "Coffy" é um filme politicamente tão carregado e tão requintadamente trabalhado que aparece para dar uma bofetada ao movimento da Blaxploitation, principalmente por causa do seu argumento inteligente e desagradável, em doses muito equiparadas, e também pela interpretação da sua estrela, Pam Grier.
A lendária Pam Grier já era uma figura do mundo da Blaxploitation quando interpretou o papel do título, mas este foi o filme que a colocou no mapa, que a guiou para o estrelato e a colocou na mente e nos corações dos muitos fãs do cinema afro-americano. Grier não era só adorada pelos homens, como também pelas mulheres de todo o mundo. Representava uma figura heróica para mulheres de todas as idades e raças, trazendo graça, inteligência e humanidade com toda a sua brutalidade, chegando a ser comparada com a figura de Dirty Harry, mas no feminino. 
Seria a terceira colaboração entre Hill e Grier, mas as duas anteriores não eram filmes considerados dentro deste movimento. Os dois ainda fariam um quarto filme, também ele dos mais importantes da Blaxploitation: "Foxy Brown", em 1974.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A Marca de Shaft (Shaft's Big Score!) 1972

Enquanto Nova York nunca for perdida para actividades criminosas, as coisas tomam o pior rumo quando o co-proprietario corrupto de uma casa funerária e agencia de seguros mata o seu parceiro, um amigo pessoal de John Shaft, e descobre que o dinheiro que ele planeava roubar para pagar as dívidas feitas com jogos de azar está desaparecido. Faz um acordo com o mafioso a quem ele deve (Joseph Mascolo) mas também faz o mesmo acordo com o chefe do crime Bumpy Jonas(Moses Gunn). As balas começam a voar quando homens encapuçados acham que foram atirados uns contra os outros e Shaft é forçado a limpar a confusão.
 Produzido pouco depois do sucesso do filme original, "Shaft’s Big Score!" beneficiou de melhores valores de produção e de um orçamento muito maior. Este orçamento reflete-se nas cenas de acção mais elaboradas e nos exteriores mais exóticos de Nova Iorque. Dois dos elementos que fizeram do original um sucesso também tiveram as suas quotas levantadas: mais sexo e mais violência, no entanto perde uma das principais cartas do original, a banda sonora de Isaac Hayes. Porque este não estava disponível na altura da produção do filme, esta acabaria por ir parar às mãos do próprio realizador, Gordon Parks. 
Comparado com o primeiro filme, esta sequela tem um olhar muito mais suave sobre o mundo da blaxploitation do que o filme anterior. O ar de cool da personagem principal, e a sua capacidade de agradar ás senhoras enquanto lida com qualquer elemento da escumalha criminosa, é impressionantemente agradável. Passado algum tempo, este efeito é mais parecido com um "parque temático Shaft" do que com o filme duro original. A crueza que temperou o primeiro filme é substituída por um humor mais mediático, que nunca chega realmente a ameaçar o nosso super-detective, mas mesmo assim ainda há diversão suficiente para manter este filme com qualidade.

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Os Detectives (Across 110th Street) 1972

O roubo de US$300.000 de um ponto da Máfia no Harlem, por três homens negros vestidos de policias, desencadeia uma busca frenética por toda a cidade para encontrar os autores. Anthony Quinn e Yaphet Kotto estão perfeitos como policias, divididos numa busca comum. Quinn, como um policia corrupto, em fim de carreira, que deve equilibrar a sua ganância e a necessidade inerente de se fazer justiça, nesta história emocionante. Nos excelente cenários naturais do Harlem, assistiremos à máfia e à polícia ao mesmo tempo, a tentarem capturar os bandidos.
Um dos filmes mais agressivos e violentos da sua época, "Across 110th Street" é um um veículo de acção policial sólido especialmente atraente pelo seu trabalho de exteriores claustrofóbicos, dando-nos uma sensação de desolação e desespero pelo crime das ruas, no centro da cidade. Asfalto, lixo, e graffitis em todo o lado para onde olhamos, e o filme não faz nenhum esforço em esconder estes detalhes. Quase lhe conseguimos sentir o cheiro e o sabor, neste olhar muito visceral sobre a corrupção da polícia e o crime organizado, principalmente das cidades mais populosas. 
"Across 110th Street" é normalmente catalogado como um filme da blaxploitation, do início dos anos 70, embora isto não seja muito preciso. É um drama de acção urbano com um elenco predominantemente afro-americano, mas o tema principal tem muito mais a ver com um drama policial, não explorando da mesma forma que outros filmes os idea
is da blaxploitation. Não há heróis, salvo talvez o Tenente Pope, apenas vítimas e perpertadores, com apenas a mensagem de que aqueles que vivem pelas armas morrerão por elas. 
Realizado por Barry Shear, conta com boas interpretações de Anthony Quinn e Yaphet Kotto.

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

À Espreita de Sarilho (Trouble Man) 1972

Mr. T (Robert Hooks) é o tipo de homem que procuramos quando estamos em apuros, e se pudermos pagar o seu preço, ele vai ajudar-nos no máximo da sua capacidade. Ele trabalha como detective privado, e também é um tubarão do bilhar, sempre disponível para um desafio. Hoje ele encontra-se no salão do Jimmy para disputar uma partida com um especialista, por causa de uma aposta. É abordado por dois homens, Chalky e o seu parceiro Pete, que dominam um jogo de dados no bairro. Eles queixam-se que estão a ser roubados por um bando de homens mascarados, e querem contratar Mr. T para os apanhar. 
"Trouble Man" é hoje lembrado por duas razões. Uma, já devem ter percebido, é que Robert Hooks interpreta o original Mr. T, que mais tarde ficaria conhecido pela série "Os Soldados da Fortuna" (The A-Team). A segunda razão é a banda sonora, tal como em tantos outros filmes da blaxpoitation, escrita e parcialmente interpretada por Marvin Gaye, como a famosa faixa do título, grande êxito na altura. Fora estes dois detalhes, o filme sofreu uma reputação injusta ao longo dos anos, de algo que não valia o seu tempo. 
Mas, na verdade, o filme até é bastante interessante. Obviamente que foram feitas comparações a "Shaft", graças ao seu protagonista detective privado, mas "Trouble Man" consegue ser tão bom como o filme de Gordon Parks, apesar de não gozar do seu estatuto de culto. Há apenas uma coisa de errado com o filme, o argumento de John D.F. Black, que nos permite estar sempre um passo à frente de Mr. T, o que enfraquece a sua posição na história. 
A maior parte de "Touble Man" é uma história de detectives eficiente. Só que nós podemos ver o quadro todo, que o investigador não consegue. Há uma enorme falta de acção, mas a conspiração toma conta do centro do palco, e é absorvente o suficiente para prender o espectador à sua cadeira. É refrescante ver um herói da blaxploitation usar mais o cérebro do que os punhos, mas o filme encaminha-se para um final explosivo. Era a estreia de Ivan Dixon no cinema, um realizador que se dedicou quase exclusivamente à TV.

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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Super Fly (Super Fly) 1972

Super Fly, aka Priest, é um traficante de droga que começa a aperceber-se que a sua vida vai acabar, e em breve, na prisão ou morto. Ele decide fugir desta vida fazendo o seu último golpe, transformando a cocaína em dinheiro, e fugindo para uma nova vida. O problema é que a Máfia não tem um plano de reforma para os seus homens, e não lhe vai dar hipótese de escolher entre ficar e continuar a vender, ou ir embora tranquilamente.
Dirigido por Gordon Parks Jr, "Super Fly" apresenta-se como um dos filmes mais dignos do movimento da "blaxpoitation", no momento do seu auge, no inicio dos anos 70. Ao contrário de outros filmes seus contemporâneos, como o popular "Shaft", este filme trás uma abordagem mais profunda ao movimento e contém menos violência. A fotografia de James Signorelli é particularmente inteligente, e traz-nos uma abordagem das ruas de uma pequena cidade. A montagem funciona muito bem com a banda sonora de Curtis Mayfield, particularmente numa sequência. O ritmo é lento, mas isso dá-nos tempo para compreender as motivações do personagem principal, interpretado por Ron O´Neal. Mesmo as tão esperadas cenas de sexo são menores neste filme, e nós somos levados a acompanhar o personagem de O´Neal enquanto ele tenta arranjar uma forma de saír das ruas. 
Ao contrário de muitos filmes de gangsters revisionistas que nos nos alinham claramente com o vilão,  "Super Fly" nunca é muito claro, nesse aspecto. A frustração de Priest com as limitações sociais faz sentido, mas ele ainda é um traficante de drogas que trata os outros com desdém quando o contradizem. Tem uma mulher atenciosa ((Sheila Frazier), mas também a engana. Ron O'Neal tem um desempenho extremamente eficaz no papel de Priest, e embora a maioria das restantes personagens serem bastante insultantes, O'Neal injecta um lado humano à sua personagem que nos mantêm do lado dele até ao fim do filme. 
Era o filme de estreia de Gordon Parks Jr, filho de Gordon Parks, o realizador de "Shaft". Faria apenas 4 filmes, acabando por falecer poucos anos depois, vítima de um acidente de aviação.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Shaft, Mafia em Nova Iorque (Shaft) 1971

John Shaft (Richard Roundtree) é um detective privado nas ruas de Nova Iorque, e certo dia enquanto faz o precurso da sua casa para o escritório é informado por um engraxador de sapatos que dois gangsters o procuravam. O seu amigo polícia Vic Androzzi (Charles Cioffi), intercede-o e pergunta-lhe se sabe porque é procurado pelos homens do poderoso gangster Bumpy Jonas (Moses Gunn), o que ele não sabe, mas quando chega ao seu escritório tudo leva a crer que este não será um dia normal...
Por causa de todo o hype que envolve o filme, da banda sonora altamente sensual e sugestiva de Isaac Hayes que ainda é ouvida, e porque o cinema de blaxploitation pode muito bem ter explodido graças ao sucesso deste filme, "Shaft" atingiu um merecido estatuto de culto, que vai muito para lá das críticas. E hoje em dia, ao olharmos para ele, mesmo com o apelo ás massas que um detective privado super cool representa, ainda é possível mesmo no calor da violência, ver um filme elegante com diálogos muito atraentes. O abuso da palavra "baby" leva a um final aberto a todo o tipo de observações.
O filme foi criticado na época por não ser uma exposição completa da experiência urbana negra, e por ser apenas uma versão "negra" de um thriller policial da Hollywood dos anos 40, mas, mesmo assim, "Shaft" ainda tem uma grande sensibilidade negra, basta testemunhar uma conversa do personagem principal com um polícia italo-americano branco, e, ainda hoje, parece radical um filme ter quase todos os actores negros, como acontece com "Shaft". No entanto, a violência do filme, a que muitos se opuseram na altura, não causará muito choque para o público da actualidade. Os atractivos centrais serão os diálogos e as atitudes, assim como o actor Richard Roundtree, que dá a Shaft a quantidade certa de carisma, arrogância e intocabilidade. Logo quando o filme começa, Shaft atravessa a estrada com o trânsito em movimento, chegando ao outro lado ileso. Assim é o cinema de blaxploitation, e assim é Roundtree neste filme.

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sweet Sweetback's Baadasssss Song (Sweet Sweetback's Baadasssss Song) 1971

Melvin Van Peebles escreveu, realizou, produziu, montou, compôs e interpretou este ataque poderoso e inflamatório à América branca. Depois do corpo de um homem negro ser descoberto, Sweetback ajuda dois brancos "conhecidos" para estes ficarem bem, indo com eles para a esquadra como suspeito. Mas ele é obrigado a fugir depois de atacar brutalmente os dois polícias depois destes prenderem e espancarem um jovem negro.
"Sweet Sweetback's Baadasssss Song" de Melvin Van Peebles, foi um momento decisivo na história do cinema americano e do movimento negro. Foi lançado menos de uma década após o Movimento dos Direitos Civis ter começado, e quase vinte anos antes do incidente de Rodney King. A sua violência e alta sexualização, um conto de vingança de um "machão" negro lutando contra a opressão branca, e vencendo, foi algo que nunca tinha sido visto numa tela do cinema americano.  Em estilo, conteúdo, e na forma como foi concebido e produzido,  "Sweet Sweetback" foi uma revolução cinematográfica, quer concordemos ou não com o tema.
Van Peebles, um americano negro, que primeiro ganhou reconhecimento a escrever livros em França, construiu "Sweet Sweetback" de baixo para cima, quase inteiramente sozinho. Como dificilmente um estúdio ousaria financiar tal filme ele foi obrigado a conseguir todo o dinheiro por ele próprio, batendo porta a porta. O filme acabou por custar apenas 500 mil dólares, parte dos quais foram financiados por Bill Cosby. Van Peebles reduziu os custos contratando mão-de-obra não sindical, e assumindo ele próprio grande parte das responsabilidades do filme: argumento, realização, montagem, banda sonora e interpretação. Ele também foi um brilhante empresário que encontrava sempre uma forma de conseguir uns dólares extra. Por exemplo, quando a MPPA deu ao filme um x-rating Van Peebles não só ameaçou trazer uma acção judicial contra Jack Valenti e a MPAA, como também desenvolveu um pequeno esquema de marketing com a expressão "Rated X by an all-white jury," que colocou nos cartazes para ajudar a publicitar o filme. Também colocou esta frase em t-shirts que não teve problemas em vender.
O ponto de vista de Van Peebles, era trazer para os cinemas uma visão de ser negro e viver na América, que outros cineastas tanto tinham ignorado. Claro que com a abundância de rap e hip hop a fazerem ode à vida negra no centro da cidade, e filmes como os de realizadores como Spike Lee e John Singleton, "Sweet Sweetback" não parece ser um filme tão revolucionário. Mas, no exacto momento da estreia, foi tão revolucionário que apenas dois cinemas americanos o mostraram. Os distribuidores ficaram petrificados por um filme que, nas palavras de Van Peebles, deu ao público negro uma hipótese de ver algumas das suas fantasias realizadas, saindo da lama e lutando pela vida. 
Hoje em dia "Sweet Sweetback" é considerado o filme que deu inicio ao movimento da blaxploitation, no entanto  Van Peebles disassocia o seu filme de outros como "Shaft" ou "The Mack", porque estes foram filmes produzidos por grandes estúdios de Hollywood. "Sweet Sweetback" é também o único filme considerado obrigatório ver pelos Panteras Negras.

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Blaxploitation

Desde o inicio da década de 70, até meados dessa mesma década, aconteceu um movimento muito típico do cinema americano, chamado Blaxploitation, e que consistia num movimento formado por actores e realizadores negros, empenhados em atraír audiências da mesma raça. Junius Griffin o presidente de Beverly Hills para a NAACP (National Association for the Advancement of Colored People) é por vezes creditado como o inventor deste, de certa forma ambíguo, termo "blaxploitation", para descrever este "género" fugaz.  "Sweet Sweetback’s Baadasssss Song" (1971) de Melvin Van Peebles é normalmente o primeiros de muitos filmes de temática negra que viriam a trazer uma nova imagem para a cinematografia afro-americana.
Durante a primeira metade da década mais de 200 filmes deste tipo quebraram os estereótipos do cinema existente, mostrando homens negros possuídos (por vezes mulheres, como a fantástica Pam Grier) no controle dos seus próprios destinos. Mas desde o inicio que os críticos aos afro-americanos descobriram que estes estereótipos tornados possíveis pelos comportamentos dos heróis e heroínas dos filmes - que muitas vezes incluía tráfico de droga, violência e sexo fácil - eram o efeito mais prejudicial dos filmes. Também foi prejudicial a ausência de uma estética cultural negra. Os estúdios receberam muitas críticas pela ansiedade em ganhar dinheiro com esta tendência blaxploitation, mas as acusações mais pungentes ficaram para os actores e actrizes que contribuíram para os estereótipos mais ofensivos, interpretando personagens como chulos, prostitutas, traficantes de droga, e outros tipos de personagens.
Três actores proeminentes deste período eram Fred Williamson, Jim Brown (que se tornaram actores depois de deixarem o futebol profissional) e Ron O’Neal. Porque eles aceitaram estas regras, muitos afro-americanos famosos como Alvin Pouissant ou Jesse Jackson desafiaram-nos a considerar o tipo de modelo que estavam a mostrar à sociedade negra, principalmente aos mais influenciáveis.
O’Neal, por exemplo, no papel de um patrão da droga em Super Fly (1972), um famoso filme de Gordon Parks, Jr., interpretou uma personagem "cool", sofisticada, cheio do estilo e com grande taxa de êxito com as mulheres, guiava um carro de último modelo e usava a sua colher para a cocaína como acessório da moda. Muitas pessoas consideraram este filme um escândalo, mas isso não o impediu de se tornar um sucesso.
Como respostas às críticas os estúdios e os realizadores defenderam os filmes da blaxploitation, dizendo que apenas estavam a cumprir as demandas do público. Uma boa parte desses filmes também representavam os esforços dos estúdios em atingir o que para eles era um novo mercado: os afro-americanos. Antes de chegar este género raramente os actores negros tinham papéis de protagonistas, em filmes com distribuição alargada, mas a partir daqui podiam começar a escolher os seus próprios papéis, e frequentemente os filmes eram construídos à volta dos seus próprios papéis.
Nas próximas duas semanas vamos dar uma rápida passagem pela Blaxploitation, e descobrir alguns dos seus filmes mais importantes. Não sei se já viram "Jackie Brown", de Quentin Tatantino, mas é uma espécie de homenagem a este género.
Vamos começar com este documentário, que explica tudo.